A CRISE CONTEMPORÂNEA E A LINGUAGEM EUBIÓTICA

Prof. Sebastião Vieira Vidal

Estamos assistindo, em nossos dias, ao fim de um Ciclo e ao dealbar de um outro, mais esperançoso, por assim dizer. É o choque permanente de duas mentalidades, de dois estados do ser: um agarrando-se ao passado e outro projetando-se para o futuro, rumando para o vir a ser.

O homem moderno atormenta-se; não tem tranquilidade. É um dinâmico alucinado, vivendo num vértice de decisões e tergiversações, a que bem se refere Joan Marques de Reviére em sua obra “VERS BENARÉS” (Editions Victor Attinger, 1030) num trecho que é digno de ser transcrito, pois nada melhor para ilustrar afirmações do que recorrer a autores do quilate do que estamos citando:

“Há algo de trágico em nosso tempo, e embora um certo otimismo procure tranquilizar, afirmando que esse trágico se deu em todas as épocas, creio que ele é excepcionalmente. O Ocidente quer encontrar seus valores; perdeu-os. Como é cheio de orgulho, acredita ainda que os possui em algum sítio, e que eles sairão de suas ‘caixinhas de segredo’.

Imaginemos que tudo pode ser edificado no exterior. Nessa maquinaria poderosa que nos habituou a tocarmos um botão, a manobrar uma manivela, a puxar um cordel, para vermos urgir maravilhas. Então, muito simplesmente, puxamos o cordel para estabelecer o equilíbrio no Ocidente.

Enquanto nossa formação cartesiana nos fizer acreditar no objetivo, será sempre assim. Somente o subjetivo poderia modificar consideravelmente as coisas, pois nos colocamos diante de nós mesmos, e não haveria mais do que individuais. Seria uma tarefa formidável de reeducação mental, e somente os Deuses conhecem a exuberância do mental no hemisfério Ocidental. É esse o ponto: fazer perceber a todos que há o mental, e depois, além do mental, o mar desconhecido, realizável experimentalmente, cheio de possibilidades em número indefinido. O mental, pois, trabalha sobre si mesmo; ele se fez motor das morais e dentro delas volteja como um macaco”.

Pois a verdade é que a ciência só aceita que há percepções dentro das fronteiras desse mental que “salta como macaco” e a religião, nos limites dessas almas minúsculas que nada valem, a não ser como instrumentos para percepções, para adquirir experiências, para o “Jivatmã”, a expressão da Consciência Universal, da Vida Cósmica em a natureza, inclusive, portanto, no homem, que tem de adquirir consciência através de todos os estados da substância.

Seria interessante se a humanidade recebesse com naturalidade o fato de que muitos expoentes da sua espécie já se deificaram internamente, ultrapassando esse mental, e que como alunos na escola aprendem e procuram imitar o Mestre, também saiba que os deverá imitar, como verdadeiros Orientadores, pouco importa se ainda não se apresentaram publicamente tal como são, porque o mundo ainda não os reconheceria. Contudo, essa mesma Humanidade, por intermédio de seus homens evoluídos, recebe consciente ou inconscientemente as suas inspirações no sentido de progresso e perfeição.

Infelizmente, as criaturas humanas, envoltas de energias grosseiras, vivendo numa dimensão bem densa, sob o nevoeiro da matéria tamásica, como diria um orientador hindu, não veem o que se acha mais além de nossos dias.

Os acontecimentos atuais foram antevistos pelos autores do Vishnu Purana, senão pelo primeiro Avatara de Vishnu no início da raça Ariana. Os Avataras não têm sido compreendidos, nem seguidos, porque os seus conhecimentos são dados num ritmo muito acelerado em relação ao mental de que falou Reviére.

No maravilhoso Vishnu Purana estão escritos, antecipadamente, os acontecimentos atuais. Logo, estamos de fato vivendo num fim de ciclo, na última idade de uma Eternidade.

Se os homens de responsabilidade tivessem pensado no que se acha no Vishnu Purana, talvez evitassem o que a humanidade está se sujeitando, no presente Ciclo. E os tempos são chegados.

DIZ O VISHNU PURANA:

Quando os bárbaros chegarem a ser donos das margens do Indo, de Chandrabhaga e Kashimir, haverá monarcas de ruim espírito, gênio violento, audazes e perversos, que darão morte às mulheres e crianças, arrebatarão os gados dos súditos; ou, segundo outra tradição, se dirigirão às esposas dos outros. O poder desses Reis será limitado, suas vidas serão curtas, seus desejos serão insaciáveis… Gentes de vários países mesclando-se com Eles, seguindo seu exemplo, ainda que as gentes serão menosprezadas, e o povo perecerá, a piedade e a riqueza diminuirão dia a dia, até que o mundo se deprave por completo. A propriedade, somente, conferirá a categoria (a hierarquia a classe); a riqueza o único anelo; e a paixão animal o laço verdadeiro entre os sexos; a falsidade será o único meio de êxito nos litígios; as mulheres serão objetos de satisfação puramente sexual. A mera exterioridade será a única maneira de se distinguir na vida; a falta de honradez e veracidade, os meios universais da subsistência; a debilidade fará servis dependências; a ameaça e presunção substituirão a sabedoria; o desleixado, esfarrapado, sujo, será chamado de virtuoso e o homem rico terá a reputação do puro. O vínculo meramente material ligará os matrimônios; ricas vestes serão dignidades. Só se estabelecerá o império do mais forte e o povo não poderá mais suportar a carga, refugiando-se nos vales. Deste modo, na Idade Negra, a decadência continuará, constantemente, até que a Raça Humana se veja cercada de fantasmas de sua extinção ou aniquilamento.

Mas a suavidade dos ensinamentos dos Avataras podem suavizar o jugo da Lei, dos julgamentos.

De fato, é muito pesado o trabalho, o serviço dos homens. Mas a Lei que a tudo e a todos rege não poderá deixar de ser fiel às suas promessas, através das Bocas Avatáricas, das Bocas da Verdade. O fim dos Avataras é erguer aqueles que caem. Eles sublimam os pobres, os humildes, para que estes possam aparecer, ao menos, aos olhos dos justos, como ricos de espírito.

E, assim, os Avataras nutrem os que têm fome com os alimentos do Céu – o verdadeiro Manu, mental superior, mente abstrata, caídos do Céu no tempo de Moisés. Muitos não compreenderão estas palavras, mas os instruídos as compreenderão, as vivenciarão e saberão cantar hinos em honra ao valor do Mental Humano, saberão glorificar as palavras dos Avataras.

Manas-Mental, Inteligência é o princípio do discernimento. Logo, Manas, Manu, o Pensador, o portador do pensamento demonstra o estado de Consciência porque está atravessando o ser humano, embora num ciclo de grande decadência da quinta Raça, para o ressurgimento no ciclo imediato.

O mental é um elemento que dever ser firme, resistente a todos os impactos, salvo os aspectos da Verdade de natureza universal. E, para isso, necessário se torna haver o equilíbrio entre a “Doutrina do Olho e a do Coração”, ou seja, o perfeito equilíbrio entre o aspecto emocional e a razão. Isso para que a vida não venha a se transformar numa vivenciação sem sentido.

E o possuidor do mental, o sábio, na medida em que é assim considerado, nunca está com o espírito perturbado; mas, sendo consciente de si mesmo e dos Avataras, das coisas, das leis de causa e efeito, por certa necessidade eterna, nunca cessa de ser, mas sempre possui a verdade na aquiescência do Espírito, da inteligência genial.

Mas, a Lei que a tudo e a todos rege, tem sempre remédio para os de enfermidade universal, por isso encontramos, no mesmo Vishnu Purana, a voz do antigo Avatara, senão a Voz do mais antigo dos Avataras de Vishnu. Por trás deste inferno da humanidade, no que, sem dúvida, falamos, vem a primavera promissora, a promessa da “Primavera Eterna”, ou seja, a de uma Idade melhor, mais perfeita, mais equilibrada, anunciada por estes outros termos, também, do Vishnu Purana.

“Quando o fim da Idade Negra estiver próximo, descerá sobre a Terra uma parte daquele SER DIVINO que existe por virtualidade de sua própria natureza espiritual” (cósmica), ou seja, o Kalki-Avatara, dotado de 8 Faculdades Supremas. Ele restabelecerá a JUSTIÇA sobre a Terra; as mentes dos que viverem no fim da KALI-YUGA se despertarão tão diáfanas como o cristal.

Os homens assim transformados serão como “sementes” de Seres Humanos e produzirão uma raça que seguirá as Leis da Idade de “KRITA” (ou Idade da Pureza), porque está escrito: quando o Sol e a Luz TISHIA e JÚPITER estiverem em uma só casa ou Signo Celeste, a Idade de Satwa (de Ouro) ou Krita voltará a reinar.

Segundo os conhecimentos deixados no mundo pelo Revelador Prof. Henrique José de Souza, podemos identificar as épocas anunciadas, ligando a primeira profecia à época atual e esta última ao ano de 2.005.

O VISHNU PURANA TAMBÉM DIZ:

“Disse, também, que volverão entre os homens no final da KALIYUGA (Idade Negra), dois DEVA-PIS (ou do círculo dos Devas) da Raça dos “Maru” ou “Moru” e “Kuru” (é o mesmo que dizer: Mahatmãs, Homens Solares) da família de “IKASHVAKVS” que hoje reside em KALAPA ou KALI-LI, restaurando a Raça dos “Tshátria” ou “Chattava Solar”, ou ainda, da Idade de Ouro. Este “MORÚ” ou “MORYA” é um dos 10 Reis Solares da Atlântida, segundo se colige, conforme diz HPB, no texto do “MATSYA PURÃNA”, cap. CCLXXII, e é um elemento pertencente também à tribo dos Rajyaput ou Raça Putana de que se fala muito. Chama-se no MAHA-HANSA (o grande Cisne, Lohengrin) Morya-Naga é o mesmo que se encontra entre os Astecas como Nagas ou Nahoas divinos, como diriam os Caldeus, o grande Iniciador protetor, tal como indicam os diversos nomes que são transcritos, todos alusivos a quanto se tem de maior e glorioso na História da Humanidade, a saber:

KALKI-AVATARA ou AVATARA DE CALÇAS: A misteriosa cidade da região mais setentrional do Tibet, sem falar das Cem outras Calças do Mundo antigo, alusivas à linguagem: CRIPTO-GRÁFICA, ZENZÁRICA, NUMÉRICA ou CALCÍDICA. O Avatara ou o Enviado que aparecerá montado num Cavalo Branco.

MARÚ: Raiz do termo Matrutes celestes; Marutes, Matras-Devas: os Deuses a que se referem muitos Hinos dos Vedas.

MORÚ ou MORYA: Nomes alusivos aos primeiros Reis Divinos da Atlântida, destes nomes derivaram os de Mauritânia Africana: origem, também, dos Mouros, Mouriscos, Mário, Maria, Moryha.

KURU, KYRIE, CAURIA ou CORIO: Nomes derivados da primitiva Raça Solar. Os Kurus, Kyrie, Carios, Caurios, Córios, os que habitaram a América Central, Caraíbas, “Caraíbas me muam”, os que eram amigos, contrapartes das Amazonas.

IKASHVAKÚ, de KALAPA ou KALI-PI: a primeira família dos Pitris ou antecessores, senão os lunares; os descendentes da Cadeia Lunar a respeito dos quais a ciência histórica tudo ignora.

MOSTYA-MATSYA: um dos Avataras relacionados com CANES, DAGOM, ITTI, XISTHRUROS das demais teogonias.

MAHA-ANSA: o grande Cisne, Kala-Ansa, Swan-Ritter, Lohengrin, Choan, e que se acha com maiores detalhes no livro “Wagner Mitólogo e Ocultista”.

MORYA-NAGA – MARUT-NAGA: caldeu e também de que tanto se fala no Panteon Mexicano. Estes termos têm o sentido de Serpente ou Dragão da Sabedoria.

KALKI ou KALKIM: (Sânscr.) – quer dizer o Cavalo Branco, o sobrenome de Vishnu, em seu décimo Avatara.

KALKI-AVATARA: O Avatara que virá montado no Cavalo Branco e que será a última encarnação mavantárica, Manú-Antara de Vishnu, segundo os Brâmanes; de Maytreia Budha, segundo os Budistas do Norte; de SOSIOSCH, o último herói e salvador dos zoroastrianos, como pretendem os persas; e do “FIEL, DO VERDADEIRO”, sentado no Cavalo Branco. Apocalipse, XXX, 11. Em sua futura manifestação (epifania) ou o Décimo Avatara, se abrirão os céus e aparecerá Vishnu sentado num corcel branco como leite, com uma espada desnuda, resplandecente como um cometa, a fim de promover a transformação da ordem das coisas. Restabelecerá o reino da pureza e da justiça.

Segundo as velhas tradições, os feitos, as realizações, os acontecimentos cíclicos da era do Kalki-Avatara, do Avatara de Maytreia serão escritos, registrados no Livro do Kamapa.

No Kamapa, o Livro da Biblioteca de Kalapa, de Kali-Pi, no livro das ETERNIDADES, mais uma folha será descrita com letras de Fogo. E, para o Mundo, abrir-se-á um novo capítulo em que cada qual deve escolher o seu Verdadeiro Caminho, sob pena de se ir ter diante dos dantescos Portais onde se leem as ameaçadoras palavras:

LASCIATE OGNI SPERANZA O VOI CHI ENTRATE.

Deverá substituir esta última frase de Dante, pela sublime frase oferecida ao Movimento pelo Prof. Henrique José de Souza:

LAKSHANA PAX DHÂRANÂ que quer dizer LIBERTAÇÃO PAX DHÂRANÂ, sim, Libertação, Pax, por estar de acordo com a Lei do Ciclo.

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