Fiat Lux: Cosmogênese. Caderno 1, 1994

Roberto Lucíola

Conceito de substância

SUBSTÂNCIA – Conceito fundamental da Cosmogênese. Há, do ponto de vista esotérico, um conceito fundamental para o entendimento da Cosmogênese: o conceito de Substância.

Para nós, Substância é aquilo que se manifesta, ou seja, a base da manifestação dos Universos. A Causa Sem Causa do Espírito e da Matéria. É algo que não tem princípio nem fim; que não tem Passado, Presente ou Futuro, que transcende o Tempo, é a Realidade Única incontinente.

Os vários sinônimos da Substância Primordial na literatura ocultista:

Espaço
Vida Una
Absoluto
Eterna Presença
Grande Hálito
Svayambhuva
Aquilo que Existe por Si mesmo
O Todo
Ain-Suph
Tudo-Nada

Polarização: Primeira Manifestação

A Polarização é a primeira manifestação da Substância que, obedecendo a uma Lei Cíclica, polariza-se em Espírito e Matéria, ou em Polo Positivo e Polo Negativo da manifestação.

A Substância Primordial é o não-Ser que, polarizando-se, transforma-se em Ser. Passa a ter atributos ou qualidades da Substância Eterna, que podem fundir-se e desaparecer quando a mesma Substância entra naquilo a que chamamos de Repouso ou Pralaya. Em verdade, a Substância Genesíaca jamais pode estar em repouso, pois representa o próprio Movimento. O Movimento é a sua maneira de ser, muito embora sendo Movimento Transcendente ou Absoluto. As consciências limitadas veem apenas a completa imobilidade. A Substância Eterna se polariza e despolariza voltando ao não Ser, na sucessão daquilo que a Sabedoria Oriental chamou de Dias e Noites de Brahmã.

Disse um Adepto:

“A Existência inicial, no primeiro crepúsculo do Maha-Manuântara, é uma qualidade espiritual consciente nos Mundos manifestados; surge, em sua subjectividade objectiva, à maneira do Véu agitado por um Sopro Divino, diante do olhar do vidente extasiado. Difundese, ao sair de Laya, através do infinito como um fluido espiritual incolor.”

Segundo o Dicionário Delta Larousse, o termo Substância significa: “Princípio de ser que é permanente, em oposição aos acidentes que mudam. – Qualquer espécie de matéria, natureza de uma coisa. – Essência. – Corpo. – Aquilo que há de essencial numa obra. – Síntese.”

SUBSTÂNCIA PRIMORDIAL – Na sua primeira diferenciação, a Substância Primordial tem o aspecto, para visão espiritual de um ser dotado de alta clarividência, de um fluido espiritual incolor. O homem comum, com uma visão apenas em três dimensões, não a vê senão como o Grande Nada, o Éter dos cientistas. Esta Substância preenche todo o espaço, inclusive o que existe entre os Sistemas Solares, Galáxias, etc. Quem não é senhor desse dom divino não pode ver nada entre as estrelas…

Essa Substância é a plenitude abarcante de tudo. Os Sistemas Solares e toda a matéria que os constitui nada mais são do que a condensação ou materialização dessa Substância Primordial que está na origem de todas as manifestações, sejam elas de carácter físico, mental ou espiritual.

A Substância Primordial liga os corpos celestes e os mantém em harmonia no imenso Oceano do Espaço. Mais tarde veremos a extrema complexidade desse fenômeno, o que explicará porque só as pessoas altamente evoluídas podem transitar por tão sublimes regiões.

MERGULHO NO OCEANO DA VIDA – Quando Ramakrishna atingiu o estado mais elevado de Samadhi conhecido por Nirvi-Kalpa-Samadhi, ou seja, um estado de consciência elevadíssimo raramente alcançado, pois é um estado de permanente Samadhi, de União com Deus, sem contudo perder o seu vínculo com o Mundo e transitando por ele livremente, confessou que ao mergulhar no Todo sentiu-se como que envolvido por uma onda gigantesca e inefável impossível de descrever, sendo o máximo que pode dizer-se foi sentir-se mergulhado num Oceano de Luz e Esplendor, entrando em Êxtase Cósmico.

A substância primordial não é um ser

Sobre o conceito de Substância, vejamos o que diz o Venerável Kut-Humi, Mahatma ligado à Linha dos Kut-Humpas:

“Recordemos que os Espíritos Planetários (Dhyan-Choans) atravessam o Véu da Matéria Cósmica e encontram-se, relativamente ao Mundo Transcósmico, na mesma situação em que nos encontramos, envolvidos pelo véu grosseiro do Mundo Físico. Conforme asseguram os Espíritos Planetários Superiores, a Mente Infinita só lhes mostra, a Eles como a nós, as palpitações inconscientes e regulares do eterno e universal pulsar da Natureza nas miríades de Mundos, tanto por dentro como por fora do véu primitivo do nosso Sistema Solar. Quanto ao que está ao nosso alcance, por dentro do véu na extrema fronteira, na borda mesma do Véu Cósmico, sabemos, por experiência pessoal, que o que ficou dito é verdade. O que existe além, entretanto, só o conhecemos através das informações que nos proporcionaram os Espíritos Planetários e o nosso Bendito Senhor Budha.”

Como vimos, a Substância Eterna não é um Ser, antes sendo precisamente o não Ser, a origem de tudo o que vemos e daquilo que não vemos. É a Causa Sem Causa, e assim sendo para o ocultista não existe um Deus pessoal, uma pessoa. Por mais elevada que seja uma criatura, ela não passa de uma criação que se originou, como tudo o mais, dessa Fonte Única donde tudo promana.

A Sabedoria Iniciática ensina-nos que a Substância Primordial é o não Ser, que passando do estado passivo ou indiferenciado para o ativo manifestado transforma-se no Ser. Quando, saindo da imobilidade aparente para a plena atividade, Aquilo, ou TAT dos orientais, ao entrar na Roda de Samsara passa por uma mutação. Enquanto imanifestada Ela é eterna, mas ao entrar em atividade passa a ser limitada, com tempo de manifestação cíclica, periódica, com princípio e fim bem definidos. Na fase de polarização, tudo é finito, limitado, mortal, para no final voltar ao Eterno Presente que sempre foi, é e será. É como aquela pedra de mó do moinho, que tenha ou não grão para moer continuará a girar, segundo a comparação feita pelo Iluminado Mahatma.

Purusha e Prakriti

Não pode haver manifestação sem polarização. Para que um ser humano seja criado ou manifestado, necessária se faz a polarização Pai-Mãe. Este facto concreto é o mais perfeito reflexo do que ocorre macrocosmicamente. A polarização gera dois centros cósmicos ativos, conhecidos pela tradição dos orientais pelos nomes de PURUSHA e PRAKRITI. O polo positivo é Purusha, que na nossa língua corresponde ao Espírito. O polo negativo é Prakriti, ou Matéria. Esquematizando,temos:

PURUSHAPÓLO POSITIVOESPÍRITO
PRAKRITIPÓLO NEGATIVOMATÉRIA

Segundo a Ciência Iniciática, tanto o Espírito como a Matéria não são permanentes. Só passam a existir no período de manifestação. Período de manifestação chamado pelos Brahmanes de Dia e Noite de Brahmã, também chamado de Manuântara ou Manvantara.

Ao período de não-manifestação os Iniciados denominam, também, de Noite de Brahmã ou PRALAYA.

MANUÂNTARADIA DE BRAHMÃPERÍODO DE MANIFESTAÇÃO
PRALAYANOITE DE BRAHMÃPERÍODO DE REPOUSO

Caos e Cosmos

Segundo a Filosofia Oriental, existe uma diferença fundamental entre os termos BRAHMÃ e PARABRAHMÃ. Brahmã expressa a manifestação, o que já se polarizou, o que existe no Mundo das Formas. Enquanto Parabrahmã, como acentua o radical “para” significando aquilo que está “além”, “acima”, etc., expressa o Imanifestado, o que está além de Brahmã. É a origem subjetiva de Brahmã. Brahmã é Espírito e Matéria. No seio do Eterno, ou de Parabrahmã, Espírito-Matéria coexistem. Em outras palavras, Espírito e Matéria são uma só e única coisa. Daí falar-se em CAOS, não que esses valores sejam caóticos mas no sentido de não estarem “diferenciados”, polarizados. Quando se fala em COSMOS, quer-se dizer manifestação organizada, diferenciada, em atividade, já polarizada.

ESPAÇO E CAOS – São sinônimos. Segundo H.P.B., os antigos acreditavam que o Caos era inconsciente e continha em si mesmo todos os elementos que dão origem à Vida em estados não diferenciados.

O Espaço, que os cientistas pretendem ser o “Vazio”, é, na realidade, o Corpo do Universo com os seus Sete Planos, que estudaremos oportunamente. É um Corpo de extensão ilimitada que contém em si todas as formas de vida ou de manifestação. Segundo um sábio cabalista, é o que “contém tudo, sem ser contido por nada”, e acrescenta: “É a extensão sem limites”.E pergunta: “Extensão de quê?” Responde ele mesmo: “Do Continente Desconhecido de Tudo”.

Prakriti e Mulaprakriti

Prakriti é um dos polos da manifestação. É a Matéria. Mulaprakriti é o que dá origem a Prakriti, portanto, é a Essência da Matéria. Assim sendo, está mais relacionada ao estado não manifestado da Matéria. É aquilo que, no período de Manuântara, tomará forma. Espírito e Matéria, em essência, são uma só coisa; o que os distingue é o estado de configuração. Quando unidos, diz-se que estão em estado caótico ou estado de Indiferenciação.

Parabrahmã e Mulaprakriti são Unos em essência. Prakriti é considerado como uma Maya, estando, portanto, destinada a desaparecer na fase do Pralaya. Mulaprakriti é a raiz de tudo e como tal um aspecto de Parabrahmã que, como vimos, está além de Brahmã.

FORMA TRINA DO UNIVERSO – Parabrahmã é a fonte donde promana tudo o que existe. Embora sendo Uno, possui em si três Hipóstases, ou três Potencialidades. Usamos este termo porque não podemos dizer que Parabrahmã é portador de três qualidades, porque se assim O designássemos estaríamos limitando-O. Essas Potencialidades podem ser assim definidas:

EspíritoPré-Cósmico
MatériaPré-Cósmica
Movimento Eterno 

Espaço com limites e espaço sem limites

O Espírito Pré-Cósmico e a Matéria Pré-Cósmica, quando em estado de repouso (Pralaya) formam uma unidade chamada Caos Primordial, ou estado não diferenciado de Espírito e Matéria. Quando entra no processo de manifestação, polariza-se em Purusha (Espírito) e Prakriti (Matéria). Contudo, manifestado ou não Parabrahmã está eternamente em movimento.

Segundo as Estâncias de Dzyan, Mulaprakriti é assim definida:

“O Eterno Pai, o Espaço, envolto em suas invisíveis Vestes havia adormecido uma vez mais durante Sete Eternidades.”

Comentários: – “O Pai, o Espaço, é a Causa Eterna, Omnipresente, a incompreensível Divindade, cujas ‘invisíveis Vestes’ são a raiz mística de toda a Matéria e do Universo. O Espaço é a única coisa eterna que somos capazes de imaginar facilmente, que não é influenciado nem pela presença nem pela ausência de um Universo objectivo. Não tem dimensões, seja em que sentido for, e existe por si mesmo. A Causa sem Causa do Espírito e da Matéria.

Assim, as Vestes representam o número da Matéria Cósmica não diferenciada. Os hindus a chamam de Mulaprakriti, e dizem que é a Substância Primordial que constitui a base ou veículo de todos os fenômenos, sejam físicos, psíquicos ou mentais.” (Doutrina Secreta – Volume I)

A serpente de fogo

“Antes do nosso Globo assumir a forma de ‘Ovo’ (e também o Universo), um longo rasto de poeira cósmica – ou névoa de fogo – movia-se e retorcia-se como uma ‘Serpente no Espaço’. O Espírito de Deus movendo-se no Caos, foi simbolizado por todos os povos sob a forma de uma Serpente de Fogo exalando chamas e luz sobre as Águas Primordiais, até haver encubado a Matéria Cósmica e fazê-la tomar a forma anular de uma Serpente que morde a própria cauda, que simboliza não somente a Eternidade e o Infinito, mas também a forma esférica de todos os corpos produzidos no Universo daquela névoa de fogo.

“Na Noite de Brahmã, a Matéria Eterna recai periodicamente no seu estado primário ‘não diferenciado’. Os gases mais rarefeitos não podem dar, ao físico moderno, nenhuma ideia da natureza dessa Matéria Eterna, ou Substância Primordial.” (Doutrina Secreta – Volume II)

A Substância Primordial é Omnipresente, abarca tudo, não existem palavras para descrevê-la. O Professor Henrique José de Souza usou a frase “Oceano sem Praias” para defini-la. Porque o termo Oceano sugere a ideia de imensidão, e com o acréscimo de sem Praias, a dimensão amplia-se e abarca a Infinitude de Deus.

Como já vimos, há ocasiões em que esta Substância se polariza para poder se manifestar. Aqui faz-se necessário um esclarecimento que consideramos de suma importância: o Todo, o Eterno, a Totalidade das coisas, não se manifesta em sua periodicidade na sua totalidade, no seu Totum, quando entra no Manuântara. Segundo os Iluminados, ELE cria bolsões, “Nódulos” no seu Corpo Infinito. É como se fossem “ilhas” no seio desse Oceano incomensurável. Num Livro Sagrado, esses bolsões manifestativos são como “seteiras no sombrio corpo do Infinito”. Seteiras essas separadas não só por espaços incomensuráveis, mas também por dimensões diferentes.

Os Espaços, Nódulos, Ilhas, Seteiras, Universos manifestados ou outras designações que se lhes queira dar – acreditando-se que são incontáveis – estão circunscritos por limites bem definidos. Daí dizer-se, nos meios ocultistas, que o Eterno é o “Espaço Sem Limites”, enquanto os Universos manifestados designam-se como sendo o “Espaço Com Limites”.

A borda externa dos Universos com Limites, ou seja, a casca do Ovo que separa o que está manifestado do que não está manifestado, é conhecida como sendo o “Ovo de Hiranyagharba” ou “Ovo Áurico de Brahmã”. É a misteriosa região do “daqui não se passa”. Ignora-se sobre a possibilidade de contato inter-Universos. Alguns acreditam que, talvez, só os mais elevados Dhyan-Choans (Espíritos que presidem aos Universos) possam fazê-lo.

Chave simbólica

Para expressar determinadas ideias e conceitos por demais abstratos, os Adeptos costumam usar a Linguagem dos Símbolos, que além de não deturpar as ideias com palavras inadequadas, tem a propriedade de eternizar e universalizar os Conhecimentos Sagrados.

Abaixo, damos uma série de símbolos geométricos que expressam os conceitos básicos da Cosmogênese:

Futuramente falaremos da inter-relação desses símbolos e sua relação com os “Tronos”.

OS QUATRO SÍMBOLOS SAGRADOS

No primeiro símbolo vemos um círculo, que melhor seria ser visto como uma esfera. Segundo os cabalistas, a esfera é a que melhor expressa a totalidade, pois não tem princípio nem fim.

No segundo símbolo vemos um círculo com um ponto central. Este símbolo é muito profundo. Genericamente, diz-se que representa o Germe no Ovo. “Na sombria seteira do Infinito”, realmente é uma frase deveras estranha. Tentemos desvendar o mistério que encerra essa afirmação iniciática, dentro das nossas limitações. Quando o Eterno, obedecendo à Lei Cíclica de Manifestação, inicia a criação de um novo Universo ou de um novo Sistema Solar, etc., Ele delimita um determinado espaço, pois, como já vimos anteriormente, Ele não se manifesta em seu Totum. Também, por analogia, quando um construtor vai construir uma obra, um edifício, por exemplo, a primeira providência que é tomada é a delimitação da área a ser construída, o que geralmente é feito através da construção de um tapume ou cerca, etc. Macrocosmicamente o fenômeno assemelha-se, guardadas as devidas proporções.

Ao limitar o espaço que, será palco de um novo trabalho evolutivo, por certo o Grande Arquitecto não usará uma “cerca”, mas algo incompreensível para nós, algo que separará o que vai manifestar-se daquilo que continuará imanifestado, que, em última análise, é o próprio

Eterno. Os Iniciados chamam essa “cerca cósmica” de Ponto Laya, Fímbria Manifestativa, Hiranyagharba, Ovo Cósmico, etc.

Nos primórdios da criação do novo Universo, essa Fímbria que delimita o Manifestado do Imanifestado, não alterará o que está dentro do que está fora da “cerca” ou Ponto Laya.

Tanto o que está “dentro” como o que está “fora” do Ovo de Brahmã, da esfera, é constituído de Substância Primordial ainda virgem, ou seja, indiferenciada, que assim sendo encontra-se ainda no estado de Caos. Embora inicialmente não haja nenhum trabalho realizado, nenhuma diferenciação, aquela parcela do Eterno já limitada dentro do Ponto Laya traz em si, contudo, o Germe da Criação.

À medida que a Substância já circunscrita for sendo trabalhada, irá trazendo à existência os Sete Planos Cósmicos, que serão elaborados a partir da Matéria-Prima original. Oportunamente estudaremos o tema com mais detalhes.

No terceiro símbolo vemos um círculo dividido ao meio por uma linha, que também encerra um profundo conteúdo iniciático. Essa linha imaginária expressa a ideia da 1.ª Polarização, ou seja, do Espírito e da Matéria, melhor dito, daquilo que com o processo evolutivo se transformará em Espírito e Matéria. Tanto o Espírito como a Matéria não passariam de simples abstrações sem a complementação mútua. O Espírito precisará sempre de um veículo para se manifestar, veículo esse que só a Matéria pode proporcionar. A Matéria, por sua vez, sem ser animada pelo Espírito morre e volta ao estado caótico primitivo.

Nessa fase da evolução, o que está “dentro” do Ponto Laya já se apresenta transformado em relação ao que está “fora” que continua virgem. O que não acontecia quando só o ponto aparecia no seio do círculo. Essa polarização germinal é designada pelos hindus por Purusha e Prakriti.

No quarto símbolo vemos um círculo tendo no seu interior uma cruz. Nessa fase da evolução é quando o trabalho evolucional está em pleno desenvolvimento. A Substância Primordial Primitiva já passou pelas sete diferenciações fundamentais que deram origem aos Sete Planos Cósmicos e respectivos Sub-Planos, às Hierarquias em plenas funções na criação dos Reinos, bem assim como às Rondas, Cadeias e Sistemas, tudo fluindo de acordo com a programação do Logos Criador. É assunto que abordaremos em ocasião propícia.

[…]

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