A Nova Canaã na América do Sul – Por Javier Alberto Prendes Morejón

Yolanda Campello – Montanhas Sagradas

Deve crescer como um germe o gosto pelas coisas divinas e ocultas à vista das maiorias, letradas ou não. Deve ser isso, necessariamente, um porvir em que o sagrado esteja rotundamente entrelaçado às nossas vidas diárias, permeando cada afazer e cada saber e, assim, tornando excelso o sentir. Em virtude disso, se erguerá o homem, de mero frágil vaso de argila, em potente e irisado sol. Deixará de ser a humanidade, em si, mera malsã fulguração de raios pálidos para reverdecer em amarelados frutos. Amarelada deve ser, logo, sua nova condição: não mais o encarnado e o violeta das paixões inferiores ou passionais, kamásicas, nem o encarnado mesclado ao azul, que dá o roxo lunático da superstição e fanatismo religioso. O amarelo, indicativo do Espírito, da Harmonia, deve um dia plasmar a conduta do homem e de uma nova ordem das coisas[1].    

Por que não estaria indicado o estado da humanidade por meio de cores? O homem, quando fora de si, não enxerga tudo vermelho? Não demonstram elas, por meio da Aura[2] e das Egrégoras, à visão do clarividente, e mesmo através do som, as características psico-mentais e espirituais de um indivíduo e de uma nação ou lugar, além das percepções sensoriais que nos causam e indicam de imediato qualidades? Não são elas um retrato fiel e abstrato de tudo quanto existe? A arte de saber interpretar as cores, desde logo, é um grande mister absolutamente rodeado de mistério.

Erguer-se-á, por meio da dor, da experiência crua, ríspida, luzidias luzes, para aviltamento do Mal e ascensão do Bem. Deve um dia o homem deixar seu estado semi-animal, que é bem a condição geral da humanidade, em estado plenamente humano, para assim avançar à meta final de sua condição divina. Isto, por suprema vontade de cada alma empenhada em sua transformação e superação, e não através de falsos messianismos, que são a derrocada do livre-arbítrio e a perda de fé em si próprio, além de lucrativo negócio com as coisas divinas.   

Um dia virá também o guerreiro Akdorge[3] à frente de suas hostes subterrâneas, em seu corcel branco, qual São Jorge, a facultar na terra uma nova era de Sabedoria, Bondade e Beleza, depois “da morte das nações”.  

Os “tempos são chegados” – repetem uma e outra vez os verdadeiros ocultistas e teósofos deste mundo.

É lógico, para os que estudam os anais ocultos, que o fim deste grande Ciclo, Era ou Raça Ariana, venha despedaçar-se contra o rochedo impassível do Karma, que lhe há de brindar o mesmo desfecho da Atlântida e Lemúria, quer seja pelo fogo, quer seja pela água, quer seja mais do que tudo em sentido moral, e nada mais como retribuição merecida aos pecados humanos acumulados ao longo dos séculos. Da Lei, a Face do Rigor é a única que compreendemos.

Quando matamos os Avataras e grandes gênios de todos os tempos, logo enevoassem os céus, turba-se e racha-se a terra com estrépito e horríveis consequências são vividas. Assim deu-se com a Atenas de Sócrates após seu martírio e igualmente com a Jerusalém de Jesus, vindo, pouco anos decorridos após sua morte, o povo judeu a encetar diáspora com a perda de sua amada Terra de Promissão – triste fadário daqueles incapazes de reconhecer seu Messias, opondo-se brutalmente à própria Lei Suprema!

Como sabem os mais versados no assunto – ainda que esteja longe tal acontecimento do ponto de vista meramente humano -, não será o fim da Terra, mas o fim de um ciclo, de uma raça… para que possam seguir avante os ditames supremos da Lei (Dharma) em direção ao supracitado Quinto Império ou nova Satya Yuga (Idade de Ouro).   

Os que estudem as profecias hão de maravilhar-se e, certamente, porá aqueles que as estudam em melhor posição de apreciação do mundo e seus destinos. Sibilas e pitonisas, além de grandes obras, como a Eneida, desde passado remoto vem anunciando este novo período que é a Idade de Ouro reinstaurada na Terra.

Destinada a trazer a Concórdia Universal, também, é o papel majestoso atribuído pelo Itinerário de IO à “Raça Ibero-Americana”, “Raça Cósmica”, “Raça Sintética” ou “Sétima Sub-Raça Ária”, em prol da qual trabalharam os mais conspícuos teósofos do século XX, como Mario Roso de Luna, e logo Henrique José de Souza, havendo organizações que divulgaram tal destino, como o Ateneu Teosófico de Madrid, a Sociedade Samveda de Buenos Aires e a Sociedade Teosófica Brasileira originária do Rio de Janeiro.  

Missão Y – Cabral e Colombo – Pedra da Gávea (Imperador fenício Badezir)

Dir-se-ia que os deuses estão trabalhando a todo vapor na consecução de tais ideais e realidades, e desde há muitos séculos. Sem dúvida, as sementes foram lançadas, já tendo dado bons frutos, e muitos outros ainda por dar.

Este ideal, de fato, é o maior que poderia desejar um intelectual e homem de boa-vontade nascido na América do Sul. Este ideal e tudo o que ele implica, de uma enormidade abissal.  

A profecia abarca também a Sexta Sub-Raça Ariana, já divulgada e pela qual trabalhou – de certo modo imperfeitamente – Helena Petrovna Blavatsky. Imperfeitamente porque a mesma não deveria ter-se mudado dos Estados Unidos da América, onde era sua missão original, indo para a Índia, onde “os tempos estavam findos”; na razão de ser, logo, um retrocesso. A sociedade portadora da missão original de Blavatsky continua sendo a dos Estados Unidos.

A máxima Ecce Occidente Lux! sintetiza tudo isto, em substituição ao Ecce Oriente Lux! Isto é, a Obra dos Deuses, que tinham por centro o Oriente, deveria trasladar-se para o Ocidente, especificamente a América, onde estava por dar-se o surgimento simultâneo das duas últimas Sub-Raças desta Quinta Raça Mãe Ariana, finalizadora do ciclo dos ários ou “filhos do mental”, por ser nela onde se desenvolve Manas, já que cada Raça-Mãe está ligada ao desenvolvimento de um dos sete estados de consciência, posto que setenária é a evolução. Manas ligado a Budhi, portanto, e depois Budhi ligado a Atmã, devem ser os estados de consciência norteadores das próximas civilizações e Raças-Mães.         

Terra Jina[4], dizemos, é o Brasil, por na realidade albergar tanto a Sexta quanto a Sétima Sub-Raças Arianas[5]: terra escolhida pelos Deuses, Terra da Promissão, nova Canaã.

Terra Jina, também, por suas diversas regiões místicas, como as do Roncador e da Serra da Mantiqueira, seus restos ciclópicos de passadas civilizações, suas tribos guardiãs de velhas tradições atlantes, e suas passagens subterrâneas para os “mundos inferiores” e outras partes do continente… que conduzem ao mistério do Eldorado, ou do País dos Deuses, região intocável aos cataclismos, conhecida também como Agharta com sua capital ou oitava cidade Shamballa.

Serra do Roncador

Deve ser por isso também que a Magia Negra vem campeando em todos os setores da sociedade, além do sensualismo reinante do fim de “um ciclo apodrecido e gasto”. Nota-se igualmente, segundo alguns, como o Brasil vem sendo afetado por essa índole de malfeitores especialmente desde a década de noventa do século XX, embora sempre estivessem por perto desde outros tempos, como são provas os rituais evocatórios de almas defuntas, e o animismo macabro das macumbas e coisas desse nível, que não passam de animismo da pior espécie.

Necromantismo, ainda, é a uniformização psíquica e mental das ideias e emoções, remontando a um passado remoto ou lemuriano-atlante, sobretudo através da educação e dos meios de comunicação e entretenimento; dos arianismos hitleristas e “ismos” congêneres que geram a segregação e pretendem impor o Império do Mal; do imperialismo jesuítico e teológico inimigo do livre-pensamento; da propagação consciente da mentira ou pela omissão da verdade. 

Deve resguardar-se o povo brasileiro, portanto, dos falsos messias e do falso pão espiritual que é oferecido pelo surto de “igrejismos” tão em voga, verdadeiro cisma religioso, cada qual afirmando-se superior aos demais, e enganando o populacho ignaro.

Se, por outro lado, das Igrejas saíssem verdadeiros herméticos, pitagóricos e platônicos, verdadeiros templários, rosa-cruzes, maçons e teósofos, já há muito, desde o início de suas fundações, teríamos visto nascer prontamente nova Idade de Ouro. Mas as coisas, em matéria de religião, caminham de modo contrário aos dos colégios iniciáticos ou filosóficos…

Não obram os Deuses como os homens vulgares. Estendem seus olhos até longínquas idades, preparando com sábia antecedência as sementes que no dia futuro, no amanhã resplandecente, serão as rosas de uma nova terra purificada.

Hão de recordar-se alguns de que na Idade de Ouro passada, vivida na Atlântida, segundo as tradições, conviviam em perfeita harmonia Homens e Deuses, sendo estes seus criadores e naturais superiores, como casta dirigente. Valha-se disso para induzir que o mesmo vá acontecer no futuro, logo, com a humanidade plenamente consciente e identificada com seu Eu-Superior, e este com Deus (a “Unidade Imperecível de onde tudo e todos provém”).

Uma outra Barca da Salvação há de haver, e que ora é, nos dias atuais, a Teosofia, como Conhecimento Divino, ou mesmo a sagrada Shamballa e Agharta das escrituras orientais, que outrora, na época atlante, na iminência do Dilúvio, hospedou a semente racial ou a elite da humanidade de então (8º ramo racial, dizemos nós, síntese dos demais ou “família do Manu”). Laboratório do Espírito Santo (Kundalini) é o verdadeiro Omphalos do mundo.

A ESPERANÇA DA COLHEITA RESIDE NA SEMENTE[6]


[1] Ver-se a teoria hindu das Três Gunas, e suas respectivas cores e combinações.

[2] Trata-se de o Aura, e não a Aura, segundo o Professor Henrique José de Souza.

[3] O Rei do Mundo.

[4] Jina ou Gênio, Djin, Adepto, Super-Homem.

[5] Fazemos uma observação aqui: que, tendo sido os Estados Unidos da América o berço inicial da Sexta Sub-Raça Ariana, o deixou de ser após testes atômicos subterrâneos que afetaram as cidades Jinas ou o Reino de Agharta e o Retiro Privado dos Adeptos de El Moro, tendo sido estabelecida tal prerrogativa também ao Brasil, que ora acumula as funções de ser a “usina geradora” ou o “celeiro” das duas últimas Sub-Raças Arianas.

[6] Lema da Sociedade Teosófica Brasileira, antiga Sociedade Dhâranâ e atual Eubiose, que bem exprime seu Ideal de Obra.

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