Iniciação (Teúrgica) JHS – Parte I

Hugo Martins 

INTRODUÇÃO

O sintoma mais evidenciado hoje imperando nos meios neoespiritualistas do chamado “movimento new age”, disseminado sobretudo entre 1970 e 1980, é o de uma espiritualidade alternativa isentada da regra e ordem com livre acesso sem necessidade de mestres ou instituições de carácter tradicional e iniciático para o desenvolvimento humano, onde cada um poderá ser guru, mestre de si mesmo com um vasto leque de oferta e procura (selfie meditation, autoajuda, divinações e afins, etc.). Este “neoliberalismo espiritual”, inclusive de modo a justificar-se, é frequentemente defendido com a ideia alienígena de ‘Auto-Iniciação’ (?!) com diferimento da multissecular consignada Alta Iniciação. A verdade é que essa visão honra uma despreocupação e uma enorme irresponsabilidade para quem se aventura nos caminhos do Ocultismo prático e deles não saberá sair, tampouco dar as directrizes orientadoras de uma Espiritualidade verdadeira aos seus “súbditos” e “seguidores”, no que tudo isso redunda em parafernália de gurus mais ou menos carismáticos, comunidades exclusivistas e toda uma indústria e comércio de fazedores de  “milagres” que os prometem na resolução dos problemas mais mundanos das pessoas. Todo este “materialismo espiritual”, no dizer de Trungpa Rinpoché, ocorre exactamente por haver uma apropriação profanizadora da Tradição Espiritual, ou das tradições de carácter sagrado ou religioso transportadas para um sincretismo de “centro comercial” fabricando uma indigesta “salada de frutas”, enganando o imediato dos sentidos e sempre com consequências negativas e contaminantes para a Alma. A consequência de tal ou tais “produtos espirituais”, é de que apodrecem rapidamente ao cabo de pouco tempo, havendo a necessidade onírica de os substituir por outros. A que se deve esse fenómeno? Ao simples facto de estarem desligados das suas raízes tradicionais, obrigando a uma “nova colheita”, a uma nova criação e consequentemente ao inevitável novo apodrecimento dos mesmos, mantendo a insatisfação interior. Assemelha-se ao fruto que amadurece fora da árvore e acaba por apodrecer. Este ciclo vicioso vivido de forma ininterrupta é tóxico para a Alma Humana, levando o indivíduo a recriar uma espécie de mito de Tândalo que nunca fica saciado na sua sede, neste caso, espiritual, conduzindo-o a uma procura por ilusões momentâneas cada vez deixando-o mais longe da sua verdadeira Realização individual. Por que razão uma tradição como a da Cabala ou a do Sufismo, mesmo tendo um carácter exotérico além do intrínseco esotérico, nunca sucumbiram ao longo da História? Exactamente por estarem fortemente enraizadas na milenar fonte da Tradição Espiritual. A própria História descrevendo a cultura dos povos nas suas diversas manifestações sagradas e religiosas, confirma esta verdade universal. Deste modo, podemos afirmar com elevado grau de segurança que Espiritualidade sem Tradição é como a criança sem educação. Será sempre desgovernada, caótica e destituída de valores sólidos. No entanto, parte da Tradição Espiritual também hoje não se encontra em pleno. Por mais que valorizemos e tenhamos amor à Tradição Iniciática das Idades, a verdade é que a crise de valores espirituais reina ao nível institucional, vítima dos efeitos funestos da Kali-Yuga ou Idade Sombria por que atravessa o Mundo.

A “especulação simbologista”, que adentrou o Ocultismo ocidental no século XVIII, conduziu as antigas tradições a um folklore ou “conheceres populares” destituído de verdadeiro significado iniciático, limitando-se à indologia moral e ética educativa da Alma mas não do Espírito. Além disso, as teses filosóficas (Rousseau e Lock, por exemplo) conducentes às diversas políticas de carácter social visando transformar a “pedra bruta”, função inicialmente ao encargo de Adeptos e de Iniciados, na “pedra polida” do Estado Social,  deram origem ao Poder Social e com este, não raro por ausência humana do valor espiritual, decaindo em anárquicas ditaduras totalitárias, completamente avessas a qualquer Estado Social justo e perfeito para governantes e governados nos puros paradigmas da Sinarquia. Por outro lado, vemos os “mitos de fundação” irrompendo em larga escala nos séculos XIX-XX, que além da auto-justificativa descendência da Tradição Primordial, a maioria das vezes sustentam-se em Egrégoras ou “Sinergias Colectivas” de um Passado remoto desadequadíssimas às necessidades presentes do Ciclo ou Era ora vigente, ou que pelo menos se avizinha o seu despontar consciencial (Aquário). Tal procedimento e resultado vêm a ser análogos aos mesmos que praticou D. Sebastião na violação dos túmulos dos seus antepassados – corpos mortos!

Toda essa “especulação simbologista”, “folklores” e “mitos de fundação” não contribuíram nem contribuem em nada à Tradição Iniciática, tornando-a mesmo contra-iniciática, pelo menos aparentemente numa inversão própria de diabolismo sinistro, assim reflectindo à saciedade ignorância atroz das verdadeiras origens tradicionais do Homem Psicossocial, bem como das suas chaves iniciáticas.

O QUE É A INICIAÇÃO?

Neste sentido, é incontornável que percebamos de maneira clara o que é a Iniciação. Etimologicamente, esta palavra advém do termo latino initio, raiz de termos como iniciarinício iniciado. De acordo com este pressuposto, a Iniciação visa assim uma relação do sujeito com o “início das coisas e do mundo”, o que equivale tradicional e espiritualmente à relação com o Logos, o Verbo Divino (“No princípio era o Verbo…”), ou seja, implica uma relação/vivência imediata ou gradual com o Espírito, em conformidade ao amadurecimento ou desenvolvimento sensorial da Alma. Independentemente das diversas abordagens e definições que o conceito implica, ele é algo caracteristicamente Uno, Invisível e Indivisível do Espírito, antagónico ao Múltiplo, Visível e Divisível da Matéria. Neste sentido, afere-se que a relação do sujeito com o “início”, portanto, a Iniciação, trata-se inquestionavelmente de uma relação com as causas e princípios contrariamente aos fenómenos e efeitos das coisas e do mundo. Simbolicamente, a imago sintetizadora de toda esta realidade é o Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. Este animal sagrado que se fecha sobre si mesmo, sintetiza toda a dialéctica dos opostos numa única realidade. Não tem princípio nem fim, é o equivalente ao Alfa e Ómega, logo, ao Eterno, à Fons Vitae, à Imortalidade, à Origem do Tudo e do Todo – coisas, objectos, pensamentos, emoções, etc. Contudo, ao fechar-se sobre si mesmo torna esta mesma realidade hermética, oculta, secreta ou invisível. Daqui se justifica todo o secretismo em torno das Ordens Iniciáticas ou, pelo menos, discretas, a chamada disciplini arcani, sendo uma pedra de fecho crucial para quem vive esta característica essencial à realização na Tradição Espiritual. Criticá-la é sinónimo de ignorância, da preferência à desordem psicomental  preterindo qualquer tipo de ordem reguladora, e mais grave o é quando não se pratica por falta de integração e conhecimento da sua via mas, em actos os mais profanos e profanizadores, se expõem aleatória e indiscriminadamente ao público geral quanto se consiga capturar aqui e acolá de revelações, rituais, objectos, símbolos sagrados, etc. Portanto, a Iniciação para além de se destinar a estabelecer uma relação com as Causas, é uma tradição que se desenvolve no âmago do secreto por afinidade análoga à realidade oculta com que nos pretendemos relacionar. O Culto torna-se, ou é, Oculto. A moderna Teosofia não é excepção, e para o comprovar tanto Madame Blavatsky (Mestra Upasika) como o Professor Henrique José de Souza (Mestre JHS) utilizaram ambos o Ouroboros no pantáculo representativo das Instituições por eles fundadas: a Sociedade Teosófica de Adyar e a Sociedade Teosófica Brasileira.

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No entanto, a conquista da vivência da Unidade transcendente da vida, do Uno, fornecida pela imagem do Ouroboros, no Homem tem um significado muito específico – a reintegração do seu ser na sua Consciência divina. Esta reintegração é também representada no símbolo do Hexagrama, a estrela de seis pontas, no referido pantáculo, a qual estabelece não só a relação entre o Microcosmos e o Macrocosmos, como também a união, o jugo ou casamento entre o triângulo invertido, ou seja, a Natureza Inferior (Personalidade) do Homem, e o triângulo vertido, portanto, a Natureza Superior (Individualidade) do mesmo. Mistério magno que se compreende como a imanência Divina no ser humano, origem de um fenómeno extraordinário dentro da Fisiologia Oculta explicado pelo despertar da “Serpente Ígnea”, localizada em estado latente na base da coluna vertebral, à qual os orientais designam de Kundalini. Não nos ocuparemos em detalhe sobre o assunto, mas o Iniciado ao dinamizar os seus centros vitais, chakras, através do domínio da Força Ígnea Serpentina ou Kundalínica pela Yoga e a Meditação num sentido ascendente, passa a ter coexistência em duas consciências ocupando o mesmo corpo, formando assim o chamado Androginismo Consciencial. É quando o Homem se torna uma veste perfeita do Eu Superior, embora seja apenas um reflexo de cima. Passa a ser uma Alma Iluminada, uma Alma Equilibrada, uma Alma em estado Neutro. Esta é a principal razão oculta acerca da “Serpente Divina” (Theo-Ophis, em grego, que também está na origem filológica de Teosofia, Theo-Sophia) constituindo, por sua vez, o símbolo do Iniciado, daquele que reconquistou a “initio”, o início de tudo e de todas as coisas, o que equivale ao conhecimento do seu ser e das coisas, ou seja, ao reservatório espiritual de todas as suas existências anteriores, bem como à compreensão das causas originais da Criação. Ele reconecta-se com a Origem.

Além deste conhecimento, o Iniciado também desenvolve várias faculdades psicomentais, aquelas que os orientais denominam de sidhis. Além das diversas faculdades existentes (clarividência, clariaudiência, etc.), aquela que mais se revela no Iniciado é a Intuição, a sementeira, o florescimento e colheita do sexto sentido, também conhecida no Oriente por Budhi. É difícil de exprimir em termos concretos o que é a Intuição, visto ser a própria VOZ DO SILÊNCIO, a “FILIA VOCIS” ou SENZAR, a “Fala do Coração” cujo silêncio grita nas criptas internas do próprio ouvinte!… Daí o Mestre JHS ter afirmado: “A Intuição é mais atrevida do que a própria Inteligência. Ela é algo assim como um farol que orienta o rumo da Inteligência e, por isso mesmo, foi a Voz Interna que guiou todos os Descobridores”, e acrescenta, “Por isso mesmo, a Intuição é um estado permanente nos Homens Perfeitos ou Adeptos, enquanto esse mesmo estado naqueles a quem chamamos de “sábios”, “génios”, etc., por suas obras de valor para o mundo, só se manifesta em determinados momentos”.

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Para chegar à tão sublime cumeeira da Evolução, necessário se torna o despertar da Intuição, esta a “alavanca de Arquimedes” necessária ao entendimento e aprofundamento dos Mistérios Iniciáticos. Sem ela, haverá somente cultura mais ou menos decorada mas nenhuma tomada de consciência efectiva da finalidade última, e única, do Conhecimento Iniciático: transformar a Vida-Energia em Vida-Consciência.

Por esse motivo, existem e encontramos cinco tipos de pessoas que procuram a Iniciação:

  1. A curiosa: procura matar a sua curiosidade e, como todo o processo é oculto, desiste;
  2. A céptica: duvida de tudo, até do seu cepticismo, ficando, assim, perdida;
  3. A indiferente: chega à Iniciação por causa de outros, e como tanto lhe faz, sai como entrou;
  4. A fanática: é a pior, porque continua na Iniciação, de onde retira poderosos alimentos para o seu fanatismo que a afasta da realidade iniciática;
  5. A que busca a Verdade: é a que realmente pode se tornar Iniciada nos Mistérios Menores, ligados à Evolução da Humanidade, e nos Maiores, ligados às Hierarquias Espirituais, na razão dos 56 Arcanos Menores e dos 22 Arcanos Maiores do Tarot.

A Iniciação Teúrgica, ensinada e ministrada pelo Professor Henrique José de Souza (JHS), é conhecida como Tríplice Iniciação, cujos aspectos são os seguintes:

Na tripeça, cada uma das três colunas agrupam aspectos que têm entre si relacionamento directo para fortalecer cada uma das três bases da Iniciação, Mente – Emoção – Vontade. Este Triângulo, chamemos de inferior, é a “retorta” ou o “laboratório” das experiências humanas onde a Evolução actual se processa de modo a que a personalidade humana no seu labor interno se assemelhe à Individualidade (“Aquilo que é indivisível”) e apresente o terreno fértil para que a Graça do “Espírito Santo” se manifeste, ou seja, para que a Mónada Divina (Espírito) seja una com a Matéria. É o famoso Rebis ou Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz. Este fenómeno hermético corresponde novamente à chave de Hermes, o Trismegisto, ou seja, O que está em Cima [Individum] é como aquilo que está em Baixo [Persona] para que se dê o milagre da Unidade [Rebis]. Assim, a Iniciação é o Labor permitindo o desenvolvimento justo, perfeito e seguro deste processo oculto que pode durar uma vida ou inúmeras vidas do ser humano. Vejamos, agora, em que consistem os três tipos de Iniciação.

Tríplice Iniciação Telúrgica

INICIAÇÕESIndirectaDirectaReal
BASESMenteEmoçãoVontade
SITUAÇÕESEscolaTeatroTempo
VIRTUDESPaciênciaHumildadePerseverança
POSIÇÕESAnalogiaEclético ou HarmonistaSincretista
ETAPASTransformaçãoSuperaçãoMetástase

INICIAÇÃO INDIRECTA

É a Iniciação pela própria Vida, onde o Homem recebe as cargas de sofrimento e de felicidade, geradas, respectivamente, pelos seus próprios erros e acertos. É a mais sofrida, sendo aquela a que a Humanidade está sujeita. Todos se estão iniciando ao longo dos ciclos de reencarnações para atingir o padrão evolutivo final do 4.º Reino Hominal ou Jiva, conhecido na linguagem esotérica como Jivatma.

INICIAÇÃO DIRECTA

É a que se processa através de um Colégio Iniciático, onde o discípulo interpreta os Ensinamentos segundo a sua própria capacidade. É chamada de Simbólica devido aos símbolos que são usados nos Graus e nos Ensinamentos ocultos. As práticas de Yogas, Rituais, Mantrans e Instrução oculta, gradativamente aumentam o grau de consciência e capacitam o discípulo para entender a Linguagem Simbólica.

INICIAÇÃO REAL

É a que ocorre quando o discípulo penetra e decifra os símbolos à luz da Sabedoria Divina, deparando-se, assim, com a Verdade. A meditação constante nos símbolos iniciáticos é, portanto, a chave que abre o Portal da Verdade… representada por um Mestre Real que lhe dará a Iniciação Real, sempre em conformidade à evolução já alcançada pelo discípulo no Caminho da Iniciação Verdadeira.

Iniciação Verdadeira, em última e primaz análise, é a transformação das nidhanas em skandhas! Quando reencarnamos, trazemos de vidas anteriores tendências negativas (nidhanas) e tendências ou qualidades positivas (skandhas). Nascemos sempre com as duas tendências. Nidhanas são forças vivas que não podem ser enfrentadas directamente, mas, transformadas em skandhas pelo processo iniciático. Preguiça, tentações passionais e vícios físico-mentais são exemplos de nidhanas, as quais, se enfrentadas directamente, acabam voltando diferentes e mais potentes. Para se vencer um vício é necessário haver uma transformação interna (descondicionamento e conscientização), ou melhor, despertar uma skandha que seja literalmente oposta àquela nidhana. Pelo amor e ajuda ao próximo, a começar pelos Irmãos de Grupo, conseguimos debelar muitos vícios, pois o vício acha-se estreitamente ligado ao egoísmo, sendo que o cultivo do espírito de fraternidade o extingue.

No entanto, resta ressalvar o seguinte: a Iniciação não visa despertar poderes superiores e tornar o discípulo clauriaudiente, clarividente ou sensitivo. A acontecer o despertar das faculdades superiores (sidhis), serão consequência da evolução normal do discípulo, e jamais anormalidades forçadas contra-Natura as quais acabam por o arrojar fora do decurso normal da Iniciação. Há até casos, isto como exemplo, de discípulos dotados de elevada intelectualidade e distinta moralidade mas que, todavia, nunca tiveram quaisquer faculdades psicomentais ou sidhis. E isso é o melhor para se chegar são e salvo ao fim do Caminho, sem correr o risco de, algures, cair no mediunismo puro e simples, atrofiar-se e perder o timão de sua Alma… “Deixa os teus sidhis para a próxima vida”, afirmava o Senhor Gautama, o Budha, ou seja, “vai protelando-os”… Tudo tem o seu momento justo de acontecer, pelo que forçar é como “colher fruta verde antes da época da colheita”.

Para não tornar o tema acerca da Iniciação muito denso, resta apenas destacar as três regras importantes no Caminho Iniciático do discípulo e as suas etapas:

1.º O Iniciado faz-se, não é feito por ninguém.

Somente pelos próprios esforços é que o Iniciado consegue transformar-se num Adepto. Existem regras ocultas que forçam um Mestre a aceitar um discípulo que realmente queira se iniciar, independentemente da sua raça, estatuto social, condição cultural e outros requisitos, desde que preencha as condições básicas para encetar o processão de Iniciação. Porém, essas mesmas regras impedem o Mestre de passar conhecimentos ocultos ao discípulo, se ele não estiver preparado e não se esforçar para os conseguir.

2.º O sigilo deve ser absoluto, os Iniciados calam-se.

Na maioria dos casos, quando o Mestre começa a manifestar-se, interiormente o discípulo pode ficar eufórico e acabar por contar aos outros as suas experiências íntimas. Isto rompe a ligação conseguida, que só voltará, se voltar, muito tempo depois, após esforços redobrados. O merecimento de receber algo oculto é apenas daquele que se esforça e tenha seguido as regras da Iniciação. Cabe ao discípulo interpretar as experiências e usá-las para o seu desenvolvimento, visando sempre ajudar a Humanidade. Determinados conhecimentos ocultos, gradativamente, estão sendo passados para a Humanidade, porém, existem conhecimentos que, em hipótese alguma, podem chegar aos homens, no seu actual estado evolutivo, pois podem comprometer o trabalho das Hierarquias Espirituais envolvidas com a Evolução Humana e provocar danos gravíssimos ao Desígnio da Lei “que os Mestres conhecem e servem”, ou ainda, no caso de envolver forças subtis da Natureza, provocar verdadeiros desastres ambientais, iguais ou piores aos ocorridos na Atlântida.

3.º Quando o discípulo está preparado o Mestre aparece.

Resume, em outras palavras, o que já foi exposto anteriormente, ou seja, o Poder de Kundalini manifesta-se. Sintetizando, esta Força Electromagnética ou Energia Divina que vibra no Seio da Terra ligada ao Homem pelo seu chakra raiz, late adormecida no seu Corpo Vital, e quando desperta liberta-se e percorre serpentariamente, de baixo acima, os restantes centros vitais (chakras), um a um, existente nesse corpo, afectando directamente o Físico por via do sistema glandular. De maneira que a consciência fisica é dilatada e transportada para outros pontos de percepção, para outros Planos supra-sensíveis além daqueles alcançados pelos sentidos físicos.

Enfim, quando o discípulo (a Personalidade) está pronto (alinhado), o Mestre (a Individualidade) aparece (manifesta-se).

De facto, só o Mestre é capaz de discernir quando é chegada a altura de estabelecer um contacto mais íntimo com o discípulo, assim o aceitando. Uma aspiração pura, um desejo veemente, uma determinação inabalável, uma apetência insaciável para o estudo das coisas ocultas e, acima de tudo, a vontade de servir desinteressadamente a Humanidade. Tais são os requisitos que basicamente se exigem aos que pretendem trilhar a Via do Discipulado. Esta ligação íntima e oculta entre Mestre – discípulo respeita três períodos: Probatório (VIVEKA ou MANODVARAJJANA), a Aceitação (VAIRAGYA ou PARIKAMMA) e a Filiação (SHATSAM PATTI ou UPACHARO). Para que esta última ocorra, necessário se torna verificar a fixação das seguintes qualidades no discípulo:

  1. SAMO: Quietação ou domínio do pensamento;
  2. DAMO: Subjugação do eu pessoal, domínio da conduta;
  3. UPARATI: Tolerância;
  4. TITIKKA: Paciência;
  5. SAMADHANA: Aplicação, equilíbrio;
  6. SRADDHA: Fé, confiança.

Quando elas tiverem sido conquistadas, o discípulo transforma-se num GOTRABHU, isto é, num que “está apto para a Iniciação”. Só posteriomente a esta preparação é que o discípulo sofrerá a transformação auferida na Verdadeira Iniciação, a qual, por analogia aos ritmos da Evolução Cósmica, se apresenta em 4 Graus, graduações ou tipos de Iniciação, sendo a última a integração ou absorção no Divino, o CHRESTUS ou ARHAT.

Neste percurso maiêutico da Iniciação, o parturejar das potencialidades adormecidas no interior do iniciando, nada mais são do que o desabrochar da Centelha Divina na sua consciência, equivalendo, na linguagem tradicional e iniciática, à condição do despertar do “Cristo Interno”. Assim, é possível estabelecer uma correlação entre as quatro (ou cinco) primeiras Iniciações e uma espécie de “Vita Christi”, como processos análogos ao fenómeno oculto que sucede no interior do iniciando. Então, no seu progresso espiritual, até alcançar a 1.ª Iniciação, o discípulo é confrontado com certas provas que testam o seu verdadeiro carácter, de maneira a provar se está apto a ingressar a Via do Aspirantado. A passagem do Aspirantado ao Discipulado real pode ser comparada à 1.ª Iniciação naquilo que ela tem no simbolismo da sua realidade intrínseca, isto é, o Nascimento. Seguir-se-á a fase (ou a crise) do Batismo (2.ª Iniciação), depois a da Transfiguração (3.ª Iniciação), seguidamente a Crucificação (4.ª Iniciação), e finalmente a Ressurreição (5.ª Iniciação), onde o Discípulo se transforma em Mestre Perfeito, Adepto Independente, Super-Homem, Jivamukti ou Jivatma (tantos são os designativos para uma só e soberba realidade), por ter em sua natureza e de maneira integral TRANSFORMADO A VIDA-ENERGIA EM VIDA-CONSCIÊNCIA.

JHS – O MESTRE E A OBRA

Na vivência da Tradição Iniciática, além da disciplini arcani a relação do iniciando com o Divino não se estabelece propriamente por órgãos ou instituições religiosas de cariz confessional, mas antes pela via mistérica da mesma Iniciação, quer dizer, o iniciando é um discípulo informado e nunca um simples devoto crencista. Por seu turno, para ser realmente discípulo, obriga-se a possuir disciplina iniciática, facultada por algo (um Colégios de Mistérios) ou alguém (um Iniciado nos Mistérios), ou antes, por alguém representando algo e que que já alcançado um elevado estado de Iniciação ou elevação espiritual, em último caso podendo ser um Mestre Vivo. Não há Iniciação sem relação Mestre – discípulo, justificando, e repetindo mais uma vez, o belíssimo aforismo hermético: QUANDO O DISCÍPULO (Personalidade) ESTÁ PRONTO (retificado, alinhado, integrado, superado, etc.) O MESTRE (Individualidade) APARECE (manifesta-se).

No caso dos Teúrgicos, ou seja, dos afiliados à Obra do Eterno na Face da Terra, eles reconhecem-se como sendo discípulos de seu Mestre Espiritual J.H.S., vulgarmente conhecido como Professor Henrique José de Souza (H.J.S.). Nascido em 15 de Setembro de 1883 na cidade de Salvador, Estado da Bahia, Brasil, filho de Honorato José de Souza e de Amélia Elisa Guerra de Souza, a vida deste Mestre foi recheada por inúmeros fenómenos, cada qual com significado da maior transcendência, como, aliás, sempre foi a vida de todos os Mestres de Amor-Sabedoria trabalhando na Face da Terra em contacto directo com o mundo profano, por isto mesmo igualmente não deixando de ser um rosário de tribulações e tormentos. São tantos e tão complexos os factos reais que perpassam as meras simbologias ou alegorias, ocorridos na sua vida (de H.J.S.) que eles mesmos são, com as devidas extrapolações, marcos na vida de todos os Mestres, que só de os enumerar se escreveria um longo tratado. No entanto, os que com Ele privaram e muito especialmente tiveram oportunidade de o verem exercer a sua função de Manu da Missão dos Sete Raios de Luz (do Logos Solar), aprendendo páginas inolvidáveis de Sabedoria Divina reveladas por sua Boca perfumada, são testemunhas fidedignas de acontecimentos bem reais que, juntos à sua profunda sabedoria e estatura ética e moral, assim muito justamente o chamaram de Mestre. No entanto, aos leitores poderá surgir a seguinte questão: Qual a razão da diferença de H.J.S. para J.H.S.? Vejamos o que o próprio afirmou acerca do assunto:

As mesmas iniciais JHS, a que a Igreja deu uma definição completamente estranha à verdadeira… definem esse mesmo Governo Espiritual do Mundo.

Diremos apenas o que é possível dizer-se não de boca para ouvido, como exigem as Grandes Iniciações, mas… escrito, pelo que assumimos todas as responsabilidades que nos pudessem acarretar.

HJS quando se trata de um Homem ou Algo Divino em função na Terra; JHS, ou o H central para as duas extremidades, Colunas ou Ministros, esse mesmo Algo Divino feito Homem. E em nosso idioma, como um dos mais sagrados se a ele coube o da Missão da Sétima Sub-Raça (ou dos Sete Raios de Luz), não se escreve Homem com H? Por isso, muito natural é que fique antes do J, quando, de outro modo, deveria ficar depois…Com outras palavras: Homem feito Deus (JHS) e Deus feito Homem (HJS).”

Iniciação (Teúrgica) 4 - Henrique José de Souza
Henrique José de Souza.
 

Posto isso, será justo o leitor também indagar sobre o que diferenciou o Mestre JHS de outros Mestres ou Adeptos Vivos que vieram ao Mundo servir a Humanidade? A essa questão, apenas podemos responder de uma só forma: a sua Missão e Obra. No entanto, quando há uma Missão, é porque esta foi (ou é) delegada por algo ou por alguém, a qual, sabemos de antemão de acordo com A Doutrina Secreta, é impreterivelmente incumbida a Seres Superiores da Grande Hierarquia Branca ou Hierarquia Planetária (saibam os transviados a que nos referimos e tenham o entendimento sobre tão transcendente assunto, como o revelou Helena Petrovna Blavatsky), nos diversos períodos ou épocas da História Humana, como o foram Krishna, Budha, Cristo, etc. Neste sentido, pode finalmente colocar-se a pergunta seguinte: qual foi, então, a Missão confiada ao Mestre JHS pela Hierarquia Planetária? A verdade é que sabemos muito pouco acerca disso, assim como muito pouco se sabe acerca de quem na realidade Ele era (e é!). No entanto, algumas coisas podem ser ditas, até porque provieram da sua própria Boca.

Tal como todos os Mestres actuando não só mas também na Face da Terra, também Ele cooperou (e coopera) na prossecução dos objectivos seguintes:

a) Na instauração do Novo Pramantha, o Ciclo Evolucional do Terceiro Milénio trazendo em seu bojo a Satya-Yuga, a Idade de Ouro.

b) Na preparação da vinda do Senhor Maitreya, o Supremo Instrutor dos Homens e dos Anjos, o Cristo de Aquarius como o mesmo Budha Branco do Ocidente.

c) Na exteriorização da Hierarquia Branca do Planeta.

O conceito da exteriorização só poderá ser correctamente perspectivado tendo em conta a realidade dos Mundos Interiores do Seio da Terra. Na verdade, o reaparecimento, à Face da Terra, dos Mestres Reais poderá ser entendido segundo duas linhas de forças:

– A primeira diz respeito ao reaparecimento, por parte da Humanidade comum, d´Aqueles que neste momento entre ela já trabalham.

– Em segundo lugar, com a vinda dos Mundos lnteriores, dos Mundos Subterrâneos, para a Face da Terra d´Aqueles outros que lá se encontram, bem como de uma multidão de Seres Aghartinos que cooperarão e ajudarão a Humanidade no restabelecimento do Plano Divino e, principalmente, nos momentos cruciais que se seguirão às dores de parto do nascimento de uma Nova Era.

d) Na instauração de novas e justas relações humanas, da Fraternidade Universal e da Sinarquia Universal.

Do ponto de vista do seu trabalho peculiar, mas também englobado, como é lógico, nos propósitos gerais da Hierarquia, podemos apontar:

e) O enunciado das verdades básicas acerca do verdadeiro significado e constituição dos Mundos Internos. E isto porque é impossível a concretização das tarefas globais anteriores sem haver por parte da Humanidade um reconhecimento e correcto entendimento da realidade dos Mundos Subterrâneos.

f) A preparação do advento da 7.ª Sub-Raça desta Grande 5.ª Raça-Mãe, a Ariana, que se dará na América do Sul, nomeadamente no Brasil, bem como de tudo o que se prende com a Missão Y.

g) A transmissão de certos conhecimentos permitindo a realização dos propósitos do Raio que neste momento começa a sua manifestação no nosso Planeta, o º Raio, o do Ritual ou Magia Cerimonial.

h) Um trabalho extremamente misterioso de ordem Manúsica iniciado aquando da sua viagem ao Norte da Índia, quando Ele era um “jovem adolescente de 16 primaveras”, intimamente ligado à não menos enigmática formação do 6.º Sistema.

Contudo, para os mais cépticos, poderá surgir a dúvida de qual será a veracidade da Missão delegada pela Hierarquia Planetária e que provas efectivas existem de tal intento para que Henrique José de Souza tivesse a autoridade espiritual e temporal de a exercer? Será, talvez, o momento de transcrevermos a Mensagem-Credencial, redigida em inglês, datada de 31 de Dezembro de 1925, que da Confraria dos Traichus-Marutas de Srinagar foi enviada e recebida pelo Venerável Mestre JHS do Excelso Senhor São Germano, o Mestre “Justus et Perfectus”:

Confraria Branca de Kashemir (Srinagar), por Ordem Superior dos BJ, reconhece no Swami H. J. de Souza não só o Venerável Dirigente da 5.ª Rama com sede no BRASIL, como também o seu Único e Legítimo Representante para toda a América do Sul, com plenos poderes de acção, em virtude de se achar em condições de contribuir para o Grande Trabalho de Regeneração Social, Fraternidade Mundial e preparação para o Advento do SUPREMO INSTRUTOR DO MUNDO.

“Aproveito a oportunidade para lançar uma Bênção a todos os que aderirem a esse Grande Trabalho a favor da Paz, da Sabedoria e do Amor entre os Homens.

“Como um dos seus representantes (um dos B J) emito esta dentro da referida Confraria (Mundo Jina). JUSTUS E PERFECTUS.

Iniciação (Teúrgica) 5

Através desta breve abordagem podemos assim perceber a transcendente e enorme importância da Missão que lhe estava (e nos está) confiada. Contudo, quando o Divino se manifesta, de acordo com a LEI, ela ocorre sempre numa manifestação tríplice expressiva das Três Hipóstases Divinas, como se constata nas diversas trindades religiosas. Nesse sentido, a manifestação de uma entidade da estatura de H.J.S. não foi excepção, vindo a ser acompanhada de determinados acontecimentos, digamos misteriosos ou ocultos, os quais deixaremos para uma outra ocasião, agora resumimos apenas os mais simples (exotericamente falando) e de fácil entendimento para a maioria dos leitores, como determinantes da sua actuação:

1.º – A manifestação de um Ser Gémeo, no sentido espiritual e até humano do termo, cuja forma feminina, como contraparte complementar da masculina, exerce funções a todos os níveis como Esposa, Mãe e Sacerdotisa. Constituem, assim, a Parelha Divina na Face da Terra, Henrique José de Souza e a inicialmente Helena “Iracy” Gonçalves da Silva Neves, depois Helena Jefferson Ferreira de Souza (manifestação daquela após o mortífero “Acidente de Lisboa”, na Rua Augusta, em 1899, acontecido com ambos), constituindo os Gémeos Espirituais (tal como os antecedeu a parelha “teosófica” Henry Steel Olcott e Helena Petrovna Blavatsky).

Iniciação (Teúrgica) 6 - Gémeos Espirituais Henrique - Helena
Gémeos Espirituais Henrique – Helena

2.º – A manifestação de dois Seres de Eleição que actuam como suportes ou Colunas Vivas da Missão específica que se pretende realizar. No caso de H.J.S., eles foram:

a) – Tancredo de Alcântara Gomes (a chamada Coluna TAG), saído pela Embocadura de Porto Seguro, no Brasil, referenciado, por analogia com a Tradição Maçónica referente ao primitivo Templo de Salomão, como Coluna B, de Bhaktiou Bohaz, esta palavra cujo significado é “na Força” que representa a Unidade, a Devoção, a Mística e o Amor. Teve a seu cargo a administração social da Instituição.

b) – António Castaño Ferreira (a chamada Coluna CAF), saído pela Embocadura de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, referenciado como Coluna J, de Jnanaou Jakin, simbolizando o Conhecimento, a Iluminação, a Sabedoria, e em si mesmo o termo hebraico significa “ele Estabelecerá”. Encarregou-se da manutenção espiritual da Instituição.

Tem-se Henrique – Helena para o Pai-Mãe Cósmico expressando o Primeiro e Segundo Logos, enquanto as Colunas Vivas vieram a expressar o Terceiro Logos na Terra tomando forma na Instituição Teosófica.

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Manifesto o Divino na Face da Terra, necessário se tornou criar o aspecto social para que a Missão e Obra pudesse ter expressão entre a Humanidade. Para que a Missão e Obra de um Mestre se efective na Face da Terra, é sempre necessário um Corpo para que o Espírito se materialize e venha a cumprir a sua função. Por conseguinte, o Mestre JHS necessitou não só do seu corpo fisico como também do corpo institucional para poder executar, conforme as exigências da época, a sua Missão. Convirá, no entanto, fazermos um pequeno parêntesis para analisarmos o seguinte: NÃO DEVEMOS CONFUNDIR OBRA COM INSTITUIÇÃO! Esta poderá ser, sob certas condições, um reflexo da primeira e por isso se encontrar estreitamente ligada a ela, chegando as duas a significarem o mesmo, embora, neste caso, as duas não sejam equivalentes. Poderemos dizer que a primeira está para a segunda assim como a nossa Individualidade está para a personalidade. Esta é a razão por que muitas ditas Ordens Iniciáticas ou Secretas terminem confundindo a Instituição com a própria Obra que lhe estava confiada, vindo a dominar as características personalísticas dos seus dirigentes, cujos dirigidos acabam resvalando em cultos de personalidades consequentes e divisões internas, as quais afastam os membros do propósito espiritual ou iniciático e da sua Egrégora.

Assim, pois, foi criada por Ele, numa primeira fase, Dhâranâ – Sociedade Mental- Espiritualista, em 10 de Agosto de 1924, em Niterói, Brasil, tendo posteriormente a Instituição tomado o nome de Sociedade Teosófica Brasileira, em 1 de Maio de 1928, tendo esta como organismo motivador e movimentador interno, a ORDEM DO SANTO GRAAL (O.S.G.), ainda numa fase anterior à sua fundação oficial nos inícios dos anos 50 do século passado.

Para entendermos o tema das Ordens Iniciáticas, neste caso específico, da Ordem do Santo Graal, teremos de entender que ao longo do percurso iniciático o discípulo eleva-se gradualmente no conhecimento e na vivência dentro da Obra e da Instituição, desde o nível mais elementar ao mais complexo (o chamado “aumento de salário” na Maçonaria). A razão é análoga à Natureza, ou seja, assim como esta não dá saltos e se organiza de maneira hierarquizada, igualmente o percurso iniciático do discípulo respeita o mesmo princípio. O Caminho do Discipulado ou da Iniciação respeita à vivência de uma “ordem de outra espécie”. Para que ela seja efectiva, necessita de uma organização hierarquizada como expressão da Ordem Superior no Plano de Vida inferior. Por exemplo, na Antiguidade, os Sacerdotes ou Iniciados relacionavam e estabeleciam a ligação oculta entre a Terra (desordem) e o Céu (ordem), não só no altar como também pela matemática e geometria vazadas como Arquitectura Sagrada, indo estabelecer o alinhamento entre determinadas constelações e templos construídos em locais específicos de intensidade telúrica. Assim, compreendemos a razão de ainda hoje existir a necessidade da fundação de Ordens como meio de viver, promover e gerar a Ordem na Terra, inclusive no plano profano, neste sejam elas Ordens profissionais, militares ou até honoríficas. Mas no âmbito que tratamos, o espiritual, a Ordem é sempre de natureza sagrada, mistérica ou iniciática, dando resposta ao belíssimo aforismo hermético: “O que está em Cima é como aquilo que está em Baixo, para que se dê o Milagre da Unidade”. Sem se entender este princípio fundamental, o que se está a gerar é apenas uma desordem, uma desorganização e com isso um caos colectivo e simultaneamente individual. Neste sentido, conseguimos entender a razão tradicional da fundação, por parte do Mestre JHS, da Ordem do Santo Graal e das suas subsequentes Ordens, como também a sua função específica de acordo com a Mística e a Missão relacionada aos Mundos Subterrâneos…

O principal objectivo da O.S.G. foi e é o de aninhar em torno de si as Mónadas da sua Família Espiritual destinadas a cumeeira dirigente da Onda Humana, ou seja, a da já referida 7.ª Sub-Raça Ariana, semente da 7.ª Raça-Mãe Atabimânica, a urgir em simultâneo com a 6.ª Raça-Mãe Bimânica, tudo em conformidade à Iniciação Mental (Assúrica) de JHS, e esta se processe sem sobressaltos nem percalços na evolução das Mónadas Númeradas da sua Corte, motivo para o Mestre instituir quatro Ordens Iniciáticas juntas perfazendo a Ordem do Santo Graal, conformadas aos Graus Iniciáticos da Instituição, todas pertinentes à mesma Iniciação Assúrica, como sejam: Ordem dos Tributários – Grau ManuOrdem das Filhas de Allamirah – Grau YamaOrdem do Ararat – Grau KarunaOrdem dos Templários – Grau Astaroth. Finalmente, formalizada por todas, a Ordem do Santo Graal – Grau Integração. Apenas para esclarecimento geral, deixamos uma pequena síntese das datas de fundação e respectiva função dessas Ordens:

A ORDEM DAS FILHAS DE ALLAMIRAH, oficializada no dia 24 de Junho de 1952, constituiu a Ala Feminina da O.S.G., portanto constituída exclusivamente de senhoras (as Valquírias, Tesouras depois Baguetas da Obra) integradas na Série Interna, foi criada para o Novo Ciclo de Aquarius para manter a Taça Sagrada, na função de apoiar – como Género Feminino de Eleição – aqueles que mantêm a Tradição do Santo Graal – os Templários de Maitreya, como Género Masculino de Eleição, os Príncipes ou Principais da Obra do Eterno na Face da Terra.

A ORDEM DOS TRIBUTÁRIOS, fundada em 23 de Outubro de 1954, constituindo uma espécie de “Maçonaria” (os Velsungos ou Espadas da Obra) com o cargo espiritual e social de “cobrir” física, psíquica, mental e espiritualmente a Obra e Instituição por Ele fundada e à sua própria Família (APTA), a humana e também a espiritual.

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A ORDEM DO ARARAT, foi fundada no dia 24 de Março de 1958, foi criada com a finalidade de propiciar as condições favoráveis para o entendimento e vivência do novo estado de consciência, exigido por Lei, para o Ciclo de Aquarius, possuindo o lema: “Realização através do Carácter e da Cultura”.

A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS, ou Templários de Maitreya ou de Agharta, oficializada na mesma data da O.F.A., deu início à sua actividade com a fundação da Guarda do Santo Graal – exclusivamente masculina – em 28 de Dezembro de 1951, constituída de 32 Membros com os cargos de Goros, Cavaleiros, Arqueiros, tendo por função manter a guarda perpétua da Taça Sagrada do Santo Graal.

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A Sociedade Teosófica Brasileira manteve o seu nome até pouco depois da data da morte física de J.H.S., ocorrida em 9 de Setembro de 1963, mas em 24 de Fevereiro de 1969, por alterações estatutárias e outras, tomou a nova feição de Sociedade Brasileira de Eubiose, ficando a sua orientação inicialmente a cargo de D. Helena Jefferson de Souza, inseparável companheira do Mestre na segunda metade da sua vida, e depois até hoje na de seu filho Sr. Hélio Jefferson de Souza.

A VIA TEÚRGICA

Etimologicamente, Teurgia advém de Theos (Deus) + Ergon (Obra), ou seja, a Obra de Deus na Face da Terra. Deus como Logos Criador da mesma Terra, portanto, o Eterno. Apesar da origem do termo Teurgia provir dos antigos neoplatónicos e filaletos de Alexandria, como muito bem aponta Madame Blavatsky na sua obra A Chave da Teosofia (pág. 18, nota de rodapé), a verdade é que ela além de ser a aplicação prática da Teosofia, também não corresponde hoje aos velhos e clássicos preceitos e práticas mágicas de sábios como Plotino ou Plutarco, pela simples razão de dessas estarem  adequadas a um tempo e a uma condição mental completamente diferentes das nossas, sendo até  física e espiritualmente contraproducente a sua aplicação hoje. A Teurgia de JHS, visa um fim no sujeito: a vivência do BEM, do BOM e do BELO, o que equivale a viver em harmonia com os Ciclos da Natureza, e por conseguinte, com os do Universo (visível e invisível). É aquilo que o Professor Henrique José de Souza designou pelo neologismo, por si criado, de Eubiose, colando ao outro de Teosofia Eubiótica, como seja “Viver Bem o Belo e o Belo com Sabedoria Divina”, entendido apenas como estado de consciência resultante de um processo espiritual praticado pelo discípulo, não como nominativo de instituição espiritualista ou religiosa ou de mera filosofia “eubiótica” (!), que assim antes devera chamar-se eugénica, a ver com eugenia ou “pureza mental, emocional e física” do Homem ante a Natureza, descartando quaisquer discriminações raciais que muitos dão ao termo. Assim, toda a Teurgia de JHS está intimamente ligada ao Novo Pramantha ou Era de Aquarius, religando iniciaticamente os Mistérios do Oriente (Principado) com os Mistérios do Ocidente (Potentado) sustentados na única Sabedoria Divina, Teosofia, ou por outra, a Tradição Iniciática das Idades.

No entanto, a Teosofia propriamente dita, nunca é manifesta ou revelada no seu todo e sim progressivamente por fases, de acordo com os Ciclos de Evolução que, por sua vez, são assinalados por certas figuras zodiacais e condicionados por certas energias planetárias e cósmicas. Para cada Ciclo de Vida, a Hierarquia, o Governo Oculto do Mundo, estabelece o Plano de Expansão, o qual comporta uma nova dispensação de conhecimentos, um novo código de comportamento colectivo, um conjunto de objectivos a alcançar pela civilização, assim como faculta os meios, as metodologias da sua realização. A Eubiose, é a efectivação ou expressão vital na Face da Terra dessa mesma Teosofia, revelada de acordo com o Ciclo de Evolução actual e implica individualmente num estado de ser resultando num método de vida, numa atitude peculiar de espírito e de acção. Por sua vez, a Teurgia é o foco irradiador que se corporifica como Espírito do Corpo Teosófico e da Alma Eubiótica, no que lhes dá suporte prático e permite efectivar a vivência da HARMONIA UNIVERSAL do Homem com o Universo (Omnia ab Uno et in unum omnia). Desse modo, podemos afirmar que a Teurgia é a aplicação prática da Teosofia, e a Eubiose a ética normativa da sua vivência na Face da Terra.

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Assim, Teurgia terá ainda ter duas acepções distintas:

1) TEURGIA no sentido lato – com características inovadoras, dizia o Mestre, é TEOSOFIA EUBIÓTICA. Ou seja, as verdades fundamentais que ela transmite, graças a quanto JHS revelou, no fundo são as mesmas da Teosofia, esta entendida no seu verdadeiro significado etimológico, ou seja, o de Theoin-Sophia, “a Sabedoria daqueles que se movem em Círculo”, os Planetários ou Deuses, no fundo sendo, como já dissemos, a mesma Sabedoria Iniciática das ldades, Gupta-Vidya ou Sanatana-Dharma, como se lhe queira chamar.

2) TEURGIA no sentido restrito – fundamentalmente respeitante às novas Revelações do Ciclo e ao novo enfoque da Sabedoria Iniciática trazidos por Ele, portanto, conformada a uma praxis inteiramente nova toda ela de vocação Parúsica ou de Advento do Avatara-Síntese, MAITREYA, o CRISTO DE AQUARIUS, e para isso usando dos mais ciosos elementos didácticos e técnicos a uma Integração verdadeira do discípulo.

Toda a sua magnânime Obra na trasladação dos valores do Oriente para o Ocidente, o Ex Occidens Lux, respeitou uma metodologia estruturada segundo os mais rigorosos cânones da Tradição Iniciática, respeitando uma hierarquização de saberes delegada pelos Graus anteriormente referidos, nomeadamente o OEDIPO (Peregrino), MANU (Legislador), YAMA (Executivo), KARUNA (Judiciário), ASTAROTH (Coordenador), e ainda o de INTEGRAÇÃO (1+4+1), e um modus operandi extremamente bem conformizado tanto à essência da Raja-Yoga (Leste) como da Cabala (Oeste), tanto ao melhor do Budismo (Oriente) como do Cristianismo (Ocidente). Além da estrutura iniciática gradativa, inserida na Linha do 7º Raio, como seja o da Magia Cerimonial, a estrutura da Instituição requer um método iniciático coadunado à especificidade da sua Tónica e Missão espiritual. Neste sentido, como objectivação do seu Trabalho particular na Face da Terra, JHS propôs duas vias de realização: uma grupal e outra individual.

A primeira, grupal, pode ser expressa segundo um triângulo com a ponta voltada para baixo (), cujos vértices são: a Escola, o Teatro e o Templo.

– A Escola é o meio através do qual o discípulo, como TEÓSOFO, aprende e apreende, sempre de acordo com o seu nível psicomental, as verdades essenciais da Sabedoria Iniciática das Idades.

– O Teatro expressa o grande palco da vida onde, todos nós, temos o nosso papel a desempenhar, e liga-se com a problemática da ética e da moral consignada no sufixo EUBIOSE, isto é, o de “viver segundo o Bem, o Bom e o Belo”.

– O Templo é onde os ensinamentos da Escola e as vivências do Teatro são projectados como serviço desinteressado à Humanidade, através da captação, reelaboração e distribuição de energias por todo o planeta, fazendo nobre jus ao preceito TEURGIA como a mais Alta Magia Divina, alimento e firmeza de toda a Instituição e Obra.

A segunda via, a individual, é representada por um triângulo com a ponta voltada para cima (Δ), em cujos vértices se inscrevem os valores imorredouros: TransformaçãoSuperaçãoMetástase.

– Transformação do indivíduo, ou seja, aperfeiçoamento de todos os seus aspectos.

– Superação da personalidade.

– Metástase com o Ser Superior.

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Portanto, a Teurgia funciona como uma “engenharia espiritual” no aceleramento do processo interno do discípulo de modo apurar as suas capacidades latentes, acompanhando o trabalho “sacrificial”, verdadeiro ofício sagrado, que realiza em benefício da Humanidade nos três vectores mencionados (Escola – Teatro – Templo). Por causa do Karma Colectivo que aflige o Mundo, não há Evolução (espiritual e humana) sem Sacrifício. Todavia, a relação Microcosmos-Macrocosmos deve ser apreendida consciencialmente e regularizada relacionalmente entre os ambientes interno e externo do discípulo, na razão da relação indivíduo-colectividade, ou seja, à medida que a sua compreensão das leis ocultas do Universo vão sendo apreendidas e fixadas na sua consciência, a aplicação das mesmas torna-se necessária dentro de um círculo restrito colectivo, constituído pelos seus Irmãos de Grupo partilhando da mesma noção e necessidade, de modo a paulatinamente ele e eles, num todo, lhes dêem sentido prático no Teatro da Vida. Assim, na ESCOLA, o discípulo apreende, aprende e aplica a vivência da ética postulada na doutrina teúrgica, ausentando-se de complexos e inibições de foro psicológico ou psicomental, flagrante que ao contrário se destaca nas religiões exotéricas de catequese confessional, geralmente castradora de quaisquer expressões criativas que pretendam ir além da ortodoxia postulada, contrariando o livre-arbítrio que define em  maior ou menor proporção a liberdade de cada um, conquistada e conformada à evolução ou progresso espiritual do indivíduo, nem eterno crescendo interior. É esse que o compele à TRANSFORMAÇÃO, implicando num gradual maior refinamento, subtilização e ampliação dos cinco sentidos naturais e de dois outros ainda latentes, destinados a um dia se tornarem patentes – tacto, paladar, visão, audição, olfacto…  intuição, clarividência e êxtase.

Para não ser “cego guiando cegos”, o discípulo deve aprimorar primeiro a si mesmo antes de puder inspirar ao aprimoramento interior os seus semelhantes em Humanidade, ele e eles cursando a grande ESCOLA que é o Mundo. No TEATRO do dia-a-dia, à custa dos seus próprios esforços, o discípulo vai assimilando e integrando os valores da chamada  CONSCIÊNCIA EUBIÓTICA, isto é, a de “Bem-Viver” consigo e o próximo, logo, com o meio natural, seja visível, seja invisível, e assim cada vez mais SUPERANDO as suas antigas limitações ou liames psicológicos (nidhanas) da personalidade, assumindo  novo e mais amplo estado de consciência afim à Individualidade, no qual, de maneira alguma, será descaracterizado, pelo contrário, se tornará mais forte e constante nos seus nobres ideais, mais e verdadeiramente Homem. Assim realizará o vértice TEATRO no seu verdadeiro sentido, isto é, Theos+Actum, o sagrado ACTO DOS DEUSES… que todo o homem é… ainda que a maioria disso ande esquecida.

Finalmente, no TEMPLO que sobretudo é o seu Corpo, o Altar a sua Alma, e o Deus da Exaltação o seu Espírito, o discípulo da Obra Divina pratica nele em colectivo, e também em individual em seu “Sanctum Privado” os estudos e exercícios espirituais do preconizo e chancela da ORDEM DO SANTO GRAAL. Assim, cada vez mais, se acerca da derradeira METÁSTASE com o seu Eu Superior ou Anjo Solar, e este dele estreitando o elo de ligação (antahkarana), portanto, Metástase Avatárica do de baixo pelo de cima e do de cima pelo de baixo!… Está simultaneamente em sintonia ou comunhão mental (Dhâranâ) com todos os seus Irmãos de Grupo, sobretudo com aqueles que na hora e lugar sagrados realizam práticas idênticas, fortalecendo a Egrégora Grupal. Assim, um e todos e todos e um, fundem-se num único Corpo Avatárico cujo Centro mesmo é o Mestre Interno, expressão monádica particularizada do Mestre Externo, para nós JHS, e num sentido mais amplo, o CRISTO UNIVERSAL, a própria Divindade assistente ao Globo em que estamos, vivemos e temos o nosso ser.

Daí, por tudo e estar no todo e vice-versa, a Escola possui a sua parte Teatral e Templária; o Teatro implicar o Templo e a Escola; o Templo exercitar a Escola e o Teatro. De igual maneira, a Transformação também comporta Superação e Metástase; a Superação implicar na Metástase e na Transformação, esta definitiva e definindo o elevado nível do ser; a Metástase a mesma Transformação e Superação, para sempre dos liames da matéria onde a “Vida-Energia” fica sob o domínio da “Vida-Consciência”.

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Todo este método iniciático teúrgico tem influência positiva no triângulo inferior do discípulo, ou seja, no seu CORPO, EMOÇÃO e MENTE, inicialmente a “Pedra Bruta” que progressivamente trabalhada se torna “Pedra Polida”, na intenção de reflectir e ser envolvido pelo triângulo superior por ora em formação, ou seja, constituído pelo CAUSAL, INTUICIONAL e ESPIRITUAL, buscando conquistar o estado do Perfeito Equilíbrio ou Perfeita Neutralidade característica do Homem Divino, o Verdadeiro e Único, o JIVATMA ou pura “Vida-Consciência”. Toda essa metodologia de trabalho foi resumida pelo Venerável Mestre JHS nas palavras preciosas que deu a público em São Paulo em 13 de Abril de 1963:

“A nossa Obra é um Plano Universal de Evolução que segue três caminhos, desenvolvendo: a Emoção pela Educação; a Inteligência pela Instrução; a Vontade pelo Trabalho.”

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