Insights, intuições e devaneios literários-simbólicos

João Gabriel Simões

Nada como um Mergulho!

Às vezes, “mergulho” em mim para pensar! E neste ato tenho de transpor inúmeras barreiras até chegar a certa profundidade, onde muitas surpresas vêm a somar. É durante o mergulho que percebo a pluralidade de “eus” que habitam em mim; que vejo uma batalha entre “sins” e “nãos”, atrações e aversões; que sinto as “correntezas” morais empenhadas em me arrastar; que escuto o “ruído” de teorias, que querem me dizer como e onde mergulhar; que vejo as “sombras” da necessidade de aprovação, reconhecimento social e, também, servidão. Sim, é um mergulho perigoso, mas também majestoso. O risco é se distrair e não retornar para respirar. Aliás, mais arriscado ainda é nem mesmo mergulhar!

O que você joga fora?

Parece que uma parte de nós está acostumada a pensar, que está sempre perdendo alguma coisa em algum lugar. Uma festa, uma viagem, um amor, uma experiência etc. Ela desqualifica o momento presente, em prol de um mau uso da imaginação — que fica perambulando pelas “ruas” do que “poderia ter acontecido” e do que “poderia estar acontecendo”. Atordoados pelo frenesi das ofertas de felicidade, entretenimento e prescrições de como se viver bem, aprendemos algo fantástico: jogar fora o “aqui e agora”, o imediato que está acontecendo neste exato momento, com suas possibilidades inéditas e inexploradas.

Labirintos teóricos

Existem muitos justificadores da “mediocridade” cotidiana, cujo intento de convencer os outros da “grandiosidade” de suas próprias “limitações”, acaba imobilizando as poderosas forças de emancipação, latentes em todos os demais. São humanos, que por nunca terem conseguido sair da “escuridão” de suas “cavernas “, se tranquilizam criando “labirintos” teóricos dentro delas. Crentes na impossibilidade de saída, se especializam em justificar suas limitações e impô-las aos demais. É como se dissessem: “se eu não consigo ninguém consegue; se eu não vejo é por que não existe”. É um egoísmo pueril e inconfessável, disfarçado de racionalidade ou altruísmo, que atua neles. No final das contas, são solitários, demasiadamente humanos, buscando atrair outros para seus labirintos. Querem companhia em suas brincadeiras, me disse um certo alguém!

Fuga do depósito de marcas

Neste exato momento, várias “forças” estão te atravessando sem serem percebidas. Olhe em volta! Você pode não enxergá-las, mas elas existem, você pode não senti-las, mas elas estão presentes. São “virtualidades” que podem ser trazidas à existência pelo seu pensamento/movimento. A inspiração súbita que te faz escrever algo, o insight que faz você resolver um problema, o entusiasmo que te conduz a criação artística — tudo isso são exemplos de como essas “forças” ganham existência e produzem o novo. Ou seja, quando o “virtual” se atualiza ou quando a “potência” se transforma em ato, é traçado uma “linha” de fuga do “velho”. É o que é o velho em nós? É a nossa personalidade, o nosso querido ou não querido “depósito” de “marcas”. E o que é o nosso “intelecto discursivo” (ligado ao hemisfério cerebral esquerdo), senão o velho organizador das marcas que usamos para se relacionar com o mundo. Enfim, ciar implica em romper as muralhas do império das marcas comandado pelo intelecto. Se trata de quebrar a hegemonia desse imperador! Ninguém melhor para fazer isso do que a intuição (intelecto intuitivo). Aqui Freud não explica, mas sim Espinoza!

Retiro

Retiro-me para o “deserto”, no qual não há ruídos, muito menos inimigos…
Nem a mim mesmo tenho de enfrentar, enquanto no deserto estou a caminhar…
Me afasto de tudo que tenho de representar, pois lá não há nada que demonstrar, muito menos provar…
Nem medo nem coragem, no meu trajeto nem a solidão está…
Não contemplo nada, por que não há nada a contemplar…
“Aquele“ que quer algo não mais está lá…
Se retorno do meu retiro é apenas para me “chamar”…
Chama acesa que jamais vai apagar…

O avesso do verso!

Se eu lhe dissesse que existem “luzes” que “escurecem” e “sombras” que “brilham”…
Corpos que não vivem e “incorporais” viventes…
Palavras que não dizem e silêncios dizentes…
Felicidades tristes e tristezas alegres…
Coesão no paradoxo e incoerência na adequação….
O que você não me diria?

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