Poemas – Por Javier Alberto Prendes Morejón

Coleção: Figuras Místicas (Ateliê PM) – Javier Morejón

1

Tal cripta, o coração,

é a Barca do Sol fazendo a travessia

pelo mundo escuro

dos seres ainda apequenados

pela necedade e incultura.

2

Cristina – a Mulher que está porvir,

mães dos Cristos por sorrir.

Já seja Ísis ou Maria,

já seja rainha ou santa peregrina.





Do Ganges ao Eufrates,

do Eufrates ao Nilo,

do Nilo ao Tejo sibilino

e do Tejo altivo ao Mississipi,

e do Mississipi ao Amazonas

e do Amazonas ao Prata

– a Raça Dourada que está por vir.

3

O melhor, nesta Era Obscura,

não está onde todos estão.

Acha-se defronte ao esquecimento,

defronte ao vigor, à beleza

tão inaudita e tão amesquinhada

pelos homens.

4

O coração é um Campos Elíseos,

um Mar de Juncos… ou o Tártaro abominável!

A vida é um moinho, um moinho fantástico,

onde a realidade é o Mistério.

5

Este mundo-lacrimário

é um ergástulo

onde canta o rouxinol

e não é ouvido.

6

Deus, o Eterno: em Ti repousa meu Ser,

ontem como agora e amanhã, eternamente.

Eternamente em Ti suspiro e vibro,

eternamente em Teu páramo infinito,

para sempre em Teu útero eu vivo.

Em Ti, ó eterno e insondável, está a razão de ser da vida,

e os teus Mistérios são as flores do amanhecer.

7

Perder sem perder, na descida,

a luz oculta diamantina,

pois no fundo forte brilha,

– manso e grácil -,

o Sol oculto que em todos vibra.

8

Este saber, este Arcano Secreto,

este clausural conhecimento

ocluso às massas e tido como negro ou absurdo,

não se destina às mentes impúberes,

àqueles que estão fora do templo.

9

Por amor à vida muitos a perdem.

A bandeira da Liberdade

não tem nome, cor, partido ou raça.

Ela é por ser ela mesma e à si basta.

Só o Amor é seu lema: a Fraternidade.

Coleção Ganso Primordial e Itinerário de IO (Ateliê PM) – Javier Morejón

 

10

O Tempo é o sepulcro dos corpos,

a Eternidade onde os espíritos sempre hão de estar.

Não é a morte que devemos temer,

mas a vida sem norte.

O Amor é o fanal e a Arte o seu lídimo espelho

onde revela-se a beleza da alma.

 

11

Chatice é viver recluso em palavras,

Trocando sempre miúdos

Sem valor ou precisão.

 

12

Os mortos estão vivos

e os vivos estão mortos.

A vida é uma tumba para o corpo

e uma seara à imortalidade.

 

13

A estrela que mais rutila,

a estrela de meus olhos flamígera,

a gema preciosa que é minha vida

é justamente a que não vejo

e a que vive eternamente embevecida.

 

14

A consciência está além de partidos,

porque a consciência é global e não partida.

Se a consciência é partidária,

é porque está partida.

Assim, não é na parte, mas no todo,

onde está a clareza e a verdade. 

 

15

O tempo que coube-nos

cabe em nossa palma

ou há de extrapolar?

Coleção Quadros Pequenos – Figuras Místicas (Ateliê PM) – Javier Morejón

16

Deus nos fez belos, esplêndidos,

mas nós insistimos em sermos feios.

A formosura não está em acreditar,

senão como início de estrada,

mas em saber com perfeição

aquilo que é tal como é.

 

17

Quem vive para servir sem diferenciar é sábio.

Quem renuncia às facilidades dos gozos e das ambições mundanas

reconheceu que essa é a vida dos comuns, o caminho oposto

aos que andam no fio da navalha, tão estreito e íngreme é o caminho.

E por reconhecer em si uma eterna luz esmeraldina, jamais inextinguível,

é que assumiu-se como resto esquálido do tempo, ou melhor,

o seu corpo tão diminuto, tão-só um reflexo e carruagem de uma imagem superior.

E por isso não partilha das vulgares efemérides, dos saltimbancos das praças públicas,

do cesarismo monopolista e arbitrário, dos liames da guerra e da paz falsa.

É ser de elevada cultura onde religião, filosofia, ciência, política, arte, céu e mar estão

todos contemplados, porém, a nível supra-humano. Estado deífico de seres superiores

como os do Gobi, dos Himalaias, das concavidades ocas do fundo da terra…

Plagas invisíveis a que se conduzem, assumindo a verdadeira forma de seu Ser.

E por saber entender-se-á a crisálida em ruptura, a larva que enfim tornou-se livre

da carapaça, do invólucro físico, e agora – por fim! – alça voo ao céu infinito.

 

18

Mi papá vive en el cielo,

eternamente oscuro.

Su luz es su hijo,

yo y tú.

 

19

[O Naufrágio dos Sentidos]

 

Que hodierna compleição esta,

do mais cru ateísmo,

que não enxerga com os olhos

do espírito e somente com os

olhos físicos!

 

Depositando nestes a “realidade”,

de certo ela nos ludibria,

muito maior e ampla

que o estreito sulco

de nossas vãs filosofias.

 

Fugata infeliz

malfadada ao fracasso.

Precoce é a ignorância

e lépida a sabedoria.

Uma irrompe,

a outra aguarda.

 

Ó homem de barro,

ó homem de argila,

que vã presunção

tomar a realidade

pelos cinco sentidos!

 

Isso, por acaso, é Sabedoria?

 

20

Se parássemos para ver,

veríamos que não vemos.

Somente vê-se com os olhos

quando abre-se o peito.

E é, realmente, quem sabe

que é o que não chega a ser.

 

Coleção Quadros Pequenos – Figuras Místicas (Ateliê PM) – Javier Morejón

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