Roncador Mistério que se vai dissipando – Por António Carlos Boin

São Paulo, 1980

I

Para que possamos compreender ou levantar um pouco mais o véu mayávico que encobre os mistérios ligados à legendária Serra do Roncador, é necessário retornar ao Passado e dali extrair as razões fundamentais, as causas determinantes da missão relativa àquela região.

Os povos de todo o mundo sempre foram dirigidos através de dois Poderes: o Poder TEMPORAL, exercido pelos reis, imperadores, presidentes, constituindo o governo político, o que controla e coordena as actividades humanas; e o Poder ESPIRITUAL, representado pelo chefe da religião predominante entre o povo. Por isso vemos, ao longo dos tempos, até mesmo entre os índios selvagens, o rei e o sacerdote, ou, no caso destes, o feiticeiro, curandeiro, pagé, etc. Esse sistema de governo duplo, mas na verdade dois extremos que se completam, ou que devem se completar (analisando à luz do que acontece nos tempos actuais), tem origem na Excelsa Igreja de MELKI-TSEDEK. Segundo a tradição judaica, Melki-Tsedek é Rei de Salém e Sacerdote do Altíssimo. Temos aí evidenciada a Divina Tríade MELKI-TSEDEK, KORO-TSEDEK e ADONAI-TSEDEK, de acordo com a língua hebraica:

Portanto, Senhor do Governo Temporal, do Governo Político, e do Sacerdotal ou Chefe da Igreja, Senhor do Báculo, Aquele que zela pela evolução espiritual dos povos. Estes dois Aspectos de um Poder Único, são derivados da mesma Causa que um dia chamou a Humanidade a existir. Daí o conceito do Templo e suas Colunas, ou do Ser Central (Andrógino) e as duas Colunas, o mesmo Rei do Mundo Brahmatmã e os Ministros Mahimã e Mahinga; devem viver harmonicamente, auxiliando-se mutuamente, pois são atributos desse Ser Único. Melki-Tsedek é, enfim, o Manu Primordial e Permanente, ora manifestando-se com os dois Poderes, ora agindo com Justiça, ou então, por outra, como a Fala da Sabedoria, a Voz de Deva-Vani, etc. Por sua vez, os chefes políticos das nações do mundo inteiro, e os respectivos representantes do que realmente expressa as aspirações espirituais dos povos, deveriam ser, de facto, verdadeiros sub-aspectos de Melki-Tsedek, tulkus, diríamos nós, na complementação da Sua mais que excelsa Missão. Quando há divergência entre estes dois Poderes há o desequilíbrio, a desordem, conflitos de toda a espécie, por não mais poderem orientar a evolução dos seres. E o resultado de tudo isso é o consequente desvio da Humanidade do caminho de DHARMA (a Lei Justa) e a imediata queda em AVIDYA (ignorância das coisas divinas): eis aqui o retrato fiel do mundo actual.

Há cerca de 850 a. C. houve em Tyro, capital da Fenícia, uma grande efervescência política (tal qual em Portugal, na época de D. João VI), que culminou com a expulsão daquele país do próprio rei, chamado BADEZIR, e o casal de filhos que possuía, YET-BAAL e YET-BAAL-BEL (ou BEY). Vieram, por força de Lei, juntamente com uma comitiva de servos fiéis, entre os quais militares, políticos, sacerdotes e escravos, fixar-se em nossas terras, inaugurando o Brasil Fenício, com vistas já ao futuro Brasil Ibero-Ameríndio, de Anchieta. Dividiram o país em dois sectores distintos: o primeiro, ao Norte, estendia-se desde o Amazonas até à região de Salvador, Bahia; e o segundo, ao Sul, até onde é hoje o Estado do Rio Grande do Sul. Ao Norte estava sediado o Governo Temporal, o Governo Político, e o seu dirigente era o próprio rei Badezir; mais para o Sul, o Governo Espiritual, cuja sede fixou-se na região que corresponde ao Rio de Janeiro. Os seus dirigentes eram os Gémeos Yet-Baal e Yet-Baal-Bel, filhos do rei Badezir.

Como vemos, aqueles dois Poderes, Temporal e Espiritual, firmavam, já naquela época, a excelsa tradição da Igreja de Melki-Tsedek, nas abençoadas terras do Brasil, na tentativa de fazer da nossa Pátria o Centro do Mundo. Contudo, as forças contrárias à Evolução interromperam aquele trabalho pela eliminação dos Gémeos no cenário humano, que pereceram afogados na Baía de Guanabara. Daquela tragédia restou um terrível karma a ser esgotado em épocas futuras. Com isso, prejudicou-se a fixação do Sistema Geográfico daquela época, cuja oitava cidade corresponderia hoje a Teresópolis. O “mistério” daquele metabolismo foi encerrado então na Pedra da Gávea… E a Obra do Eterno regrediu para o Oriente…

No ano zero da nossa Era, deu-se a manifestação do Espírito de Verdade através da Missão do 5.º Bodhisattwa, conhecido como Jesus, o Cristo. Naquela época, Roma dominava e avassalava os povos da Terra, estendendo os seus domínios até ao Médio Oriente onde, na Palestina, nascera o Menino Deus envolto nos Mistérios da Igreja de Melki-Tsedek. Na realidade foram dois os Seres surgidos, com a missão de restabelecer o Império Sinárquico Universal na face da Terra: um seria o Príncipe da Linha de David, o Rei de Israel, o Senhor do Poder Temporal, do Governo Político; o outro seria o Sumo-Sacerdote, Senhor do Báculo, Senhor do Poder Temporal, o verdadeiro Messias esperado pelo povo de Israel.

Vemos aí, mais uma vez, em evidência aqueles dois Poderes. O objectivo era fazer de Roma o centro do Império Sinárquico (Poder Temporal) e formar o Sistema Geográfico da Palestina, que seria constituído pelas sete catedrais do Oriente: Éfeso, Smirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Seria, portanto, restabelecida na face da Terra a Igreja de Melki-Tsedek, com o Rei trazendo sobre a cabeça a Suprema Coroa Imperial, e o outro cingindo na fronte a Tríplice Tiara Pontifical, como Sacerdote, realizando juntos a Concórdia Universal ou o Governo Sinárquico. Mas, infelizmente, aquele plano traçado não se realizou, e a Augusta Ordem do Santo Graal teve de se interiorizar, na direcção espiritual da Evolução Humana, restando na face da Terra, como vestígio kármico da tragédia do Gólgota, a Igreja de Roma, com os ensinamentos do Cristo transformados em religião.

Logo após aquele fracasso, várias foram as tentativas feitas pelos Excelsos Seres que se apresentam como Manus, Avataras, Iluminados oriundos do próprio Bijam dos Avataras: o Excelso Melki-Tsedek. Malogrado o intuito de se fazer de Roma o centro do Império Universal, os Seres que compõem o Governo Oculto do Mundo voltaram-se para o trabalho de preparo das Américas, com vistas ao futuro longínquo. A grandiosa raça tolteca (cujo significado é “construtores”), remanescente dos povos atlantes que habitava nas Américas, fora atacada pelas hordas bárbaras dos tchitchimecas (“filhos de cães”), e estava prestes a desaparecer.

Foi quando no horizonte obscuro apareceu o Grande Senhor, o Semeador e o Ceifador, senão, a expressão avatárica da própria Divindade. Surgiu primeiramente no México, na cidade de Panuco, onde refugiavam-se os últimos clãs que escaparam ao morticínio provocado pelos aztecas. Viram eles chegar do mar, em embarcações estranhas, um homem de longas barbas brancas, cabelos dourados e olhos azuis, todo vestido de branco. Era o enviado de Hue-Hae-Cleots (o Pai Eterno). O seu nome, Quetzal-Quatl, a Serpente Irisiforme ou Alada, acompanhado de sete clãs de homens e mulheres, ou sejam, as sementes vindas da Agharta e destinadas a se misturar com aquele povo, para preparar a raça do futuro. Trouxe ele para aquela gente novas artes, novos conhecimentos, provocando com isso novo surto de civilização na América pré-colombiana.

Quetzal-Coatl apareceu mais tarde entre outros povos, como os tchaitcha-casternando, maias, quichuas, quichés do Yucatan, aymarás dos Andes, e entre nós, brasileiros, com os nomes de Sumé e Mora-Morotim de que tanto fala a lenda de Teresópolis. Notamos, portanto, um grande trabalho de preparação dos povos da América pré-colombiana, no sentido de se formar as sementes de futuras civilizações. Quetzal-Quatl foi Vurum-Votan, Tehanay, Manco-Capac e Mama-Coya, Sumé e o Manu Mora-Morotim. Surgiu também com o nome cabalístico de CAR entre os caraíbas.

Como resultado do trabalho de todos esses Manus, formou-se a semente escolhida dentre esses povos, que mais tarde se iria amalgamar com as raças europeias e asiáticas, bem como africanas, e preciosamente guardada nos Lugares Jinas que conhecemos com os nomes de Tchichen-Itza, Machu-Pichu e Matatu-Araracanga. Tchichen-Itza foi fundada pelo próprio Quetzal-Coatl, é um dos sete pontos máximos do Mundo como Posto Representativo, uma das regiões que formam o Sistema Geográfico Internacional. Machu-Pichu, com o significado de “Umbigo do Mundo”, é outro centro de grande valor, fundado por Manco-Capac e Mama-Coya ou Mama-Oclo, e é a sede de outra grande civilização do Passado: a dos incas. Matatu-Araracanga, a prodigiosa Serra das Araras, com o Monte Ararat em cujo interior vibra a Divina Essência do 5.º Planetário, é justamente o objecto do nosso estudo, como veremos a seguir.

Enquanto os povos americanos eram preparados, o Cristianismo florescia por toda a Europa, trazendo os povos na ignorância e presos ao poder papal. Surge então o Profeta Mohamed, com um movimento destinado a revolucionar as massas. Os árabes, invadindo a Europa através de Espanha, levam novas luzes culturais aos ibéricos, contrapondo-se ao esquema da Igreja de Roma. O movimento arábico fazia parte do grande plano da LEI. Finalmente, surge Carlos Magno, reconquistando, através da espada e da sua imensa fortuna, a Europa invadida pelos mouros e restaurando o poder papal.

Aos 985 anos da nossa Era, a Obra voltou ao Oriente, fixando-se no Tibete, com a finalidade de reunir os Irmãos de Pureza, os Bhante-Yauls, e propiciar a manifestação do Senhor dos Três Mundos: Maitreya Budha. Mas houve uma nova queda e aquela tentativa falhou. Quinze anos depois, no ano 1000, abriu-se a Embocadura de Aiuruoca; em 1200, a Embocadura de Conceição do Rio Verde; em 1500, a Embocadura de São Thomé das Letras, esta na época do Descobrimento do Brasil. Como se vê, a Obra voltou a eclodir no Ocidente.

Conforme sabemos, a marcha das civilizações vem do Oriente para o Ocidente, acompanhando a trajectória do Sol e caracterizando o Itinerário de IO que, em outras palavras, representa “o caminho percorrido pelo Sol”. Foi então que o Infante D. Henrique fundou em Sagres a sua famosa Escola de Navegação, de onde saíram bravos marujos que descobririam para o mundo – já que os Iniciados as conheciam de há muito – as terras até então ignoradas. Por volta de 1500, começaram as grandes navegações visando à descoberta de novas terras: buscava-se o Novo Mundo, a Terra do Futuro, que o Infante Henrique de Sagres (IHS) sabia muito bem existir. Apareceram, no cenário humano das grandes navegações, aqueles dois nomes que se imortalizaram pelos seus feitos: Colombo e Cabral. Alunos da Escola de Sagres, Colombo, cujo verdadeiro nome era Salvador Gonçalves Zarco, antecipou-se a Cabral, tocando primeiramente as terras americanas com a sua esquadra. Em seguida, Cabral veio oficialmente redescobrir o Brasil. Christoferens Columbus, o “Cristo” navegador, e Pedro Álvares Cabral, o “Kumara” investigador, foram os dois grandes luminares da nova era inaugurando uma época de modernismos, em termos de avanços tecnológicos para o mundo de então.

Três factos nos interessam de perto para que possamos compreender melhor a nossa História. São eles:

1.º) A América inteiramente preparada para receber os descobridores em 1500.

2.º) A Escola de Navegação de Sagres.

3.º) A Ordem de Mariz, cujo Chefe era o Infante Henrique de Sagres.

É interessante notar que são sempre os mesmos Seres que tramam a História: primeiramente foram aparecendo diversas vezes em terras da América, a fim de preparar os povos autóctones para receber os descobridores e colonizadores. Depois foram para a Europa fortalecer os impérios, fomentar as ciências e criar as escolas de navegação, instigando às grandes navegações a fim de promoverem a descoberta das terras por eles já preparadas. Depois, revestiram-se das figuras dos descobridores: Infante Henrique de Sagres (o mesmo Quetzal-Coatl), Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral, as suas Colunas ou Ministros. Após a descoberta, trataram aqueles Seres de provocar, na Europa, revoluções e perseguições político-religiosas, a fim de, se assim se pode falar, expulsar elementos da Europa com o intuito de povoarem as novas terras. Povoadas as terras e estabelecidos os centros indispensáveis para o seu progresso, era preciso libertar as colónias do jugo das metrópoles que as subjugavam. São fomentados, ou melhor, são urdidos os planos para a decadência dos grandes impérios. Em vista disso, Filipe II provocou a decadência dos impérios espanhol e português, com os seus planos de conquista através de guerras, onerando o tesouro nacional. Outro factor preponderante do enfraquecimento de Espanha e Portugal, foi a destruição pelas forças naturais (um acto da própria LEI) da Invencível Armada de Filipe II, destinada a destruir a Inglaterra. Daí para diante, os impérios espanhol e português entraram em franca decadência e dariam margem para que, a seu tempo, as colónias das Américas se libertassem uma a uma.

Após a escolha das sementes das raças que habitavam a América pré-colombiana, e uma vez guardadas essas sementes em lugar seguro, era preciso destruir os restos das civilizações dos povos vermelhos, remanescentes da Atlântida. Surge então um Pizarro, varrendo os aztecas. Aparece um Cortez, exterminando os incas, com uma impiedade e destruição que até hoje, quando ouvimos contar aquelas histórias, sentimos em nosso peito a revolta por tais actos. Mas, é forçoso reconhecer que tais crueldades infelizmente eram necessárias, e devemos reconhecer o grande sofrimento dos Seres Superiores que foram, com o seu imenso amor pelos homens, obrigados a executar friamente as suas missões (kármicas).

O trabalho de colonização do Novo Mundo descoberto, começou com a América dividida em dois sectores: o do Norte e o do Sul. Ao Norte, mais tarde, proclamou-se a Independência dos Estados Unidos, e ao Sul o Brasil libertou-se de Portugal pela mão firme do príncipe-regente, tornando-se o primeiro imperador de nossa pátria com o nome de D. Pedro I, isto já em 1822.

Como se vê, houve um gigantesco trabalho de construção da Nova Terra fincada nas duas Américas, para culminar, finalmente, com a vinda do Supremo Instrutor do Mundo. Para tanto, a Suprema Lei lançou mão das duas hastes daquele Movimento que, na tradição da nossa Escola Iniciática, é conhecido pelo nome de Missão Y. O Y, aí, representa as duas hastes: solar e lunar, relativas a Sol e Lua, ou, ainda, ao Governo Espiritual e Governo Temporal. Como podemos notar, mais uma vez era repetida a tentativa de se fixar a Obra do Eterno na face da Terra, ou então, o Império de Melki-Tsedek.

Como Dirigente da haste lunar, cuja missão seria justamente a preparação do povo norte-americano para o advento da Nova Civilização de Aquário, surgiu a mártir do século XIX, Helena Petrovna Han Fadeef Blavatsky, filha de talentosa princesa russa, nascida à meia-noite do dia 30 de Julho de 1831. Após viajar pelo mundo, fixou-se na América do Norte. Auxiliada pelas Forças dos três Reinos Elementais, que lhe propiciavam um ambiente favorável, provocou uma série de fenómenos psíquicos, destinados a chamar a atenção do povo norte-americano. Fundou o “Clube dos Milagres”, dando-lhe um nome de âmbito nacional e universal: Teosofia. Daí surgiu a Sociedade Teosófica. O Norte-América constituir-se-ia na sede do Governo Temporal e daria ao Mundo a 6.ª sub-raça ariana, semente da 6.ª Raça-Mãe Bimânica (Manas e Budhi). Blavatsky iria, gradativamente, preparando o povo americano através dos ensinamentos teosóficos, abrindo caminho para o advento da nossa Obra, haste solar da Missão Y, cuja sede seria no Brasil. Foi devido ao papel que mais tarde desempenharia, que os EUA alcançaram um grande desenvolvimento tecnológico, tornando-se uma das nações líderes do mundo actual.

Em 1883 nasceu no Brasil, em Salvador, Bahia, aquele que faria reviver a sigla JHS, como Chefe da outra haste da Missão Y, a solar. As duas Américas trabalhariam juntas, harmonicamente, formando as Raças Bimânica (Manas e Budhi), ao Norte, e Atabimânica (Manas, Budhi e Atmã), ao Sul, até que viesse o Supremo Instrutor do Mundo, o Supremo Arquitecto, como manifestação cíclica em Maitreya Budha, dirigir os destinos do Mundo. Nessa altura dos acontecimentos, na Confraria de Kaleb (cujo significado é “Cão”), preparavam-se para vir ao Mundo Humano os sete Arautos ou Yokanans e os sete Guerreiros ou Políticos, que deveriam, entrosados em trabalho e eficiência, fazer a cobertura para o reconhecimento da Obra do Eterno na face da Terra.

Blavatsky foi precedida pelo movimento psíquico das irmãs Fox e pelo adepto Hypollite Léon Denizard Rivail, de pseudónimo Allan Kardec, cuja função era justamente dar cobertura ao aparecimento da haste lunar da Missão Y. Aos poucos, através da Teosofia, transformaria o inconsciente colectivo, voltado para os fenómenos puramente emocionais, despertando o mentalismo (espiritualismo) que haveria de, gradativamente, chegar aos conceitos da nossa Obra. Para isso, somente o trabalho conjunto e harmónico entre as duas hastes da Missão Y conseguiria preparar as duas Américas para o advento da Nova Civilização. A haste lunar da Missão Y somente poderia ter como Dirigente uma Mulher, que bravamente lutou no Norte-América para implantar os conceitos teosóficos. Quando a Teosofia começou a tomar pé entre os americanos, os protestantes, católicos, psiquistas e materialistas promoveram uma imensa campanha contra HPB. Como é evidente em qualquer coisa que se realize neste mundo mayávico ou ilusório em que somos obrigados a viver, a Lei da Polaridade é um factor preponderante.

Atacada pela ala oposta, taxada de impostora, vigarista e até mesmo de prostituta, Blavatsky retorna à Índia, fixando a Sociedade Tesosófica em Adyar, e “adiando”, como dizia o nosso Excelso Mestre JHS, a sua nobre Missão. Afastou-se, portanto, de um trabalho que deveria realizar, mesmo à custa da própria vida. Por força de Lei, a América do Norte mesmo perdendo a principal Dirigente da haste lunar da Missão Y, ainda continuaria como sede do Governo Temporal, apesar daquela quase que “expulsão” de HPB. Para tanto, outro grandioso Ser surgiria substituindo Blavatsky, mas graves acontecimentos vieram de seguida.

Na região de El Moro (cuja pronúncia correcta é El Morro), próximo à cidade de Cimarron, no Estado do Novo México, uma Confraria Jina preparava-se no trabalho de organização do Sistema Geográfico do Norte-América, sede do Governo Temporal. A Fraternidade de El Moro, na superfície da Terra, caracterizava-se, na parte exterior, na forma de um “rancho”, conforme dizem os americanos, chamado Hacienda del Desterro, ou uma “fazenda” segundo os brasileiros, facto que JHS, por diversas vezes, relatou durante a sua vida a respeito do aprazível lugar. Aquele Centro Iniciático foi organizado pelos Adeptos que formavam a Rosa+Cruz alemã, fundada pelo Excelso Christian Rosenkreutz, ou o próprio Conde de São Germano.

Lá estavam todos os Rosa+Cruzes, num Templo secreto onde existe uma Montanha Sagrada (El Moro), uma gruta e um totem, sendo este último o YAK (YOVE AMOLTZ KAPRUM), símbolo característico dos Kumaras. Todo aquele esquema estava sendo montado ou preparado para fazer do país do Norte a sede do Governo Político do Mundo. Em 21 de Março de 1954, foi para El Moro o Adormecido, na função de esteio espiritual daquela região. Mas, as experiências feitas pelos americanos em 1955 no deserto próximo a El Moro, através de explosões de artefactos nucleares, abalou as estruturas internas daquele lugar, obrigando à mudança do Adormecido para regiões mais seguras. Destruindo a parte externa e abalando os alicerces internos daquele que seria o Centro do Sistema Geográfico do Norte-América, a Embocadura de El Moro foi lacrada, impossibilitando com isso a fixação do Sistema Geográfico.

Por esses graves acontecimentos, e mais ainda pelo facto do Norte-América tornar-se, por sua evolução, igual à Cadeia Lunar, isto é, não chegando até ao fim do trabalho pela Nova Civilização para o período de 10.000 anos da ERA AVATÁRICA, ao desprezar o trabalho dos Assuras e Makaras tornou-se uma nação onde predomina, apenas, um obstinado sintoma Jiva. Por tudo isso, a 15 de Novembro de 1956, a Suprema LEI UNIVERSAL deu como definitiva a passagem de todos os direitos espirituais que até então se firmavam em El Moro, no Novo México, para a Confraria do RONCADOR, o glorioso ARARAT, no Estado de Mato Grosso, representando aquela Montanha, ou Serra, o Quinto Sistema. Os americanos do Norte ficaram como que “viúvos dos deuses”, perdendo, portanto, a grandiosa Missão de se transformarem na sede do Governo Político do Mundo no próximo milénio.

II

Pelo que se viu, a nossa abençoada pátria ficou como Centro futuro do Mundo, na obrigação de desenvolver, conjuntamente, as 6.ª e 7.ª sub-raças: Bimânica e Atabimânica. Voltamos novamente ao conceito inicial dos dois Poderes: Temporal e Espiritual. São Lourenço será a sede do Governo Espiritual do Mundo, e o Roncador a Sede do Governo Temporal, estabelecendo, finalmente, na face da Terra, para a futura Civilização de Aquário, a fixação da excelsa Igreja de Melki-Tsedek. A Missão que era das duas Américas, passou totalmente para as nossas mãos.

Desde o ano 1956 que esse metabolismo dos dois Poderes firmados em nossas terras vem se processando, ficando o Espiritual com o excelso Mestre JHS na região JINA de São Lourenço, representando ou potencializando, actualmente, o 7.º Sistema, e o Temporal no Roncador, Monte Ararat, nas mãos do 5.º Planetário, outrora conhecido pelo nome de Luzbel (Bela Luz), representando o 5.º Sistema, e como ponto intermediário entre o 5.º e o 7.º, o metabolismo da Ilha de Itaparica, na representação actual do 6.º Sistema, onde residem os mistérios das coisas que se cumprem nos Céus.

Dessas duas Raças do Futuro, que sairão dos nossos esforços conjuntos, a primeira terá o estado de consciência total da Quarta Ronda, e a segunda da Quinta. Por essas razões, foram erguidos no Brasil três sublimes Templos: São Lourenço, Itaparica e Nova Xavantina. O Templo de São Lourenço representa o Presente, ligado a Satva, amarelo, o ouro da espiritualidade. Corresponde, dentro do simbolismo da nossa Obra, ao Pai, ao 1.º Trono. Itaparica representa o Passado, Rajas, azul, 2.º Trono, ligado à Mãe. E, finalmente, inaugurado por último, o terceiro Templo, Arabutã, o Futuro, o Templo do Filho, correspondendo a Tamas, ao 3.º Trono.

A inauguração do terceiro Templo, na cidade de Nova Xavantina, Mato Grosso, veio firmar definitivamente em nossa pátria a Obra do ETERNO, que há séculos, através do trabalho dos Membros do Governo Oculto do Mundo, vem impulsionando a Roda da Evolução de Oriente para Ocidente.

O Templo de Nova Xavantina é dedicado ao mui Régio e Excelso 5.º Planetário, que outrora com o nome de Luzbel, Lúcifer, é o Senhor do Facho Luminoso, o Senhor da Suprema Inteligência, e daí chamar-se, aquele Templo, de Arabutã, com o significado de “região do Fogo”, nome este que os tupis davam ao Brasil de outrora. Analisando as conotações ligadas ao nome da região onde o mesmo foi erguido, deparamos com o seguinte:

1) XAVANTINA: XAVAN+TINA.

XAVAN: Chave, ou Xave-antes, Xave dos Antigos, Antes-Inas, Jinas, ou Antes-Egos, Egos de Antes, como quem diz: Antepassados, Pais, Pitris, Guias, Instrutores, Manus, etc.

TINA: Jina, Génio, Iluminado, etc.

INA: Mãe Divina dos povos da Oceânia.

XAVANTINA: Chave antiga dos Jinas ou Chave Divina.

2) RONCADOR: Ronco ou rugido da dor, ou que produz dor.

3) MATATU-ARARACANGA:

MATATU: ao contrário dá TU e MATA, ou ainda TAMA, TAMAS, vermelho.

ARARA-CANGA: significa “arara vermelha”.

ARA: Fogo. Ara em tupi significa, também, “dia, tempo”, etc.

CANGA: Jugo com que se unem os bois pelo cachaço para puxarem juntos a mesma carga.

A tradução livre de MATATU-ARARACANGA, é: a “cabeceira das araras vermelhas”.

4) ARABUTÃ ou ARABUTAN: o mesmo que “pau-brasil”, “pau, madeira, lenho”. Portanto, “pau vermelho do Brasil”.

5) ARATUPAN-CABAYU: em tradução livre é “Cavalo de Fogo”.

ARA: Fogo, ou ainda, “tempo, duração”, etc.

TUPAN: Deus.

Portanto, ARATUPAN é o Deus do Fogo ou do Tempo, o Deus das Eternidades, ou o próprio Melki-Tsedek como Planetário da Ronda. Significa, também, “O Deus que monta o Cavalo de Fogo” (ou vermelho).

Completando todas essas conotações, poderemos dizer:

“O EXCELSO ARATUPAN-CABAYU, NO INTERIOR DA SERRA DE MATATU-ARARACANGA, LANÇA O SEU GRITO AO MUNDO, ATRAVÉS DO TEMPLO DE NOVA XAVANTINA.”

Ou então:

“GLORIFICADO SEJA O DEUS DO FOGO, O SENHOR DO FACHO LUMINOSO, ASPECTO DO SENHOR DAS ETERNIDADES, QUE DO INTERIOR DA CABECEIRA DAS ARARAS VERMELHAS, LANÇA O SEU GRITO ATRAVÉS DO SUBLIME TEMPLO DOS JINAS ANTIGOS.”

Não é preciso dizer que Aratupã-Cabayu é o próprio 5.º Senhor.

Penetremos agora, à luz das sublimes Revelações de JHS, nos mistérios que envolvem a Serra do Roncador, ou então, a Itapororoca, como a denominavam os tupis, “com o significado de “pedra que ronca, que ruge, que fala”, e que o gentio daquele lugar chama de Matatu-Araracanga. Ao ser inaugurado o terceiro Templo, firmou-se no Brasil o terceiro vértice do triângulo delimitador de uma área onde haverá de surgir a Raça do Futuro, a Raça Dourada.

Conforme citámos anteriormente, após terem passado do Himalaia à Europa, América do Norte, Cordilheira dos Andes, os Centros de Energias Vitais da Terra estão concentrados agora no Brasil Central. Muitos foram os que profetizaram e sonharam a formação de uma Nova Raça no Planalto Central do Brasil. No dizer do grande etnólogo mexicano José de Vasconcelos: “É dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a Raça Cósmica, realizando a Concórdia Universal, por ser filha das dores e das esperanças de toda a Humanidade”. O próprio Mahatma Gandhi, em um dos seus jejuns, teve a visão de um grande pólo espiritualista localizado no Planalto Central do Brasil. José Bonifácio de Andrada e Silva e Dom Bosco, também sonharam com esse facto. Getúlio Vargas, em 1945, ao prefaciar um livro sobre uma expedição ao Roncador-Xingu, teve ocasião de dizer: “Xavantina está destinada a construir uma nova civilização…”

Pois bem, segundo dizem as lendas que fazem parte dos povos que habitaram o centro da América do Sul, entre as cabeceiras dos rios Tapajós e Xingu, num dos contrafortes da Serra do Roncador, existe uma “cidade” ou “cantão” oculto no interior daquela extensa cordilheira e onde há milhares de anos vivem, segregados da Humanidade, Seres que alcançaram um alto desenvolvimento espiritual. Senhores de uma ciência transcendente, nada os interessa nem fascina da nossa actual civilização materialista. Evitam qualquer contacto com os demais seres humanos e constituem uma Fraternidade Iniciática, por nós conhecida como Fraternidade Jina do Roncador, na Serra Matatu-Araracanga, dirigida pelo próprio Aratupã-Cabayu.

Os portugueses, ao chegarem ao Brasil, ouviram falar de uma “cidade misteriosa”, um lugar temido e adorado pelos selvagens, conhecido na tradição milenar como a “cidade dos telhados resplandecentes”, feita toda de ouro, o que por certo exacerbou-lhes a cobiça, fazendo-os sonhar com o lendário “Eldorado”. A tradição fala em Manoa, e os índios em Matatu-Araracanga, um lugar misterioso guardado por um povo hostil e feroz, constituindo a mais aguerrida nação indígena: os xavantes (xavantes, chavantes = chave+antes), formando um verdadeiro círculo de resistência em torno do Santuário que lá existe.

Todos os Centros JINAS do Mundo são defendidos da invasão dos profanos, como é o caso das estranhas regiões do Tibete, como nos relata Alexandra David-Neel falando das “mayas budistas”, ou recursos ilusionistas de que lançam mão os habitantes dessas regiões para afastar os curiosos, provocando fenómenos como abismos que inesperadamente se abrem à frente dos viandantes desprevenidos e os desnorteiam, aparições de cidades maravilhosas, castelos, florestas espessas, roncos de aviões, locomotivas e automóveis saídos das densas florestas, tempestades de chuva, de neve, de granizo, súbitas elevações do terreno, declínios de temperatura, enfim, uma série de artifícios empregados pelos JINAS para afastar os indesejáveis. Tais Seres são conhecidos também por SHAMANOS, TODES, BADAGAS. HPB refere-se aos Todes, dizendo: “Os Todes, Seres de Perfeição absoluta, representam, talvez, a origem ou semente de uma Raça privilegiada que há-de um dia reinar sobre a Terra”, etc.

Tais fenómenos também se processam nas regiões Jinas do Brasil, que ainda devem permanecer resguardadas das acções dos profanos. Assim é que a Confraria Jina de Vila Velha, Estado do Paraná, a “Prisão” ou “Mansão das Almas Redimidas pelos seus próprios esforços”, é defendida externamente pelas onças, leões brasileiros, e pelos macacos, por se tratar de uma Raça anterior à nossa e por estar ainda relacionada ao Quarto Senhor. Os Povos da Agharta que vivem na Face da Terra são verdadeiras humanizações de Forças Cósmicas, justamente com a missão de defender as Cidades Jinas e os lugares sagrados. Os que pertencem às 1.ª e 2.ª Cidades Aghartinas são elementais, forças vivas naturais que, em forma humana, aparecem como selvagens ferozes, como os kalmukas e os nossos índios xavantes. Os xavantes são, portanto, encarnações daqueles ferozes elementais, montando guarda a tão precioso Centro, não deixando que os profanos se acerquem de tal lugar. Actualmente, tal função deixou de existir após as realizações da Obra na Face da Terra, propiciando aos poucos a retirada do véu mayávico ou misterioso que envolve o Roncador. E no seu interior acha-se preservada a Semente Inca-Tupi, que está sendo preparada para formar a Nova Civilização. Quando chegar a hora exacta, aqueles Seres subirão à superfície da Terra, depois da grande catástrofe (mais que geológica, moral – VMA) que irá separar o trigo do joio.

É nesta Confraria Iniciática do Roncador, no precioso interior do Monte ARARAT, funcionando como um grande Farol do Futuro, que vivem os Seres conhecidos por Rei OMAR, ARATUPÃ-CABAYU, ZOPIÁ-ZURIM-ZARA (“aquele que não come nem bebe”), SABARÁ-BUCU, ZAMUR… grandes Chefes e Construtores das Raças vindouras, que muito trabalharam para a construção da Nova Era.

Não é de se estranhar o fracasso das tentativas feitas pelas expedições e de tantos quantos tentaram atingir aquela misteriosa região. As dificuldades encontradas no caminho, como animais ferozes, insectos de toda a espécie, lagoas e rios intransponíveis, doenças desconhecidas, quando não ataques dos ferozes xavantes, por certo demonstravam que ainda não era chegada a hora do “homem civilizado” conquistar aquelas terras.

A região do Roncador é, portanto, o centro irradiador de portentosa civilização post-atlante. Como geralmente acontece, esses movimentos raciais têm origem numa região característica, em geral nos planaltos centrais dos grandes continentes. São pontos de irradiação, não apenas das raças conhecidas mas também das principais espécies vegetais usadas pelo Homem, para a sua subsistência. Assim vemos, através da história dos povos, na Ásia, na Meseta do Pamir, o ária, nos primórdios da sua história, descendo o planalto para se localizar nos vales férteis de Sapta-Sindhavas, ou a velha Índia, trazendo consigo um alimento básico, o trigo, e o búfalo, animal que para eles é quase como um totem. Os semitas traziam como alimento a tamareira, acompanhados dos camelos. Os povos do Anahuac, no México, associavam ao milho o covotl. E no Roncador, o totem do selvícola é a anta, sendo o seu principal alimento a mandioca. Como vemos, entre todos esses povos reminiscentes atlantes, existe sempre a associação do elemento vegetal ao animal.

Neste relato, não poderíamos deixar de falar sobre Sir Percyval Fawcett e seu filho Jack Fawcett, cuja missão foi justamente chamar a atenção do mundo para a região do Roncador. Coronel do exército britânico, Sir Percyval Fawcett acima de tudo era um místico e figura de grande destaque nas ciências em sua pátria. Casado em 1890 com a Sr.ª Mina Fawcett, fora destacado para a Índia, partindo juntamente com a esposa para aquela região. Transferido em seguida com a sua tropa para um forte existente na orla do Tibete, o seu espírito de estudioso e pesquisador foi aguçado, interessando-se pelos assuntos prevalecentes no mosteiro da região, onde, mediante a autorização do Lama, passava grande parte do tempo estudando a ciência tibetana.

Numa certa ocasião, antes de voltar para casa quando da sua vinda do Ceilão, encontrou seis astrólogos hindus que lhe deram a seguinte notícia: “Mestre, disseram eles, um grande espírito aproveitou-se dos laços existentes entre vós e vossa esposa para reencarnar entre vós. Não mais voltareis a Hong-Kong e será aqui, durante as festas de Buda, no dia 19 de Maio, que a vossa mulher dará nascimento a um menino que será pai de uma nova raça. Quando crescer, esse menino irá convosco para as terras longínquas do sul, onde ambos desaparecereis juntos… o vosso filho voltará ao seio da sua antiga raça…”

Foi-lhe dito, ainda, que esse filho seria rei de uma grande nação desconhecida, situada a oeste do Hindustão, vivendo no recesso de grande cordilheira. Fawcett, ao receber a notícia do nascimento do seu primogénito, acreditou cegamente naquela profecia, dedicando-se, a partir de então, à leitura de tudo quanto se referisse a África, continente imediatamente a oeste do Hindustão.

Interessou-se muitíssimo pelos romances de Ridder Haggard, famoso romancista inglês, reconhecendo nos livros As Minas do Rei Salomão e o Anel da Rainha de Sabá a antevisão do cumprimento daquela profecia. Foi quando ao escrever para Ridder Haggard, obteve a resposta de que aquelas narrativas, famosas no mundo inteiro, referiam-se a lendas brasílicas que ele, o escritor, por ser especialista em relatos sobre o continente negro, transportara para aquele ambiente.

Fawcett voltou então as suas atenções para o Brasil, para onde veio designado para servir numa comissão de limites territoriais entre a Bolívia, Peru e Brasil. Em 1910 explorou a região de Caunolican, mantendo contacto e amizade com os índios guarajós, extraindo daquelas aventuras relatos sobre índios brancos com cabelos louros, velhas ruínas e estradas não percorridas.

Voltando a Inglaterra, relatou o produto das suas explorações aos membros da Real Sociedade de Geografia de Londres. Veio outras vezes à América do Sul, sempre na tentativa de encontrar mais relatos e provas sobre a existência daqueles índios brancos com cabelos louros e as estranhas ruínas, que ele julgava serem restos da Atlântida. Certa vez, pesquisando escritos antigos na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, encontrou o fabuloso documento n.º 512. Tomado de grande júbilo, copiou minuciosamente o estranho manuscrito e voltou para Londres onde, em 1924, se pronunciou perante a Real Sociedade Geográfica, dizendo ter achado o roteiro certo que o levaria à maior descoberta arqueológica de todos os tempos.

Sustentado pela Real Sociedade Geográfica de Londres e pelo escritor Sir Ridder Haggard, Fawcett, acompanhado do filho e do médico Dr. Raleigh Rimmel, voltou pela última vez ao Brasil, em 1925, internando-se nos sertões de Mato Grosso, rumo à Serra do Roncador. Em fins de Maio de 1925, foi visto com o seu filho e o médico, pela última vez, por um funcionário do Serviço de Protecção aos Índios, a umas vinte léguas ao norte de Diamantina.

Fawcett carregava sempre consigo uma estatueta, presente que o amigo Ridder Haggard lhe fizera na Inglaterra. Essa estatueta fora enviada a Ridder Haggard pelo seu filho Haggard Jr., que vivia numa fazenda no interior de Mato Grosso. Haggard Jr. tinha um empregado índio que lhe dera a estatueta, vindo de uma tribo distante. Facto curioso, com relação a tal índio, foi quando ao ver a catedral de Cuiabá em construção não se mostrou nada surpreso, dizendo ainda que, com três dias de viagem da sua aldeia, havia edifícios maiores, com luzes que nunca se apagavam à noite.

Fawcett estava convencido que aquela estatueta era a chave de todos os seus planos. Era, seguramente, a senha para puder entrar na cidade oculta, defendida por índios ferozes. Acreditava ele que mostrando a estatueta exercia grande poder sobre os nativos, segundo nos relata em seu depoimento o general Ramiro Noronha. Numa entrevista concedida ao repórter Ramiro Gurgel, dos Diários Associados, Brian Fawcett, o outro filho do casal Fawcett, dizia que a estatueta não era de jade, como julgava muita gente. Era esculpida em basalto negro, representando uma figura mitológica cavada numa única peça. Como fundo tinha uns desenhos representando ladrilhos. Em virtude de conter elevado teor de magnetite, a estatueta de basalto emitia ondas eléctricas, dando até mesmo um pequeno choque ao contacto. A estatueta continha, ainda, inscrições em baixo-relevo, gravadas no peito e nos pés.

Segundo o que pudemos extrair das Revelações do excelso Mestre JHS, Fawcett e o seu filho Jack funcionaram como uma espécie de Manus Volantes, representando a Mónada anglo-saxónica que formou a norte-americana… mas entre a Semente inca-tupi, entremesclada com a brasileira ou sul-americana, como complemento do trabalho fenício de Badezir e Yet-Baal e, a seguir, do ibero-ameríndio de Anchieta, João Ramalho, etc… Jack Fawcett trouxe a Semente anglo-saxónica para o Roncador e ambos, pai e filho, atingindo aquela Confraria Iniciática, foram recolhidos nos Mundos Subterrâneos Jinas, onde gozam das delícias da sua pseudo-morte.

Facto interessante relacionado com a fixação do 5.º Sistema no Roncador e, respectivamente, com a entronização do 5.º Senhor no Governo Temporal do Mundo, foi o acontecido com a estrela ALGOL ou SAKALI, a “Fêmea do Espaço”.

Como se sabe pelos ensinamentos do nosso augusto Mestre, segundo velhas tradições atlantes a estrela Algol retinha a SHAKTI ou Aspecto Feminino Cósmico do 5.º Planetário, que deste foi separada quando o mesmo desceu do Trono Celeste para a Terra, juntamente com a sua Hierarquia, para impulsionar a Evolução Humana.

Algol, na realidade dos factos, foi a Mãe Terrena, ou a globalidade psíquica do Quinto Nódulo do Quarto Sistema de Evolução. Era a Deusa-Mãe do Quinto Globo da Terceira Cadeia deste Quarto Sistema de Evolução Universal, onde se deu a “Revolução no Trono” e de onde desceu o 5.º Senhor para acelerar a evolução interior dos Jivas, dos homens da Quarta Hierarquia. De modo que Luzbel e Sakali (Algol) eram o Pai-Mãe Cósmico das Cadeias deste Quarto Sistema. Por isso que Algol, entre os Seres de alta Hierarquia, era denominada de “Fêmea e Concubina do Espaço”. Esse Quinto Nódulo fica próximo ao Cruzeiro do Sul, num ponto obscuro, trevoso, conhecido pelos astrónomos como “SACO DE CARVÃO”.

Em 24 de Outubro de 1954, milhares de pessoas residentes em São Paulo, na capital, Estado do Rio de Janeiro, e noutros lugares, puderam ver, do lado ocidental e próximo à estrela Vénus, um estranho e maravilhoso fenómeno celeste. Por algumas horas foi vista uma estrela, de brilho e grandeza invulgar, que periodicamente aumentava e diminuía o seu brilho, até quase se apagar totalmente. O fenómeno estava relacionado com a estrela Algol. Nesse dia, a Essência Espiritual da estrela Algol, ou seja, a parte superior de Sakali, libertou-se daquela prisão cósmica com a finalidade de projectar-se no mundo dos homens, na Rainha atlante de nome Goberum.

Devido àquele facto, Goberum pôde firmar-se como Rainha ao lado do 5.º Senhor, como sustentáculo físico da Consciência expressa no espaço pela estrela Algol daquela época, e por intermédio dos seus dois Monarcas, REI e RAINHA, pôde fixar-se no Roncador, no interior do Monte Ararat, na direcção actual do Governo Temporal do Mundo.

O Senhor do Facho Luminoso, da Suprema Inteligência, passou a ser o Dirigente do Novo Pramantha que já está luzindo nos céus do Brasil. Doravante, cabe-nos o trabalho de preparo desse Novo Pramantha, das consciências do 5.º Sistema.

Pramantha é, justamente, o trabalho dos Seres da Agharta agindo na Face da Terra. Dentro desta simbologia, vamos encontrar o Pramantha, haste vertical de madeira que, mediante fricção ou atrito, produz fogo. O outro elemento de madeira utilizado pelos brahmanes (sacerdotes), é o Arani. O Arani é uma espécie de Swástika, disco de madeira com um furo no centro. Os brahmanes, introduzindo o Pramantha no Arani, davam lugar a uma cerimónia mística e sagrada, de grande sentido oculto. Do atrito de ambos surgia o Fogo Sagrado, o Twashitri.

Pramantha é então símbolo do elemento Masculino, gerador… enquanto o Arani representa a Matriz do Mundo. O Pramantha é, pois, o Pai do Fogo Sagrado, do Fogo da Vida. O Arani, a Mãe, e o Twashitri ou Xadhu, o Filho. Daí surgirem os termos PithisAlef Xadhu, isto é, PramanthaArani Twashitri ou Xadhu, dando a palavra PAX.

Pramantha é Movimento, é a Lei de Evolução posta em movimento. Em cada ciclo evolucional cria-se um novo Pramantha. Dentro deste raciocínio lógico, vemos que em 23 de Março de 1958 o excelso Mestre JHS funda a Ordem do ARARAT, preparando já os membros do Novo Pramantha ou a sementeira do 5.º Sistema.

Mais tarde, em 25 de Fevereiro de 1963, JHS, em reunião havida em São Lourenço, na Vila Helena, formou o NOVO PRAMANTHA com os jovens presentes na época. Naquela ocasião, dizia o Mestre: “Nós já vos sentimos como os Adeptos do Novo Pramantha da Era de Aquário, ou seja, os Adeptos da Boa Lei, da Nova Era”. Aquele dia 25 de Fevereiro de 1963 ficou conhecido na História da Obra como O Novo Pramantha começa a Luzir. Por sobre a cabeça de cada jovem apareceu um facho luminoso, como se cada um fosse um verdadeiro Arhat de Fogo, pois ali estavam se defrontando com o verdadeiro APTA na Face da Terra. Arhats de Fogo, Anunciadores, Arautos de Fogo, Mensageiros do 5.º Senhor com o Fogo que arde nas frontes dos IOVES ou jovens. Em seguida, o Mestre disse ser aquele o maior dia que a nossa Obra já teve, pois foi justamente no ano do equilíbrio a formação do Novo Pramantha com os Adeptos da Nova Era.

Os Cadetes do Ararat são, pois, os Cabayus, já que a palavra Cadete significa Cabayu ou “cavalo alado”. Os Cabayus do Brasil são, portanto, chefiados Aratupan-Cabayu, o Senhor do Fogo Sagrado, o 5.º Planetário.

O Novo Pramantha é constituído daqueles que têm a possibilidade de desenvolver a consciência interior, senão, aqueles que têm por missão fazer despertar a consciência interior das criaturas humanas, pertencentes ao Novo Ciclo, à Nova Era… O fogo produzido pelo atrito entre o Pramantha e o Arani é, justamente, o Twashitri ou AGNI, o Fogo Sagrado, o Fogo Plástico, na condição de AKTA ou Ungido, ou o mesmo VISVAKARMAN, o Criador, o Deus Único e Verdadeiro. VISVAKARMAN, em cada ciclo evolutivo, envia a sua 8.ª parte à Terra, o próprio Maitreya Budha. Daí concluirmos que o Novo Pramantha, agindo e chocando-se com a futura Humanidade, fará surgir em chamas crepitantes o Fogo Sagrado, TwashitriMaitreya… ou a Era, a Civilização de Maitreya.

O Novo Pramantha, que já está luzindo nos céus do Brasil, alcançará o seu máximo esplendor em 1989, quando terá início a projecção da REPÚBLICA TEOSÓFICA UNIVERSAL. Até lá, a nossa obrigação é cumprir o trabalho de preparação dos componentes desse Novo Pramantha: as crianças e os jovens da Obra. Uma das funções da nossa Instituição é, justamente, preparar, forjar, modelar novos Adeptos, para o trabalho no 5.º Sistema de Evolução, no seio da Humanidade. Os Irmãos não devem se esquecer que a Suprema Lei, após haver determinado a descida de todas as Linhas que compunham o Velho Pramantha, transferiu para a Instituição a responsabilidade de trabalhar pelo advento e preparo da Nova Civilização, transformando-a no único Colégio Iniciático no Mundo detentor da Verdade cíclica através da Boca de la Veritá, a Voz de Deva-Vani, capaz de iniciar e preparar o Homem da Nova Era. Devemos meditar muito a respeito dessa enormíssima responsabilidade.

Os jovens da Obra são, ou representam, sub-aspectos dos Irmãos que formavam o Velho Pramantha. Foi com muita propriedade que disse o 5.º Senhor no Colóquio Amoroso: “As crianças Me pertencem”. Por sua vez, a Lei friccionando, atritando os adultos da Obra, faz surgir as crianças, o Fogo Sagrado, a expressão de Twashitri. Sendo o 5.º Senhor o Senhor do Fogo Sagrado, logo, as crianças, o Novo Pramantha, Lhe pertencem.

Como sabemos, a Corte do 5.º Senhor, do 5.º Sistema, é formada por:

Os Dhyanis-Jivas ou Budhas, os Príncipes de Srinagar, os 7 Fragmentos do 5.º Planetário, espalham-se pelos Postos Representativos do Mundo, constituindo o Sistema Geográfico Internacional, trabalhando cada um, em sua região, pela evolução espiritual dos povos. Os Dharanis, em número de 49, desempenham a função de Colunas dos Dhyanis. Os Dwijas são Seres trocados na Face da Terra, em número também de 49, cuja missão é trabalharem no sector político. Os Yokanans, 49 ao todo, são os escolhidos para a linha da frente do Novo Pramantha, constituindo-se em verdadeiros escudos da Obra. Formam uma verdadeira barreira entre a Obra e o Karma negativo do Mundo. E, finalmente, as Folhas Soltas, em número de 68, trabalham na recuperação de certos seres… formam uma categoria especial.

De maneira que é do Roncador, como Omphalo, que saem as ordens do 5.º Senhor para a sua Corte espalhada pelos 4 cantos da Terra; é donde o 5.º Senhor comanda os seus Dhyanis, os Postos Representativos, desde 23 de Março de 1963.

O Venerável Mestre JHS, ao criar o Novo Pramantha, colocou os jovens da Face da Terra, da Obra, em relação com esses valores, principalmente com os Yokanans, cuja função, repetimos, é o trabalho da linha da frente entre a Obra e o Mundo. Os Yokanans são os Anunciadores, os Arautos, portanto, relacionados a eles estão os Cabayus da Nova Era, os Adeptos do Novo Ciclo. Criando o Novo Pramantha, o nosso Mestre libertou os Adeptos do Velho Pramantha da imensa responsabilidade de gerar os novos Adeptos, ficando com essa incumbência, unicamente, os Instrutores da nossa Instituição. Portanto, cuidado e muito cuidado Veneráveis Irmãos Instrutores, a vossa tarefa é árdua e de grande, enormíssima responsabilidade…

Em dias futuros, ficarão em São Lourenço Lorenzo, Paulo e Daniel, e no Roncador Henrique, José e Saulo, e, naturalmente, os jovens da Obra, que deverão se transformar nos Cavaleiros Andantes entre Ararat e Moreb, a fim de elevar a Nação do Avatara. Por força de Lei, são os componentes do Quinto Sistema representados pela Semente Inca-Tupi no Monte Ararat, e pelos nossos jovens. É nosso dever e missão trabalhar pela formação do Quinto Sistema Geográfico sediado no Roncador.

Devemos empreender a marcha para o Oeste brasileiro, rumo à região de Nova Xavantina, onde deverá fixar-se o Quinto Sistema Geográfico, a fim de assegurarmos a marcha futura da Civilização. Tão grande é o poder da Lei que mesmo os Bandeirantes, sem o saberem, eram atraídos para o Oeste, por uma estranha e misteriosa voz interna, e assim desbravar os sertões e as selvas bravias, abrindo o caminho para os seus descendentes.

Assim, com o nosso empenho, com o nosso trabalho, construiremos o Sistema Geográfico do Roncador. Para tanto, é necessário que nos conscientizemos dessa tarefa e que unamos esforços nesse sentido. Ocultamente, há 49 Adeptos Independentes organizando aquele Quinto Sistema Geográfico, preparando já a ambiência daquela região para os futuros acontecimentos.

Finalmente, a partir de 2005, virão os Dois Irmãos Inseparáveis, Apavana-Deva e Mitra-Deva, ambos, como Maitreya, fixarão na Terra o Império Teosófico Universal. Haverá uma só Bandeira tremulando nos mastros do Mundo inteiro, a Bandeira Branca da Paz, da Concórdia, da Fraternidade Universal. Apavana-Deva será o Senhor do Governo Espiritual e ficará em São Lourenço, como capital espiritual do Mundo. Mitra-Deva, Senhor do Governo Temporal, ficará no Roncador dirigindo os destinos da Humanidade. Estará então restabelecida a Concórdia Universal, com a formação da Nova Civilização. O Reino de Melki-Tsedek, dessa maneira restaurado na Face da Terra com todos os seus valores, dará nascimento à Nova Idade de Ouro.

Portanto, só nos resta dizer:

“Glória ao Roncador, que ronca sua dor, lança seu grito a todo o povo eleito, esperando que cada um cumpra o seu dever.”

BIJAM

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.