A Potência – Por Javier Alberto Prendes Morejón

Fazer estrelas de excremento de cão, eis aí a Grande Obra!

Um Naldjorpa do Tibete

Hércules e o Leão de Neméia

1. Desenvolvimento da potência pela vocação ou pela aquisição das possibilidades vocacionais afins a cada indivíduo.

O que é a potência? A potência é a manifestação e a expressão concreta das faculdades inerentes à essência espiritual do homem (que decerto possui seus próprios meios de percepção sensorial e cognitiva…), esta que por meio daquela busca enriquecer-se e adquirir consciência de si própria, em especial de sua Origem, através do trabalho interno e externo, no Mundo dos Efeitos (o Terceiro Trono, abaixo do Mundo das Causas ou Segundo Trono,no qual são elaborados os arquétipos universais, fonte e manancial de toda ideia pura da Mente Divina, ou simplesmente a realidade circunscrita à matéria densa neste Mundo Sublunar), posto que potência, ação e movimento se autoidentificam e são inseparáveis (daí que a inércia, reduto do marasmo personalístico, força centrípeta, representar o elemento tamásico ou grosseiro do mundo em discórdia, abalouçado, portanto, pela mediocridade, e sendo a esfera contrária ao depuramento e refinamento das autocapacidades ou da potência intrínseca, que, se não é exercitada, fica estanque ou até mesmo definha, tal como ocorre com os músculos do corpo, a agilidade, etc. etc.). É a esfera onde o homem lapida aquilo que existe potencialmente em si próprio, ou seja, o que existe nele como possibilidade passível de ser desenvolvida, assim como extraviada por razões várias. A potência, assim, precisa tornar-se presença (a força latente fazendo-se força patente…), aspecto manifestado e concreto, realidade tornada vívida. Tem-se assim a trilogia essência/potência/presença. O homem é o resultado do esforço investido em tornar tais aspectos superdesenvolvidos, ou, enfim, qualquer resultado obtido relativo à tríade apontada. Tal relação faz-se na mesma medida do composto heterogêneo (que deve tornar-se um dia homogêneo ou harmônico, pura integralidade) espírito/alma/corpo.[1]

O desenvolvimento da potência é o maximus individual com relação à totalidade das faculdades humanas – físicas, psíquicas, mentais e espirituais. O homem geralmente desenvolve-se em partes menores, do amplo conjunto a que pode ter acesso: por um lado, falta de condições econômicas e bioambientais, por outro, inércia diante do que jaz subdesenvolvido em si próprio, ou falta de vontade precedida pela falta de foco, atenção (falta de Dhâranâ…) ou interesse: uns focam-se na área física, enquanto nas outras esferas – a psíquica, a mental, a espiritual – fica-se lamentavelmente estagnado ou involuído, sobretudo até o término da juventude ou/e a estruturação de uma família, ou algo que represente um sacrifício maior que os meros interesses particulares.

A potência superdesenvolvida[2] faz do homem um gênio (se medianamente, faz dele um homem de talento, mas não de gênio, este que muitas vezes é revelado pelo aspecto dor ou rigor, desde cedo manifesto na vida ordinária da coletividade humana, embora em alguns com extrema intensidade – “azar” concorrente, vez ou outra, a grandes glórias…), numa linha, tônica ou direção qualquer – os maiores dos quais realizando-se em diversas delas, chegando à maestria plena em Artes, Ciências e Filosofias. Este é o clássico Polígrafo, Polímata, o Erudito ou Sábio Universalista, o Homem Renascentista por excelência, também o Adepto Hermético, o Mago, que em realidade é um mesmo arquétipo universal atemporal nascido da tradição milenar, desde os evos remotíssimos dos povos pagãos, e plenamente inserido na linha de pensamento sincretista, analogista e harmonista, já de si advinda dos Mistérios Maiores e Menores ministrados nas Escolas de Sabedoria Divina, a Ciência dos Super-Homens, Jinas, Sedotes, Adeptos, Iluminados, Mahatmas. A cultura e a consciência universal ou cósmica provêm dos Anjos, Arcanjos, etc. (ou dos Sete Seres Primordiais, as Sete Grandes Potestades Cósmicas ou os Sete Luzeiros, os primeiros seres vindos à existência ativa no Mundo Manifestado, e pelo evolver de sua Evolução encarregados – eterna rota ou ronda… que presidem) indo de encontro aos homens mortais, que os tomam como padroeiros, assim como tomam como padroeiros – nesta escassa cultura teosófica que abunda no mundo – as Forças Primárias da Natureza (os Elementais), os Elementários, e tal como tudo que esteja além da condição humana ordinária, por exemplo, homens desencarnados ora tomados como “divinos” ou “semi-divinos”, ou como sábios conselheiros, pelo simples fato de estarem num mundo supostamente “espiritual”, embora ilusório e transitório como tudo o mais, e também prenhe das mais variadas escórias abusivas aos ingênuos e bem intencionados sensitivos da terra, no geral absolutamente indefesos; também o homem adorará os líderes proeminentes da nação, da tribo, etc., que se destacam por algum fato, tomando-os como “deuses” igualmente (a grandessíssima maioria dos quais não serão de estirpe divina, nem de longe, de todo indignos desse apodo, e tão-só pseudomessias ou pseudoheróis)[3]: tal característica humana origina-se na ignorância a respeito da Vida Oculta no Universo (aos olhos físicos), derivada da ausência de Iniciação real, do temor ao desconhecido, à morte, do conforto por proteções alheias ou comodismos primitivos ou civilizados, assim fundamentando-se e estabelecendo-se o fetichismo do homem para com o homem e para com a Natureza e seus fatos ocultos.           

Do que fica implícito, do até aqui dito, que todos seremos iguais em essência, mas completamente divergentes ou desiguais em potência e mais que tudo em presença[4]; e que a educação integral deve partir do reconhecimento da essência imanente (aspecto místico por excelência) para avançar então ao aspecto dual que lhe segue. Mormente o comodismo geral da humanidade, ainda atávica ou tamásica, seu desiderato civilizacional tem como escopo o superdesenvolvimento da potência em tudo quanto seja humano ou inerente às faculdades humanas, que hão de ser de uma variedade infinita, embora sintetizadas tradicionalmente, em razão pedagógica e através de diversas escolas, em sete escalas ou segmentos, também como em quatro, doze, oito, três e nove partes[5]. No que vale relembrar a célebre máxima de Terêncio: “Sou homem: nada do que é humano me é estranho”.

Que os homens não queiram ser mais do que são hoje, ou que só queiram ser um pouco mais, é mesmo pior que nada, embora depor peso demasiado sobre os próprios ombros seja igualmente contraproducente e, ao fim e ao cabo, frustrante e paralisante. Enquanto assim continuarmos, porém, só poderemos reduzir a condição humana em termos breves como: pó, cinzas e desolação. Não se atina, por acaso – na escoliose mental e moral evidente a que vivemos sujeitos -, que nada justifica a vista efêmera e a vontade frágil, uma vez dotados da força das forças – o Espírito, o Eu-imortal – feito ser pensante em carne e osso no eterno vai-e-vem das formas? Razão principal disto, além da falta de visão, é a indisciplina, contra a qual se insurge a verdadeira Iniciação – aliás, tanto a hermética ou teúrgica, quanto a marcial ou senhorial.

Todos os DONS antecedem a alma, visto estarem contidos no espírito – arcabouço de todas as qualidades positivas e, portanto, divinas -, mas necessário se faz que os mesmos sejam devidamente vivenciados e alargados pela experiência humana, algo assim como que digeridos pela alma através do corpo – seu veículo inferior, tal como ela é o veículo inferior do espírito, a Mônada imortal -, cujo influxo vitalizante é transmitido à Mônada, que assim se expande de minúscula fagulha a exorbitante sol no transcorrer inumerável da vida do Ser na Eternidade Manvantárica – do brio irrisório e acinzentado do bárbaro ao resplendor irisado de um Arcanjo… Os dons, portanto, nascemos com eles ou temo-os como possibilidades a serem colocadas em prática, em número infinito ou, no mínimo, gigantesco. A Lei do Karma ou de Causa e Efeito, Justiça Divina, é a única tese capaz de explicar por que ora uns nascerão com tais e tais habilidades inatas e outros não, aparentemente tão desvantajados. Pois aquilo que numa encarnação o homem exerce e desenvolve com mais ou menos desenvoltura e excelência, fica registrado, impresso, para sempre, como uma fotografia espiritual, em sua Mônada: memória e potencial inextricável da mesma, ou filtro seletor do que o homem quando encarnado experimentou e fez de melhor, perante o Eterno e o seu próprio Eu. Tal ou tais dons são herdados, logo, para uma próxima vida, e neste ponto é que os homens são absolutamente desiguais: porque uns correram largas distâncias em breve tempo, como céleres felinos, enquanto outros parecem possuir o ritmo de tartarugas e lesmas, pouco ou nada avançando de vida em vida – seja com relação aos dons físicos, mentais, morais ou espirituais – e mesmo regredindo no muito ou pouco que até então conquistaram atesourando em sua alma. Há ainda aquelas levas de almas (jovens-almas, almas-impúberes, ainda atrasadas, verdadeiros sudras do ponto de vista psicológico) que por último adentraram o ciclo de encarnações humanas – possivelmente até ou antes do esvair definitivo da Raça Atlante, daí em diante não vindo à tona Mônadas ainda presas às Almas-Grupo dos animais superiores[6].    

Quem tiver todos os dons desenvolvidos – por muito aprimorado ou vivido na Eternidade, de Ronda em Ronda, de Cadeia em Cadeia, de Globo em Globo – esse será, naturalmente, o verdadeiro Don, isto é, o verdadeiro Senhor, o verdadeiro Guia, o verdadeiro Pater (o FILHO ILUMINADO, feito ADEPTO do mais algo galardão). Demos a este o nome de Senhor dos Povos (MANU), de Baluartes da Cultura, de Escadarias Vivas da Consciência.

Reta razão ou loucura? Cada homem deve saber julgar por si próprio, e unicamente através de si próprio, através do estudo e da experiência. Cada homem deve saber saber para saber ser e ser para saber morrer, que é tudo!  

  

O Ancião dos Dias, o Logos Planetário

2.A função da Arte na elevação da consciência e como sucedâneo às dores físicas, psíquicas e mentais. Bálsamo espiritual! Seara da Beleza feminina jungindo-se à Sabedoria do Pai. Vênus e Mercúrio em consórcio, amamentando o filho Marte, natural herdeiro de seus valores.

Rara é a percepção da Arte como normativa na educação e na elevação das consciências para além dos teatros e espetáculos chamativos e fantasiosos carentes de sentido tradicional ou iniciático. Toma-se por vezes símbolo o que é, antes de tudo, realidade viva ou morta; noutras ocasiões, toma-se por realidade aquilo que está circunscrito a uma significação tão-só simbólica. Tomar-se por abstração imaginativa o real, e o real por fábula, é próprio do gênero humano chafurdado e desavindo em sistemas educacionais ainda de todo imaturos e filosoficamente desenraizados das antigas matrizes, particularmente das influídas pela tradição hermética e platônica, no Ocidente, e das velhas escolas de sabedoria do Oriente.

Arte, hoje, tornara-se ode ao divertimento sem instrução ou profundidade; fora esvaziada de seu sentido libertador através da reflexão crítica e da inspiração dando a ver uma moral acima de lados, acima de polaridades extremistas, para verter-se irrisoriamente na inércia psicomental acostumada ao mínimo de gasto energético (lei de menor esforço… imperatriz do mundo em ruínas), assim criando um círculo férreo de marasmo de eterno mais do mesmo em cores novas com jeitos velhos, jeitinhos malandros, acariciando os gostos fáceis das modas correntes, fazendo nutrir e despertar as paixões humanas afim de maiores audiências serem alcançadas e com isso o êxito financeiro de alguns em detrimento de muitos com o consequente domínio da mente coletiva, esta que age tal qual um rebanho segue o seu pastor… pouco importa que o guia seja falso, levando ao precipício ou às fornalhas da mediocridade a alma, cingindo-a ao perpétuo atavismo humano em ares de podridão contumaz de seres erráticos, incapazes de compreender o gosto por uma beleza superior alheia à pequenez estética das frivolidades hodiernas, nisso o contemporâneo sempre crendo-se superior ao que lhe foi passado e servira de substrato, algo como o adolescente de hoje crendo ter sido o mundo criado ontem e tão-só o seu critério ser válido e sua compreensão a única possível, pois é, supostamente, a “progressista”, a isto e aquilo… enquadrando tudo e todos nas rédeas da compreensão – parcial e preconceituosa – própria e particular de seu tempo presente, isto é, com a vara estulta e mefistofélica dos impúberes…

As maiores elevações percebem-se nas maiores miudezas. Daí que a Arte é nada mais que o sentido continente da Natura Naturada, posta no teatro infindo da Natureza, este anfiteatro das coisas belas e boas criadas pelo Eterno, ou pelo Eterno elaboradas. À diferença, evidentemente, das capacidades do Reino Animal, onde a mente fica latente num mínimo nos animais superiores, para ser transposta doravante no palco cênico do pensamento humano, a pedra molar da Natureza, o verdadeiro instrumento de entalhe do Universo. Sendo a Arte o espelho da Beleza e da Alma, temo-la como feminina, ei-la por isso mesmo ligada à Lua (que há de trasmudar-se em Vênus um dia…), e embora aferrada também a um sentido masculino, aguerrido, com relação à necessidade da crítica voraz, na forma de denúncia, divulgação, ilustrar e interpretar com beleza. A Ciência há de gritar em seu balbucio contínuo e produzir sons aberrantes que a todos molestam e a todos prejudica a saúde, por bastante tempo ainda; a Arte, como sempre, a produzir harmonias serenas e suaves clarões do pensar ao luar e à luz estonteante do sol, e despertar a vivacidade triunfante e alentadora pelas coisas miúdas como o vento, o orvalho matutino, e a inspiração de toda sorte obtida graças ao teatro dos Reinos Inferiores da Natureza, que sempre hão de ser mote e logradouro mental às excelsitudes dos voos da alma!

A Arte que se requer, portanto, é uma Arte transcendente, com verossímil fundo iniciático, ou seja, uma Arte pedagógica aos Arcanos Maiores e Menores, no que vale dizer Arte da Iniciação e Iniciação à Arte. Não é, desde logo, a Arte profana esvaída do substrato perene que lhe dera nascimento em tempos primordiais… filha bastarda que é da Ciência dos Super-Homens. Como, entretanto, as antigas pátrias de Mistérios hoje não passam de revisionismo acadêmico em ares de “eras imaginárias”, o que corresponde ao enunciado de nossos sábios e poetas céticos, ateus, profanos, e mesmo muitos de cariz religioso[7]… algures acha-se tal Arte assim colocada, encoberta de todo, para ser redescoberta, revalorizada à luz do futuro, quiçá não tão distante assim.

Arte para o aperfeiçoamento dos sentidos comuns e o despertar dos superiores ou ainda ocultos; Arte para a educação do caráter pelo cultivo do Bom e do Belo, que sempre hão de refletir o Bem da alma na essência do Logos Universal; Arte como alimento dos olhos e apuramento dos ouvidos; como nariz farejador ou tato do que vale a pena, do que tem valor e profundidade; como meio de discernimento, portanto; como meio de sustentação da saúde corpórea e psicomental, e assim, atrelada também à longevidade da vida física; Arte como humor revelador da inteligência e da despretensão com relação ao mundo e seus delírios e conchavos; Arte como dramatização das Leis da Natureza, como exemplificação da Epopeia Humana no Evolver dos Ciclos Universais; como ponte entre os Ínferos e o Pombal Celeste das Aves de Arribação; Arte, assim, que é água misturada ao fogo.

No que é belo acha-se Deus, pois toda beleza provém do Belo (a Suprema Beleza). Não referir-se-á, com isso, especificamente à beleza física, esta que hoje está a ser um quinhão evolucional em boa medida bem trabalho, embora o que vai por dentro da vestidura de carne e ossos esteja deixando a desejar em tantos e tão vastos sentidos, prova do hedonismo estético das aparências em palcos de vaidades, tornadas verdadeiras indústrias vivas adinheiradas produtoras dos novos supostos “semideuses olímpicos”… Quer-se reproduzir a forma ideal grega do corpo físico, porém, apartando-se desse intento a Filosofia e mais que tudo o Caráter. Fica, em consequência, a personne somente, a máscara bela e bem disposta, porém afunilada em nulidade existencial. Decrepitude, enfim, feiura sobretudo na expressão, esta que vai mais além dos músculos treinados e das linhas geométricas, por referir-se à qualidade da alma. Daí que muitos não tão belos assim sejam, no entanto, belíssimos por terem expressões e posturas físicas agradáveis e ritmadas, profundas, e são estas, em parte, que distinguem os seres superiores das gentes comuns.

A Arte, antes de tudo, deve corporificar teatralmente – com o devido amparo musical, pictórico e têxtil, por sua vez amparado nas cores, números e símbolos exatos – os magnos mistérios da Criação do Universo e do Homem. E assim também o sentido da vida humana na Face da Terra. Esta é a Arte do Futuro, porque hoje os homens não dão atenção quer a si mesmos quer ao conhecimento emancipado, o verdadeiro autodidatismo, escorando-se sempre nesta ou naquela Instituição, em geral mirradas.  

Poucas coisas surtem um poder tão nefasto na mente humana quanto a Arte mórbida, já que conduz a estados de espírito desse mesmo feitio, contribuindo para o alheamento do Espírito em relação à Alma, esta que se torna cada vez mais dissociada daquele que lhe serve sempre de escudo e amparo invisível – a Voz da Consciência, o murmúrio interior, a mesma voz do arrependimento, do sacrifício e do perdão, a voz do êxtase[8]. Também a Arte vendida ao erostimo sensualista, querendo mostrar-se como progressismo libertador do sexo e contra o puritanismo conservador de caráter religioso, nada pode contribuir para a Iluminação humana, antes contribuindo com a sua derrocada na pura animalidade. Nisso o homem civilizado moderno nada tem de elevado, e sim de idêntico aos bárbaros selvagens, para os quais sexo, luta, comida e sono constituem tudo. A vida contemporânea, em boa parte, está pautada somente na luta pela sobrevivência acérrima afim de manter-se uma série de gostos mórbidos, extremistas, pornográficos e ostensivos, por imperar nela a imagem e não a substância, o número e o não o noúmeno, as aparências à filosofia.

Arte e Ordem correspondem-se. A Lei é Perfeita, e por ser Perfeita é bela e boa, e todo bem se encontra nela. A beleza, portanto, assenta-se em razões matemáticas e geométricas, por todo o Universo ser o mesmo que uma Grande Obra de Arte pautada por cânones universais. Daí o Divino Pintor ou Geômetra.

Não é possível achar beleza na anarquia. Linhas desfiguradas e cores antievolutivas, passadistas[9], ornam a feiura com sua lúgubre beleza. Arte para estados patológicos, de karma asfixiante… É a Arte como se fosse para o Deus Moloch e sua Corte sinistra. Colunas e estátuas de bronze em ode a ritos macabros… Tal não diz respeito à Arte divina ou divinizada, por ser uma expressão agradável ao Eterno, e com cores bastante distintas.

Note-se que em Arte a simetria perfeita não implica profundidade nem beleza superior, bem como a técnica mais complexa não garantir coisa alguma, nem a obra poder ser honestamente avaliada antes de ser concluída, que a beleza só se revela notória no produto final, dadas as cinzeladas últimas e os retoques imprescindíveis, e para isso a paciência e o perfeccionismo são valores irrevogáveis. Pior que tudo isto é a Arte conduzida sem paixão. Pena vendida, pena maldita!, diz o adágio. Uma nota errada ou por cima passada não é nada frente o homem sem ardor, pois neste caso é um executor e não uma Fonte Viva. É com acerto que diz Beethoven: “Tocar uma nota errada é insignificante. Tocar sem paixão é imperdoável.” E, enfim, a mesma coisa vale para com a vida.

Sendo o conjunto belo e significativo, o refinamento técnico é o de menos. Se se tem, porém, a técnica primorosa aliada à ideia e ao sentimento pungente, de caráter superior, tem-se então uma combinação ideal elevada aos píncaros da potência e da beleza. Ao contrário do que deveria ser, vê-se atualmente a primazia da técnica em detrimento da profundidade – muito menos daquela embebida nas alturas celestes da metafísica e simbologia iniciática. Os atuais artistas herdaram a evolução material das Artes Plásticas, mas empobreceram-se com o tempo no que tange à espiritualidade real, ao sentido filosófico e simbólico profundo, mais além de escolas e figuras profanas. Vigora, sim, de um lado, uma massa gigantesca de expressões e imagéticas juvenis, como essas dos gibis e estórias em quadrinhos de origem nipo-asiática e norte-americana, totalmente infantis, ou aquelas outras das tatoos… estas com certo gosto pelo misticismo, porém sem valia simbólica e filosófica alguma, muitas vezes apenas descambando num sentido sinistro e erótico evidente, pois a morbidez é companheira e sócia do sensualismo. Também as mandalas ficam na moda, e a Geometria Sagrada, mas no final não há cânone algum, não há saber algum: trata-se, antes que tudo, de adornos querendo se passar por “esoterismo”, por espiritualidade. E a Arte das academias, a dita Arte Contemporânea… essa é mais que pusilânime: é nada! Esvaziada por completo da compreensão correta dos símbolos, fica no terreno da especulação movediça (hoje isto, amanhã aquilo…), e mais longe fica ainda da vivência real da qual o símbolo é apenas uma expressão subjetiva, ou seja, mal entende-se de simbologia e menos ainda vivem-se os valores práticos dos símbolos, que não possuem valia se não forem precisamente compreendidos nos seus mais variados sentidos nem se não forem postos à prática pela experiência direta e vívida. A falta de sentido é a mania contemporânea escorada em filosofias niilistas decrépitas, antifilosóficas, céticas e ateias. Tudo isso será pós-modernidade, e esta não passa de modismo efêmero fruto de uma mentalidade filosófica decadente decantada na angústia sem rumo, sem direção, por não saber-se ver além das paredes usuais. Ou é a relativização absoluta ou a negação absoluta. Tudo isto, enfim, é falta de ESPÍRITO.    

Se fizéssemos como os mestres artesãos, criando obras perfeitas, com relação a nós mesmos, talhando-nos em caráter e inteligência verdadeiramente humana e logo divina, tornar-nos-íamos, então, também perfeitos. Tal é a FINALIDADE da vida humana. Vale recordar que o trabalho do filósofo é semelhante ao procedimento do artista para a consecução de sua obra, como nos recorda Plotino nos seguintes termos:

“Recolhe-te em ti mesmo e vê. Se não te achares suficientemente belo, faz como o escultor que acaba de esculpir uma estátua: ele corta aqui, aplaina ali, dá mais ligeireza a esta linha, torna aquela mais pura, até que o conjunto seja belo. Faz como o escultor: corta o que é excessivo, endireita o que está torto, traz para a luz o que estiver na sombra; faz, enfim, com que a beleza resplandeça em toda a parte de ti mesmo. Não cesses de cinzelar a estátua até que a vejas brilhar com o esplendor divino da virtude, e estejas bem certo de guardar a perfeição final num santuário sem mácula.”      

A alma em seu Deus e em Deus embriaga-se. A poesia, a música e a filosofia são pilares prístinos. A cumeeira é o amor que em um só laço tudo une e sem o qual nada vale ou triunfa. Conhece-se a Deus a si mesmo conhecendo. Numa sociedade onde a poesia e a filosofia não têm lugar, e na qual a música fora reificada comercialmente e sua transcendência inata depauperada, não trata-se de sociedade de homens, mas oceano de nada, mar de esterilidade, teatro de ventríloquos.

3.A Educação Pública como mola propulsora da potência individual e da virtude fraternal.

Poucas coisas são tão simples quanto lograr o aparentemente difícil, e isto porque a ausência de visão e vontade, e de unificação entre os homens, ser o grande mal da vida coletiva, mal que usurpa dos mesmos todo sentido de felicidade, que para existir deve colocar-se à frente a realização do homem em todos os âmbitos, sobretudo naqueles que lhe são mais afins. Disto trata a potência, a educação e a liberdade; disto depende a própria vida humana, o próprio existir mais além do mero subsistir. Uma educação não voltada, do princípio ao fim, ao desenvolvimento e aprimoramento da potência, não é educação em verdade, é tão-só uma fachada para o embrutecimento, o individualismo egoísta e a uniformização alienante das consciências. Maquiavelidade premeditada de antemão, dir-se-á, e com inúmeras razões.

Antes de tudo, extermine-se o analfabetismo, o semi-analfabetismo e cultive-se o pensamento crítico, autônomo e auto-didático; dê-se acesso irrefreável e ilimitado à cultura universal, que assim se constrói gentes de valor e capazes de se autodeterminarem. Presas ignóbeis dos poderosos, das elites autárquicas, o povo deve exigir e deve vencer pela pena, esta que é a força motora de todo Renascimento, de toda Era de Ilustração, pois não pode-se verificar Evolução desde que o homem, ser pensante, não tenha acesso à cultura. Se o homem diferencia-se dos animais pelo pensamento, logo, todos hão de ser filósofos, ou deverão passar a filosofar, para assim serem dignos do título de humanos. E, se a metafísica é a expressão mais elevada do mental abstrato, o arrojo da filosofia idealista, todos hão de ser metafísicos para também serem dignos de tal apodo, hoje tão vulgarmente propalado em ares de autoconvencimento estéril. E que importância se dá à Filosofia e em especial à metafísica, em nosso mundo? Do que conclui-se, ora, que o homem pensante é ainda uma meta, um ideal a ser logrado, pois hoje vê-se apenas automatismos, mimetismos, copismos e falta de pesquisa: todos estão encerrados no círculo minúsculo de suas referências culturais, grosso modo, simplesmente miúdas e inferiores aos verdadeiros clássicos, muitos dos quais indesbravados, embora alguns conhecidos ao menos de nome.

A seguir, a educação para a potência balizada na virtude da fraternidade, que é nada mais que outra palavra para amizade real e verdadeira, que todos sabem quase inexistir nos tempos atuais. Neste mundo, mal se tem tempo (ou se quer ter… dá no mesmo) para o outro (e como ajudar o mundo, se nem se dedica tempo para ajudar o próximo logo ao lado, àqueles que dizem serem seus amigos e confrades?); elogia-se o que não passa de dever, modo este, sorrateiro, de desvirtuar os que fazem algo bom, justamente para fazê-los decair e assim prostrarem-se à mediocridade coletiva; encômios que, enfim, são adagas contra o peito. Por isso mesmo, o desprezo a si próprio deveria ser, em qualquer sistema educativo, a pedra moral fundamental: despreza-te, que assim olhar-te-ão melhor os melhores e os maiores, de animais, humanos a deuses. Luta contra o amor-próprio, portanto; luta pela humildade, e esta é renúncia e sacrifício pelo dever autoimposto. Cada homem deve ser seu próprio juiz e seu próprio pai.

Valores cívicos prementes em toda filosofia verdadeira, e desta infundida nas religiões que espelham, ou deveriam, os deveres morais de cada homem perante si próprio, perante os demais e o Eterno. Valores cívicos de uma ética transcendente, sem os quais haverá somente competição ilimitada e opressora, fazendo de irmãos digladiares numa arena torpe e sem sentido. Tal é o mundo dos homens; tal é a conduta da insensatez.

Para que tudo isto ocorra deveras, como sugeri e detalhei em trabalho anterior, mister se faz a reformulação da didática e da estrutura organizacional de nosso sistema educativo público, posto que o sistema privado não diz respeito à pátria, senão a um clube de burgueses mais ou menos ricos. O povo também será burguês, sobretudo no pior da mentalidade burguesa, que é o fato da ostentação e aquisição de bens e propriedades, o gozo pelo espetacular, pela adulação alheia, pela vaidade de autoimagens, etc. etc.; porém, o Estado e a Sociedade Civil devem ater-se ao setor público, que este diz respeito ao Povo, logo ao grosso da população nacional.

Foi-se o tempo dos tutores particulares; foi-se o tempo da relação Mestre-Discípulo (pobres das Academias, cujas aulas não passam de teatro entediante, em que ninguém conhece ninguém de fato!); foi-se o tempo em que o pedagogo era sábio e respeitado como tal pela comunidade, e sua profissão valorizada e suprademandada; foi-se o tempo em que ele era o árbitro a que todos recorriam para a mediação dos conflitos, e seu aconselhamento precioso para a sanação das dificuldades surgidas; foi-se o tempo da elegância igualmente, da polidez e de homens que mais pareciam arquétipos vivos, para hoje abundar tipinhos inferiores sem originalidade alguma.

Jovem é o Ocidente, e sua mentalidade, naturalmente, juvenil[10]. Jovem é nossa civilização humana na Face da Terra, diante dos inumeráveis ciclos da Vida Universal. Acrescente-se a isso a terrível Kali Yuga, e entender-se-á, por um lado, o por quê relativo das misérias dos dias de hoje, ou melhor, de tantos milênios, quiçá milhões de anos de evolução humana.

A ideia não poderia ser mais simples: poucas matérias obrigatórias e muitas, muitíssimas opcionais ao gosto seletivo de cada um, esmerando o verdadeiro apelo de sua alma, o impulso genuíno, em síntese, nas áreas física, artística, científica, filosófica e espiritual (yogas, mantrans, visualizações, meditações, pranayamas, etc. etc.). Poucas horas de aulas obrigatórias, muitíssimas horas, a parecerem quase infindas, de atividades escolhidas por gosto próprio, por bel-prazer. Comece-se por aí, que pelo caminho por onde se vai atualmente, só o que encontraremos à frente são precipícios, dores de cabeça, nervosismo juvenil precoce, a levar a suicídios, desesperos e revoltas descambando em narcóticos, violência, embriaguez, credos sócio-políticos radicais, além de erotismo sem reservas.

Em segundo lugar, esqueça-se e supere-se a memorização estéril a que desde cedo somos submetidos, que jamais será assimilação, com suas fórmulas sem sentido para a vida prática e filosófica de cada um. Em terceiro lugar, infunda-se fraternidade e intimidade com atividades grupais de todo gênero e com o testemunho pessoal dos tutores e estórias didáticas a respeito dos valores cívicos, usando-se para isso também a mitologia, brincadeiras, os contos infantis, que é coisa esta bem prática e chama mais atenção e desperta mais interesses que conceitos e teorias rígidas. Em quarto lugar, retome-se a relação verdadeira entre um pedagogo e um aluno, isto é, aquela relação prática e direta do convívio diário, este que revela quem é quem de fato, e o quanto cada um realmente sabe e sente em verdade.

A escola é tão-só um teatro-prisão. Ali tanto faz como tanto fez. Escola para deprimidos e revoltados, e uma maioria de apáticos ou indiferentes. Escola, tristemente, sanguessuga da vida. Terrível fardo a quem esteja um pouco mais à frente dos seus…

Diga-se de passagem, os verdadeiros pedagogos nesta vida mísera em forma humana, tem sido sempre as mães, por viverem com seus filhos a relação direta e íntima, a mesma ocorrida entre Mestre-Discípulo, elas também responsabilizando-se pelos erros de seus filhos, e com eles sofrendo até a última lágrima. Só as mães – as verdadeiras – não abandonam seus filhos, pese o que pesar. Só elas sabem inatamente o que é o perdão; só elas sabem o que é espiritualidade, ainda que o facho que as iluminem seja trêmulo e fraco.

Ora, imitemos as mães, as sigamos em seu exemplo salvador, porque são elas que fomentam nosso caráter como ninguém, enquanto a cultura masculina fomenta apenas uma conduta moral egoísta e um intelecto empírico. Na mulher há intuição; no homem raciocínio, comumente raso e preconceituoso. Toda religião não é nada mais que o fruto do sacrifício e do amor materno. Há que se ser mulher, misturada à força viril masculina, para se ser sábio realmente.

Morrem-se os pais, mas nada dói tanto aos humanos quanto a morte da mãe, generatrix do Mundo. Nenhum vínculo mais forte! Nenhum vínculo mais sagrado! Que Marte poste-se fora do Templo para a sua defesa, o primeiro e o último a cair, é por amor àquela dentro dele está, cuidando e acalentando o Fogo Sagrado que em todos habita, e igualmente em defesa dos Lares. Faz com Agnio mesmo que com seu filho, acolhido e recostado em seu seio. Daí que a verdadeira educação seja uma ode ao Eterno Feminino, à Mãe Divina![11]

AT NIAT NIATAT (O UNO NO TODO E O TODO NO UNO)

BIJAM!

Javier Alberto Prendes Morejón

São Paulo, Lapa, 11.11.2021.


[1] Note-se a importância do número três e das seriações relativas a esse número; número esse que deve nortear o fundamental de qualquer postulado educacional, além do um e do sete:

Três Tronos (Vontade, Amor-Sabedoria, Face da Terra)

Três Princípios Humanos (Espírito, Alma, Corpo)

Três Tempos (Começo, Meio, Fim)

Três Operações (Tese, Antítese, Síntese)

Três Qualidades da Matéria (Tamas, Rajas, Sattva)

Três Faces de Deus (o Pai, o Filho, o Espírito Santo)

Três Poderes (Legislativo, Judiciário, Executivo)

Três Cores Primárias (Vermelho, Azul, Amarelo)

Três Flagelos de Deus (Cérbero, o Dragão Negro do Mal)

Três Bênçãos de Deus (O Cristo Tricéfalo)

Três Princípios do Eu-imortal (Atmã, Budhi, Manas)

Três Aspectos da Música (Ritmo, Melodia, Harmonia)

etc. etc.

[2] Potência máxima – É o valor total referente ao poder da Divindade em nós. É o caso de alguns poucos Avataras, entre eles Krishna, ou seja, a Divindade manifestando-se fisicamente (forma mayávica, partida em macho e fêmea, gêmeos ou contrapartes divinas, caras-metade que hão de voltar ao Androginismo Perfeito, assim como a humanidade… tornando-se as duas metades separadas e perdidas uma só e mesma coisa – a Idade do Androginismo Perfeito, passando-se, antes de tudo, pelo aspecto mental e coracional que pelo físico) em todo seu resplendor e força, ou antes a representação humanizada da Lei que a tudo e a todos rege, sendo corporificada por um Alto Iniciado da Ordem de Melquisedec, e por esta assistida – entenda-se como Mensageiro vinculado ao Segundo Trono (Amor-Sabedoria) no Pombal Subterrâneo, por isso mesmo possuindo natureza ou consciência angelical ou arcangélica, a depender. Exemplo dessa potência máxima contém-se na Mitologia – desde sempre -, pois todas terão seus Hércules granjeados com os louros da Iniciação vitoriosa (arcano sete, os desafios superados ou Ísis desvelada… a Devakini figurativamente despida e estuprada à força pelo herói de firme conduta…), alcançando a glória do Adeptado, ou seja, tornando-se “Super-Homem”, em verdade, Bodhisattva ou Jivãtma (um Jiva – humanidade comum, em que o mais evoluído se torna… – Iluminado) no que os doze trabalhos pelos quais teve que passar referir-se-ão, num sentido específico, às doze casas zodiacais (ano sidéreo ou revolução solar que tem, por Lei de Analogia, seu correspondente microcósmico ou terreno na revolução interna, de caráter solar – ou sentido destrocêntrico – porque contra a iniciação ou educação lunar focada na natureza humana passional, animalesca, robótica, alienada, acrítica, lunática) pelas quais o Iniciado deve passar (todas as experiências humanas possíveis acumuladas ao longo dos tempos, de permeio à Lei de Reencarnação, delas extraindo o Summum Bonum, em algum momento tornando-se digno de comungar com o Eterno, por antes ter sido capaz de comungar com seu próprio Eu). 

[3] Nem falta haveria, neste caso, em citar igualmente as “estrelas fulgentes” das Artes, das Letras, dos Desportos, dos Negócios, tomadas como ídolos semi-divinos, e mesmo divinos, por massas gigantescas, coisa esta estrategicamente tomada como mote financeiro e para fins de alienação cultural, impondo-se porque privilegiando-se midiaticamente padrões estéticos e mentais criadores de modismos uniformizadores próprios de “almas-grupos” ou egrégoras acríticas, geralmente afeitas e formadas à base de temas passionais e profanos, nisso mesmo rareando os poetas e gênios avessos à fama com seu corolário de adulação personalística em pseudoimagem de santo e sábio, ou disso ou daquilo; à aquisição de dinheiro fácil (os bons sempre sendo tentados… geralmente concorrendo para a perda de originalidade e aprofundamento do supérfluo diário); e mais que tudo rareando os discretos em contraposição à contínua horda de artistas e homens excêntricos – no que mostram quererem chamar a atenção pelo contraste das aparências convencionais e, assim, fazendo-se cativos da moda, no fundo tal rebeldia não passando de mais outro padrão convencional adorado por novas massas de seguidores, na maioria dos casos fruto de importação, e, mais verdadeiro ainda, tal comportamento não passando de amor-próprio em seu intrínseco devaneio tresloucado. Cabe bem, no presente sentido, o tino perceptivo de Pessoa, quando diz: “Muitos não sabem propriamente distinguir a originalidade da excentricidade: uma caracteriza o gênio, outra manifesta o louco.” E igualmente as palavras de Beethoven: “É mais difícil o estoicismo para um artista que para qualquer outro”. E também a Regra Pitagórica: Não chocar ou despertar a atenção de ninguém”.

[4] Fadário kármico, fadário reencarnacional, na Grande Roda do Destino.

[5] A potencialidade aqui entendida genericamente. Sete por representar o Princípio Crístico no Homem; por referir-se às Sete Chaves dos Símbolos: Numérica, Geométrica, Astrológica, Alquímica, Histórica, Biológica, Metafísica. Quatro por referir-se ao físico, ao emocional, ao mental e ao espiritual. Doze em seguimento às casas zodiacais, espelhadas ou repartidas pelo toque dos quatro elementos; oito em referência às oito faculdades supremas do Yogui, embora também possa-se falar em 49 sidhis, com mais um sintético, isto assinalado veladamente no conto de Alibabá e os “quarenta ladrões”; três por podermos reduzir tudo em Artes, Ciências e Filosofias (quanto à Teologia ou à Religião verdadeira… não pode ser senão Arte, Ciência e Filosofia ao mesmo tempo); por fim, o nove em referência às Nove Musas Hesíodas: Calíope, Clio, Erato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Tália, Terpsícore, Urânia.

[6] Vale recordar que o próprio Mundo Astral não era exigido, em antiguidade remotíssima, como instância intermédia entre a morte e a reencarnação, assim como outrora os Mistérios não existiam, por fazerem parte do ensino público universal – meta esta perseguida milenarmente por quem de direito, muito embora esteja-se longe ainda do chamado Fim dos Mistérios, algo totalmente non sense para o momento atual da terra, em que abunda o desconexo alheio à Iniciação mais básica e elementar; onde a disposição das almas ainda atreladas estão aos mimetismos sócio-culturais imperantes, avulsos e avessos ao que se pretende como Hermetismo e Tradições Mistéricas.

[7] Tamanho é o materialismo atual que nem os poetas, grosso modo, conseguiram esquivar-se de seu perfume hipnótico (do “revisionismo acadêmico em ares de ‘eras imaginárias’”) que, qual árvore parasitária, ao colocarmo-nos sobre ela recostados em descanso, aproveita-se e vai pouco a pouco drenando nossas forças sutilmente, logo levando à morte sem nem mesmo disso nos apercebermos, porque em sono letárgico, em estado de inconsciência, ou vaga consciência de si mesmo. Eis o que ocorre àqueles que repousam baixo a árvore do CETICISMO que, enfim, não é mais do que MATERIALISMO. Delfos está contra todo e qualquer MATERIALISMO, sua máxima o comprova. Nietzschi recusa Sócrates, Platão, logo, o próprio Delfos (quer destruir, pese o que pesar, a Tradição, pouco importa qual seja… como o faz um bom desvairado, proferindo contra tudo e todos golpes a torto e a direito, nisso mostrando ser soberbo não iniciado com visões supérfluas e incompreendidas sobre a “Tradição”). Destrói a Religião – faca de dois gumes: amparo na fé na vida após a morte, norte moral imprescindível, contudo, egoísmo sacerdotal de classe indo ou pretendendo-se Temporal e totalitário, comumente. E sem Religião, que em verdade não pode ser extirpada, por ser uma característica humana, e não existindo ela mais, nem anseios de Reforma e unificação em concórdia ecuménica entre todas, extirpa-se a fé na existência do espiritual, elemento verdadeiro, para ficar apenas o aspecto carnal, dos cinco sentidos, da vida racional à base da lógica só e tão-só empírica. Este desfecho é a consequência do Ceticismo, que é ramo do Cientificismo empirista, do Positivismo, medrando em outro ramo irmão que é o Ateísmo, e igualmente o Agnosticismo. Todos estes termos são MATERIALISMO. Em síntese, padrões de pensamento que circum-volteiam o entorno mental comum característicos de um fim de ciclo, dos tantos que se repartem a Vida Universal; por isso mesmo, típicos de um momento civilizacional de DECADÊNCIA, MORTE, JULGAMENTO. Desde logo, jamais apetecerá a um Teósofo real um credo intelectual moderno como o Niilista nietzschiano, nem marxista, nem arianista, nem anarquista, dadas as instransponíveis disparidades. Jamais farão parte também do leque teosófico os credos devocionais aproveitadores e abusivos, enganadores de gentes simples e sem cultura, e toda sorte de gurusismo (idolatria personalística) e cultura pop New Age. Algo mais ou além é a TEOSOFIA. Um teósofo só poderá estar ao lado dos Idealistas como Hermes, Orfeu, Platão, Plotino, Pitágoras, Paracelso, Buda, Lao-Tsé, Maomé, Moisés, todos os grandes Mestres ou Iniciados vindos à terra. A Sabedoria é o amor ao Conhecimento Divino, isto é, a Sabedoria dos Deuses, dos Super-Homens, Homens-Modelos, Homens-Universais, e não simples paixão aos diversos conhecimentos profanos.      

[8] Não confundir com o transe ordinário dos médiuns, quase sempre vampirizados e iludidos por entidades inferiores, mas a Avatarização real, ou Metástase, sem prejuízos à saúde.

[9] Diz a Tradição Iniciática das Idades: cinza, marrom, preto, roxo, verde lívido, etc… Cores que abundam no Baixo Astral e na aura de quantos tenham pensamentos e emoções díspares em contravenção às Leis do Eterno, às Leis do Pramantha; cores típicas da bestialidade humana e não-humana.

[10] Velho é o Oriente, e sua mentalidade anciã, madura. Às crianças e aos muito jovens deveria ser-lhes negado o uso e a criação de armas que possam destruir tudo e todos, tal qual o faria um bom pai, neste caso…

[11]

O homem pensa.
A mulher sonha.

Pensar é ter cérebro.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano.
A mulher é um lago.

O oceano tem a pérola que embeleza.
O lago tem a poesia que deslumbra.

O homem é a águia que voa.
A mulher, o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.

O homem tem um farol: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.

O farol guia.
A esperança salva.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
A mulher, onde começa o céu!

Victor Hugo

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