Poemas – Por Javier Alberto Prendes Morejón

1
Com sentidos tão pouco aprumados,
são todos escravos inertes de uma falsa ótica.
Com inteligência tão pouco elevada,
são todos fantoches de uma falsa cultura.


2
La noche y tú. La noche y tú mirada.
¿Dónde estarás, mi alma plácida?
Perdido en el ocaso, sin tus besos,
vivo triste y desolado. ¡Sin ti no soy nada!


3
Na crista da pirâmide, o limbo;
de um lado ou de outro, o abismo.
Quem sobe muito é cercado
por lobos, por chacais,
pelos cães do caminho.


4
Ébano de ouro, turmalina negra,
em perpétua beleza rutilando!
Jardim das maravilhas!
Mil e uma noites de encantos!


5
A Arte não me enganará
nem deve a ninguém enganar,
pelo simples fato de ser um tecido dourado,
larga e finamente elaborado,
que resguarda e atesoura relicários:
é, antes, necessária a Verdade!
a Verdade nua e desvelada!

A poesia sem o Mistério revelado,
enfraquecida jaz na filosofia,
portanto, semi-morta, carcomida.


6
Oremos ao Pai em nós.
Nada pedir aos Deuses,
pois Deuses somos
e até os Anjos hemos de julgar.
Nada reclamar aos Céus com estrépito,
com ânsias eloquentes, pois somos,
na Terra, os artífices de pontes.


Agradecer aos Anjos e ao Eterno
com canções, com quadros, com músicas,
com todo e qualquer pensamento
dirigido ao Divino, é ação salutar,
é respeito nobre, pleito de honra
ao que está acima e supera-nos.


Rogar favores, clamar privilégios,
procurar salvações exteriores:
eis o sinal dos fracos, dos que
converteram a religião, as forças naturais,
em fetichismo impúbere, não raro
tomando as forças primárias da natureza
– os elementais – por Deuses, assim pondo o inferior
e não divino, semi-inteligente, “almas em formação”
– nem sequer equiparáveis à excelência humana! –
num falso pedestal.


Eis um erro mortal de primitivas
religiões e crenças populares,
fruto do medo da autorresponsabilidade
e do pavor frente às forças naturais.


7
O Homem Novo está além da esquerda e da direita,
está além do Bem e do Mal, por ser ele próprio
a expressão da Neutralidade Perfeita.
Ficando-se por lados, fica-se tão-só partido,
pela metade. A Síntese, que é o Espírito, é o apanágio
a ser buscado. Enquanto isso, meio-homens,
meia-consciências, meia-verdades, meio-viver.


8
Vidas eferentes,
porque dilatadas no vácuo
de uma vida insólita.


9
A beleza ardente
vive no beijo divino.
Pétalas do Eterno
contritas sobre o peito.


10
La perla del Atlántico,
sumergida, envuelta en el olvido,
un día será reconocida
como hecho por los sabios.


11
A cidade e a vinda de Shamballa,
teor e frescor do mundo!
Seus raios lucíferos correm dilatados
como arroios sobre as fontes das águas.


Shamballa dos amores eternizados,
diapasão diáfano, sem término, da Verdade.


12
Sereias, enfim, quantas
não há neste mundo?
Mas vestais, sacerdotisas
do Fogo Sagrado, essas,
quantas, no mundo inteiro?


13
A minha bandeira
tremula sem cor:
é o lábaro alvinitente
da paz do Nosso Senhor.


Pode dizer meu irmão,
a vida é triste e insensata,
mas tudo há de passar.
A dor de hoje
ainda é o som da escravidão.
Mas aquela força
que vive em nosso interior,
livre e sábia,
ainda há de nos libertar.


14
El sol de tú mirada,
la luz en tus sonrisas,
las alas de tú alma,
perfume de acacias,
y yo enamorado.


15
A excrescência do erro
é a substância mater
e a seiva da sabedoria.


16
A garrulice dos pseudosábios,
cujo erro não está tanto em falar
muito, mas mais bem em achar
que tudo sabem, por terem nutrido
a memória com migalhas disponíveis
a quaisquer, mas bem distintas
dos insumos dados aos melhores.


17
No sul do Sul e no centro do Sul
no Oeste-extremo do mundo,
há de vingar uma nova raça
em tudo mais poderosa e capacitada
que as anteriores,
por ser a síntese de todas.


18
Coleguismo: nessa única palavra
revela-se a síndrome de nossos dias:
a ausência do afeto real e em tudo eterno,
em troca de um civilizado cinismo,
uma polida indiferença
e um desprezo sem rodeios.


Síndrome da vida mínima, do murchar
das rosas, das seleções e aversões,
das perdas constantes,
dos ganhos supérfluos.
E assim esvai-se e desmorona-se a vida,
tendo cada um, no máximo,
apenas cinco ou três verdadeiros amigos,
quando muito.

19
Derrear, mas não quebrar,
frente a prosápia vã
e o clima árido,
é mister de caprinos
alcandorados.


20
A noite procelosa
fez da vida um
estendal de dores
onde opressor
e oprimido
não alcançam
o sentido egrégio.



21
Tudo é falso em nossa vida,
desde os termos “Homo Sapiens” a “Humanidade”,
pois não somos nem “Sapiens” nem “Uma Unidade”.
E assim também os termos amor, liberdade,
democracia, amizade, justiça, e outros tantos,
quase infindos, nos quais mascaramos nossa
miséria, nossa ignorância e hipocrisia.


22
Que Deus me acolha em seu seio e faça eu por merecer.
Que a luz se faça ao meu redor, dissipando as trevas que eu mesmo criei.
Que o sono em que convalesço torne-se despertar à beleza superior.
Que minha indisciplina, falta de autoconfiança e a fraqueza de minha vontade
possam ser superadas pelo duro empenho e pelo autoconhecimento.
Que minha angústia, em tantos sentidos da vida, não faça murchar meu peito,
e que meu suor seja a pedra fundamental de meus dias.
Trabalho, amor e angústia é tudo que há; aí encerra-se a vida.
Que eu possa sempre trabalhar para o outro sem nada pedir;
amar sem distinguir e sofrer sem desistir.


23
No dito amor só encontrei arestas
e desilusão. Amargor sem fim.
Coube-me a contínua infelicidade
até o ponto presente. Umas atrás
das outras, mirrando sem cessar,
as belas e atraentes flores da ilusão.


24
Só na Arte encontrei amor,
por depender exclusivamente de mim.
Só nela e no vento à face,
no sol à pele, no orvalho à aurora
– só nestas verdadeiras dádivas do Eterno
encontrei réstias de luz,
e o tão apregoado êxtase.


25
Dancemos no desespero
Dancemos na escuridão
Dancemos em nossas lágrimas
Dancemos até o fim
Dancemos para assim acendermos
uma vela nas trevas
Dancemos até tudo esquecermos
Dancemos ardendo de amor


26
Ode ao Eterno,
luz oculta da Existência!
Ode ao som-sem-som,
ao irromper do Mistério!


27
No lamaçal imundo
da matéria bruta….


28
Certas literaturas,
em mãos de impúberes,
só poderão constituir
motivo de escárnio ou de loucura.


29
Despreza-te.
Aprende a desprezar-te,
que os maiores encômios
são também as maiores ilusões.


30
Minha pátria um dia será livre;
e todas as pátrias um dia o serão,
quando o homem for realmente
o rei de sua vida; quando se faça
senhor de si mesmo; quando por fim
conheça o divino na alegria e na beleza.


31
A Natureza enreda – rede espessa,
malha fina e grosseira, paulatinamente.
O desenredo efetua-o o sábio verdadeiro,
ele próprio o Vitorioso sobre a Natureza.


32
Flores de Allamirah
Rosas do Pombal Divino
Rosas ígneas do Eterno
Mães dos homens míseros
Mães das Plêiades
Mães do empíreo


33
Eterno corolário de angústias
sob o diapasão da Face da Terra.
Eterno evolver das formas.

34
Alguns homens só conheceram
o Eterno por conta de seus mães.
O colo da mãe é o colo da Natureza,
do amor irrestrito.


35
Cada vez que há
de nascer um poeta genuíno,
hão de chorar as rosas,
e com elas as estrelas.


36
Olhando-se para cima
encontra-se o que está abaixo.
Olhando-se para baixo
entrevê-se o que está acima.


37
Crispado de cima abaixo,
meu coração arde sem saber.
Fúlgida alegria que se assoma,
para depois se desvanecer.
Não é que busque o sentido,
todo meu ato é viver.


38
Agharta das alvas esperanças,
cantão imorredouro
de amarelados frutos,
onde reverdece a vida
em resplendores.


39
Ardente Coração do Mundo,
sonho idílico da Beleza!
Celeiro das raças pretéritas,
celeiro das raças vindouras.
Luz do Mundo no Oco da Terra!
Agharta das núpcias divinas,
farol que dissipa as trevas da Anarquia.
Oh, Mistério ocluso em sete veículos!
Deuses do Submundo!


40
Das armas, a maior – o amor –
encontra-se perdida.
Ninguém possui o conhecimento
que a forje. Sem Mercúrio nem Vênus,
desamparado e órfão vive o homem
ao relento, sem alforje nem tocha que ilumine.


41
Los hombres huyen
de la Filosofía,
pero mientras más lo hacen,
menos son.

42
Ainda que o céu
escureça a Tua chama,
Teu mais íntimo
raio penetra em nós!
Ainda que o horizonte
se entorpeça,
Tua vida é nosso Farol!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.