O Rei do Mundo

O Rei do Mundo – RENÉ GUÉNON

Tradução e Comentários de H. J. SOUZA

 

PALAVRAS NECESSÁRIAS

 

“Não se deve deixar de criticar; o que se deve, porém, é saber criticar”. 

 – De um iniciado.

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         Traduzindo e comentando a obra do famoso escritor ocultista René Guénon, intitulada Le roi du mondebem longe estamos de fazer uma crítica idêntica àquela por ele empregada na sua obra Le Theosophism, quando, ridicularizando o messianismo e o catolicismo liberal de Besant e Leadbeater, inclui o nome de Helena Petrovna Blavatsky (princesa russa da família Fadeef), completamente estranha a essas intromissões indébitas no verdadeiro e independente espírito teosófico, o que se prova com o fato de ter a mesma adotado para a sociedade que fundou em Norte América (infelizmente transplantada depois para Adyar, Madrás, Índias Inglesas, contrariamente à marcha evolucional da Mônada no presente ciclo), o lema do Maharajá de Benarés: Satyat nâsti paro dharma (“Não há religião superior à Verdade”). Ainda mais, porque autora das suas incomparáveis obras Doutrina Secreta e Isis sem Véu, demonstrando possuir os mais profundos conhecimentos sobre tão transcendentais assuntos não admitiria diferenças entre Ocultismo e Teosofia, representando esta o Tronco de todas as religiões, filosofias e ciências, ou tudo quanto existe e ainda há de existir no mundo. E assim também o entendeu o grande gênio de nosso século, Mário Roso de Luna: “O Teósofo não precisa afirmar que é Ocultista, por já o ser em verdade, mas este sim, porque, não sendo Teósofo, o mais que pode dizer, é que cultiva as ciências ocultas”.

         Teosofia, palavra grega que quer dizer “Sabedoria Divina”, com maior propriedade, “Sabedoria dos deuses, dos super-homens, Mahatmans, Gênios ou Jinas”, também é chamada no Oriente, “Sanatana-Dharma, Gupta-Vîdya, Brahma-Vîdya”, etc. com os vários significados de Iluminação, Sabedoria, Conhecimento Perfeito, etc. em resumo: Sabedoria Iniciática das Idades, pregada por todos os Iluminados sejam Rama, Moisés, Krishna, Budha, Jesus (melhor dito “Jeoshua Bem Pandira”, “o filho do homem” em língua aramaica), Platão, Pitágoras, Amónio Sacas, Confúcio, Lao-Tsé, etc. gradualmente desvelada, de acordo com a evolução das diversas épocas do aparecimento dos referidos Seres no mundo.

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         Como se sabe, a Maçonaria escocesa conferiu seu mais alto grau a Helena Blavatsky, “por haver encontrado excepcionais valores esotéricos (inclusive maçônicos) em sua obra Isis sem Veu (Isis Unweilled); grau este, que se não confere a qualquer homem ilustre, quanto mais a uma mulher, por não poder ser filiada àquela Instituição.

         O fato de René Guénon desconhecer os inconfundíveis valores intelectuais de Helena Blavatsky, é por ter sido ele discípulo de um grande rabino, que o encaminhou de preferência para a Cábala, esquecido que entre ele e a Teosofia não pode haver divergência. E assim, descarregou sobre a mesma todo o peso das suas iniciáticas predileções, através de uma crítica mordaz, chamando-a de “impostora”, etc., por ter se deixado levar, como alguns outros, pela conhecida traição do casal Coulomb, vendido, como se sabe, à Sociedade de Buscas Psíquicas de Londres.

         Os “Judas traidores” de todos os tempos! Pois se até mesmo Jesus, com treze apóstolos apenas, encontrou um que o traísse, que dizer da referida Instituição por ela fundada e dirigida, com algumas centenas de sócios nas suas fileiras? O mesmo nos acontece; o mesmo acontecerá sempre a quantas Instituições dessa natureza se apresentem no mundo.

         De fato, René Guénon não soube interpretar as justas razões apresentadas por Blavatsky contra uma grande maioria de judeus fanáticos, e não, contra a raça propriamente dita, como por exemplo, a tão mal interpretada “proibição carne de porco”, que é ciência e não religião, pois, conhecidos são os desastrosos efeitos do abuso de semelhante carne, inclusive provocando a triquinose, etc.; do mesmo modo que a “circuncisão”, como ligeira cirurgia aplicada à fimose, anomalia esta que não sendo comum a todos os indivíduos, não há necessidade de semelhante ritual para com todas as crianças do sexo masculino, na referida raça, pouco importa a divergência dos métodos.

         Moisés era um Manu e, portanto, sabia muito bem como guiar e defender seu povo.

         Perdoe-nos, pois, o ilustre escritor francês esta nossa teosófica, eclética ou sincretista crítica em defesa de Helena Petrovna Blavatsky, dando preferência às homenagens que lhe prestamos como autor de Le roi du monde, Autorité spirituelle er Pouvoir temporel, L’erreur Spirit, Ésoterism de Dante, L’Homme et son devenir selon la Vedanta, Introducion géneral à l’étude des Doctrines Hindouses, etc., etc., pois, em verdade, é à sua distinta e ilustre personalidade a quem se deve este nosso mais do que humilde trabalho.

         No firmamento estelar do mundo ocultista, René Guénon, ao lado do Rev. Pe. Huc, autor das maravilhosas Dans le ThibetDans la Tartarie, Dans la Chine, valendo-lhe a primeira “a expulsão da Igreja Romana e da Academia Francesa”, por ter afirmado coisas que certos intolerantes e despeitados ocidentais denominam de “fantasias e extravagâncias”; inclusive, ter ele mesmo constatado em todas as folhas da tradicional Árvore plantada sobre o túmulo do reformador do Budismo tibetano (ou lamaismo), à qual se deu o nome poético de “Cabeleira de Tsong-Kapa”, no Kukunur, a frase sagrada Om mani padme hum, que quer dizer: “Salve, ó Jóia Preciosa do Loto”; a seguir, o famoso escritor polaco Ferdinand Ossendowski, cuja obra principal Bêtes, Hommes er Dieux, foi traduzida em vários idiomas, tal o sucesso mundialmente alcançado, e finalmente, o grande místico francês Marquês de Riviere, hoje um Adepto no Oriente, cercado de discípulos, de cujas obras a mais assombrosa em literatura ocultista se intitula A L’Ombre des Monastères tibétains, dizíamos, representam uma constelação de imenso fulgor, um perfeito quaternário erguido às alturas – que diz bem da sua inteligência, mais que isto, independência de linguagem, liberdade de pensamento, indiferentismo pelas críticas maledicentes, como portentosas ferramentas  de que se servem os grandes Homens da História, para a construção do Edifício humano, principalmente os Filósofos.

         O quaternário é o número da força. É o ternário completado pela Unidade. É a Unidade rebelde reconciliada com a Trindade Soberana.

         Vemos aí a pedra angular, a pedra cúbica, a pedra filosofal, porque todos estes nomes simbólicos significam a mesma coisa, ou seja, a pedra fundamental do Templo cabalístico.

         Obreiros! Construtores! Maçons! Rosacruzes! Glória ao Sup. Arc. ao mesmo tempo Uno e Trino, cujo régio lugar onde se assenta é a pedra cúbica também, como verdadeira “quadratura do círculo” em movimento no Mundo Divino.

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         Infelizmente, porém, temos que volver à pseudo-realidade do mundo terreno. E então, somos obrigados a entrar em luta com aqueles que, ao invés de trabalharem a favor do Humano Edifício, ao contrário, procuram destruí-lo. E com ele, os nossos ingentes esforços.

         Sofrem, por sua vez, o choque de retorno da sua reconhecida maldade. E um por um vão caindo desfalecidos, inutilizados, no “campo de Kurukshetra”, que é o da vida, tal como acontece em todas as épocas entre solares e lunares, na razão do passado tenebroso da Mônada, repercutindo no seu evolucional presente, para ser alcançado o futuro.

         São os mesmos, por exemplo, a que se refere o famoso escritor satírico inglês, Swift, ao dizer que: “Ao aparecer um gênio é fácil reconhecê-lo, pela simples razão de que todos os imbecis se unem para lhe darem combate”.

         Os mesmos, também, que afirmam “a Obra em que a STB [atual SBE] se acha empenhada ter sido baseada nos livros a que nos referimos anteriormente”, embora que, publicados depois de sua fundação, tal plágio ou cópia não fosse possível. Vem a calhar neste lugar, as palavras do grande Teósofo Franz Hartmann, quando diz que “a distinção entre o homem e o bruto está no direito que cabe ao primeiro de raciocinar”. Assim sendo, tanto no caso vertente como em outros muitos, o raciocínio falhou, só restando os brutos.

         São nossas as palavras que se seguem: “Eleva-se o homem na vida e se choca com a família. Se eleva um pouco mais, choca-se com o povo. Se mais ainda, com a nação. E, finalmente, com o mundo inteiro”.

         E quanto à mesma Blavatsky, a quem defendemos através desta nossa despretensiosa crítica, ao chocar-se com os “teosofistas da primeira hora” como eram chamados os daquela época, também teve para com eles estas dolorosas palavras: “Amontoai pedras, Teósofos. Amontoai-as irmãos e boas irmãs, e lapidai-me até à morte, por ter eu querido com a palavra dos Mestres, vos fazer felizes”.

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René Guénon

 

         René Guénon, um destes incomparáveis construtores do Edifício Humano, a que nos referimos, não podia deixar de ignorar as lutas e os sacrifícios que teve de sustentar a mulher que ele criticou de modo tão severo quanto injusto. Não leu, também, a inconfundível obra do genial polígrafo espanhol Roso de Luna, intitulada “Helena Petrovna Blavatsky ou uma mártir do século XIX” sem o que, discípulo de um grande Mestre, teria agido de modo mais humano, mais condizente com a própria jerarquia.

         Melhor do que ninguém, para saber que a Mão da Justiça Divina – que tanto vale pela do Karma dos hindus e do Destino dos Ocidentais – cedo ou tarde se manifesta contra os deturpadores da Verdade, os inimigos da Lei, os “atirados fora do Grande Canal da Fraternidade Branca”.

 

Henrique José de Souza

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