Poemas

Javier Alberto Prendes Morejón

Nicholas Roerich, “A Mãe do Mundo”
1
Não rasgue meus véus:
              são tudo que tenho!
Não me faça sofrer ao dizer a verdade.
              Sei que desejas meu bem,
mas o custo exige lágrimas
             e meus olhos estão secos!

2
Vi ayer doce lunas
         bailando alrededor de cien Mercurios.
El cielo es un salón para las estrellas
        y un pórtico para los sueños de un poeta.
Lo que vi ayer todavía resuena hoy:
        como las lágrimas de un vino rosa,
se aglutinando en mis venas,
        los ojos puros de aquella danza.
Ve a caminar y verás lo que vi.
        Yo te digo, mi amigo: mis pocas horas,
¿de qué valen, si pierdo tanto tiempo
        tan lejos de las estrellas?
 
3
Fazendo das celestes coisas
lupanares sórdidos,
desfiguraram-se os templos
e decaíram os homens.
 
4
Minha partitura é confusa
e minhas notas são destoantes.
Floresce em meus olhos o sono pétreo,
adeja em minha vista o horizonte opaco.
Minha vontade é tão fraca;
minha visão é tão miúda...
Aspiro libertar-me,
porém, sou meu próprio cativo.
 
5
Em ti há a flor que tu procuras,
pois o mundo é um manancial de escuridão.
Só em ti resplandece o jardim
que no mundo procuras em vão.
 
6
A dor talha o homem
e esculpe em seu peito a verdade.
A dor purifica o erro
e o transmuta em benfazejos. 
 
7
Entreabre o véu maciço
da Natura Naturada
e verás então o antíloquo
perfume de incógnitas verdades.
 
8
Que imenso anseio por um amor total,
vasto como o mar! 
Que imenso anseio por entregar-me,
ilimitado como o firmamento.
Que imenso anseio por ser alegre e espontâneo,
como a flor e o pássaro.
Que imenso anseio por tornar-me vento,
suave lilás como o luar.
Que imenso anseio de no detalhe me perder!...
Que imenso anseio de dissolver-me,
inconsciente, à lua cheia!
Que imenso anseio de rir e dançar,
murmurar da estrela d'alva!
Que imenso anseio de ser oceânico, universal,
como as árvores e os átomos!
Que imenso anseio de tropeçar nas águas cálidas da alma!...
Que imenso anseio de navegar,
entre tulipas e rosas brancas...
navegar!
 
9
Viver o que vem do coração
e despir-se do controle;
viver o anseio de ser feliz
e radiante como uma flor. 
Seguir a força extraordinária e incógnita
que transmuta corpo e mente.
Mergulhar nesse mar,
onde há nada e tudo ao mesmo tempo.
Deixar para a razão,
apenas, as coisas utilitárias,
e dar à vida coração.
 
10
A multidão é uma besta que
devora seus filhos mais sábios,
pois os mais sábios são muito ácidos,
ao mesmo tempo que muito doces.

11
Há em mim algo de tórrido e sórdido: manifesto frases sábias, mas da sabedoria nada entendo! Dir-se-á que possuo a luz, ou ao menos um feixe de vislumbre, mas só me atenho ao breu e ao negrume! O diâmetro e o comprimento de minha sombra são gigantescos! Envolve e camufla, estropia meu ser e fere a lucidez. Meus olhos rangem o apagar e se abatem. A lâmpada inacessa é meu guia, testemunha de tropeços e mais quedas. De algum modo, eclipsal, trovejante e sonolento. Certo é que entre a primeira estrofe e a última reside a alegria, o derradeiro encantamento, o encontro entre o frescor do novo e o ancião, a semente e a árvore madura.

Sou pequeno como um grão. Um felino amordaçado. Sou perpassado pela melodia dos astros e o silêncio do luar e, todavia, meu ser se agita, se impacienta, se acelera… Talvez seja uma instância indefinida, a ponte não construída entre duas extremidades. Margeio minhas mãos e me apego a estas sílabas. Tudo que tenho é este olhar desvanecido pela tristeza. Acaso e infortúnio: sinto-me como um acidente! Não busco a salvação, ao invés, anseio o crepúsculo. Há em mim uma silhueta efêmera, um gosto trivial, uma letra atrofiada, uma palavra que se engasga. Nada encontro. Nada sinto. Mas me remexo, rastejando, em vão. A florescência que não chega. A primavera que não arde. O espinho que me habita. A indecisão. O que sou, senão um grito de desespero?

12
Matei o sábado e lambi o domingo. Um doce amargo, áspero, cingiu minha língua transviada. Fui para a balada das minhas sílabas anotadas. Gozei do dia dilatado em meus poemas. O Sidarta de Hesse desidratou minha lassidez. Apenas uma ressalva: uma adaptação bilíngue bifurca a língua. Muito leite jorra dos prólogos de ardentes livros. Seguem-se nestas páginas tetas gordas. Acabei guardando no meu bolso uma pira de poemas.

13
Em pródigos tomos verti a iracúndia, sustentando nos pés de minha alma um imenso fardo de mil vidas! Não obstante, também na silhueta dessas vidas, a beleza dos amantes, a melodia da serenidade, quando o símbolo da flor passa a ladear o significado e o estilo de nossas vidas. Tudo isso, entremesclado, derramado num jarro onde jazem as duas margens e oscilam os peregrinos na relva da existência, aos olhos cândidos das estrelas! Abismado, com um quê de perplexidade, o tráfego constante entre a fantasia e a realidade. Peregrinando com os pés descalços, suscetível como um botão, a alma já não sabe o que dizer…

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