Atualidade Humana II – Por Arauton

REVISTA DHÂRANÂ, nº 79 /JANEIRO, págs. 14 a 19

Na parte anterior analisamos a dor como fator do progresso individual; agora, veremos sua ação no aspecto coletivo, com o mesmo objeto. A humanidade é a soma de todos os homens, sendo natural e necessariamente afetada pela qualidade de seus componentes e de suas agrupações, como se verá estudando seu desenvolvimento através da família, da tribo, do país, da raça, etc. É óbvio, portanto, dizer que a dor seja um fator preponderante no desenvolvimento coletivo da humanidade.

Todo progresso, pode-se dizer em síntese, é um resultado do incessante esforço que o ser manifestado (qualquer que seja o grau, etapa, condições, etc.) ou “expressado”, realiza para escapar da limitação assumida, ou por outra: para ampliar-se, estender-se, aumentar, etc. Potencialmente, toda vida particular é universal, porém, sua condição especial a impede de ser quando em ação; daí a dor e a necessidade de vence-la. Tal coisa só pode ser alcançada pelo domínio dos elementos que constituem a limitação. Em outras palavras: o conhecimento é a abolição da dor ao abolir a limitação.

Sendo o Ser essencialmente “consciência”, pois, de outro modo não se conceberia nem “seria”, esta se torna inteligência ao manifestar-se na “condição”, isto é, na vida expressa na Natureza. Por sua vez, a inteligência se transforma em “poder” ao observar os ditos elementos limitativos, dominando-os e transcendendo-os; ou em outras palavras, realizando-se em sua essência, fazendo-se cada vez mais ampla e crescendo em poder e domínio sobre a “forma” e “condição” de que se serve para alcançar sua plenitude, isto é: Felicidade.

Repetidamente temos dito que o “homem”, tal como o conhecemos e concebemos comumente, está longe de sua plenitude, isto é, da verdadeira Humanidade. É apenas uma etapa no seu incessante caminhar para essa gloriosa meta, que é a suprema AUTO-REALIZAÇÃO ativa e inteligente do Ser-Consciência indivisível e essencialmente Uno, sem partes nem condições. De tais etapas e graus há uma “escala” infinita, como é natural na Manifestação, que sendo uma expressão do Ser Absoluto (isto é, “sem condições”, pois, é essencial e necessariamente Uno, sem partes”), é pseudoinfinita. Este postulado tem sua corroboração, sem ir mais longe, na observação dos diversos tipos humanos (tipos raciais), cuja diferença entre superiores nem sequer merece demonstração[1].

Desde a etapa inicial até agora, o “homem” percorreu uma longa jornada. Certamente, a etapa inicial sempre existiu e existirá, desde que vêm incessantemente à etapa humana, novas expressões da vida. Igualmente, a humanidade “civilizada” – qualquer que seja seu tipo e modalidade – também existirá. Vejamos, porém, como surge, a respeito da humanidade atual, o problema da dor e como esta se manifesta na sua condição de “mestre”. Devemos recordar como apareceram os fatores da dor coletiva, para ser compreendida sua influência no “progresso”, pois sem determinar esses fatores, nosso propósito se frustraria. Volvamos, pois, aos primórdios do homem primitivo, quando nos albores do livre arbítrio se viu só, rodeado de mistério e de forças que se lhe apresentavam como hostis, enquanto a sua constituição o fazia necessariamente supersticioso e “egoísta”. Seu primeiro impulso, então, foi implorar àquelas forças que o dispensassem da dor, ou o eximissem das privações, promovendo uma troca: ele, oferecendo o que podia produzir, e as presumidas forças, livrando-o do sofrimento. Assim nasceu o “fetichismo”. Era natural que o “homem” adjudicasse a essas suas primitivas concepções de “deus”, todos os atributos de sua própria condição e mais os que ele quisesse possuir.

Toda vez que a luta por produzir, na qual devia arrancar à natureza quanto dela necessitasse, lhe impunha uma abdicação constante; enquanto o temor a seus deuses propícios também a exigia, procurou substituí-la, já por meio de votos, já por amuletos (que ia descobrindo e correlacionando com tais deuses) ou por meio de oferendas. Mais adiante, à medida que os grupos e núcleos humanos cresciam, escolheu a um dos seus membros para que cuidasse de manter os deuses sempre propícios aos grupos. Assim nasceu a primeira casta privilegiada. Da necessidade de proteger-se um grupo contra outro, surge a segunda; da necessidade de facilitar e organizar o intercâmbio de produtos, nasce a terceira. Sendo estas categorias (respectivamente, o “clero”, o “exército” e o comércio) uma minoria em relação à população, por instinto de defesa organizou-se em mútua colaboração para se manter no privilégio. Unidos e possuindo respectivamente o ensino e a instrução, o poder, o controle “policial” e a organização, dinheiro (ou o meio de intercâmbio próprio da época) e indústria, fácil lhes foi impor-se à massa que os colocou, por delegação, em tais situações. Posteriormente foram criadas as instituições ao sabor das castas. Este é, em síntese, o segredo dos males que mais adiante afligiram a massa humana, sempre desprezada e entregue ao serviço de tais castas. Isso era tanto mais fácil quanto eram eles ignorantes (ignorância, aliás, que se fomentava, já que, instruindo as massas se debilitava o privilégio). Vivia-se em plena e “feliz” época da fé simples ministrada pelo clero de acordo com as suas conveniências. O desenvolvimento do sentimento “religioso” e o progresso da concepção humana sobre a divindade – pode-se dizer – não teve papel preponderante a respeito das massas mantidas em estado de animalização de castas.

O mal e o sofrimento das massas não radicam precisamente pelo fato de serem exploradas e dominadas tiranicamente pelas “castas”, mas sim, por que estas não se conformando apenas com o seu bem-estar, impelidas por sentimentos subalternos e pelo afã de permanente domínio, que supõem sempre ameaçado, dão apenas às massas, algumas migalhas de sua mesa. Pelo terror supersticioso e o fanatismo sectário (próprios do estado primitivo do homem), fomentado sem cessar pelo clero e pelo poder do dinheiro ou da “glória”, ou pela ameaça de privação do mais indispensável, submetem ao seu serviço homens de talento, se bem que estes já venham infeccionados pela instrução ao serviço das castas. Assim, cresce a indústria pelo gênio criador de talentos alheios às castas, mas a seu serviço; assim, a “orientação” intelectual assalariada para consumo do povo; assim, o exército de amanuenses obsequiosos que, dada a sua insignificância individual, medram apenas pela proteção dos detentores do poder, qualquer que seja sua forma, meio e origem.

O afã de manter animalizadas as massas humanas (coisa fácil com o fomentar e lisonjear suas naturais inclinações inferiores), criou toda uma filosofia de depravação; seus resultados são esses “cultores do egoísmo inferior” a que aludíamos na parte anterior. A dúvida covarde e doentia, a degradação do caráter e da vontade, a ânsia de fácil comodidade, o receio do esforço, o relaxamento da moral, a desconfiança tornada sistema, acabaram por dar lugar aos fatos que contemplamos ainda hoje por toda parte, tanto na ordem individual como na coletiva. É realmente difícil adquirir a verdadeira independência de critério e amplitude adequada de ideias, tendo em conta tal estado de coisas. Os poucos homens que adquirem essa independência e amplitude constituem verdadeiras exceções, às quais os “poderes” (as castas citadas) quase sempre logram atrair, ou quando acontece, eliminar sem importar-lhes o “como”.

E aqui chegamos a uma das causas mais gerais da dor e sofrimento das massas. Acontece que as castas aludidas lograram, à força de astúcia e organização, conquistar e submeter todos os grupos humanos, especialmente o clero. Não importa aqui analisar a subdivisão ou subdivisões que o constituem, nem suas denominações. O que importa para nosso objeto, é que o clero é uma força Internacional dentro da modalidade religiosa a que pertence. Assim, o clero “cristão” (o “católico” romano especialmente) constitui uma unidade ou comunidade acima do país ou países onde atua. Sem prejuízo de “servir” particularmente ao país em que atuam e envolver “deus” no serviço exclusivo desse país, todo o poder está centralizado em um só lugar e governado por uma só cabeça. E… ninguém ignora a imensidade de riquezas de toda espécie que “pertence” ao clero. Pouco a pouco se comprova a sua intervenção em numerosas empresas comerciais e industriais, se bem que por meio de “factótuns” ou elementos a seu serviço. Espanha, por exemplo, tem várias empresas poderosas (sendo uma de navegação) de propriedade dos jesuítas. Do mesmo modo acontece no Brasil e na Argentina. Assim, o clero constitui um superestado, que só tem por fim o seu imenso poder, administrado por um só homem, o “geral da Companhia de Jesus”, de quem o “Papa”, cabeça “visível” da religião católica, é apenas um feitor.

Não é preciso uma grande imaginação para se compreender o que representa semelhante poder em mãos de um homem inteligente e ambicioso, como necessariamente é o eleito para “Geral dos jesuítas”. Essa nefasta “Companhia” tem ocasionado mais dano à humanidade do que todas as guerras e pragas, mediante a sistemática exploração, administrada secretamente e com aparência de “pobreza” particular, admiravelmente confeccionada. Desde que sua maneira de agir é à sombra e por intermédio de agentes manejados à vontade, dentre os quais possui legiões inteiras em todas as esferas humanas (indústria, comércio, governo, política, etc.), custa demonstrar as suas presenças e atividades. Não obstante o leitor interessado em conhecer tais atividades da Societatis-Jesu[2] em qualquer boa Biblioteca (desde que não seja das jesuítas ou patrocinadas por eles) encontrará muito que ler, inclusive a obra do Jesuíta Mir (Hist. Doc. Da S. J.), além de outras mais. Se existisse obrigatoriedade de ser dado aos Registros públicos a verdadeira origem do capital de todo comércio ou indústria, o leitor ficaria assombrado com o pertencente aos jesuítas. Toda vez que estes têm uma numerosa imprensa a seu serviço (geralmente a mais “séria”) e como por sua situação especial ainda dominem sobre a consciência das massas (especialmente sobre a mulher, que tanto intervém na “educação dos futuros cidadãos”), qualquer denúncia ou demonstração de suas atividades faz crer como sendo “perseguição religiosa”, como atentado a Deus, ou como propaganda comunista ou anarquista e outras atividades dissolventes.

Outro fator do sofrimento humano (em combinação atualmente com o anterior) é a casta “mercantil”. Vive a humanidade agora uma época essencialmente comercial ou aquela em que “tudo se compra e tudo se vende”. A democracia e o afã do poder pessoal de cada homem (com a vitória por meta, sem importar os meios) rebaixaram toda moral como fator de restrição às ambições e ao afã do lucro. Destruída a perspectiva de uma vida “futura”, cujas condições dependessem da conduta aqui e agora, limitado o homem em sua vida a esse fugaz momento compreendido entre o “nascimento e a morte”, é de certo modo natural que só busque o bem-estar que só “vê” nos demais como que desejando arrebatar-lhe tais privilégios, por isso mesmo, disputam-no sem trégua. É o resultado da ciência materialista e materializada. Depois de séculos de perseguição e como explicável revanche, a “ciência” tratou (e conseguiu em parte) destruir a religião imaginando que o homem dela não necessitava. Assim, criou o caos e a confusão, tirando ao homem toda a “oportunidade” para seu ser e toda razão superior para sua conduta.

A mesma ciência mercantilizou-se e converteu-se em simples profissionalismo especializado, que necessariamente (para poder subsistir como meio de sustento dos seus praticantes), teve que subalternizar-se. Assim, a ciência moderna colocou-se muito mais a serviço do crime organizado do que ao bem-estar humano; tratou mais de encontrar o meio de destruição do que de remediar o sofrimento. Acrescente-se a isso a mania da generalização dos sistemas “específicos” e ver-se-á a influência deste fator da dor. Ele é tanto mais perigoso nos países em que os profissionais (da “medicina”, por exemplo) exercem uma tirania “científica”, sem mais controle do que a cátedra universitária desempenhada ordinariamente pelos mais afortunados, protegidos pelos poderes antes citados.

Dizíamos mais acima que vivemos uma época essencialmente mercantil. Há entre os povos civilizados (que, por sua vez, dominam outros menos civilizados do resto do mundo), uma minoria essencialmente mercantil com ampla forma (não interessa aqui se é merecida ou não e suas causas) usurária, cujo nome se adivinhará sem esforço. Não abrigamos fobia alguma contra quem quer que seja, nem contra raça alguma; contudo, é interessante e sugestivo o fato de que seus membros são “quase” todos comerciantes e capitalistas, ou intermediários do capital, isto é, banqueiros. Não é desconhecida, tampouco a sua intervenção na política. Muitas dores e sofrimentos humanos de nossa época são resultado das atividades de certo grupo de membros dessa minoria. Não se contentam em dominar o mundo economicamente e manejar com seu dinheiro a estadistas e políticos; intervêm diretamente na alta política o que antes lhes era vedado. Para poder intervir nos governos, com seu dinheiro e ação traiçoeira de propaganda, admiravelmente organizada, criaram verdadeiros estados de consciência coletivos. Senhores à larga de poderosas e numerosas empresas periodísticas e de editoriais, comprando a bom preço, literatos e escritores, têm chegado a “fabricar” revoluções e a se fazerem seus dirigentes. O que atualmente conhecemos com o nome de democracia, é mais resultado de suas atividades do que expressão da consciência popular. Na realidade, essa minoria antecipou-se astuciosamente a um fato necessário na evolução, aproveitando a oportunidade para assentar suas realezas na nova situação. Lograram popularizar a crença de que desmascará-los seria combater a democracia e fazer esquecer que a democracia não é possível sem prévia cultura das massas e sem a assimilação e prático interesse, pelas maiorias, de severas normas éticas inspiradas no desinteresse pessoal. Na atualidade só se fala em “direitos”, ao passo que se repelem os “deveres”; da “liberdade” de lucro pessoal à custa de qualquer preço e sem quaisquer restrições pelos conceitos morais, se fez nessa atual democracia uma luta interesseira e violenta sob o nome de reivindicações, luta que a imprensa e os literatos assalariados sustentam e apresentam ao “povo” como “panacéia” social do momento.

Não é que intentemos a defesa das classes privilegiadas, que mais adiante pomos a descoberto, nem que combatamos a democracia. Contudo, há que reconhecer, realmente, que o oferecido atualmente ao público com esse nome não passa de uma mentira convencional. É uma penosa verdade (e uma causa mais de dor humana, em diversos sentidos) que a “política” contemporânea, sem distinção de países, sofre do vício capital de estar ao serviço, quer de mesquinhos interesses locais, de ambições pessoais, quer de teorias lamentavelmente truncadas em seu fundo, geralmente complicadas e agravadas por tais ambições, frequentemente por parte de pessoas medíocres e incapazes de uma obra construtiva. Por isso mesmo, vemos a repetição de casos e países em que fracassou a flor dessa pseudo-democracia, que se chama “parlamentarismo”. Seu resultado tem sido, invariavelmente, um dos dois extremismos, igualmente nocivo ao desenvolvimento da individualidade, conhecidos pelos nomes de “fascismo” e “comunismo”. Sem dúvida, a democracia é a meta do desenvolvimento sociológico da humanidade, porém, ela nunca deverá estar ao serviço de uma classe, nem de um grupo e, menos ainda, em benefício e usufruto de um kahal[3] de banqueiros norte- americanos. Estão atualmente em luta com a cooperação cega ou interesseira de massas humanas, as duas tendências ou correntes da moderna escravização: uma impelida pelos jesuítas (o fascismo) e pelas classes economicamente privilegiadas, de origem não judia; a outra impelida pelos judeus, que dominam em quase todos os governos, graças ao seu dinheiro e astúcia.

Os primeiros exercem sua ação mediante o clero e graças à secular tirania sobre as consciências que impuseram como “costume”. Os segundos a exercem mediante a ação cultural e graças ao dinheiro arrancado de todas as maneiras (raras vezes realmente honesta) com o qual compram escritores literatos, periodistas e outros meios de propaganda. Os primeiros fazem sua obra pregando o mais estreito nacionalismo, tendo por base “pátria”, deus, instituição, etc. Os segundos, tendo por base a democracia (segundo eles entendem e melhor lhes convêm), internacionalismo, abolição do capital (não judeu) e outros postulados. O fato é que, em ambos os casos, se trata de submeter o indivíduo à tirania do “estado”, assim como outrora era a deus, ao rei (ou o “senhor” feudal do caso) etc. Justamente por se não haver liquidado ainda no mundo “civilizado” o enorme saldo da subjugação humana e distribuição dos bens feudais da Idade Média, é que ainda em nosso tempo a humanidade sofre todos os males de que se queixa.

Um fator geral do sofrimento humano, fator de ordem – pode-se dizer – metafísica, é a época cíclica em que estamos atravessando. A humanidade acha-se em pleno ciclo de transição, ciclo “negro” ou doloroso na extensão da palavra, como toda transição de um estado para outro. É o período da “noite” quanto ao tempo, inverno quanto às estações, etc., etc. Os orientais chamam a esse período de Kali-Yuga, o qual, segundo os códices bramânicos, começou com a morte de Krishna. Tal Kali-Yuga, como se sabe, dura 432.000 anos. O mito de Krishna[4], cuja existência histórica remonta a mais de 5.000 anos, serviu de inspiração aos cristãos para fabricar as características divinas de Jesus – cujo verdadeiro nome era “Jehoshua Bem Pandira” e cujo nascimento e demais pormenores foram copiados daquele. Assim como Jesus sintetizou seus ensinamentos no famoso “Sermão da Montanha”, Krishna fez o mesmo na série de diálogos que sustentou com Arjuna. Esses diálogos constituem o Bhagavad-Gîta (ou seja, o Canto Bendito) que é mais conhecido com o nome de “Canto do Senhor”. Esse Gîta, constitui uma parte da famosa obra considerada na Índia como um “Veda”, intitulada Mahabharata, cujo assunto é a guerra entre os Pandavas (descendentes de Pandu) e Kuravas (descendentes de Kuru), que os eruditos supõem ser a batalha entre as raças solar e lunar, sendo a quarta e a mais curta das que constituem um Manvantara. Pode resumir-se essa idade dizendo que é a do mais intenso esforço e da mais forte assimilação, ao mesmo tempo que a mais enérgica em oportunidades e a mais pesada em choques.

 

Atualmente nos encontramos no final de um dos numerosos ciclos em que toda idade se distingue. No fim de cada ciclo se chocam, entre si, os elementos que constituíram os fundamentos do finalizante e dos anteriores, sendo uma época de transição para um novo passo evolutivo da humanidade, uma nova raça ou sub-raça humana, uma nova civilização, um novo mundo, visto que coincide com uma nova composição do planeta. É a época tão admiravelmente posta em Alegoria no Apocalipse, cujos fenômenos foram descritos quase literalmente pelos intuitivos apóstolos cristãos: “Guerras, pestes, sinais de tendências, grandes conferências internacionais, grandes congressos de ‘paz’ e outros sinais”… inclusive outras muitas coisas que estamos assistindo. Já é evidente a aparição de um novo tipo humano que se está formando nos países Ibero-americanos. Estes sofrem ainda a gravitação atávica nas forças e costumes que caracterizaram a civilização que morre, porém, neles já se manifesta a nova orientação. Os esforços de aproximação e de cooperação neles se multiplicam, o que não tardará a produzir bons frutos. Pouco a pouco se irão libertando da escravidão e dependência em que se acham, seja da parte do capital estrangeiro, seja do domínio econômico, inclusive político em que alguns se encontram.

Sua libertação definitiva chegará no dia em que, abandonado todo regionalismo e toda limitação de processos europeus se unam em uma grande confederação e se façam independentes de todas as forças incompatíveis com sua índole e missão, das quais a maior é a chamada “Liga das Nações”, com sede em Genebra, que se formou, não para assegurar a “Paz”, nem para promover o bem-estar dos povos, mas sim, para “legalizar” situações de forças, impostas pela violência das armas e pelo dinheiro dos agiotas internacionais. A verdadeira Sociedade das Nações, ou antes, a verdadeira família de Nações, só pode e deve ser formada pelos países Ibero-Americanos (vítimas agora dos referidos usuários), realmente capazes de mútua cooperação para o progresso e bem-estar de todos os seus habitantes. E aqui devemos insistir novamente nas duas grandes causas da dor e miséria humana, isto é, as duas “correntes” a que aludíamos acima. Não se deve pensar que combatemos a uma raça já de si perseguida, nem uma organização clerical, já mui castigada atualmente (apesar de alguns êxitos locais). Referimo-nos à raça judaica e aos jesuítas. O autor deste artigo é o primeiro a reconhecer que a massa dos judeus não tem razão de ser vítima das reações contra a obra de um núcleo de seus dirigentes (geralmente fora do alcance da vingança coletiva), se bem que a maioria dos judeus se dedique ao comércio e ao profissionalismo, frequentemente em pugna com a rígida moral e com os preceitos fundamentais. Tampouco desconhece que, entre os jesuítas há homens muito instruídos, inclusive alguns realmente bons e dignos de estima. O problema dos judeus não é o racial nem religioso; o problema do jesuíta não é religioso nem doutrinário. Em ambos os casos, o problema é “POLÍTICO”. Tanto a raça judaica como a “Societatis Jesu” constituem dois super-estados, com seu governo, política e finalidade próprios. O autor está em condições de documentar amplamente suas afirmações e se não o fez aqui, para não estender demasiadamente, pondo-se, no entanto, à disposição do leitor interessado, por intermédio desta revista. Por outra parte, o fato enunciado é conhecido dos observadores inteligentes.

As atividades, história e constituição da “Societatis Jesu”, são demasiadamente conhecidas para nos eximir de sua descrição. Não ocorre, porém, o mesmo quanto aos manejos e organização do super-estado judeu. Bom é saber, pois, que seus manejos são governados pela secreta ordem judaica, com sede atualmente em New York, chamada B’nai B’rith e constituída pelos mais proeminentes judeus norte-americanos, ingleses, franceses e de outros países, admitindo-se nela apenas os mais distintos nos diversos campos de atividade humana, seja científico, financeiro, literário, filosófico, etc. Não será demais dizer que estão nos governos, quer da Inglaterra (John Simon, Herbert Samuel e outros), quer de França ou outros estados, vultos ligados a essa ordem. Sua organização é baseada sobre a tradicional Kahal; tem poderosa e numerosíssima imprensa à sua disposição; possui agentes, ramificações e dependências em todos os países. Desde que os maiores potentados das finanças e indústria são membros dirigentes dessa ordem, é fácil avaliar sua influência. Assim, todas as indústrias e o comércio de quase todo o planeta estão em suas mãos. Uma vez que os países se acham atualmente baseados em suas finanças públicas, sobre o comércio, resulta ser essa ordem o verdadeiro governo dos mesmos e como tal, preparou a civilização à custa da miséria e dos sofrimentos das massas. Os jesuítas, por sua vez, se acham mais ou menos nas mesmas condições: sua riqueza é fabulosa, porém, não agem mediante o dinheiro, mas sim, pela tirania das consciências. Os judeus baseiam-se no dinheiro; os jesuítas sobre algo menos objetivo e eficaz, que é: deus. Atualmente está em consórcio com o “Kahal” judeu uma espécie de “tratado” concertado por intermédio do famoso Marconi (jesuíta leigo) que em Londres, há poucos anos, quase provocou um escândalo internacional. Agora, em vez de guerra e competição recíproca, se acham em estreita cooperação. São bastante astutos para agir nas duas tendências sociais que dividem hoje a humanidade (por sua infelicidade), como extrema direita e extrema esquerda. Possuem, é verdade, uma legião de ingênuos defensores; geralmente ignorantes da realidade a respeito de seus manejos e índole, porém, quase sempre são pagos para sua defesa, salvo se se trata de fanáticos ignorantes aos quais não vale a pena levar em conta.

Educar as massas e elevar suas concepções éticas, enobrecer suas vidas pela Responsabilidade, despertar seus sentimentos mais nobres e desenvolver-lhes ideias de união e atividade, aí está a obra a empreender pelos que se julguem e sintam racionalmente humanistas. É assim que se contribuirá para o progresso humano e para a supressão da dor, um dos postulados da “óctupla senda” da liberação pregada por Gotama. Essas serão as características da Nova Humanidade gestante entre nós; ela gozará o fruto de nosso esforço, pois somos sua avançada solidária. A Nova Humanidade estará livre da “civilização” caduca e espúria, ao serviço de castas e super-estados mercantis e mercantilizados, que infeccionaram a alma humana e prostituíram as forças mais nobres do caráter depois de as ter sujeitado ao seu serviço exclusivo.

[1] Tomai, por exemplo, o homem da raça dos “negros” da África Central e comparai-o com um homem da raça branca, moderno e instruído, isto é, um homem civilizado. Vereis que este é superior àquele em todo sentido; inteligente, poder, vontade, etc. Entretanto, ambos sentem, pensam e agem. A diferença está na índole dessas três qualidades e na sua intensidade. Especialmente se baseia na amplitude com que, em sua conduta geral influi uma ou outra de tais qualidades. Quando o sentimento é primitivo, iluminado apenas pela razão; quando a mente é ainda um germe, o “homem” é um “selvagem” dominado pela superstição, pelo embotamento, por sua inclinação ao crime, etc., etc. Em troca, quando o sentimento é dominado pela mente (elemento de “comparação”, “medida” e “separação”, cuja natureza é a “mobilidade” ou “moção”), então o homem é “egoísta” ou exclusivista, tímido, fútil, soberbo, etc. Só quando o sentimento é governado pelo verdadeiro “Conhecimento”, isto é, pela “Razão Superior”, o homem começa a sê-lo em verdade. Debilitam-se os elementos inferiores; o instinto e o exclusivismo doentio vão sendo vencidos; desaparece a maldade egoísta, decresce o poder (o da “pessoa” inferior), surgindo em troca, a “Individualidade”, elaborada pela assimilação das experiências das etapas inferiores precedentes, depuradas pela dor. Tais etapas duram séculos inteiros e suas experiências se repetem muitas vezes (para ser bem assimiladas), antes de passar o homem à etapa superior imediata, por passos apenas perceptíveis.

[2] Leia-se “Societatis Jesú” ou Companhia de Jesus, isto é, jesuítas dos quais existem várias categorias e divididos em seculares e leigos ou civis.

[3] Kahal, palavra hebréia com que se designa uma organização corporativa patriarcal, que é peculiar aos grupamentos hebreus. O atual comunismo imperante na Rússia, é uma reprodução, em grande escala, do Kahal judeu e por judeus implantada nesse país e financiada por um grupo de banqueiros (judeus) de New York, cujos executores foram os judeus Trotzky, Lenine e outros mais judeus. Recorde-se que os inventores do Socialismo, no que concerne à doutrina política e social, foram judeus (Marx, Malatesta, etc.).

[4] Há 5.035 anos.

[5] Krishna é uma “encarnação” de “Vishnú” ou a Segunda Pessoa da Trindade ou “Trimurti” do Hinduísmo, de que o Cristianismo copiou a sua Trindade.

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