Ísis Sem Véu

Helena Petrovna Blavatsky

“Plotino ensinava que o amor impele a alma para a intimidade da sua origem e centro, o eterno Bem. Os ignorantes não conseguem descobrir a beleza que por si mesma a alma atesoura, e procuram-na no mundo exterior; o sábio sente a beleza no íntimo de seu ser, concentra a atenção sobre si mesmo, e desenvolvendo a ideia de beleza de dentro para fora, eleva-se até à divina Fonte do seu caudal interno. O Infinito não pode compreender-se pela razão e sim por outra faculdade superior, cujo exercício transporta-nos a um estado em que deixando de ser homens finitos participamos diretamente da Essência Divina. Tal é o estado de Êxtase.

Apolónio de Tyana via o passado, presente e futuro como diante de um espelho límpido, e esta faculdade é a que poderemos chamar fotografia espiritual, pois a alma é a câmara que regista os sucessos passados, presentes e futuros, de modo que a todos a mente abarque por igual. Mais além do nosso mundo limitado não há sucessão de dias, porque tudo é como um só dia e o passado e o futuro coincidem com o presente.”

Esses homens divinos eram médiuns como pretendem os espiritistas de escola? Não, por certo, se se entende por médium a pessoa cujo organismo morbidamente receptivo facilita o desenvolvimento de condições subordinadas à influência dos espíritos elementários e elementais.

Em troca, são médiuns se entendermos por tais a quantos cuja aura magnética serve de meio atuante às entidades espirituais das esferas superiores. Neste sentido, toda a pessoa humana pode ser médium.

Blavatsky - Final
Helena Petrovna Blavatsky

A verdadeira mediunidade induz-se nuns indivíduos espontaneamente, e em outros necessita de influências estranhas para induzi-la, ficando na maioria dos casos em estado potencial. A aura do indivíduo está em função recíproca com as suas faculdades medianímicas. Tudo depende do carácter moral do médium. A aura pode ser densa, turva e mefítica, de modo que repele as entidades superiores para atrair unicamente as de ínfima condição que ali gozam como um porco entre imundícies; ou, pelo contrário, pode ser subtil, diáfana, pura e reverberante como o orvalho da manhã. Estes nimbos celestiais circundavam a homens tais como Apolónio, Jâmblico, Plotino e Porfírio cujas almas, em perfeita identidade com os seus Espíritos por efeito da santidade de vida, atraíam as influências benéficas e irradiavam eflúvios de bondade que repeliam as malignas. Não só se asfixiavam as entidades inferiores na aura de um taumaturgo como nas de quantos recebiam a influência dele, seja por proximidade eventual ou por vontade deliberada. Isto é mediação e não mediunidade. Tal homem não é um médium mas um mediador e templo de Deus Vivo; porém, se a paixão ou os maus pensamentos e desejos profanam o templo, o mediador converte-se em necromante, porque então retiram-se as entidades puras e acorrem as malignas. Também neste caso, sem dúvida, há mediação e não mediunidade, pois tanto o mago negro como o mago branco determinam conscientemente a sua aura e por seu próprio ensejo atraem as entidades afins.

A mediunidade, pelo contrário, é inconsciente, pois a aura da médium pode modificar-se por circunstâncias independentes da sua vontade, de modo que provoque, favoreça ou determine manifestações psicofísicas de carácter ora benéfico, ora maléfico. A mediação e a mediunidade são tão antigas como o Homem. A segunda é sinónima de obsessão e possessão, pois o corpo do médium submete-se ao domínio de entidades distintas do Ego Imortal. Assim o demonstram os próprios médiuns, que se orgulham de ser fiéis escravos dos seus guias e repudiam indignados a ideia de normalizar as manifestações. Esta mediunidade está simbolizada no mito de Eva, que cede à sugestão da serpente; no de Pandora, que abre a caixa misteriosa e derrama os males sobre o mundo; no episódio bíblico de Magdalena, que depois de ter estado possuída por sete espíritos malignos se redime ao triunfar deles, por mediação de um Adepto. A mediunidade, benéfica ou maléfica, é sempre passiva, felizes, portanto, os puros de coração, que graças à sua natural bondade repelem espontaneamente os espíritos malignos. A mediunidade, como como se pratica em nossos dias, é um dom menos apetecível que a túnica de Neso.

Pelo fruto se conhece a árvore. Em todos os tempos sempre houveram médiuns passivos e mediadores ativos. Os feiticeiros, as bruxas, os prestidigitadores e encantadores de serpentes, os adivinhos e quantos estejam possuídos de espírito familiar, fazem das suas faculdades mercadoria vendável, como por exemplo a famosa pitonisa de Endor que, conforme a descreve Enrique More, recebia pagamentos dos consulentes.

Em contrário, os mediadores e hierofantes dão provas de absoluto desinteresse no exercício dos seus poderes. Gautama renunciou à herança do trono para viver de esmolas; o Filho do Homem não tinha onde encostar a cabeça; Apolónio de Tyana distribuiu a sua fazenda por metade entre os seus parentes e os pobres; Jâmblico e Plotino tiveram fama de caridosos e abnegados; os fakires hindus vivem de esmolas; os pitagóricos, essénios e terapeutas temiam manchar as mãos no contacto com as moedas; finalmente, quando ao apóstolo Pedro lhe ofereceram dinheiro em troca da potestade de infundir o Espírito Santo pela imposição das mãos, respondeu: “O teu dinheiro seja contigo em perdição, porque creste que o Dom de Deus se alcança com dinheiro. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus”. Vemos, assim, que os mediadores foram homens identificados com o seu Eu Superior, que recebiam auxílio dos Espíritos Angélicos.

Muito longe estamos de vilipendiar rigorosamente os infelizes médiuns, que por efeito das avassaladoras influências que os dominam veem-se física e mentalmente incapacitados de dedicar a sua atividade a ocupações úteis, não tendo mais remédio senão converter a sua mediunidade em ofício retribuível e por certo nada viável, como tem demonstrado a experiência desses últimos anos.

Conta-se de Plotino que ao exigirem-lhe que tributasse adoração pública aos deuses, respondeu muito dignamente: “Os deuses que venham a mim”! Jâmblico afirmava, com a colaboração do exemplo pessoal, que a alma humana pode comunicar-se diretamente com entidades espirituais de Hierarquia superior, e afugentava cuidadosamente das suas cerimónias teúrgicas os espíritos malignos, cujas características ensinava aos seus discípulos. Também Proclo acreditava que pela actualização das suas divinas potências qualquer homem era capaz de subjugar a sua natureza inferior e converter-se num instrumento da Divindade, mediante a “Palavra Mística” que abria a comunicação com as diversas Hierarquias espirituais até chegar à União com Deus. Apolónio de Tyana tinha menosprezo pelos feiticeiros e adivinhos necromantes, afirmando que a vida austera subtiliza aguçadamente os sentidos e induz as faculdades superiores por cujo meio era-se capaz de realizar maravilhas. Jesus disse que o Homem era Senhor do Sábado, e à Sua voz fugiam espavoridos os espíritos elementários que obsedavam as suas vítimas.

Indubitavelmente, os antigos tiveram poderosas razões para perseguir os médiuns de ofício. Assim se explica porque no tempo de Moisés e posteriormente nas épocas de Samuel e David os israelitas fomentaram o exercício das legítimas profecias e adivinhação, a astrologia e o vaticínio em colégios a propósito para educar essas faculdades, e em contrário desterravam do país ou condenavam à morte, segundo os casos, os bruxos, necromantes e pitonisas, e ainda no tempo de Jesus eram os médiuns maléficos desterrados das cidades. Por que perseguir e matar os médiuns passivos, e por que consentir e respeitar as comunidades de taumaturgos? Porque os antigos souberam distinguir entre os espíritos angélicos e os diabólicos, entre os elementais e os elementários, e ademais estavam seguros de que toda a comunicação espiritual não sujeita às devidas condições, determinava a ruína do comunicante e da comunidade a que ele pertencesse.

A análise que vimos fazendo da mediunidade poderá parecer estranha e mesmo repulsiva a muitos espiritistas contemporâneos, porém, nada dizemos que não ensinasse a Filosofia Antiga com a imemorial prestação da experiência.

É impróprio dizer que um médium educou as suas faculdades, pois o médium passivo não tem faculdade alguma e sim assume certa condição psicofísica que engendra uma aura adequada a servir de veículo às entidades que dele se valem para manifestar-se. Essa aura muda com frequência, dependente das causas internas que determinam a sua variação segundo o estado moral do médium, cujos sentimentos e emoções atraem inconscientemente entidades de natureza semelhante, por sua vez influindo física, mental e moralmente no médium. É assim que a potência medianímica está sempre em relação direta com a passividade, e desta só dependem grandes perigos. Se o médium é totalmente passivo, cabe no possível ser forçado ao abandono temporário do seu corpo físico e desta sorte apoderar-se e infundir-se nele um elemental ou, o que é ainda pior, um elementário de horrível malignidade. É nestas obsessões que se devem procurar os motivos trágicos dos crimes passionais.

Por se saber que a mediunidade inconsciente age em função da passividade, o único remédio eficaz contra ela é o médium deixar de ser passivo e reverter a sua disposição de ânimo à atividade positiva que resiste a toda a influência estranha e contra cuja energia nada podem as entidades obsessoras, sempre em busca de vítimas fracas de corpo e mente para as arrastar ao vício. Se os elementais milagreiros e os elementários demoníacos são verdadeiros anjos custódios, então porque não concedem aos seus fiéis médiuns a ventura terrena ou, ao menos, a saúde que pretendem devolver aos demais em seus papéis de curadores e curandeiros? Os taumaturgos, apóstolos e profetas da Antiguidade eram homens que regularmente desfrutavam de saúde robusta, e o seu influxo magnético jamais envolvia germes mórbidos de natureza moral ou física que podiam agravar a doença do enfermo, tampouco em nada punham a nefanda nota de vampiros.

Se agora relacionarmos os fenómenos de levitação com a mediunidade, por um lado, e com a mediação, por outro, verificamos que nas sessões espiritistas o médium passivo é erguido ao alto, ou seja, levitado pelas entidades que o dominam, enquanto o mediador ativo ergue-se ao alto durante o êxtase ou exaltação da virtude por sua própria vontade.

Pode, acaso, ser-nos objetado que há fenómenos possíveis de produzir tanto na presença de um médium como na de um mediador. Parece inferir-se isso do ocorrido com Moisés e os magos da corte faraónica, pois ainda que ao caudilho hebreu se atribua ter vencido o mais provável é os seus poderes e os dos magos terem sido de natureza semelhante, porém, aplicados em sentidos respectivamente opostos, o que diferenciou a sua eficácia.

A Divindade tutelar dos hebreus proibiu estritamente toda a prática de magia negra, como estava em voga entre os gentios. Que diferença havia, pois, entre as abominações “daquelas gentes” e as outras dos profetas? O apóstolo S. João apresenta-a claramente, quando diz: “Caríssimos, não queirais crer em todo o espírito; mas provai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm-se levantado no mundo”. Os espiritistas em geral e os médiuns em particular, não têm ao alcance outro procedimento de prova dos espíritos que julgar a sua índole:

1.º – Pelas suas palavras e ações.

2.º – Pela sua prontidão ou atraso em manifestar-se.

3.º – Pelo motivo determinante da manifestação.

Um periódico espiritista publicou um longo artigo cujo autor tratou de provar que “os prodígios do espiritismo moderno são de carácter idêntico ao das manifestações dos patriarcas e apóstolos da Antiguidade”. Não podemos deixar de comentar essa afirmação dizendo que o autor refere-se unicamente à natureza das forças ocultas produtoras dos fenómenos, porém, de modo algum à direção e sentido em que são aplicadas pelas diversas entidades que delas se valem para manifestar-se.

Exceto a aparição de Samuel a Saul por arte da pitonisa de Endor, na Bíblia não há nenhum outro caso de “invocação dos defuntos”, porque essa prática era condenada pelos povos antigos, e por isso temos que tanto o Antigo Testamento como os poetas Homero e Virgílio a consideravam arte necromântica. Era opinião geral entre os antigos que as “almas bem-aventuradas” só voltam à Terra em raríssimas ocasiões, quando motivos poderosíssimos requerem a sua aparição em favor da Humanidade, porém, nem mesmo nesses casos excepcionais há necessidade de invocá-las, pois manifestam-se espontaneamente ou por espectroção fantástica de si mesmas, ou por meio de mensageiros cujo aspecto objetivo reproduz fielmente a personalidade dos defuntos. Nos demais casos, os antigos tinham por nocivo e perigoso o comunicar-se com almas que acudissem facilmente à invocação, pois só podiam ser larvas (entidades elementárias ou moradores do Umbral) do Sheol. Horácio descreve a cerimónia de invocação dos espíritos entre os romanos, e Maimónides a análoga entre os judeus; porém, celebravam-se sempre em paragens elevadas e vertia-se sangue humano para aplacar a voracidade vampírica das larvas.

Quanto a materializações sem invocação há muitos casos no Antigo Testamento, ainda que não se efetuassem nas mesmas circunstâncias que atualmente nas sessões espiritistas, pois pelo visto não era indispensável a obscuridade naqueles tempos para a realização do fenómeno. Os três anjos que apareceram a Abraham em plena luz do dia, em igualdade de circunstâncias apareceram no Tabor Moisés e Elias, pois não é provável que Jesus e os apóstolos subissem o monte durante a noite. Jesus também apareceu a Magdalena no jardim à primeira hora da manhã, e o mesmo à terceira hora se mostrou aos apóstolos.

Estamos de acordo com o autor do referido artigo que na vida de Jesus, e reportando-nos ainda ao Antigo Testamento, encontra-se uma série de manifestações psíquicas, porém, nenhuma delas medianímicas, exceto a da aparição de Samuel invocado pela pitonisa de Endor.

Quando Jesus vaticinou aos seus discípulos dizendo-lhes “maiores obras que estas fareis vós”, referia-se indubitavelmente às obras por mediação, e o mesmo significado tem a profecia de Joel ao dizer: “Tempo virá em que se difundirá o Espírito Divino e profetizarão os vossos filhos e filhas, e os vossos pais terão sonhos e os meninos terão visões”.

Porém, em nenhuma das escrituras hebraico-cristãs nada se lê referente a guitarras voadoras, tambores rolantes e sonoras campainhas que em tenebrosos gabinetes se nos apresentam como provas irrefutáveis da imortalidade da alma. Quando os judeus vituperaram Jesus dizendo “não dizemos nós bem que és samaritano e tens demónio?”, Jesus respondeu-lhes: “Eu não tenho demónio, mas honro a meu Pai e vós me haveis desonrado”. Em outra passagem, lê-se que Jesus depois de lançar fora do corpo de um mudo um elementário e ele ter recuperado a fala, os judeus disseram: “Em virtude de Beelzebud, príncipe dos demónios, afugenta os demónios”. Ao que Jesus lhes respondeu: “Pois se eu, por virtude de Beelzebud, afugento os demónios, por quem os vossos filhos os recebem?”

Ísis sem Véu - Blavatsky
Ísis sem Véu

O autor do artigo citado também equipara os voos ou levitações de Ezequiel e Filipe com os da senhora Guppy e de outros médiuns modernos, porém, ignora ou esquece que sendo igual o efeito era distinta a causa nesses casos, conforme explicámos anteriormente. O sujeito pode determinar consciente ou inconscientemente a levitação. O prestidigitador determina de antemão a altura a que há-de elevar-se e o tempo que durará a levitação, e com esse cálculo gradua as forças ocultas de que se vale. O fakir produz o mesmo efeito pela ação da sua vontade e conserva o domínio dos seus movimentos, exceto quando cai em êxtase. Tal fenómeno acontece com os sacerdotes siameses que no pagode elevam-se até quinze metros de altura, com círio na mão indo de imagem em imagem acender as lâmpadas das fórnices com tanta segurança como se andassem no solo.

Na Índia, Japão, Tibete, Sião e noutros países chamados pagãos na Europa, a ninguém ocorre atribuir esses fenómenos a espíritos desencarnados, pois para os orientais os Pitris (Antepassados) nada têm a ver com semelhantes manifestações. Prova disso dão-nos os nomes com que designam as entidades elementais produtoras dessa classe de fenómenos, e assim chamam madanes aos matreiros elementais, mescla de brutos e monstruosos de índole maliciosa, que infundem nos feiticeiros o poder sinistro de ferir pessoas e animais domésticos com enfermidades repentinas muitas vezes seguidas da morte.

mâdán shudâla é o vampiro dos ocidentais e vaga pelos cemitérios, pelos lugares onde se praticaram crimes e pelos gólgotas das povoações. Os orientais dizem que o mâdán shudâla tem corpo metade de fogo e metade de água, pelo que age indistintamente em ambos os elementos, e por consentimento de Shiva pode assumir a forma que desejar e transformar as coisas. Por esta razão, auxilia o prestidigitador em todos os fenómenos de ilusionismo em que intervenha o fogo, iludindo a visão dos espectadores para que vejam o que na realidade não há.

mâdán shûla é um duende malévolo, muito hábil em obras de olaria e fumigação. Aos seus amigos não faz mal algum, porém, persegue renhidamente aqueles que provocam a sua cólera. Os shûlas gostam de lisonjas e elogios, e como a sua morada habitual são as cavidades subterrâneas, deles se vale o prestidigitador nas sortes de plantações e crescimentos rápidos de vegetais. O mâdán kumil é a ondina dos cabalistas ou espírito elemental da água, de carácter alegre que solicitamente ajuda os seus amigos e se relaciona com as chuvas e a hidromancia.

mâdán poruthû é o elemental atleticamente formado que intervém nos fenómenos de levitação, da domesticação de feras e em todos os que requerem esforço muscular.

Resulta, portanto, que cada modalidade de manifestação psicofísica é presidida por uma ordem de entidades elementais.

Retomando agora o exame das levitações produzidas nos modernos círculos espiritistas, lembramos que ao tratar de Simão, o Mago, referimo-nos à explicação que os antigos deram desta classe de fenómenos. Vejamos, pois, qual é a hipótese mais admissível a respeito dos médiuns que, segundo os espiritistas fenomênicos, atuam inconscientemente por intervenção dos espíritos desencarnados. A etrobacia consciente, em condições eletromagnéticas, é a primitiva faculdade dos Adeptos cuja vontade potente repele toda a influência estranha.

Assim, temos que a levitação há de efetuar-se sempre ligado a uma lei tão inexorável como é a da gravidade, todavia derivando também da atracção molecular.

A levitação do médium é, conforme se vê, um fenómeno puramente mecânico, pois o seu corpo inerte é impelido em ascenso pelo vórtice engendrado pelas entidades elementais, às vezes elementárias, podendo também este fenómeno ter causas mórbidas, como no caso dos sonâmbulos do doutor Perty.

Pelo contrário, a levitação do Adepto é um fenómeno eletromagnético dimanado da troca de polaridades do seu corpo, de modo que seja de sinal igual ao da terra e contrário ao da atmosfera, que o elevará por atracção sem que o Adepto perca a consciência.

O médium é um sujeito magnetizado pelo fluxo de luz astral, e da intensidade desse fluxo e das condições orgânicas do médium depende a potência da sua receptividade, tal como o ácido que conserva a emanação mais tempo que o ferro, apesar do ácido não ser mais nem menos que ferro carbonizado. A receptividade congénita do médium poderá ser precisamente congénita, ou então ter sido induzida por processos hipnóticos através da influência de entidades psíquicas, ou também por esforços da própria vontade. Ademais, a dita receptividade parece ser tão hereditária como outras qualidades psicofísicas, pois os pais da maioria dos médiuns famosos manifestaram indícios de mediunidade. Os sujeitos hipnotizáveis transportam-se facilmente às mais altas modalidades de medianimismo, segundo afirmam em consenso os inteligentes hipnotizadores Gregory, Deleuze, Puysegur, Du Potet e outros.

A respeito da saturação magnética por esforços da própria vontade, basta atender aos relatos dos sacerdotes japoneses, chineses, siameses, hindus, tibetanos e egípcios, assim como aos dos místicos e ascetas do Cristianismo, para nos convencermos da sua realidade. A dilatada persistência no propósito de subjugar a matéria, determina uma condição psicofísica em que não só se anulam as sensações externas como se pode paralisar o corpo com a aparência de morte. O êxtase fortalece de tal modo a vontade que o extasiado atrai a si, com a força absorvente dos vórtices, as entidades moradoras na luz astral, que assim vão aumentar mais a sua energia psíquica.

Tomo II – Mediação e Mediunidade

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión /  Cambiar )

Google photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google. Cerrar sesión /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión /  Cambiar )

Conectando a %s

Este sitio usa Akismet para reducir el spam. Aprende cómo se procesan los datos de tus comentarios .