Ísis Sem Véu

Capítulo IX

Helena Petrovna Blavatsky

Duas importantes verdades sobre o poder mágico

O que dissemos no capítulo introdutório e alhures a respeito dos médiuns e da tendência de sua Mediunidade não se baseia em conjecturas, mas em experiências e observações reais. Dificilmente haverá uma fase da Mediunidade, de qualquer outra espécie, de que não tenhamos visto exemplos durante os últimos vinte e cinco anos, em vários países. Índia, Tibete, Bornéu, Sião, Egito, Ásia Menor, América (Norte e Sul) e outras partes do mundo mostraram-nos as suas fases peculiares de fenômenos Mediúnicos e de poder mágico. Nossas variadas experiências ensinaram-nos duas importantes verdades, a saber, que para o exercício do poder mágico a pureza pessoal e o adestramento de uma força de vontade treinada e indômita são indispensáveis; e que os espiritistas jamais se podem assegurar da realidade das manifestações mediúnicas, a menos que elas se produzam à luz do dia e sob condições de controle tais que toda tentativa de fraude seja imediatamente descoberta.

A produção dos fenômenos físicos

Devido ao medo de sermos mal compreendidos, assinalaremos que enquanto, em regra, os fenômenos físicos são produzidos pelos espíritos da Natureza, por seu próprio movimento e para satisfazer a sua própria fantasia, alguns bons espíritos humanos desencarnados podem, não obstante, sob circunstâncias excepcionais, como a aspiração de um coração puro a ocorrência de alguma emergência favorável, manifestar a sua presença por qualquer um dos fenômenos, exceto a materialização pessoal. Mas é preciso que haja uma atração deveras poderosa para arrancar um espírito puro e desencarnado de sua morada radiante e arrojá-lo na atmosfera viciada de que escapou ao deixar o corpo terreno.

Os magos e os filósofos teúrgicos opunham-se energicamente à “evocação das almas”. “Não a evoqueis [à alma], para que ao partir ela não retenha alguma coisa”, diz Pselo.

“Cumpre-vos não olhá-lo antes que o vosso corpo iniciado, pois, sempre encantando, elas seduzem a alma do [não] iniciado”, diz outro filósofo.

Eles se opunham por várias e boas razões. 1º) “É extremamente difícil distinguir um bom demônio de um mau”, diz Jâmblico, 2º) Se uma alma humana consegue penetrar a densidade da atmosfera terrestre – sempre opressiva para ela e muitas vezes odiosa -, não pode ela, contudo, evitar incorrer num perigo que resulta da proximidade do mundo material; “ao partir, ela retém alguma coisa”, vale dizer, contamina a sua pureza, o que a fará sofrer mais ou menos após a sua partida. Por isso, o verdadeiro teurgista evitará causar qualquer sofrimento a esse puro cidadão da esfera superior que não seja absolutamente necessário aos interesses da Humanidade. Somente o praticante da magia negra compele a presença, mediante os poderosos encantamentos da necromancia, das almas maculadas daqueles que levaram más vidas e estão prontos a secundar-lhes os objetivos egoístas. Os teurgistas empregavam substâncias químicas e minerais para afugentar os maus espíritos.

“Quando vires um demônio terrestre aproximando-se, gritai, sacrificai a pedra Mnízourin”, exclama um oráculo zoroastrino.

Sobre mesas girantes

No Journal de magnétisme do Dr. Morin, publicado há poucos anos em Paris, quando as “mesas girantes” faziam furor na França, uma curiosa carta foi publicada.

“Acreditai-me, senhor,” escrevia o correspondente anônimo, “que não existem espíritos, fantasmas, anjos ou demônios encerrados numa mesa; mas todos esses podem nela se encontrar, pois isso depende de nossa própria vontade e imaginação. (…) Tal mensabulismo é um antigo fenômeno (…) mal compreendido por nós modernos, mas natural, e que diz respeito à Física e à Psicologia; infelizmente, ele teve que permanecer incompreensível até a descoberta da eletricidade e da heliografia, pois, para explicar um fato de natureza espiritual, somos obrigados a nos basear num fato correspondente de ordem material. (…)

“Como todos sabemos, a chapa daguerreótipa deve ser impressionada não apenas pelos objetos mas também por seus reflexos. Ora, o fenômeno em questão que se poderia chamar de fotografia mental, produz, além das realidades, os sonhos de nossa imaginação, com tal fidelidade que com muita frequência somos incapazes de distinguir uma cópia tirada de alguém presente, de um negativo obtido de uma imagem. (…)

A magnetização de uma mesa ou de uma pessoa é absolutamente idêntica em seus resultados; é a saturação de um corpo estranho pela eletricidade vital inteligente pelo pensamento do magnetizador e dos presentes.”

Sessão espírita, mesas girantes

Nada pode dar uma melhor ou mais justa ideia do que a bateria elétrica que acumula o fluído e seus condutores para obter uma força bruta que se manifesta em centelhas de luz, etc. Assim, a eletricidade acumulada num corpo isolado adquire um poder de reação igual à ação, seja para carregar, magnetizar, decompor, inflamar ou descarregar as suas vibrações a grande distância. Tais são os efeitos visíveis de eletricidade cega ou rude produzida por elementos cegos – empregando-se a palavra cega pela própria mesa, por oposição à eletricidade inteligente. Mas existe evidentemente uma eletricidade correspondente produzida pela pilha cerebral do homem; esta eletricidade da alma, este éter universal e espiritual que é a natureza ambiente, intermediária do universo metafísico, ou antes do universo incorpóreo, dever ser estudada antes de ser admitida pela ciência, que, nada sabendo sobre ela, jamais conhecerá qualquer coisa do grande fenômeno da vida antes que o faça.

“Parece que, para manifestar-se, a eletricidade cerebral requer a ajuda da eletricidade estática ordinária; quando esta última está ausente da atmosfera – quando o ar está muito úmido, por exemplo – obtém-se muito pouco ou nada, seja das mesas, seja dos médiuns. (…)

“Nós, que conhecemos bem o valor do fenômeno (…) estamos perfeitamente seguros de que, após ter carregado a mesa com o nosso efluxo magnético, chamamos à vida, ou criamos, uma inteligência análoga à nossa, que como nós é dotada de uma vontade livre, pode falar e discutir conosco, com um grau de lucidez superior, considerando-se que a resultante é mais forte que os componentes, ou antes, o todo é maior que uma de suas partes. (…) Não devemos acusar Heródoto de nos contar mentiras quando lembra os fatos mais extraordinários, pois devemos considerá-los como tão verdadeiros e corretos quanto os demais fatos históricos que se encontram em todos os escritores pagãos da Antiguidade. (…)

“O fenômeno é tão velho quanto o mundo. (…) Os sacerdotes da Índia e da China praticavam-no antes dos egípcios e gregos. Os selvagens e os esquimós conhecem-no bem. Trata-se do fenômeno da fé, a única fonte de todo prodígio. ‘Servos-á concedido de acordo com a vossa fé’. Aquele que enunciou esta profunda doutrina era verdadeiramente o verbo encarnado da Verdade; ele não se enganava, nem procurava enganar os demais; ele expunha um axioma que hoje repetimos, sem muita esperança de vê-lo aceito.

“O homem é um microcosmos, ou um pequeno mundo: ele carrega consigo um fragmento do grande Todo, um estado caótico. A tarefa de nossos semideuses é desembaraçar dele a parte que lhes pertence por um incessante trabalho mental e material. Eles têm sua tarefa a cumprir, a invenção perpétua de novos produtos, de novas moralidades, e o arranjo conveniente do material rude e informe fornecido a eles pelo Criador, que os criou à Sua Imagem, para que eles o criassem por sua vez e assim completassem aqui a Obra da Criação; um imenso trabalho que só terminará quando o Todo estiver tão perfeito que será como o Próprio Deus, e assim capaz de sobreviver-lhe. Estamos muito longe ainda desse momento final, pois poderemos dizer que tudo ainda está por fazer, por desfazer e por aperfeiçoar em nosso globo, instituições, maquinaria e produtos.

`Mens non solum agitat sed creat molem.’

A duplicidade do Universo

Vivemos, nesta vida, num centro intelectual ambiente, que mantém entre os seres humanos e as coisas uma solidariedade necessária e perpétua; todo cérebro é um gânglio, uma estação de um telégrafo neurológico universal em constante relação com a estação central e as outras através das vibrações do pensamento.

“O Sol Espiritual brilha para as almas assim como o Sol material brilha para os corpos, pois o Universo é duplo e segue a lei dos pares. O operador ignorante interpreta erroneamente os despachos divinos, e os transmite, com frequência, de maneira falsa e ridícula. Assim, apenas o estudo e a ciência pura podem destruir as superstições e os absurdos difundidos pelos interpretes ignorantes sediados nas estações de ensino entre todos os povos deste mundo. Esses intérpretes cegos do Verbum, a PALAVRA, sempre tentaram impor aos seus pupilos a obrigação de afirmarem todas as coisas sem exame, in verba magistri.

“Ai de nós! Não desejaríamos outra coisa do que vê-los traduzir corretamente as vozes interiores, as quais nunca enganam senão aqueles que têm falsos espíritos em si. `É nosso dever’, dizem eles, `interpretar os oráculos; somos nós que recebemos a missão exclusiva para isso, do céu, spiritus flat ubi vult, e só sobre nós ele sopra’.

“Ele sopra sobre todos, e os raios da luz espiritual iluminam todas as consciências (…) e, quando todos os corpos e todas as mentes refletirem igualmente essa luz, as pessoas verão muito mais claro do que agora.”

Os espíritos da natureza

Embora os espiritistas procurem desacreditá-los tanto quanto possível, esses espíritos da Natureza são realidades. Se os gnomos, silfos, salamandras e ondinas dos Rosa-cruzes existiram em seus dias, eles devem existir agora.

Johfra Bosschart

Os cristãos chamam-nos “demônios”, “diabinhos de Satã” e outros nomes igualmente característicos. Eles não são nada do gênero, mas simplesmente criaturas de matéria etérea, irresponsáveis, nem bons nem maus, a não ser quando influenciados por uma inteligência superior. É realmente extraordinário ouvir os devotos católicos injuriarem e desfigurarem os espíritos da Natureza, quando uma de suas maiores autoridades, Clemente de Alexandria, deles se serviu, descrevendo tais criaturas como elas realmente são. Clemente, que foi talvez tanto um teurgista quanto um neoplatônico, e que se apoiava portanto em boas autoridades, assinala que é absurdo chamá-los de demônios, pois eles não passam de anjos inferiores, “cujos poderes residem nos elementos, movem os ventos e distribuem as chuvas e como tais são os agentes e sujeitos de Deus” Origines, que antes de se tornar um cristão pertenceu também à escola platônica, é da mesma opinião. Porfírio descreve esses demônios mais cuidadosamente do que qualquer outro.

Quando a possível natureza das inteligências manifestantes, que a ciência acredita ser uma “força psíquica”, e os espiritualistas acreditam ser os espíritos análogos dos mortos, for mais bem-conhecida, os acadêmicos e os crentes voltar-se-ão aos antigos filósofos em busca de informação.

A trindade do homem e a dualidade dos animais

As pessoas asseveram que não existem macacos no mundo, porque os macacos não tem “alma”. Mas os macacos têm tanta inteligência, ao que parece, quanto muitos homens; por que, então, teriam estes homens – de maneira alguma superiores aos macacos, espíritos imortais – e os macacos, não? Os materialistas responderão que um nem outro têm espírito, mas que a aniquilação alcança a todos na morte física. Mas os filósofos espiritistas de todos os tempos concordam em que o homem ocupa um lugar um degrau acima que o animal, e possui este algo que falta a este último, seja ele o mais ignorante dos selvagens ou o mais sábio dos filósofos. Os antigos, como vimos, ensinavam que enquanto o homem é uma trindade de corpo, espírito astral e alma animal, o animal é apenas uma dualidade – um ser que tem um corpo físico astral que o anima. Os cientistas não reconhecem qualquer diferença entre os elementos que compõem os corpos dos homens e dos animais; e os cabalistas concordam com eles quando sustentam que os corpos astrais (ou, como os físicos os chamariam, “o princípio de vida”) dos animais e dos homens são idênticos em essência. O homem físico é apenas o desenvolvimento mais elevado da vida animal. Se como nos dizem os cientistas, até mesmo o pensamento é matéria, e toda sensação de dor ou prazer, todo desejo transitório é acompanhado por uma perturbação do éter; e os profundos especuladores que escreveram The Unseen Universe acreditam que o pensamento é concebido “para agir sobre a matéria de outro universo simultaneamente a este”; por que, então, o pensamento grosseiro e brutal de um orangotango, ou um cão, imprimindo-se nas correntes etéreas da luz astral, da mesma maneira que o do homem, não asseguraria ao animal uma continuidade da vida após a morte, ou “um estado futuro”?

Os cabalistas sustentavam e ainda sustentam que não é filosófico admitir que o corpo astral do homem pode sobreviver à morte corporal, e, ao mesmo tempo, afirmar que o corpo astral do macaco se dissolve em moléculas independentes. O que sobrevive como uma personalidade após a morte do corpo é a Alma Astral, que Platão, no Timeu e no Górgias, chama de Alma mortal, pois de acordo com a doutrina hermética, ela rejeita as suas partículas mais materiais a cada modificação progressiva para uma esfera superior. Sócrates relata a Calicles que essa alma mortal conserva todas as caraterísticas do corpo após a morte deste; ao ponto que um homem marcado de chicotadas terá o seu corpo astral “cheio de marcas e cicatrizes”. O espírito astral é uma duplicata fiel do corpo, tanto no sentido físico como no espiritual. O Divino, o espírito mais elevado e imortal, não pode ser punido nem recompensado. Sustentar uma tal doutrina seria, ao mesmo tempo, absurdo e blasfemo, pois o espírito não é apenas uma chama alumiada na fonte central e inextinguível de luz, mas, na verdade, uma parte dela, e da mesma essência. Ele assegura a imortalidade do ser astral individual na proporção do grau de interesse que este último tem em recebê-la. Desde que o homem Duplo, i.e., o homem de carne e espírito, se mantém nos limites da lei da continuidade espiritual; desde que a centelha divina nele se conserva, ainda que fragilmente, ele está no caminho de uma imortalidade num estado futuro. Mas aqueles que se resignarem a uma existência materialista, ocultando o fulgor divino irradiado por seus espíritos, no início da peregrinação terrestre, e emudecendo a voz acauteladora dessa sentinela fiel, a consciência, que serve de foco para a luz na alma – seres como esses, que abandonaram a consciência e o espírito, e cruzaram os limites da matéria, deverão naturalmente segui-lhe as leis.

As moradas das almas após a morte

A matéria é tão indestrutível e eterna quanto o próprio espírito imortal, mas apenas em suas partículas, e não em suas formas organizadas. O corpo de uma pessoa tão grosseiramente materialista, tendo sido abandonado por seu espírito antes da morte física, quando este evento ocorre, a matéria plástica, a alma astral, seguindo as leis da matéria cega, conforma-se de acordo com o molde que o vício gradualmente preparou para ela durante a vida terrena do indivíduo. Então, como diz Platão, ela assume a forma do “animal a que se assemelhou nos seus descaminhos” durante a vida. “É uma antiga máxima”, diz-nos ele, “que as almas que deixam a Terra vivem no Hades e retornam novamente e são geradas dos mortos (…) Mas aqueles que levaram uma vida eminentemente santa, esses atingem uma morada superior e habitam as partes mais elevadas da Terra” (a região etérea). No Fedro, novamente, ele diz que quando os homens terminam as suas primeiras vidas (sobre a Terra), alguns vão para lugares de castigo sob a Terra. Essa região abaixo da Terra, os cabalistas não a entendem como um lugar inferior da Terra, mas sustentam que ela é uma esfera muito inferior em perfeição à Terra, e muito mais material.

De todos os especuladores que se ocuparam das aparências incongruências do Novo Testamento, apenas os autores de The Unseen Universe parecem ter entrevisto as suas verdades cabalistas, a respeito do Geheenna do universo. O Geheenna, que os ocultistas chamam de Oitava esfera (contando ao contrário), é apenas um planeta como o nosso, que se vincula a este e que o segue em sua penumbra; uma espécie de urna funerária, um “lugar em que todas as suas sujeiras e imundícies se consomem”, para emprestar uma expressão dos autores acima mencionados, e em que todas os refugos da matéria cósmica que pertence ao nosso planeta estão num contínuo estado de remodelagem.

A imortalidade do homem

A Doutrina secreta ensina que se o homem atinge a imortalidade, permanecerá para sempre a trindade que é em vida, e assim continuará por todas as esferas. O corpo astral, que nesta vida está recoberto por um grosseiro invólucro físico, torna-se – quando se livra dessa cobertura pelo processo da morte corporal – por sua vez o invólucro de um outro corpo mais etéreo. Este começa a se desenvolver a partir do instante da morte, e torna-se perfeito quando o corpo astral da forma terrestre finalmente se separa dele. Este processo, dizem eles, repete-se a cada nova transição de uma esfera a outra. Mas a alma imortal, “a centelha prateada”, observada pelo Dr. Fenwick no cérebro de Margrave, e não encontrada por ele nos animais, jamais se modifica, mas permanece “indestrutível pelo que quer que seja que vem bater ao seu tabernáculo”. As descrições que Porfírio, Jâmblico e outros fazem dos espíritos dos animais, que habitam a luz astral, são corroboradas pelas de muitos dos mais fidedignos e inteligentes clarividentes. Às vezes, as formas animais se tornam menos visíveis às pessoas presentes num círculo espiritual, materializando-se. Se, após a morte corporal, existe uma outra existência no mundo espiritual, ela deve ocorrer de acordo com a lei de evolução. Ela toma o homem de seu lugar no ápice da pirâmide de matéria, e o deixa numa esfera de existência em que a mesma lei inexorável o acompanha. E se ela o acompanha, por que não o fariam todas as coisas da Natureza? Por que não os animais e plantas, que têm um princípio de vida, e cujas formas grosseiras se decompõem como a sua, quando esse princípio de vida os abandona? E se o seu corpo astral se torna mais etéreo ao chegar a outra esfera, por que não o deles? Eles, tanto quanto o homem, evoluíram da matéria cósmica condensada, e nossos físicos não veem a menor diferença entre as moléculas dos quatro reinos da Natureza, que são assim especificado pelo Prof. Lenenhuma Conte:

4. Reino Animal.

3. Reino Vegetal.

2. Reino Mineral.

1. Elementos.

O processo da matéria de cada um desses planos ao plano superior é contínuo; e, segundo Lenenhuma Conte, “não há nenhuma força na Natureza capaz de elevar a matéria de um só golpe do n.º 1 ao n.º 3, ou do n.º 2 ao n.º 4, sem se deter e receber um suplemento de força, de uma espécie diferente, no plano intermediário”.

Ora, arriscará alguém dizer que de um dado número de moléculas, original e constantemente homogêneas, e todas energizadas pelo mesmo princípio de evolução, uma certa parte pode ser transportada através desses quatro reinos até o resultado final de um homem imortal que evolui, e as demais partes não podem progredir além dos planos 1, 2 e 3? Por que não teriam todas essas moléculas um futuro igual de si; o mineral tornando-se planta, a planta animal, e o animal homem – se não nesta Terra, pelo menos em alguma parte dos incontáveis reinos do espaço? A harmonia que a Geometria e a Matemática – as únicas ciências exatas – demostram ser a lei do universo, seria destruída se a lei da evolução só se exemplificasse perfeitamente no homem, e se detivesse nos reinos secundários. O que a lógica sugere, a psicometria prova; e, como dissemos antes, não é impossível que um monumento seja um dia erigido pelos cientistas a Joseph R. Buchanan, o seu descobridor moderno. Se um fragmento de mineral, uma planta fossilizada ou uma forma animal dá ao psicrômetro retratos tão vívidos e precisos de seus estados anteriores, assim como um fragmento de osso humano dá os do indivíduo a qual pertenceu, isto parece indicar que o mesmo espírito sutil penetrou por toda a Natureza e que é inseparável das substâncias orgânicas e inorgânicas. Se o antropólogo, os fisiólogos e os psicólogos estão igualmente perplexos com as causas primeiras e últimas, e por descobrirem na matéria tantas semelhanças em todas as suas formas, e no espírito, abismos tão profundos de diferenças, isto se deve, talvez, ao fato de que suas indagações se limitam ao nosso globo visível, e eles não podem, ou não ousam, ir além. O espírito de um mineral, de uma planta ou de um animal pode começar a se formar aqui, e atingir o seu desenvolvimento final milhões de séculos depois, em outros planetas, conhecidos ou desconhecidos, visíveis ou invisíveis aos astrônomos. Pois, quem é capaz de contradizer a teoria acima sugerida de que a própria Terra, como as outras criaturas vivas a que deu origem, se tornará, ao final, e depois de passar por todos os seus estágios de morte e dissolução, um planeta astral eterificado? “Em cima como embaixo”; a harmonia é a grande lei da Natureza.

A harmonia no mundo físico e matemático dos sentidos é justiça no mundo espiritual. A justiça produz harmonia, e a injustiça, discórdia; e a discórdia, na escala cósmica, significa caos – aniquilação. Se há um espírito imortal desenvolvido no homem, deve haver um em todas as coisas, pelo menos em estado latente ou germinal, e é apenas uma questão de tempo que todos esses germes se desenvolvam completamente. Não seria uma grosseira injustiça um criminoso impenitente, que perpetrou um assassínio brutal no exercício de seu livre-arbítrio, possuir um espírito imortal que, com o tempo, poderá purificar-se do pecado e gozar de uma perfeita felicidade, e um pobre cavalo, inocente de qualquer crime, trabalhar e sofrer sob as torturas impiedosas do chicote de seu dono durante toda a vida e então aniquilar-se com a morte? Uma tal crença implica uma brutal injustiça, e só é possível entre as pessoas educadas no dogma de que tudo é criado para o homem, e de que só ele é soberano do universo; um soberano tão poderoso que para salvá-lo das consequências de suas más ações o Deus do universo precisou morrer para aplacar a sua própria cólera.

O uso da psicometria para pesquisas e seu uso pelos antigos

Diz o Prof. Denton, ao falar do futuro da psicometria: “A Astronomia não desdenhará do concurso desse poder. Assim como novas formas de seres orgânicos se revelam, quando remontamos aos primeiros períodos geológicos, novos agrupamentos de estrelas, novas constelações serão descobertas, quando os céus desses períodos primitivos forem examinados pela visão penetrante dos futuros psicrômetros. Um mapa acurado do firmamento durante o período siluriano pode revelar-nos muitos segredos que temos sido incapazes de descobri. (…) Por que não seríamos capazes de ler a história dos diversos corpos celestes (…) a sua história geológica, natural e, porventura, humana? (…) Tenho boas razões para crer que psicrômetros treinados serão capazes de viajar de planeta em planeta, e verificar minuciosamente a sua condição atual e a sua história passada.”

Heródoto conta-nos que na oitava das torres de Belo, na Babilônia, utilizada pelos sacerdotes astrólogos, havia uma câmara superior, um santuário, em que as sacerdotisas profetizantes dormiam para receber comunicações do deus. Ao lado do leito ficava uma mesa de ouro, sobre a qual se colocavam várias pedras, que Maneto nos informa terem sido todas aerólitos. As sacerdotisas desenvolviam a visão profética pressionando uma dessas pedras sagradas contra a cabeça e os seios. O mesmo ocorria em Tebas, e em Patara, na Lícia.

Isto parece indicar que a psicometria era conhecida e grandemente praticada pelos Antigos. Lemos em algum lugar que o profundo conhecimento que, segundo Draper, os Antigos Astrólogos Caldeus possuíam sobre os planetas e as suas relações, foi obtido mais pela adivinhação com o betylos, a pedra meteórica, do que pelos instrumentos astronômicos. Estrabão, Plínio e Helênico – todos falam do poder elétrico ou eletromagnético dos betyli. Eles eram reverenciados desde a mais remota Antigüidade no Egito e na Samotrácia, como pedras magnéticas “que continham almas que caíram do céu”; e os sacerdotes de Cibele usavam um pequeno betylos sobre seus corpos.

Os elementares segundo os filósofos antigos

Falando sobre os elementares, diz Porfírio: “Estes seres recebem honras dos homens como se fossem deuses (…) uma crença universal torna-os capazes de se tornar deveras malévolos: isto mostra que sua cólera se dirige contra aqueles que negligenciaram oferecer-lhes um culto legítimo”.

Homero descreve-os nos seguintes termos: “Nossos deuses nos aparecem quando lhes oferecemos sacrifício (…) sentando-se em nossas mesas, eles partilham de nossos repastos festivos. Sempre que encontram um solitário fenício em viagem, eles lhes servem como guias, e manifestam a sua presença de outras maneiras. Podemos dizer que nossa piedade nos aproxima deles, assim como o crime e o derramamento de sangue unem os ciclopes e a feroz raça de gigantes”. Isto prova que esses deuses eram afáveis e benéficos, e que fossem eles espíritos desencarnados ou seres elementares, não eram diabos.

A linguagem de Porfírio, que era um discípulo direto de Plotino, é ainda mais explícita no que toca à natureza desses espíritos. “Os demônios”, diz ele, “são invisíveis; mas eles sabem como vestir-se com formas e configurações sujeitas a numerosas variações, que podem ser explicadas pelo fato de que sua natureza tem muitos elementos corporais em si. Sua morada está nas cercanias da Terra (…) e, quando escapam à vigilância dos bons demônios, não há nenhuma maldade que não ousem cometer. Um dia eles empregarão a força bruta; no outro, a astúcia”. Mais adiante, ele comenta: “Para eles é um jogo infantil excitar em nós as paixões desprezíveis, inculcar doutrinas turbulentas às sociedades e às nações, provocar guerras, sedições e outras calamidades públicas, e dizer-nos em seguida `que tudo isso é obra dos deuses’. (…) Esses espíritos passam o tempo enganando e iludindo os mortais, criando ilusões e prodígios ao seu redor; a sua maior ambição é fazer as vezes de deuses e almas [espíritos desencarnados]”.

Porfírio

Jâmblico, o grande teurgista da escola neoplatônica, um homem versado na Magia sagrada, ensina que “os bons demônios nos aparecem realmente, ao passo que os maus demônios se manifestam apenas sob as formas ilusórias de fantasmas”. Mais adiante, ele corrobora Porfírio, e afirma que “(…) os demônios bons não temem a luz, ao passo que os perversos necessitam das trevas. (…) As sensações que eles excitam em nós fazem-nos acreditar na presença e na realidade das coisas que eles mostram, embora estas coisas não existam”.

Jâmblico

Mesmo os teurgistas mais práticos encontraram, às vezes, algum perigo em suas relações com certos elementos, e Jâmblico afirma que “Os deuses, os anjos e os demônios, assim como as almas, podem ser convocados através da evocação e das preces. (…) Mas quando, durante as operações teurgistas, um erro é cometido, cuidado! Não imagineis que estais em comunicação com divindades benéficas, que respondem à vossa fervorosa prece; não, pois eles são maus demônios, apenas sob a forma de bons! Pois os elementos frequentemente se apresentam com a aparência de bons, e assumem uma posição muitíssimo superior àquela que realmente ocupam. Suas fanfarronices os traem”.

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