Devakan Nirvana – Por Roberto Lucíola

DEVAKAN NIRVANA

ÍNDICE

PREFÁCIO ……………………………….
DEVAKAN – AVITCHI – CASCÕES ……………………………….
DISSOLUÇÃO DOS VEÍCULOS NO DEVAKAN ……………………………….
PERÍODO DEVAKÂNICO ……………………………….
O DEVAKAN SEGUNDO KUT-HUMI ……………………………….
DIFERENÇA ENTRE NIRVANA E DEVAKAN ……………………………….
AS DIVERSAS MODALIDADES DE DEVAKANS ……………………………….
A VIDA DEVAKÂNICA NO PLANO MENTAL SUPERIOR ……………………………….
CONSCIÊNCIA DOS MUNDOS SUPERIORES ……………………………….
ILUMINAÇÃO, FRUTO DE UM ESFORÇO INDIVIDUAL ……………………………….
FONTE DA INSPIRAÇÃO ……………………………….
RODA DOS NASCIMENTOS ……………………………….
SENTIDO OCULTO DO TEMPO ……………………………….
MISTÉRIO DO CORPO FÍSICO ……………………………….
ALIMENTOS DOS VEÍCULOS ……………………………….
PRIMEIRA POLARIZAÇÃO DO HOMEM ……………………………….
SEGUNDA POLARIZAÇÃO DO HOMEM ……………………………….
FUNÇÃO DAS ESPÍRILAS ……………………………….
ELECTRICIDADE ……………………………….
NIRVANA NÃO É MORTE NEM SONO ……………………………….
MATÉRIA E ESPÍRITO NO PRALAYA E NO MANUÂNTARA ……………………………….
ACTIVAÇÃO DAS MÓNADAS NO NOVO MANUÂNTARA ……………………………….
INTUIÇÃO E INTELIGÊNCIA ……………………………….
INTUIÇÃO ……………………………….
INTUIÇÃO – INSTINTO – INTELIGÊNCIA ……………………………….
DEVAKAN E KARMA ……………………………….
NIRVANA E IMORTALIDADE ……………………………….
MUNDOS PARALELOS ……………………………….
VONTADE E DESEJO ……………………………….
LIVRE-ARBÍTRIO E LIBERTAÇÃO ……………………………….
RELAÇÃO DAS GLÂNDULAS COM OS CORPOS SUBTIS ……………………………….
RAJA-YOGA ……………………………….
TÓNICA SONORA DA MÓNADA ……………………………….
LIVRE-ARBÍTRIO – VONTADE ……………………………….
DEVAKAN E LIVRE-ARBÍTRIO ……………………………….

DEVAKAN NIRVANA

DEVAKAN – AVITCHI – CASCÕES

As almas, após o seu torpor post mortem, são encaminhadas, consoante a sua evolução, para o Devakan ou para o Avitchi, que os cristãos associam, respectivamente, ao Céu e ao Inferno. Estes dois estados mentais variam infinitamente. Os graus ascendentes são designados por Lokas. Assim, temos:

a. Kama-Loka – Morada que está relacionada ao Plano Astral. Aí as entidades purificam-se no fogo das suas emoções e desejos.

b. Rupa-Loka – Está relacionada ao Plano Mental Inferior, ou seja, aos quatro Sub-Planos inferiores do Plano Mental. Aqui, nesta Loka, as entidades realizam as suas aspirações mais elevadas.

c. Arrupa-Loka – Está relacionada aos três Sub-Planos superiores do Plano Mental. É a morada das almas evoluídas, o local das Individualidades.

Os chamados cascões não têm acesso ao Devakan. Os mesmos, uma vez desligados da Tríade Superior (Atmã-Budhi-Manas), nada mais têm em comum com a espiritualidade da Essência Imortal. Estão destinados a fenecerem.

O Devakan e o seu oposto Avitchi são estados, não localidades. Segundo a Tradição Esotérica, fala-se em três Lokas, que são as acima apontadas. Kama-Loka é o mundo dos desejos e paixões, das atracções passionais não satisfeitas levadas para esse mundo dos cascões, das egrégoras elementares, dos suicidas e das vítimas envolvidas em crimes passionais. Rupa-Loka é o mundo das formas, das sombras mayávicas ou formas subjectivas mentais, mas sem nenhuma essência de natureza espiritual. São formas-pensamento concretas, na maioria de fundo egoísta. O terceiro mundo é Arrupa-Loka, estado de pura subjectividade sem formas definidas, incorpóreo, onde as almas de natureza espiritual encontram o repouso a que têm direito.  

O TEMPO E O ESPAÇO NO DEVAKAN – O Tempo e o Espaço nos Mundos Celestiais são incompreensíveis para o nosso mental concreto, para nós que ainda estamos exclusivamente ligados às informações recebidas através dos sentidos físicos. Aí perde-se toda a noção do correr do tempo e das limitações do espaço, em virtude de se operar em Mundos extremamente subjectivos onde não há referências ou marcos de comparações. As entidades ficam sem um norte orientador, que é coisa criada pela mente humana quando encarnada. Mas mesmo quando encarnadas a noção de tempo varia muito, pois depende do estado de espírito em que nos encontramos. Minutos há que mais parecem horas, e vice-versa. Como só o Homem, na superfície da Terra, é que possui o mental comparativo em plena actividade, só ele tem noção do Tempo e do Espaço. Nenhum animal, por mais evoluído que seja, é capaz de conceber o Tempo; tal acontece em virtude de carecer da faculdade de pensar analiticamente.

DISSOLUÇÃO DOS VEÍCULOS NO DEVAKAN

O Devakan não é um lugar no Plano Mental. O homem no estado devakânico, fica isolado por uma aura não participando de qualquer vida activa em quaisquer um dos Planos, pois já não possui nenhum veículo para fazê-lo. Assim sendo, não participa de modo algum da vida do Plano Mental. Não tendo veículo, fica impossibilitado de transitar livremente não podendo comunicar-se com outrem, como é possível fazer quando ainda se possui um corpo astral que pertence ao Mundo Formal.

Considerando-se que a Personalidade não mais existe, só restando dela os Átomos Permanentes, que encerram em si todas as experiências da encarnação passada, qualquer resquício da matéria astral não pode ser levada para um Plano superior como é o Mental. Assim, desaparecerá qualquer sentimento personalista. Não tendo mais veículos, cessa qualquer meio de comunicação que possibilite responder aos impulsos vindos dos Mundos inferiores. Assim, praticamente todos os Mundos mayávicos deixarão de existir para o ser.

A extinção dos veículos inferiores, principalmente a separação do Corpo Astral do Corpo Mental, não implica em qualquer trauma ou sofrimento para o homem, pois trata-se de um evento natural na história da Mónada em sua longa peregrinação. Segundo os Iniciados, a passagem faz-se como se fosse uma viagem suave, semiconsciente. Como interregno, mergulha-se numa inconsciência algo parecida ao que sucede quando da morte física.

PERÍODO DE GESTAÇÃO – No estado pré-natal o ser passa por um período de vida latente sem consciência, como que adormecido, embora animado pela força vital, desfrutando de uma vida vegetativa sem nenhuma possibilidade de acção e sem vontade própria, pelo menos para o homem comum. Segundo os entendidos, esse período de inconsciência que antecede o Devakan é a fase de gestação necessária, a fim de que o Átomo Permanente Astral assimile tudo quanto for positivo da vida emocional para ser transferido para a vida futura, quando o momento for chegado.

Segundo o ilustre sábio Alfred Percy Sinnett, os cascões, uma vez desligados dos Princípios Superiores, nada mais têm em comum com os mesmos. O Ego perde assim qualquer vínculo com o passado, não sendo mais atraído por parentes, amigos e pessoas afins, mormente por aqueles a quem tinha vínculo vivencial. Certamente seria impossível a um ser, desfrutando as delícias devakânicas, sentir-se confortável espiritualmente se vislumbrasse aquelas pessoas queridas, ainda encarnadas, mergulhadas em dores e sofrimentos, ou mesmo adquirindo karmas, como é usual nos seres ligados à Roda da Vida.

Diferente é o destino dos cascões. O de um alcoólatra, por exemplo, certamente será atraído por alguém da mesma natureza que ainda esteja encarnado. Nesse caso, aproveitará a energia psíquica do mesmo a fim de atender aos seus instintos, não mais portador de órgãos físicos capazes de atender aos seus desejos que são de natureza astral. Um homem que morreu preso a uma paixão sexual por um ser ainda encarnado, será atraído pelo ser que é objecto dos seus desejos impuros. Conclui Sinnett: “Jamais devemos esquecer o profundo axioma da Doutrina Esotérica que ensina que somos nós, os vivos, que somos atraídos para os espíritos – mas estes, mesmo que queiram, nunca podem descer até nós ou até à nossa esfera”.

PERÍODO DEVAKÂNICO 

Consoante o estado de consciência alcançado pelo ser humano,  assim será a sua permanência nos Mundos subjectivos. Deste modo, um homem muito materializado, muito ligado às coisas materiais, vivendo quase predominantemente no Mundo Físico, certamente passará muito pouco tempo no Plano Astral, encarnando a seguir sem lograr ultrapassar o mesmo Astral. Contudo, à medida que vai evoluindo a sua permanência no Astral ir-se-á encurtando. Com o desenvolvimento do Corpo Mental, o homem começa a ter acesso ao Plano Mental após a morte, tempo que aí se prolongará à medida que os seus dotes mentais forem aumentando.

O período devakânico pode durar pouco tempo, assim como pode durar séculos. Quanto maior for o tempo devakânico, maior será o tempo para a conclusão do nosso ciclo evolucional, e daí a necessidade do Iniciado passar o menor tempo possível em estado devakânico. É possível regular-se o período devakânico durante a encarnação. Para isso, contribuem os seguintes factores:

  1. Controle das acções;
  2. Controle das emoções;
  3. Controle dos pensamentos.

O Homem actual, cuja tónica evolucional é o intelecto, à medida que aumenta o seu período de vida no Mental após a morte, inversamente irá diminuindo a sua permanência no Astral. A Tríade Superior, que é o Homem Verdadeiro, tem o seu centro de consciência, no actual estágio evolucional da Humanidade, focado no Plano Mental. O mergulho na encarnação constitui apenas um episódio passageiro na História da Mónada, muito embora isso venha a representar um papel importante na Evolução Humana.

Quando se alcançar o elevado grau de desenvolvimento espiritual, não mais haverá Devakan. O Ser estará no limiar da Imortalidade. Embora estejamos ainda na 5.ª Raça-Mãe, o Grande Iluminado já desfruta dos valores das 6.ª e 7.ª Raças-Mães. O Iniciado queima etapas, acelera a sua própria evolução por ter adquirido conhecimentos superiores de natureza transformadora. Atinge a Consciência inerente ao término da Ronda actual, ou seja, alcança o valor integral do Manuântara já percorrido, conforme o exigido pela Lei.

CRIAÇÃO DOS VEÍCULOS IMORTAIS – Como já vimos, na complexa estrutura humana só o Eu Superior possui o dom da Imortalidade. Contudo, ao Corpo Causal cabe a incumbência de reter em seu bojo os três Átomos Permanentes, portadores das experiências dos veículos utilizados. Átomos privilegiados que são a origem das nossas escandas ou skandhas, as “tendências” trazidas desde o berço. Segundo os Iniciados, os referidos Átomos estão relacionados à Coluna de Mercúrio, onde são geradas as células permanentes forjadoras dos Veículos Imortais, inclusive do Corpo Físico, também chamados Corpos Eucarísticos.     

O DEVAKAN SEGUNDO KUT-HUMI

Transcrevemos alguns preciosos conceitos sobre o Devakan segundo o Mestre Kut-Humi: 

“No estado de Devakan perde-se todo o sentido do correr do tempo, e tal coisa não sucede a quem cai no Avitchi, embora tanto o que mora no Devakan como no Avitchi perderem a noção do tempo. O tempo é algo criado por nós, se bem que um curto segundo de intensa agonia possa parecer a um homem uma eternidade, mesmo sobre a Terra. A outros mais afortunados, as horas, dias e às vezes anos inteiros, podem parecer-lhes durarem brevíssimos instantes. Finalmente, de todos os seres sensíveis sobre a Terra o homem é o único ser que possui o sentido de tempo, embora isso não o faça mais feliz ou sábio.

Como é na vida terrestre actual, assim será para o Ego no Devakan; o primeiro sinal de fraqueza da força psíquica, a sua culminação; o desgaste gradual da força o passar à semi-inconsciência, ao esquecimento e ao letárgio gradual; ao esquecimento total a morte, senão o renascimento: renascimento em outra personalidade, e a ressurreição na acção que gera diariamente um novo acúmulo de causas que devem elaborar-se em outro final devakânico, e de novo outro renascimento físico com uma nova personalidade. Este é o processo.

O que serão as vidas no Devakan e sobre a Terra, respectivamente, em cada caso será determinado pelo Karma. E esta Ronda fatigosa de nascimentos após nascimentos deve ser percorrida até que o Ser alcance o fim da sétima Ronda e logre, no ínterim, a Sabedoria de um Arhat e logo a de um Budha, e dessa maneira seja relevado por uma Ronda ou duas (por haver aprendido como irromper através dos círculos viciosos) passando periodicamente ao Paranirvana.

Sob a atracção da Oitava Esfera só caem as absolutas não entidades, fracassos da Natureza para serem remodelados completamente, cujas Mónadas Divinas se separaram dos cinco Princípios durante as suas vidas terrestres (podendo já ter acontecido em nascimento anterior ou em vários nascimentos anteriores, pois tais casos também existem nos nossos registos). Viveram como “seres sem alma” essas pessoas abandonadas pelo Sexto Princípio, enquanto que o Sétimo, ao perder o seu Vahan (veículo), não pode existir independentemente por mais tempo. Esses são aqueles cujo Quinto Princípio desceu ao poço sem fundo.

O final de cada uma das sete Rondas só produz uma recordação incompleta das experiências que tiveram lugar entre os numerosos nascimentos da vida personal. Porém, a recordação completa de todas as vidas (terrestres e devakânicas), ou seja, a Omnisciência, chega somente no grande final do total das sete Rondas (uma Cadeia), a menos que, no ínterim, a pessoa se tenha convertido num Arhat, num Bodhisattwa, significando ficar no umbral do Nirvana por um período indefinido.

Os que se adiantaram terão que esperar mais tempo no umbral do Pralaya do que os últimos da Ronda. Isso representa a Grande Recompensa, o maior dos feitos, pois faz do Ego virtualmente um Deus, um Omnisciente ou Ser Consciente, um candidato a Dhyan-Choan durante eternidades. Pode também atingir este estado uma pessoa que, mesmo nunca tendo sido um Adepto, tenha sido um homem virtuoso e meritório na maioria das suas existências.

No entanto, o Nirvana nada tem a ver com a recordação das existências objectivas. O Nirvana é um estado elevado onde se olvidam todas as coisas objectivas. É um estado de absoluto repouso e de assimilação com Parabrahma – é o Parabrahma mesmo.

Do Kama-Loka, pois, no Grande Ciclo Cósmico as “almas” recém-trasladadas, uma vez despertas do seu torpor post mortem, vão todas (excepto os cascões), de acordo com as suas atracções, ao Devakan ou ao Avitchi. E esses dois estados diferenciam-se de novo ad infinitum, e os seus graus ascendentes de espiritualidade recebem os nomes das Lokas que ocupam. Por exemplo, as sensações, percepções e ideações de um morador do Devakan no Rupa-Loka, naturalmente serão de uma natureza menos subjectiva que as dos moradores do Arrupa-Loka. Em ambos os estados, as experiências devakânicas variam na sua apresentação à entidade-sujeito, não só no que se refere à forma, cor e substância, como também na sua potencialidade formativa. Mas nem ainda a mais exaltada experiência de uma Mónada no estado devakânico mais elevado, no Arrupa-Loka (o último dos sete estados), pode comparar-se àquelas perfeitas condições subjectivas de pura espiritualidade donde emerge a Mónada para “descer à Matéria”, a partir da qual deve retornar no final do Grande Ciclo. Nem o próprio Nirvana é comparável ao Paranirvana.”

DIFERENÇA ENTRE NIRVANA E DEVAKAN

Segundo JHS, o significado de Nirvana é quando Atmã está imerso na própria Luz. Diz ele:

“O Nirvana, tanto vale por Atmã imerso na própria Luz que é de todos. Por isso mesmo, é um estado de consciência e não o ilusório Devakan comparável ao Céu dos cristãos, na razão de um sonho do qual se desperta para uma nova vida num outro corpo, está entendido.

O discípulo não deve buscar o estado de consciência devakânica, mas a supraconsciência nirvânica. O primeiro estado é mergulhado no esquecimento quando se encarna; quanto ao estado nirvânico, é uma conquista iniciática.”

Segundo a Doutrina Secreta, Manas, o Quinto Princípio do Homem, está relacionado tanto com Atmã e Budhi, com quem forma a Tríade Superior, como com os quatro veículos inferiores da nossa Personalidade. Manas forma o elo de ligação entre a Personalidade e a Individualidade. Por fazer parte do Eu Superior, por ocasião da morte Manas segue Budhi e Atmã ao Devakan, sendo que o Manas Inferior, isto é, o resíduo ou a escória do Manas Superior, permanece com o Kama-Rupa no Limbo ou Kama-Loka, que é a morada dos cascões. A reencarnação é consequência de um desequilíbrio. O ser equilibrado liberta-se da Lei do Karma, manifestada na Roda de Samsara, que gera a vida e a morte, a encarnação e a desencarnação. O equilíbrio é o fiel da Balança Cósmica.

A Lei do Karma surgiu quando a Divindade se manifestou. Para Deus não existe Bem ou Mal, o que funciona como Lei bem certa é o equilíbrio ou o desequilíbrio. É em virtude dessa Lei que os que alcançam o equilíbrio perfeito não julgam ninguém, pois vêem nos outros partículas da Divindade recolhendo experiências como eles próprios. Devemos procurar incansavelmente, conscientizar-nos da existência do nosso Eu Verdadeiro, pois os veículos não passam de uma grande Maya. A conscientização logra-se através da intensa concentração em oposição clara à distracção, tão em voga actualmente. Concentrar-se é voltar-se para dentro; distrair-se é dirigir-se para fora. Uma leva-nos à perfeição; outra conduz-nos à dispersão mayávica.

O Homem é um criador por excelência, ele cria em todos os Planos: no Físico, no Astral, no Mental e no Espiritual. Estas criações é que vão determinar o seu Karma futuro.

Nos Centros Iniciáticos de real valor, os seus membros, enquanto não logram a imortalidade veicular, são obrigados a encarnarem sem perder tempo no Devakan, a fim de que o processo evolucional não sofra solução de continuidade. Com isso, os veículos subtis são aproveitados por já terem sido trabalhados iniciaticamente através de Yogas, Rituais, Estudos e outras realizações de carácter iniciático.

AS DIVERSAS MODALIDADES DE DEVAKANS

Consoante o estado de consciência de cada um, assim será o seu Devakan. O Devakan está longe de ser o mesmo para todas as pessoas. Por saber disso é que Jesus, o Cristo, afirmou que “na Casa de seu Pai existiam muitas moradas”. Segundo os Iniciados, o que existe é uma imensa gama vibratória nos fascinantes e desconhecidos Mundos imateriais. Um ser que durante a sua vida vibrou somente no nível afectivo-emocional, certamente não irá, quando desencarnar, morar nos níveis mais elevados do Plano Mental. Desfrutará o seu Devakan no Mundo Astral. Os que conseguiram desenvolver o Mental Concreto, ficarão circunscritos ao Rupa-Loka; finalmente, aqueles que em vida se aprofundaram nos estudos transcendentes dos mistérios da existência, embora não tenham logrado a Suprema Iniciação, terão a sua morada devakânica nos Planos Arrúpicos do Cosmos. Considere-se, contudo, que esses três segmentos básicos possuem os seus sub-planos, o que tornará ainda mais complexo o quadro da existência subjectiva da Mónada.

Como já vimos anteriormente, as Mónadas Vitoriosas do Ciclo, por já terem atendido às exigências da Ideação Cósmica, têm diante de si um leque de sete opções, uma delas a do direito de dispensarem o Devakan. O Iluminado, com a anuência de um Hierarca da sua linhagem, seu superior hierárquico, pode perfeitamente renunciar ao Devakan. Consciente ou inconscientemente, todos os seres humanos devem, mais cedo ou mais tarde, atingir os mais altos níveis espirituais antes de encarnarem. À medida que vão avançando na Senda Iniciática, esses estados transcendentais se tornarão mais consistentes e reais.

O período de tempo que se estagia no Devakan varia de acordo com o grau de evolução individual. Basicamente, os factores fundamentais são:

  1. A Hierarquia a que se pertença;
  2. A natureza da vida encarnada que se findou;
  3. O grau de adiantamento evolucional.

Todos os Avataras ao realizarem um trabalho de natureza evolucional na Face da Terra, vêm sempre acompanhados de Seres pertencentes à sua Corte Avatárica. Este é um dos mais profundos mistérios que envolvem as suas enigmáticas existências. Em outras palavras, o Manu sempre vem acompanhado da sua Família Espiritual. Isto é exigido pela Lei do Pramantha, e a ninguém cabe o direito de sonegar. Quando o Manu Primordial toma forma, todos os que estão ligados ao Magno Mistério são obrigados a acompanhá-lo. Assim na vida como na morte. Os da Corte Avatárica não perdem o seu precioso tempo no Devakan, por mais elevado e agradável que ele seja. Encarnam e desencarnam ininterruptamente, a fim de que haja solução de continuidade no sacrificial Apostolado. No Passado foi assim, continua na Actualidade, e continuará no Futuro por ser Lei bem certa.

A VIDA DEVAKÂNICA NO PLANO MENTAL SUPERIOR  

Quanto mais denso e material for um Plano Cósmico, mais mayávico ele se torna. O Plano Astral, apesar de ser mayávico, está mais próximo da realidade que o Plano Físico; outrossim, o Plano Mental afiniza-se mais do que o Plano Astral com a Verdade Única, que é eterna. À medida que o ser avança na Senda Iniciática, menor será o tempo perdido, após a morte física, nos Planos Astral e Mental Inferior. A vida nos Planos Superiores amplia-se à medida que nos desvencilhamos das amarras que nos prendem às ilusões dos Mundos formais.

A realização espiritual implica em libertação, em ampliação do nosso livre-arbítrio, o que nos permite diminuir o tempo perdido nos Mundos inferiores. Quando se logra a união da Personalidade com a Tríade Atmã-Budhi-Manas, a nossa vontade amplia-se, e com isso passamos a dispor com mais liberdade no nosso destino. O homem liberto é aquele que deixou de ser um joguete das forças primárias da Natureza para ser um vitorioso portador da Vontade, portanto, senhor do seu karma, capaz de tomar em suas mãos o seu próprio destino. 

VISÃO DO PASSADO E DO FUTURO – O homem num estágio de evolução relativamente avançado, adquire determinadas virtudes ainda vedadas ao homem comum. Sendo uma delas a possibilidade de reconhecer os frutos da encarnação terminada, vislumbrando todas as experiências vivenciadas durante a vida recém-findada, inclusive, consoante o seu grau de consciência, podendo intuir o futuro, tendo a faculdade da visão sucinta da futura encarnação e os objectivos essenciais a serem alcançados. O Adepto adiantado, como já vimos, pode até determinar previamente qual será o seu corpo, meio social, raça, etc., na futura encarnação, tal é a ampliação do seu livre-arbítrio obtido mediante esforço próprio.

HABITANTES DOS MUNDOS SUPERIORES – Como já sabemos, o Plano Mental Superior é constituído de três Sub-Planos, sendo que o primeiro Sub-Plano é morada apenas de um número restrito de almas de escol; o segundo Sub-Plano, embora já seja mais povoado que o primeiro, é ainda apanágio de Seres que atingiram elevado grau de conscientização. Segundo a Doutrina Secreta, o terceiro Sub-Plano é a região mais povoada, a ele estão relacionados todos os sessenta bilhões de Seres engajados no presente Ciclo Evolucional. O Professor António Castaño Ferreira fez referência a 777 bilhões de seres evolucionantes. Não sabemos se tal número se refere aos habitantes de todos os Planos. O ilustre Ocultista não especificou detalhes. 

Enquanto uma relativa minoria encarna conscientemente, pois sabe dos desígnios da Mente Cósmica e o que visa o Logos Criador para a consecução da Sua Obra, contudo, a maioria é impulsionada pela inexorável Onda de Vida que obedece ao impulso da Vontade Cósmica, sendo que um grande número ainda está engajado por tanha, ou a “sede e apego à vida”, às coisas materiais das quais não logrou livrar-se nas suas reencarnações pretéritas. Estes últimos ainda necessitam sofrer os atritos dolorosos vibrados pela vida encadeada na matéria bruta. 

CONSCIÊNCIA DOS MUNDOS SUPERIORES

O homem, por possuir um Ego Imortal, tem condições de reencarnar na mesma espécie. Ao animal, contudo, falta-lhe esse princípio permanente, razão pela qual o corpo astral do animal dissolve-se pouco tempo depois da morte, sendo a sua Tríade Inferior, que encerra em si os germes dos princípios humanos em estado latente, absorvida pela Alma Grupal a que o animal está ligado. Talvez devido a esse estágio passado no seio da Alma Grupal, é que o Mestre Kut-Humi assinalou que os animais também possuem o seu Devakan.

O homem é livre de criar um bom ou mau karma, sendo que ao desencarnar sofrerá as consequências do que praticou em vida. Após a dissolução dos veículos físico e vital, o homem fica perambulando no Mundo Astral agindo como se estivesse encarnado, sem se dar conta do seu novo estado de ser. Por não ter noção do Espaço/Tempo nas novas dimensões é que se torna difícil definir o período de duração a ser vencido nos Mundos paralelos, mesmo porque diversos factores se conjugam na formação do tempo a ser passado entre as reencarnações.

Segundo os ensinamentos dos Mestres, é de fundamental importância que nos conscientizemos de que só há evolução quando se está encarnado, pois o fenómeno da morte não melhora as pessoas e não transforma ninguém em santo. O Mundo Astral é o mundo dos efeitos das causas geradas no Mundo Físico. O Ego tem necessidade de retornar ao seu elemento, que é o Mundo Divino. A encarnação consiste num penoso sacrifício para a Mónada que só se submete a ela para fins de enriquecimento, em termos de experiências no Mundo das Formas.

DEVAKAN E NIRVANA – No presente estágio evolucional, reduzido número de Seres tem alcançado os mais altos páramos que são os Mundos Celestiais. Lá, todos são plenamente conscientes do meio em que vivem. É de fundamental importância distinguir-se os diversos estados subjectivos. O Nirvana é um estado que só se alcança mediante uma plena realização interior, é fruto de um trabalho pertinaz e constante. Daí se afirmar que é o Mundo dos Deuses, ou seja, das Grandes Hierarquias que se formaram ao longo dos Manuântaras passados. Necessário se faz enfatizar a diferença entre Devakan e Nirvana, para não incorrermos no equívoco de se pensar que são termos sinónimos. Devakan constitui um estado de inconsciência, o de um doce esquecimento dos sofrimentos passados. Nirvana, pelo contrário, é vida plenamente consciente muito além da compreensão humana e, como disse JHS, é o fruto de uma conquista iniciática, de uma suprema realização interna, estado logrado após longa preparação dos veículos a fim de possibilitar a conquista de tão alto estado de consciência. Resumindo, temos:

Devakan – Estado de inconsciência, portanto, provisório e mayávico;

Nirvana – Estado de plena consciência, portanto, de carácter real e permanente.

ILUMINAÇÃO, FRUTO DE UM ESFORÇO INDIVIDUAL

Os estágios superiores e a conquista dos Planos Divinos nunca serão fruto do tempo ou do acaso. Serão sempre o produto de um consciente e profundo esforço individual. Independem do auxílio de qualquer entidade externa, humana ou institucional, por mais elevada que seja, sob pena de violação das Regras do Pramantha. O próprio Eu Superior do aspirante permanece neutro no processo de maturação, aguardando o momento oportuno para se exteriorizar. Nesse terreno não pode haver interferências internas ou externas, sob pena de graves distúrbios em todo sistema humano.

Apenas um pequeno número de privilegiados por esforços próprios atinge os Planos mais elevados, onde todos são plenamente conscientes de tudo que os cerca. Aí fazem, com plena consciência, uma avaliação do passado determinando a sua missão numa futura encarnação, por isso são senhores do seu próprio destino.

Para participar ou atingir os elevados Planos Divinos, necessário se faz um esforço constante e deliberado do aspirante aqui na Face da Terra. A Iluminação sendo o resultado de um esforço consciente, exige dos candidatos – que os orientais chamam de Filhos de Deus – pôrem-se em contacto com os mais elevados pensamentos filosóficos e abstractos, a fim de que a sua mente passe por uma transmutação vibratória e fique capacitada para receber os impactos oriundos de cima, do Eu Superior. Um homem cuja mente esteja sempre imersa em pensamentos de ordem vulgar e material, embora seja uma criatura boa, dificilmente logrará os altos píncaros da Iniciação, em virtude de inadequação vibratória. A Alta Iniciação, sendo o resultado de um esforço contínuo e pertinaz, desde tempos imemoriais levou os Iniciados a estabelecerem determinadas Regras e Mandamentos sagrados.

Há milhares de anos atrás, o Venerável Avatara Vyasa debruçou-se sobre este apaixonante tema, já configurado em Revelações esparsas, cujas origens perdem-se na noite da História. O sábio Iniciado Patanjali, sintetizando o legado de Vyasa, elaborou a Yoga que leva o seu nome. Graças a esse precioso legado chegaram até nós as Regras de Ouro, conhecidas como os Oito Passos da Yoga de Patanjali. Com referência ao exposto no final do parágrafo anterior e a ver com esta Yoga, é de fundamental importância o 4.º Mandamento do 1.º Passo denominado Yama. Diz o texto a respeito do 4.º Mandamento:

O discípulo deve “aspirar ardentemente” a Verdade.

Nos Comentários da Yoga de Patanjali, assegura-se que ninguém conseguirá subir pela Escada de Ouro da Iniciação sem que todos os Passos sejam fielmente executados. Assim sendo, o aspirante ao Adeptado deverá estar animado sempre da mais ardente aspiração, sem a qual nada será alcançado, segundo assegura o 4.º Mandamento dos Oito Passos de Patanjali. Ou se leva o trabalho de construção interna muito a sério, ou não se avança no espinhoso Caminho Iniciático. Assim, fica configurado que o trabalho interno deve ser uma constante na consciência do discípulo, para que não se crie a ilusão de que tudo acontecerá com o tempo, ou seja, como fruto das circunstâncias. Tempo, espaço, circunstâncias, meios e modos deverão ser forjados por nós mesmos, sempre escudados numa ardente aspiração, e não na vã esperança de que as coisas cairão do céu, que sejam frutos de um feliz acaso ou de algum processo mágico, ou de receitas pré-fabricadas tão em voga na actualidade.

FONTE DA INSPIRAÇÃO

O 1.º Sub-Plano Mental, chamado também Sub-Plano Atómico, é a Morada Celestial dos Mestres de Sabedoria e dos discípulos avançados na Senda Iniciática. Constitui, realmente, um mundo aparte, por sua excelsitude difícil de se descrever. É deste nível mental que os Mestres do Saber Divino, Senhores Ocultos do Mundo, irradiam as suas influências benéficas que ajudam a Humanidade a evoluir. Nessa Fonte bendita é que os Génios das Artes bebem a sua inspiração, embelezando e enriquecendo a vida na Terra.

As Hierarquias Dévicas que aí residem não possuem corpos com as formas que nós conhecemos, por isso são chamadas de Devas Arrúpicos. Uma categoria especial dessa Hierarquia Celeste está relacionada com a Criação do Mundo, donde ser designada de Hierarquia Criadora, da qual trataremos oportunamente. Ela é responsável pela formação da Humanidade, das raças, civilizações, nações, povos, etc., sendo que um grupo desses Devas rebelou-se contra a Vontade do Logos causando graves transtornos à Evolução Humana.

Nos corpos subtis do Homem existem Centros de Forças que, activados, põem-no em contacto com os Mundos Superiores. Por exemplo, quem conseguir desenvolver a 9.ª Pétala do Chakra Cardíaco, chamada Khã, penetra no Mundo sem Forma, passa a percebê-lo, pode partilhar das actividades das Hierarquias Arrúpicas, baptizadas com os nomes simbólicos de Leões de Fogo, Olhos e Ouvidos Alerta e Virgens da Vida. Estas divinas Hierarquias têm a sua contraparte manifestada nas Hierarquias Rúpicas dos Assuras, Agnisvattas e Barishads.

A CAUSA DA ENCARNAÇÃO – A causa da encarnação não está em qualquer imposição de ordem externa. A Mónada desce aos Mundos inferiores porque deseja vir. Enquanto existir qualquer resquício de desejo animando a alma humana, ela será induzida a voltar para a vida encarnada. Portanto, a causa fundamental da encarnação reside na existência de Kama, ou seja, na das paixões que geram o apego à vida. É o encadeamento de uma série de desejos que prende o ser à vida encarnada, trazendo-o de volta a esta existência. Até que tenhamos adquirido a compreensão de que somos um ser de Origem Divina e nos conscientizemos plenamente do nosso Eu quando reencarnados, haverá sempre o desejo de descer devido à atracção gerada no nosso Corpo Astral pela posse das coisas materiais. O Homem deverá, na sua longa jornada na Terra, exaurir todas as experiências, boas e más, até que se liberte definitivamente das amarras que o prendem aos Mundos mayávicos dos Planos inferiores.

RODA DOS NASCIMENTOS

Diz o Bhagavad-Gïta:

“Aqueles que adoram os Deuses, vão aos Deuses; os que adoram os Pitris, vão aos Pitris; os que sacrificam em aras dos Bhutas, vão aos Bhutas. Porém, os Meus adoradores vêm a Mim.”

O Logos é o Eixo em torno do qual gira o Universo. A esta Roda estão presas as almas peregrinas, até à chegada do dia em que elas mesmas também se transformarão em Eixo.

O Homem é o que ele pensa:

Se pensa que é corpo – fica preso ao corpo;

Se pensa que é mente – fica condicionado à mente;

Se pensa que é um ser inferior – permanecerá inferior;

Se pensa que é um Ser Divino e Imortal – se tornará Eterno como o Pai.

O Homem deve aprender a subjugar os sentidos, a ser senhor absoluto deles e afirmar com toda a segurança:

Eu não sou este corpo;

Eu não sou estes desejos;

Eu não sou estes pensamentos;

Eu sou uma Mónada imortal que sobreviverá a tudo isso, porque sou um Deus encarnado.

SENTIDO OCULTO DO TEMPO

O Tempo é um valor divino do qual teremos que prestar conta. Não podemos irresponsavelmente dizer: “O que o Tempo fez de mim…”

O Ser consciente, que sabe o que representa o Tempo, dirá: O que fiz do Tempo que me foi confiado pela Divindade?”

Todo o Adepto sabe o valor oculto do Tempo, por isso não o desperdiça em futilidades sabendo que Karuna, o Senhor do Karma, lhe pedirá contas desse valor divino. O Tempo não tem o mesmo ritmo para todos, o Adepto é quem faz o seu Tempo.

PARÁBOLA INICIÁTICA SOBRE O TEMPO – Jesus, o Cristo, numa das suas parábolas relatou o seguinte: um rico senhor, tendo que viajar, chamou os seus três servos e assim procedeu:

Ao primeiro servo confiou cinco moedas de ouro, recomendando que o mesmo agisse como quisesse;

Ao segundo servo confiou duas moedas de ouro, com a mesma recomendação;

Ao terceiro servo confiou uma moeda de ouro, com a recomendação de sempre.

Passado um longo tempo, o senhor retornou da viagem e pediu ajuste de contas dos valores que confiara aos servos.

O primeiro servo disse que negociara cabras e conseguira dobrar o valor, devolvendo ao senhor dez moedas;

O segundo servo também dobrara o valor recebido e devolveu ao senhor quatro moedas;

O terceiro servo disse: – Senhor, eu guardei bem escondida a moeda que me confiastes, e agora passo-a para as vossas mãos.

O senhor recriminou o terceiro servo por não ter sabido aproveitar o tempo que lhe foi concedido e nada ter feito de útil com o valor que lhe fora confiado.

Moral da parábola: Os tesouros do Saber Iniciático, uma vez recebidos, devem ser repassados aos sequiosos de conhecimentos, sob pena dos mesmos morrerem dentro de nós. A aquisição da Sabedoria Divina é para ser vivenciada, pois à medida que altruisticamente dinamizamos determinados valores ocultos estamos enviando para o nosso Corpo Causal energias das mais refinadas, as que irão influir muito em nossa trajectória iniciática nos Mundos Superiores. Ninguém desfruta do Nirvana sem ter méritos acumulados em Idades sem conta.

As águas de um rio serão sempre límpidas enquanto fluirem livremente; quando a corrente é interrompida, quebra-se a cadeia e as outrora águas límpidas se transformarão num charco. Assim, também, os tesouros da Sabedoria Divina, uma vez recebidos devem ser acrescidos por quem os recebe.

MISTÉRIO DO CORPO FÍSICO

O corpo humano é estruturado de uma maneira miraculosa por sua organização altamente inteligente, onde tudo funciona como uma maravilhosa máquina na qual cada peça desempenha a sua função em conexão com toda a estrutura. Pode-se interrogar: Quem mantém o funcionamento desta extraordinária estrutura? A quem pertence o comando? Todos nós sabemos que não pode existir organização, no que quer que seja, sem um comando centralizado e actuante. Bilhões de células obedecem à coordenação desse comando invisível, mas que existe inegavelmente. Cada célula tem o seu papel bem definido e desempenha perfeitamente a sua função para que a complexa estrutura funcione a contento. Quando, por qualquer motivo, as células fogem ao controle desse comando, o caos estabelece-se e as células tornam-se enfermas ou cancerígenas.

Segundo a Ciência Iniciática das Idades, o comando oculto do nosso universo celular está localizado num centro etérico do ventrículo esquerdo do coração, chamado Câmara de Kundalini. Este importante centro também é designado por Ponto Bindu. Deste centro de comando é que partem as diversas energias que são distribuídas por todo o corpo.

É na contraparte etérica do coração que se abriga o nosso Corpo Causal, encerrando no seu seio um poderoso átomo dotado da fantástica capacidade de inteligência que o predispõe a comandar bilhões de células. Este privilegiado átomo, como já vimos, é denominado de Átomo Primordial ou Átomo Permanente Físico. Em virtude deste facto, é que se afirma ser o coração a fonte da vida. Mediante complexo e oculto processo iniciático, este centro oculto do coração pode actuar sobre o sangue da criatura humana. Quando este fenómeno ocorre, toda a estrutura do sangue passa por uma transformação alquímica. Neste caso, o sangue passa a ser denominado de ojas, inclusive mudando de tonalidade que passa a ser de cor amarela.  

Ojas é o tipo de sangue com que se faz o misterioso Licor Alcaestre, usado pelos Avataras no Ritual da Eucaristia para acelerar a iluminação dos seus discípulos mais chegados. Informações mais precisas a respeito deste assunto, ainda estão interditas pelas Regras da Grande Fraternidade Branca.

Os antigos Iniciados gregos denominavam este poderoso Átomo Primordial de Nous, que é de natureza imortal e acompanha sempre a mesma Mónada através do encadeamento das encarnações.

A Alta Iniciação consiste em fazer com que o discípulo estabeleça contacto consciente com esse Átomo Divino. Quem lograr tal façanha, conseguirá uma continuidade de consciência através das encarnações. Para tanto, terá que se submeter a uma rígida disciplina iniciática, mediante a prática da Yoga e Meditação constantes e ininterruptas durante longo período sob a orientação de pessoas entendidas, bem assim como levar a vida na mais absoluta pureza.

ALIMENTOS DOS VEÍCULOS

As Yogas visam o despertar da Consciência Superior do discípulo, fazendo com que este saia da periferia da Roda da Vida e se centre no eixo da existência espiritual. É um processo de libertação, de auto-educação, que só funciona quando o ser sente vibrar no seu interior a Voz do Silêncio. Sair da periferia para o centro significa fugir da Lei inexorável do Karma, não mais se submeter às circunstâncias externas, ou seja, tomar o seu destino nas próprias mãos.

No nível da Matéria e no Plano da consciência ordinária, as pessoas ficam de “pés e mãos atadas” com poucas oportunidades para movimentar-se no sentido do seu centro espiritual, que é o único caminho para nos tornarmos verdadeiramente livres. Muitas pessoas não levam muito em consideração a prática da Yoga e da Meditação. Por considerá-las muito simples, ignoram que as grandes verdades são caracterizadas pela simplicidade e pureza.

Todos os Grandes Mestres são unânimes em afirmar que o objectivo da vida é promover a subtilização dos veículos, materiais ou imateriais. Assim, temos três veículos que devem ser objecto de todos os nossos cuidados:

  1. Veículo Físico
  2. Veículo Astral
  3. Veículo Mental

A subtilização desses veículos é de fundamental importância para que a nossa Tríade Superior tenha condições para se expressar nos Mundos inferiores. Sem a devida preparação veicular, tornar-se-á impossível qualquer manifestação de ordem superior no Mundo Humano. Daí a importância que os Mestres dão ao trato das coisas dos corpos Mental, Psíquico e Físico.

Felizmente, a própria Ciência materialista tem avançado muito no tratamento do Corpo Físico, e através da Psicologia já começa a interessar-se pelo Psiquismo. Contudo, no que diz respeito à parte espiritual ainda se encontra na “estaca zero”.

Segundo a Ciência Iniciática, a subtilização dos corpos depende muito do alimento que dermos a eles. Assim, temos:

  1. O Corpo Físico nutre-se com alimentos materiais;
  2. O Corpo Astral alimenta-se com emoções e sentimentos;
  3. O Corpo Mental alimenta-se com pensamentos.

Consoante a qualidade dos respectivos alimentos, assim serão os corpos. Daí a recomendação expressa dos Mestres a respeito dos alimentos ingeridos, sejam físicos ou não. Recomendam os Senhores de Sabedoria o máximo de cuidado com o que introduzimos em nós. Alimentos naturais e puros para o Corpo Físico, emoções e sentimentos elevados e bons para o nosso Corpo Astral, e pensamentos transcendentais para alimento da nossa Mente. A receita é simples, a dificuldade está em praticar-se. A solução está na prática constante da Meditação e da Yoga.

PRIMEIRA POLARIZAÇÃO DO HOMEM

No Devakan as experiências são sintetizadas transformando-se em faculdades, que na próxima encarnação serão exercitadas. Essas faculdades estão expressas nas 12 Pétalas do Chakra Cardíaco através das Skandhas e Nidhanas que as mesmas encerram, ou sejam as nossas tendências boas e más.

As faculdades tenderão a converter-se em poderes. A Iniciação deverá exercer um grande papel no processo visando, sobretudo, activar as Skandhas, as nossas boas tendências em detrimento das Nidhanas, que expressam as nossas inclinações negativas trazidas de um passado muitas vezes tenebroso.

A nossa Personalidade pode nascer e morrer inúmeras vezes, porém, tudo tem um limite. É bom que o discípulo tenha sempre isso em mente, mormente neste momento crucial que a Humanidade atravessa, que é o do fim de um Ciclo para o início de outro portador de melhores dias para o Mundo. Como já vimos, nessas ocasiões efectuam-se os Grandes Julgamentos, onde serão seleccionados os dignos de passarem a compor a nova Humanidade. Portanto, o viver na eternidade é uma conquista interna. Os que não quiserem aproveitar o tempo que lhes foi devidamente confiado pelo Logos, por certo terão que responder pela imprudência. Como diz uma Lei Oculta bem nossa conhecida: “Tudo está pesado, medido e contado”.

As personalidades incapazes convertem-se em algo demasiado inútil na Economia Cósmica, já que não reúnem as condições requeridas pelos Mentores que dirigem e controlam a Evolução. No fim de um Ciclo ou Manuântara, os elementos constitutivos das personalidades que não lograram realizar os ditames da Lei, segundo o Mestre Morya, serão relegados para um Plano no qual a Natureza os utilizará de forma menos importante, indo servir de elementos para a elaboração de Reinos primários como o Mineral, por exemplo.

No nosso Sistema Evolucional, os seres são medidos na sua evolução pela Luz que irradiam, ou seja, pela Aura do seu Corpo Causal. Nos primórdios da nossa Evolução, o progresso pôde ser medido a partir do momento em que a Mónada passou da etapa Animal para a fase Humana propriamente dita. Fase em que o ser tornou-se uma entidade com o princípio da individualização, tornando-se um ser pensante com um Corpo Emocional já estruturado, muito além daquele simples conglomerado de energia astral dos animais. A partir de então, começou a surgir de modo muito incipiente essa Luz Interna, brilhando muito tenuamente mas que era observada atentamente pelos Mentores responsáveis pela evolução da Humanidade.  

O período acima correspondeu à época da Lemúria e à fase inicial da Atlântida. Fase em que a consciência do Homem estava polarizada no seu corpo físico e ensaiando os primeiros impactos do corpo emocional ou dos desejos, ainda descontrolados. Nessa época, predominava apenas a actividade do Átomo Físico Permanente que centralizava a polarização, e devido a esse fenómeno a Luz que tre-mulava era ainda de escassa intensidade. Devido a isso, as Hierarquias dirigentes não podiam fazer grandes coisas pelos seres em evolução. Funcionava mais a Força Cósmica Colectiva, que impulsionava a globalidade das entidades em ascensão.

SEGUNDA POLARIZAÇÃO DO HOMEM

Depois de atingir determinada curva da evolução da polarização no Corpo Físico, a consciência humana começou a despertar para o Corpo Emocional que desenvolveu em grande escala os desejos; foi então que as paixões explodiram na consciência da Humanidade de então. Os desejos, que inicialmente eram de natureza puramente física, passaram a mesclar-se com os princípios mentais no período final da Raça Atlante. À medida que a consciência do Homem focava-se no Corpo Emocional, a polarização centrava-se no Átomo Permanente Astral, fenómeno que provocou um aumento da Luz Interna dos seres, nesta fase já com dois Átomos Permanentes activados. A respeito do assunto, assim se expressou o Mahatma Djwal Khul:

“A polarização acha-se agora no Átomo Emocional Perma-nente, e quando este ponto de desenvolvimento é alcançado uma Luz actua nos dois Átomos que tenham conhecido a polarização, o Emocional e o Físico. O que procuro trazer ao conhecimento neste estágio, é que a Unidade Mental não conheceu a força da polarização: a Emotividade deteve-a e o resultado foi uma completa diferenciação dentro e na periferia do próprio Átomo. As combinações electrónicas que compõem o Átomo que tenha sofrido polarização, são agrupadas numa forma geométrica diferente daquelas que ainda não experimentaram o processo. É o efeito da vida do Ego actuando na matéria do Átomo e causando várias aproximações e diferenciações desconhe-cidas num Átomo polarizado. O assunto é abstracto e complexo.

O alinhamento entre os Corpos Físico e Emocional é agora facilmente alcançável. O problema é alinhar ambos com o Corpo Mental e, mais tarde, com o Corpo Egóico.”

Segundo os Adeptos, o Átomo Permanente Físico executa três movimentos que lhes são inerentes. Movimentos de natureza permanente que nenhuma força exterior pode modificar. Esses movimentos têm as seguintes características:

  1. Rotação em torno do próprio eixo;
  2. Movimento numa órbita circular;
  3. Pulsação, como se fosse a de um coração num constante expandir-se e contrair-se.

FUNÇÃO DAS ESPÍRILAS

Existem, fundamentalmente, sete Forças Universais chamadas Tatwas, que alimentam e vitalizam toda a Vida manifestada. Essas forças são activadas de acordo com o desenvolvimento das Rondas ou Ondas de Vida. Actuam sobre o ser humano através das Espírilas que são componentes dos Átomos Permanentes

Na amplidão cósmica, entre os Universos manifestados – no espaço entre os Sistemas Solares – os átomos conservam mais liberdade, muito equidistantes por não sofrerem demasiada interferência do meio ambiente. Na medida, porém, em que haja uma maior densidade de corpos celestes, como no espaço entre os planetas, os átomos associam-se e nunca estão em estado livre. Mesmo que não estejam agrupados em formas, passam então a sofrer interferências pelas perturbações causadas pelos cometas e meteoros, além da interferência exercida pela atracção do Sol e demais corpos celestes.

Cada Ronda activa uma Espírila. Assim, na 1.ª Ronda só uma Espírila estava activada; na 2.ª Ronda entrou em atividade a 2.ª Espírila, e assim por diante. Actualmente todos nós temos, por força de Lei, quatro Espírilas activadas. As Espírilas estão relacionadas com determinada faculdade ou estado de consciência. As pessoas que se adiantam em relação às demais, activam Espírilas que lhes conferem dons incomuns. Os Grandes Adeptos, por exemplo, têm as sete Espírilas já plenamente activadas na nossa 4.ª Ronda. A Iniciação acelera o processo de desenvolvimento atómico do discípulo.

O que caracterizará a Nova Raça será, precisamente, o surgimento desses valores na estrutura íntima da Humanidade futura. À medida que o ser vai se apossando desses valores, a sua estrutura, não só a física como a dos demais corpos subtis, passará por uma verdadeira transmutação alquímica. Quando um Adepto emite um pensamento constituído de partículas já portadoras de um maior potencial de Espírilas, ele contamina o meio ambiente astral e mental com átomos enriquecidos que contribuirão, sobremodo, para a melhoria da aura ambiental. 

OS DOIS ASPECTOS DO UNIVERSO MANIFESTADO – O Universo manifestado pode ser visto sob dois aspectos: um universal e outro individual. O aspecto universal, figurado pelo Triângulo Indeformável, é o resultado da associação de Atmã com Budhi e Manas, ou seja, com as matérias mais subtis do Plano de Manifestação do Logos, também denominada pelos hindus de região do Akasha Superior. O aspecto mais grosseiro constitui o Mundo Mental Concreto ou Plano dos seres individualizados, o Mundo Psíquico e o Mundo Físico.

Na região do Triângulo Indeformável, Purusha, o Espírito, predomina. A Consciência Unitária está além da Personalidade, da Individualidade e da Multiplicidade. É o Plano do Espírito, o Plano Divino onde ninguém é dono de nada. Tudo pertence a todos. Ahamkara, o princípio da individualização que se transformou em egoísmo, não pode ter existência num Plano onde predomina a Consciência da Unidade.

ELECTRICIDADE

A electricidade é um fluido que penetra todo o espaço, está presente no ar, na água, na estrutura da matéria, em tudo. Por diversos processos tecnológicos, esta energia pode ser captada e transmitida por condutores tais como fios, ondas, etc. Este fluido, quando captado por um mecanismo qualquer, manifesta-se por uma série de atributos que, na realidade, não são dele, mas sim dos instrumentos que o utilizam. Assim, a electricidade pode produzir luz, magnetismo, frio, calor, etc., dependendo dos instrumentos utilizados. A sua utilização pode ser aplicada em infinitas modalidades. Assim também é Atmã. Daí ele ser definido como o agente subjectivo de tudo que existe manifestado. Atmã é o Eu Universal.

Budhi, associado a Atmã, constitui o mais alto estado de consciência que pode ser alcançado no Universo manifestado. Esse estado é a Consciência Pura, a percepção directa e imediata de todas as coisas, é a própria Sabedoria na sua universalidade e transcendência. É o Princípio Único das causas, pois é aí que se encontram, em germe, todas as causas que vão gerar futuros Universos. 

DESTRUIÇÃO DO TEMPLO DE SALOMÃO – No processo da Iniciação, o Homem vai ter que aprender a distinguir o Conhecimento da Sabedoria. O Conhecimento é o património geral da Humanidade; a Sabedoria, porém, é o apanágio dos Vencedores do Ciclo, portanto, é uma conquista iniciática. O Conhecimento é fruto gerado pela Personalidade, independe de qualquer exigência de ordem moral ou espiritual. A Sabedoria, contudo, tem a sua origem na Trindade, portanto, é de carácter imortal. A sua aquisição exige do ser humano uma sólida base moral.

A luz da Razão guia o Homem através da Câmara do Conhecimento até à Câmara da Sabedoria, segundo certas Iniciações. Nessa última Câmara, faz-se ciente das limitações humanas, e aquela estrutura Psicomental envoltória do nosso Corpo Causal ou Templo de Salomão, também será destruída pelo Fogo Consumidor. Este Fogo consome o maravilhoso casulo que o homem erigiu através de múltiplas encarnações e liberta a Luz Interna. Então, os dois Fogos se fundem, ascendem e se perdem na Luz da Tríade Divina.

Dizem as Estâncias de Dzyan:

“Diz a Chama à Centelha: tu és eu mesma, minha imagem e minha sombra. Eu revesti-me de ti, tu és o meu vahan (veículo) até ao dia do ‘Sede Connosco’, quando voltarás a ser eu mesma, e os outros tu mesma.”

O dia em que a Centelha retornará à Chama, quando se dará a fusão do Homem com o seu Dhyan-Choan, significa que no Paranirvana a Humanidade passada, presente e até mesmo futura, assim como todas as coisas, não formará mais do que uma só Unidade. Tudo será reabsorvido pelo Grande Hálito Divino, quando, então, “dar-se-á a fusão de tudo em Brahmã”, ou seja, na Unidade Total.

NIRVANA NÃO É MORTE NEM SONO

O estado Nirvânico não equivale ao aniquilamento. Tal concepção equivale a considerar que um homem imerso em sono profundo sono sem sonhos, esteja morto. Sonhos esses que não deixam a mínima impressão na memória e no cérebro físico, por se achar, então, o Eu Superior da pessoa adormecida no seu estado original de Consciência Absoluta.

O retorno à Divindade não significa um sono sem sonhos, pelo contrário, tal estado é a plena Consciência, ou seja, a verdadeira Omnisciência, que o nosso mental é incapaz de definir tal a sua excelsitude.

Segundo as informações dos Iniciados, quando se mergulha no Nirvana não se perde a Individualidade nem a essência da Personalidade, se alguma ainda existir, pois o estado Paranirvânico, embora infinito do ponto de vista humano, tem um limite na Eternidade. Mesmo depois de ter alcançado tal páramo, a Mónada prosseguirá a sua jornada ascensional, ressurgindo ainda mais perfeita e evoluída num Plano mais elevado da sua gloriosa marcha. A Mente Humana no estágio actual do seu desenvolvimento, não tem condições para ir além de certo limite, e detém-se no limiar do Absoluto e da Eternidade, que estão muito acima da sua compreensão.

O Logos, como já vimos, é o resultado de todas as experiências assimiladas em Manuântaras anteriores. O Logos ao manifestar-se criando um novo Universo, vai exercitar e colocar em actividade as suas faculdades que estiveram em custódia, potencialmente, durante o Pralaya, e assim pôr em prática a Sabedoria acumulada durante Idades sem conta.

Após o Pralaya, o Logos emerge para uma nova vida no raiar do Manuântara que se inicia. O mesmo é constituído, essencialmente, por um conglomerado de Mónadas individualizadas em diversos graus de evolução, ou seja, Mónadas nos mais diversos estados de consciência. Dentre a multidão de Mónadas que vão entrar na Roda da Vida, destaca-se um grupo de elite constituído pelas Mónadas mais avançadas que desempenharão o papel de liderança e formarão, em conjunto, as Hierarquias dirigentes de que nos falam as tradições mais secretas.

Durante o Pralaya, as Mónadas ora activas permanecerão em estado latente no seio do Logos sem se desintegrarem. É de difícil compreensão para as nossas mentes conceber o tipo de vida dessas formas individualizadas nessa fase de não-Actividade, pois a individualização nesse estado tem outras características bem diferentes em relação ao período de Manifestação.

A respeito do assunto, diz a Doutrina Secreta:

“Tudo que é, foi e será existe eternamente, inclusive as inúmeras formas que são físicas e perecíveis tão-somente em seu aspecto objectivo, mas não em seu aspecto ideal. Elas existem como ideias na Eternidade, e quando desaparecem subsistirão como reflexo.”

MATÉRIA E ESPÍRITO NO PRALAYA E NO MANUÂNTARA

No início do Manuântara, as Mónadas que no Ciclo anterior se individualizaram reiniciam a nova jornada, como que despertando de um longo sono mas jamais como a criação de um novo ser que inicia uma vida. Não fora assim e não haveriam Mónadas em estágios diferentes de evolução por suas múltiplas experiências passadas. Então, como compreender que já na 1.ª Cadeia do novo Manuântara havia Seres aptos a dirigir outros, por sua maior Sabedoria e Consciência?

Pode-se perguntar: onde estavam as Formas e a Matéria na não-Manifestação, ou seja, no Pralaya? Os dois Aspectos Primordiais do Universo, designados por Espírito-Matéria, confundiam-se no Caos Primordial, pois encontravam-se em estado passivo.

Esses dois Aspectos podem ser entendidos como sendo:

  1. a) Aspecto Consciente;
  2. b) Aspecto Inconsciente.

O Aspecto Consciente corresponde ao Espírito; o Aspecto Inconsciente expressa a Matéria.

O Aspecto Consciente é Parabrahmã e o Inconsciente é Mulaprakriti, segundo ensina a Cosmogénese.

O Aspecto Consciente do Eterno expressa-se no Homem como Inteligência, Mente Criadora, Espírito.

Mulaprakriti, que não é a Matéria como a conhecemos mas a sua essência, é Inconsciente em virtude de sua inexperiência e passividade, portanto, Vida-Energia, que algum dia se converterá, com o tempo e a experiência, em Vida-Consciência. No Homem, esses Aspectos são expressos pelos seus corpos inferiores.

Esses dois Aspectos estão integrados no Pralaya e definidos no Manuântara. Segundo ensina a Sabedoria Oculta, fundamentalmente a Evolução consiste em transformar Mulaprakriti, que é a raiz da Matéria, em Parabrahmã, que é a raiz do Espírito. Em outras palavras, transmutar a Matéria em Espírito, transformar o passivo em activo, realizador e consciente.

A Essência da Matéria é eterna, assume os mais variados aspectos no decorrer da Manifestação, mas essencialmente é de natureza imorredoura. Essa Essência é modelada pela Suprema Consciência na confecção das formas. Filosoficamente falando, essa Essência preenche todo o Espaço, na realidade ela é o próprio Espaço abstraído das dimensões e formas.

ACTIVAÇÃO DAS MÓNADAS NO NOVO MANUÂNTARA

Acerca do conjunto de Mónadas adormecidas no seio do Logos, quando Este desperta para um novo Ciclo elas também despertam e vão envolver-se com a Matéria que preenche todo o Espaço, para formar os seus veículos de expressão. As Mónadas passam a agir sobre as partículas da Substância Primordial, e então a Matéria torna-se atómica, granulada. As Mónadas, alentadas pela experiência do Logos, vão se individualizando, como já vimos. Separam-se e envolvem-se de Matéria, ficando cada vez mais experientes. Quando chega o Pralaya, o Logos torna-se Parabrahmã; Espírito e Matéria novamente se confundem, formando o Caos. Como fruto da Actividade Cósmica, temos as miríades de Mónadas nos mais diversos escalões evolutivos, com os respectivos estados de consciência.

Mulaprakriti não é Matéria. É aquilo que no Logos é Incons-ciente, e que na Manifestação é Matéria. Chegando o Pralaya após o Manuântara, o Logos retorna ao estado passivo, voltando a adorme-cer. Nesse longo processo Mulaprakriti torna-se consciente, por ter sido trabalhada em Idades sem conta no período da Manifestação.

TODA A MANIFESTAÇÃO É UMA ILUSÃO, UMA MAYA – O Logos ao despertar envolve-se numa nova Ilusão ou Maya, porque o Espaço é infinito e existe haja ou não Manifestação. O Logos desperta porque tem experiências a ser comprovadas; é possuidor de faculdades adquiridas, porém, ainda em estado latente mas que vão tornar-se activas na consecução do novo Universo.

O exposto acima explica o porque da Natureza fazer tentativas no sentido de se realizar, aperfeiçoando cada vez mais as suas criações em todos os Reinos. Pressente-se que há uma Força invisível, porém actuante, na consecução de uma programação a ser posta em prática, elaborando uma Natureza cada vez mais refinada e perfeita. No entanto aparecem falhas, corrigidas pelas próprias Leis da Natureza, inclusive através da própria acção consciente ou inconsciente dos homens que, em última análise, também são parte actuante da Natureza.

Repara-se na Natureza uma luta constante entre as forças cegas e as formas. A Natureza é de essência material, o que implica em inconsciência, e quando prevalece a Matéria predomina a Inconsciência, portanto, o Mal relativo. O Mal não é da natureza do Logos, que é essencialmente fonte da Consciência, portanto, do Bem. O Mal é natural na Matéria, como Inconsciência. Por isso o Mal progride, porque a Matéria vai progredindo.

INTUIÇÃO E INTELIGÊNCIA

Referindo-se às diversas concepções religiosas sobre o Nirvana, assim se expressou Kut-Humi:

“Em vista do crescente triunfo e, ao mesmo tempo, do mau emprego do livre pensamento e da liberdade, inclusive dedicando-se à baixa magia, mostra como deve ser restringido o natural instinto combativo do Homem para não cometer crueldades, tiranias e injustiças jamais ouvidas, e só o será através da sedativa influência da nossa Fraternidade e da aplicação prática das doutrinas esotéricas do Budha. Porque, conforme sabemos e quantos acompanham fielmente os nossos passos, a emancipação total do governo único desse Poder Omnipotente que é a Lei, essa mesma Lei a quem muitos preferem chamar Deus, inclusive os sacerdotes, Budhismo, Sabedoria Divina, Iluminação, Teosofia, etc., significa também, para os filósofos de todos os tempos, a emancipação da lei humana. Uma vez desligadas e libertadas do peso morto das interpretações dogmáticas, dos nomes pessoais, dos conceitos antropomórficos e dos sacerdotes assalariados, as doutrinas fundamentais de todas as religiões provarão ser idênticas em seus significados esotéricos.

Osíris, Krishna, Budha, Cristo, etc., apareceram com diferentes nomes para o mesmo e Único Caminho Real que conduz à Beatitude final: o Nirvana. O Cristianismo Místico, ou seja, aquele que ensina igual a nós a Redenção por meio do Sétimo Princípio, esse libertado Paramahatma chamado por alguns Cristo, por outros Budha, e que equivale à regeneração ou renascimento em Espírito, exprime uma verdade idêntica à do Nirvana Búdhico.

Devemos unir-nos ao nosso próprio Eu, numa vida transcendente e divina. Mas se não quisermos ser egoístas, devemos também envidar todos os esforços para que outros sintam essa mesma verdade, reconhecendo a realidade do Eu transcendente, o Budha, o Cristo ou o Deus de todo o pregador. Razão por que o mesmo Budhismo Esotérico pode conduzir os homens à Verdade Esotérica.”

INTELIGÊNCIA – A Intuição tem a sua origem no Princípio Búdhico. É difícil tentar explicar o que significa um Princípio Superior, como é o caso do Búdhico, usando-se a Mente que lhe está muito abaixo. Contudo, a Intuição existe, embora muito raramente se manifeste na consciência do homem comum. A Intuição não se assemelha à nossa Inteligência, porque esta analisa, examina, julga, compara e busca solução para todos os casos; a mente transmite informações à consciência, elabora princípios gerais, chega mesmo a sintetizar.

A Inteligência a partir do conhecido, usando a analogia ou a lógica da análise, abeira-se do abstracto e do desconhecido… A Inteligência chega mesmo a transcender o material e a tentar penetrar nos mistérios do imaterial e até do Espiritual, muito embora neste terreno ela não vá muito longe por perde-se em conjecturas, às vezes estéreis.

INTUIÇÃO

O aspecto inferior da Intuição tem algo do instinto inconsciente, só que a Intuição está num nível incomparavelmente superior. É uma faculdade espiritual que ocasionalmente manifesta-se nas nossas vidas; ela faz-se cada vez mais presente à medida que avançamos na Senda da Iniciação. A Intuição, sem que percebamos, conduz-nos e faz-nos agir com conhecimento realmente certo. A Inspiração tem as suas raízes basicamente na Intuição, que muitos confundem com uma exteriorização sublimada do instinto. A Intuição abarca todos os aspectos da vida subjectiva, porém, atinge o seu ápice quando se penetra na Vida Espiritual.

A Intuição transcende a Inteligência, por ser muito mais ampla e profunda quando plenamente activada na consciência do Homem. Ela assemelha-se a um farol que dá rumo à Inteligência, sem que esta dê conta do fenómeno que se opera nos níveis mais altos de consciência. Foi a Intuição que norteou todos os grandes desbravadores, como Galileu, Colombo, Cabral e muitos outros. Os grandes profetas também tiveram a dita de ouvir esta Voz Interna e segui-la.

Quando os grandes génios da Humanidade, que nos extasiam até hoje, criaram as suas obras monumentais nos mais variados ramos artísticos e culturais, por certo não seguiram apenas a sua cultura específica, mas acima de tudo a sua Inspiração, que segredou às suas almas privilegiadas as maravilhas que os imortalizaram. Assim, graças a isso, temos as obras geniais de Beethoven, Mozart, Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Dante e muitos outros que beberam nessa fonte miraculosa que é a Inspiração, filha dilecta da Intuição que é o Princípio Búdhico dos Iniciados.

Segundo JHS, quando num longínquo Passado a Inteligência iniciou o seu desenvolvimento no Reino Humano, a Intuição passou por diversas metamorfoses. O órgão físico pelo qual ela expressava-se atrofiou-se, ou seja, o conhecido Olho de Shiva, Terceiro Olho ou o Ureus Mágico dos egípcios, existente na fronte do Homem, interiorizou-se, para daí em diante entrarem em evidência os sentidos físicos. Assim, em virtude do facto actualmente só uma pequena minoria é portadora de tão preciosa jóia iniciática, conquistada mediante esforço próprio e não mais como uma dádiva da Natureza.

No Passado, a Humanidade encontrava-se num nível pouco acima do Animal, em termos de inteligência. Por motivo de sobrevivência, os homens eram obrigados a enfrentar grandes animais que os sobrepujavam não só pelos seus portes gigantescos como também, evidentemente, pela força. Quanto aos animais menores, eram extremamente venenosos. O próprio Reino Vegetal não oferecia, como hoje, alimentos de qualidade. Em virtude desse ambiente desfavorável, o homem da época vivia perigosamente, pois a sua constituição física era inadequada para enfrentar uma Natureza tão bravia. Para sobreviver, tinha que enfrentar os perigos descritos. Os nossos ancestrais, portanto, não eram os caçadores mas os caçados.

A Lei Divina, contudo, não deixou sua mais preciosa criação indefesa: deu-lhe a Intuição, na época em forma de instinto. Graças a esse facto, o Homem pôde sobreviver aos seus cruéis e poderosos inimigos.

INTUIÇÃO – INSTINTO – INTELIGÊNCIA

Transcrevemos abaixo alguns pensamentos de JHS sobre o título acima:

“A inteligência dos nossos primitivos antepassados era muito limitada, porém, eles possuíam faculdades complementares que, com o tempo, desapareceram. Ou melhor, à medida que a inteligência foi se fazendo mais lúcida, tais faculdades tornaram-se desnecessárias. Dentre essas, como já foi dito, possuíam prodigiosa Intuição, que os faziam pressentir os contínuos perigos, por isso mesmo se afastando deles…

Por isso mesmo, a Intuição é um estado permanente nos Homens Perfeitos ou Adeptos, enquanto esse mesmo estado naqueles a quem chamamos de sábios, génios, etc., por suas obras de valor para o mundo, só se manifesta em determinados momentos. Daí o dizer-se, por exemplo: “Ele estava inspirado (ou intuído) quando escreveu ou fez tal coisa”. O que importa dizer que a Intuição em tais indivíduos só tem razão de ser quando o seu Mental, além de bastante desenvolvido, deseja realizar esta ou aquela coisa (por isso mesmo precedida de MEDITAÇÃO, que é o ÚNICO MEIO do Eu Inferior ou Alma unir-se ao Eu Superior ou Espírito). 

Em resumo, pode-se chamar a tais momentos (não permanentes) de adaptabilidade mental para receber um estado de consciência imediatamente superior ao que ora desenvolve a Humanidade, resolvendo aquilo que ele só não pode resolver. Foi o que aconteceu com Newton, Franklin, Galileu, Pasteur, Colombo e quantos outros são tidos como verdadeiros sábios, génios, etc.

“Alimento, sono, temor e desejo sexual, tem o homem de comum com os brutos. A faculdade de discernir, residente em BUDHI (Plano da Intuição ou da Certeza), é a única que faz o homem diferente. Se despojado, portanto, dessa faculdade, será igual aos brutos.” – Diz a Uttara-Gïta, Estância 2.ª, Vers. 41.

Em resumo, o que já explicámos ser um estado permanente nos Seres Superiores, e momentâneo ou parcial nos chamados sábios, génios, etc., acabará um dia sendo permanente em todos homens, sem distinção alguma. E não é para outro fim que existe a Grande Fraternidade Branca do Himalaia (há qual pertencem os referidos Mahatmas, etc.), também conhecida com os nomes de Sudha-Dharma-Mandalam, Confraria Branca dos Bhante-Jauls, Hierarquia Oculta, etc.”

DEVAKAN E KARMA

Após a morte física, os Átomos Permanentes Físico, Astral e a Unidade Mental com todas as suas potencialidades são guardados, como radiantes pérolas, no seio do Corpo Causal. Esses valores ficam em estado de letargia no Devakan.

Esses três primorosos Átomos Permanentes por não terem logrado, no período da encarnação, impregnar com as suas vibrações o universo formado pelos diversos corpos que constituem o ser humano, dos quais eles foram a Célula Mater, como decorrência disso esses corpos vieram a falecer, restando apenas os três referidos Átomos. A própria Veste Mental, último veículo temporário da Mónada, também passou pelo processo da morte, restando dela apenas a Unidade básica que encerra em seu íntimo todas as experiências vivenciadas no Mundo Mental.

Vitorioso é aquele que consegue impregnar todos os átomos dos seus veículos com o potencial pleno dos Átomos Permanentes. Quem realiza essa Suprema Obra realiza o Grande Mistério da Imortalidade, consegue transformar a Vida-Energia em Vida-Consciência em sua plenitude. Quem, após a morte, fica reduzido apenas aos Átomos Permanentes, limita o Ego a ter somente vislumbres de toda a vida que findou, recolhendo impressões dos sucessos e, como base desse exame, programar a futura vida encarnada, o que leva à perda de precioso tempo que é um património cósmico que nos foi concedido e do qual teremos que prestar contas, como já vimos.

O nosso Corpo Causal só cresce, espiritualmente falando, quando carreamos para ele valores expressos pelas emoções e pensamentos elevados, que só vibram nos três Sub-Planos superiores dos Corpos Astral e Mental.

Daí a razão oculta das severas recomendações que recebem todos os discípulos dos seus Mestres, no que concerne à vigilância permanente que devem exercer sobre as suas emoções e pensamentos, para que no futuro um comportamento irresponsável em relação a esses veículos não venha a obstruir de maneira negativa o Corpo Causal e a sua vida devakânica. As más qualidades só encontram guarida nos Sub-Planos inferiores dos Corpos Astral e Mental. Assim, elas nada representam para o crescimento do Corpo Causal e nenhum dano lhe poderão causar por as suas baixas vibrações não conseguirem contagiar os Princípios Superiores, como já vimos.

NIRVANA E IMORTALIDADE

No processo de renascimento, os Átomos Permanentes da Personalidade só conseguem atrair para si matérias com vibrações afins, o que vem demonstrar a profundidade das consequências, nefastas ou benéficas, do nosso comportamento no Presente em relação às encarnações futuras. Daí dizer-se que o Futuro constrói-se no Presente, e quem quiser penetrar no trabalhoso Caminho da Iniciação deve exercitar-se permanentemente no sentido de tomar o seu destino nas suas próprias mãos, uma vez que não há outro caminho a ser percorrido.

Muito embora os Devas auxiliem na formação dos novos corpos, contudo eles obedecem a rígidas Leis Kármicas, atraindo somente substâncias afins aos Átomos Primordiais da Personalidade. Quando se trata de um ser pouco evoluído, os Construtores Celestes só conseguem elaborar corpos imprecisos, sendo mais sombras que veículos perfeitamente organizados, sejam eles Físico, Astral ou Mental. A consciência física, astral ou mental até pode esquecer os seus actos, emoções e pensamentos; esquecer o que aconteceu nesta ou em outras encarnações, porém, a Consciência Espiritual está sempre atenta no que concerne ao cumprimento das Leis Cósmicas, por ser da sua própria essência, e por isso ela fará com que a justiça seja feita a fim do equilíbrio ser restabelecido, mormente tratando-se da sua própria Personalidade.

Segundo ensina a Sabedoria Iniciática das Idades, na formação dos novos veículos os Devas desempenham importante função no mister. Quando se trata dos Reinos inferiores ao Reino Humano, praticamente os Devas fazem tudo. Nas pessoas pouco evoluídas, sem grande consciência, os Devas também têm muito trabalho na elaboração dos corpos. Contudo, na formação dos novos veículos de um ser evoluído, a participação dos Devas é insignificante, a própria pessoa encarrega-se praticamente de todo o processo por já ter o livre-arbítrio plenamente desenvolvido, estando assim em condições de escolher o local, a família, a raça e o país em que vai encarnar. Os Seres de Hierarquia Superior já desfrutam de ampla liberdade de escolha, inclusive podendo não passar pelo demorado processo de encarnação comum a todos. Para não perderem o seu precioso tempo numa infância irresponsável, fazem avataras num corpo já formado, desde que o mesmo esteja em condições de abrigá-los.

Pode-se perguntar: sendo Seres de Alta Hierarquia, não possuem já os seus próprios Corpos Imortais? Recordamos que ao atingir a meta suprema da evolução programada pelo Logos do Sistema, o Ser não precisa mais encarnar. Como já vimos, diante dele abrem-se as sete opções que são oferecidas aos Vencedores do Ciclo, podendo, inclusive, optar pelo Nirvana Cósmico. Num caso excepcional como este, o próprio Corpo Causal passa por uma dissolução, sendo os respectivos Átomos Permanentes aproveitados por outros, geralmente por discípulos. Daí a necessidade de se aproveitar corpos já elaborados, quando um Ser de estirpe espiritual tiver que voltar a encarnar, geralmente em missão apostólica. Como já vimos em Cadernos anteriores, Budha, Cristo e futuramente Maitreya, aproveitam-se de veículos adredemente preparados, estruturalmente constituídos exclusivamente de Átomos Permanentes na sua totalidade.

A razão suprema da encarnação não é outra senão transformar toda a nossa estrutura atómica, seja ela de natureza física, astral ou mental, em partículas conscientes e iluminadas. Quem assim procede, está contribuindo para a iluminação da parte obscura ou material do Logos em evolução, porque, como também já vimos, somos parte integrante Dele, ou seja, uma projecção do próprio Logos com uma missão a cumprir.

MUNDOS PARALELOS

Em cada Cadeia de Evolução que se sucede, o Logos vai realizando a sua Grande Obra. Em épocas longínquas, quando o ser humano ainda não tinha dado entrada no cenário, foram elaborados os Reinos Elementais, cada um com determinada função. A Essência Elemental Astral difere da Essência Elemental Mental por serem de Cadeias de Evolução diversas e completas, Ciclos encerrados com objectivos bem definidos na construção do nosso Universo.

A Essência Elemental é uma amálgama energética de vida semi-consciente que preenche todo o Espaço manifestado. Essa Essência é de extrema maleabilidade, molda-se facilmente sob a influência do pensamento e da vontade humana. Com ela, o Homem, consciente ou inconscientemente, cria as formas em todos os Planos da Natureza. Cada pensamento e imagem gerados nos Corpos Mental e Emocional do Homem, automaticamente reveste-se dessa matéria criando as formas-pensamento, e daí o Homem poder criar em todos os níveis.

Essas formas criadas psicomentalmente, são designadas na linguagem ocultista por elementares ou elementais artificiais. Em Magia, esses elementares podem ser usados e dirigidos por uma poderosa vontade para os mais diversos fins; são verdadeiros agentes ao serviço dos Magos.

Segundo determinadas Escolas, a produção dessas entidades astro-mentais obedece às seguintes regras:

  1. Qualidade do pensamento – que determina a cor;
  2. Natureza do pensamento – que determina a forma;
  3. Firmeza do pensamento – que determina a nitidez da forma.

CHITTA E VRITTIS – Segundo os Iniciados, a manipulação dos pensamentos e das emoções é de fundamental importância para a evolução do ser. As forças elementais podem sofrer a nossa interferência, para o bem ou para o mal. Do uso que se faça dessa faculdade é que depende o nosso karma, pois estamos actuando sobre forças cósmicas. Os sábios hindus chamam essas energias de chitta, e quando actuamos sobre elas geramos vórtices chamados de vrittis, que por sua vez criam as formas-pensamento que se agregam nas auras dos nossos corpos subtis com as inevitáveis consequências kármicas, inclusive de natureza física, no que podem mesmo actuar sobre a nossa saúde.

VONTADE E DESEJO

Diz a Tradição Esotérica que movimentar chitta é gerar karma. Ensina que quem sabe como proceder com chitta, não gera karma. Para se obter esse controle, é indicada a prática da Yoga do Pratyhara, que por sinal é o quinto dos Passos da Yoga de Patanjali. Ninguém é responsável quando uma emoção ou um pensamento involuntariamente adentra a sua mente, porque tal pensamento ou emo-ção não foi gerado pela pessoa; contudo, se lhe dermos guarida e o acalentarmos, a partir daí assumimos a responsabilidade, por alimentar com a nossa energia psicomental o que veio de fora, dando forma a algo que não era nosso. A prudência da Sabedoria Iniciática vem alertar-nos para os constantes assédios dessas entidades subjectivas que nos envolvem, em virtude da existência de imensa população de entidades elementares que povoam os Mundos paralelos. Este facto torna-se mais patente durante o sono, que é quando com mais facilidade nos defrontamos. 

Os nossos veículos inferiores são sempre dominados pelos que lhes ficam imediatamente acima. De um modo geral, o Físico é dominado pelo Astral, sob os impactos das paixões. Por seu turno, o Astral deveria estar sob a égide do Mental e este sob o domínio do Ego.

A Tríade Superior, como ensinam os Iniciados, reflecte-se na Tríade Inferior. Quanto maior for a conexão entre esses componentes do nosso ser maior será o nosso estado de consciência, mais ajustados estaremos com as Leis Divinas. Todos os esforços dos aspirantes devem ser direccionados nesse sentido.

É imperioso que se transforme o Desejo em Vontade, que se irá desenvolvendo à medida que exercitarmos essa realização interna. Esquematizando, temos:

Desejo  transformando-se em Vontade

Inteligência transformando-se em Sabedoria

Acção    transformando-se em Actividade

LIVRE-ARBÍTRIO E LIBERTAÇÃO

O pleno Livre-Arbítrio é a faculdade que caracteriza quem já não é mais joguete de forças externas, nisso sendo um Ser Liberto detentor do Poder da Vontade plenamente desenvolvido. Graças a tal, possui a capacidade de ser senhor do seu mundo interno, abrigando no seu coração somente o que interessa à sua evolução, ou seja, os bons e elevados sentimentos e pensamentos, ao mesmo tempo que repele energicamente tudo que é negativo e prejudicial ao seu caminhar rumo ao Infinito.         

A Mente não é um órgão físico e sim um corpo de natureza subjectiva, por isso mesmo, é portadora de grande capacidade geradora de pensamentos ininterruptamente, sem se fatigar devido à sua natureza intrínseca. O mesmo não se dá com o cérebro físico, que se fatiga em virtude da sua constituição mais grosseira em comparação à Mente. Contudo, a fadiga física pode afectar os veículos mais subtis, devido às conexões que existem entre os diversos corpos. A prática de Yogas específicas pode neutralizar qualquer tensão ou fadiga do corpo, razão pela qual o primeiro Passo da Yoga de Patanjali, Yama, consiste precisamente em dominar o Corpo Físico.

Quanto mais próximo está um veículo da Tríade Superior ou Eu Interno, maior será a influência benéfica exercida pela Mónada sobre o mesmo. Razão pela qual, à medida que o discípulo avança na Senda da Iniciação, maior será seu controle sobre a Mente, por ser o veículo mais sensível à influência do Eu. O veículo Astral, por se achar mais distante do Eu e por ser um corpo mais denso, é de natureza mais rebelde, portanto, mais difícil de ser controlado.

O Corpo Físico, por ser o mais denso constituído de matéria grosseira, é o que apresenta maior obstáculo para ser plenamente dominado. Todos nós sabemos da dificuldade que existe em dominar-se uma dor física, pois é muito mais fácil dominar uma emoção ou um pensamento do que dominar qualquer alteração no veículo físico, por ser o mesmo constituído de matéria pouco maleável, não se amoldando, portanto, ao comando do Eu. Contudo, esse domínio não é impossível, pois os Yoguis hindus exercem um completo domínio do corpo fazendo dele o que bem entenderem. O perfeito controle do Corpo Físico constitui um desafio ao aspirante à Iniciação. Quem conseguir controlar o Físico, conseguirá controlar perfeitamente o Astral e o Mental.

A Mónada Imortal, Divina, nunca deveria ter os seus veículos conspurcados pelas forças primárias dos Mundos Elementais. Ao sermos envolvidos pelo mar tenebroso das baixas emoções e dos desejos, estamos descendo ao nível inferior dos elementais, que ainda estão muito aquém do ser humano. Tal comportamento constitui uma grave violação das Leis da Evolução, do qual infelizmente ainda não conseguimos libertar-nos, para angústia e sofrimento do nosso Mestre Interno.

O estado caótico interno afecta toda a maravilhosa estrutura que forma o ser humano. Assim, qualquer desequilíbrio mental desestrutura o corpo emocional, com reflexos no físico. Do mesmo modo, um físico insano afecta de igual maneira os veículos subtis interiores, que são de extrema sensibilidade. É de bom alvitre que se atente para o facto, para não incorrermos no equívoco de desprezarmos o corpo físico como se ele fosse a fonte do mal ou do pecado, e não caiamos na religiosidade ingénua. Somos um Ser Integral, portanto, todos os sete Corpos e Princípios devem estar harmónicos entre si, para que a Grande Obra da Divindade se realize em nós e através de nós.

RELAÇÃO DAS GLÂNDULAS COM OS CORPOS SUBTIS

Quando estudarmos no próximo Caderno o que vêm a ser os Elementais, veremos que os mesmos são formados da Matéria-Prima que constitui os Planos Rúpicos do Universo. Quanto maior for o desenvolvimento do Ser, maior será o controle que ele exercerá sobre essas Forças da Natureza.

Os Iniciados hindus chamam de Mayavirupa às entidades artificiais criadas com a substância elemental do Plano Astral. São entidades provisórias, portanto, mayávicas, criadas pelos Adeptos para actuarem no referido Plano. Essas entidades podem, inclusive, materializar-se, tornando-se visíveis, ou então invisíveis, consoante a intenção da poderosa vontade do Adepto. Após cumprirem o papel para o qual foram criadas, como mayas que são, elas dissolvem-se no seu elemento.

Assim como os Adeptos criam conscientemente seres artificiais no Astral, os Magos Negros também o fazem, só que com fins destinados a objectivos egoístas, quando não para prejudicarem a outrem ou outréns. O processo é o mesmo, o que difere são as intenções. Também todos nós criamos, involuntariamente, nos Planos subjectivos entidades que vêm a constituir-se no nosso karma, como já vimos. Daí o cuidado que devemos ter ao praticar actos de Magia, para não brincarmos ao “aprendiz de feiticeiro” e pagarmos caro pela nossa imprudência. Dedicar-se ao exercúicio da Magia Operativa implica em aspirar a compartilhar do Poder de Deus mas sem ter a Sua Sabedoria. É por isso, pelos motivos expostos, que os verdadeiros Adeptos se furtam a qualquer prática mágica que implique em actuar sobre as forças elementais, a não ser que seja em função das exigências da Lei. A única Magia que realmente praticam é a da transmutação do próprio Ser.

ÓRGÃOS DE CONSCIÊNCIA FÍSICA – Como estamos na 4.ª Cadeia do 4.º Sistema Planetário, toda a evolução está centrada na consciência física, cuja sede localiza-se no cérebro. A ampliação da consciência humana implica forçosamente no desenvolvimento cerebral, naquilo que ele encerra de mais refinado. As células cerebrais, de per se já sendo altamente especializadas, no cérebro de um Iniciado atingem elevada sensibilidade.

É no cérebro que estão localizadas as mais importantes glândulas de secreção interna, ou sejam, as glândulas pineal, pituitária e tiróide. Estas glândulas estão relativamente desactivadas no homem comum, mas em plena actividade no Ser Iluminado.

O desenvolvimento desses centros físicos ampliará de maneira substancial as nossas faculdades mentais e espirituais. O momento cíclico que atravessamos exige que todos os valores espirituais, mentais e psíquicos se centrem na nossa consciência física, contudo, para que tal aconteça imperioso se faz que tenhamos um órgão especializado capaz de abrigar em si esses valores. Assim sendo, qualquer desenvolvimento espiritual ou psíquico que não chegue ao nível cerebral, carece de qualquer valor prático.

Este tema será abordado com maior profundidade futuramente, num Caderno específico.

RAJA-YOGA

Como sabemos, existem diversos métodos de Yogas, sendo que o mais elevado é a RajaYoga que conduz o discípulo para a busca interna, portanto, a mais profunda. A Hatta-Yoga relaciona-se mais com os aspectos exteriores do ser humano. Hipnose, drogas, concentração da atenção num ponto externo, fixação na ponta do nariz, etc., embora sirvam para aumentar a nossa capacidade de concentração não conduzem à Realização Suprema. 

A Raja-Yoga aponta um caminho que se processa internamente, genericamente chamado de Samyama e que designa um conjunto de  

quatro disciplinas, a saber:

1 – Pratyhara – Estágio preliminar abrangendo o completo controle dos sentidos;

2 – Dhâranâ – Concentração num objecto interno;

3 – Dhyana – Meditação;

4 – Samadhi – Contemplação.

Colectivamente, como dissemos, esses quatro estágios são designados de Samyama pela Raja-Yoga. Contudo, as informações divulgadas não estão completas, faltam complementos importantes que os Mestres são parcimoniosos em transmitir. Inclusive não são ensinadas as técnicas de como executar praticamente os quatro estágios.

A prática completa da Raja-Yoga implica em dinamizar certas faculdades latentes nas pessoas que, se não forem preparadas convenientemente, ou não obterão nenhum resultado ou serão prejudicadas com o aparecimento prematuro dos sidhis. Daí o cuidado dos Adeptos em ensiná-la.

Qualquer prática de carácter iniciático exige do discípulo severo comportamento moral, consubstanciado nos Mandamentos Esotéricos. Futuramente trataremos desse assunto com o carinho e cuidado que o mesmo merece.

Raríssimas são as pessoas aqui no Ocidente que possuem a auto-disciplina necessária para palmilhar o difícil, mas não impossível, caminho de Samyama. A prática da disciplina da Raja-Yoga exige do discípulo, acima de tudo, disciplina, constância e método, coisas muito raras aqui no Ocidente, onde geralmente o que se busca é o fácil e ilusório caminho do falso esoterismo, ou das artes mágicas do chamado “ocultismo de feira”, cujos praticantes se contam aos milhões no mundo inteiro. Os verdadeiros buscadores são muito raros, em virtude do esforço constante exigido a quem quer trilhar a estreita Vereda da Iniciação Real, que é a verdadeira tradução do termo Raja-Yoga.

TÓNICA SONORA DA MÓNADA

O Som é de importância fundamental no Ocultismo. No Caderno n.º 4, quando estudámos os mistérios das Mónadas, verificámos que o segundo Plano Cósmico, Anupadaka, é também chamado de Plano Monádico, por ser ali o habitat das Mónadas. Nesse Santo Lugar as Mónadas estão agrupadas em sete grandes aglomerações, cada uma delas com a sua respectiva Tónica vibratória. Nos Planos mais abaixo processa-se um desdobramento, tendo sempre o número sete por múltiplo, até chegar à Humanidade. Daí se falar em Mónadas Numeradas, que é um dos grandes mistérios que envolve a Alta Iniciação. 

As Tónicas Primordiais chegam até nós em forma de sons, co-res, perfumes, formas, tatwas e símbolos os mais diversos, porém, tendo sempre como tronco o número sete. Assim, todos nós temos a nossa tónica, o nosso número, perfume, etc. A respeito do assunto, transcrevemos um precioso texto de Alice A. Bailey:

“Qual é o resultado quando a Personalidade encontra, por si mesma (após vidas de esforço e busca), a sua nota espiritual, com a clave certa e respectivo sub-tom? Harmoniza-se com a sua Nota Monádica, vibra na mesma medida, pulsa com a mesma cor, a linha de menor resistência é finalmente encontrada, e a vida interior é libertada e retorna ao seu próprio Plano.

Mas esse trabalho de descobrimento é muito lento e o homem tem de escolher o acorde com infinito cuidado e atenção. Primeiro, descobre a terça da Personalidade e fá-la soar, sendo o resultado uma harmoniosa vida ordenada nos Três Mundos. Depois, ele encontra a quinta dominante do Ego, a nota chave do acorde, e emite-a em uníssono com a nota da Personalidade. Como resultado, forma-se um vácuo (se assim posso expressar-me) e o homem libertado, com a sua alma esclarecida – o Espírito Tríplice, mais a Mente e a experiência – fazendo-se o Três completado pelo Quartenário e pelo Quinto, evade-se em direcção à Mónada, conduzido a isso pela harmonia do som, da cor e do ritmo.

O estudante precisa lembrar-se, todavia, de que primeiro é necessário encontrar a nota da sua Personalidade, e depois a do seu Ego, antes de poder chegar ao Acorde Monádico. Ao consegui-lo, terá pronunciado por si mesmo a sua própria Palavra Tríplice, e doravante será um Criador Inteligente animado pelo Amor, terá alcançado a Meta.”

LIVRE-ARBÍTRIO – VONTADE

A Lei do Livre-Arbítrio é um facto cósmico, não há como possa ser negada. O próprio Homem com as suas acções é que a criou para si mesmo. Por causa do Karma que constantemente gera em todos os Planos Rúpicos, por sua própria vontade ele deverá restabelecer o Equilíbrio quebrado pelo seu direito de livre pensar, sentir e agir.

Esotericamente falando, o Karma nada mais é do que Skandhas e Nidhanas acumuladas no decorrer das reencarnações. Essa pesada bagagem que carregamos de vida em vida deverá ser desfeita pelo seu próprio criador, o Homem.

Devido à queda do Espírito na Matéria, o Ser fraccionou-se, e a partir daí o Homem polarizou-se, as suas lutas não são mais do que a eterna busca do elo perdido. Assim como foi por um imperativo da Lei que a tudo e a todos rege que esta separação se deu, também é de Lei que a união entre a Personalidade e o Eu Superior se efectue inexoravelmente, mais cedo ou mais tarde. A Iniciação constitui um processo pelo qual a religação opera-se com maior rapidez. O chamado Androginismo Perfeito é a união da Alma Humana com a sua Mónada Divina, portanto, um casamento místico que se realizará no mais íntimo do Ser.

Considerando que o Karma pode ser atenuado e até mesmo desfeito por uma acção meritória, como se fosse o saldar de uma dívida por antecipação, tal vem demonstrar que o Karma é relativo e não uma realidade permanente. Uma Maya para o que realmente não existe, portanto, não passando de uma criação do homem que usou mal o seu livre-arbítrio.

O ajustar-se às Leis Universais é o melhor meio para se anular o Karma, que visto de um nível mais elevado não deixa de ser um desafio a ser vencido. A literatura épica hindu assegura que a conquista do Mundo dos Deuses é tarefa para Heróis. Só os Vencedores são dignos de galgar o Nirvana. Quais os inimigos que os referidos Heróis tiveram que vencer? Evidentemente que os adversários desafiantes não eram criaturas estranhas ao Vencedor. A Vitória foi conseguida vencendo-se as próprias Nidhanas internas, afinal geradas por nós mesmos, e assim só podendo ser vencidas pelo seu criador. De maneira que a Vitória é algo muito pessoal e íntimo. A ninguém é dado o direito de interferir a partir de fora, a façanha é tarefa que cabe ao próprio realizar mediante o uso construtivo do Livre-Arbítrio. 

É muito comum naqueles que acreditam na Lei do Karma e da Reencarnação acharem, fatalisticamente, que todo o Karma é fruto de reencarnações passadas. A Filosofia Esotérica ensina não ser bem assim que a Lei funciona. Grande parte das nossas desditas são geradas na presente encarnação, por não sabermos reagir contra as nossas tendências inferiores trazidas desde o berço.

O Karma não é fatalismo inexorável. Pensar assim é colocar-nos passivamente perante a Vida. Para vencer o Karma foi-nos concedido o Poder da Vontade, poderoso instrumento que é uma Virtude Monádica, como já vimos. A Iniciação visa, acima de tudo, desenvolver e ampliar ao máximo essa Divina Virtude. Todos os Vencedores têm como característica comum uma Vontade muito poderosa, inclusive toda a técnica iniciática objectiva, fundamentalmente, o desenvolvimento da Vontade, sem a qual nada se conseguirá em termos de evolução, segundo ensinam os Mestres.

DEVAKAN E LIVRE-ARBÍTRIO

O Adepto Perfeito não deve ser confundido com o homem vulgar. Segundo JHS, Adepto Perfeito é sinónimo de Senhor do Karma, por isso mesmo, um Liberto, livre da escravidão kármica, como tal um Agente consciente da Lei ou Dharma. Sendo um Liberto, encarna por livre iniciativa. Sob o manto da prudência, disfarça-se para melhor cumprir a sua santa tarefa que é a de aliviar o peso kármico da Terra, com reflexos profundos no próprio Planetário da Ronda.

As Mónadas também são chamadas de Estrelas, daí falar-se em Estrela-Guia ou Anjo da Guarda que protege as pessoas. Estrela que nada mais é senão a própria Mónada ou Mestre Interno de todos nós.

Certa feita, um Adepto ao ser interrogado sobre o objectivo da sua vida, respondeu: “Eu vivo de transformar esterco de cães em Estrelas luminosas”. O sentido oculto dessas misteriosas palavras é de que, por ser um Liberto não tendo mais Karma a tolhê-lo, podia, pois, dedicar-se a orientar as almas que acaso apelassem para ele e assim se salvarem, ou seja, se transformarem em Estrelas.

O Karma, portanto, em última análise sujeita-se às modificações da evolução de cada um. À medida que o ser evolui, o Karma passa por transformações, inclusive podendo ser anulado parcial ou inteiramente. A respeito do assunto, disse JHS:

“Fatalidade ou Karma, dos hindus, Kismet ou ‘estava escrito’, dos árabes, Anakés, dos gregos, e Fatum, dos romanos, sujeita-se a modificações, na razão já apontada da evolução de cada ser. E isso porque essa Energia interior, realmente Divina, que vive potencialmente (e mais ou menos potencializada) em todas as coisas, que abarca o Universo por inteiro e a todos os seres que o povoam e têm por detrás de si todas as possibilidades, é representada pela Tríade Radical e Neutra: Liberdade, Energia Latente e Fatalidade.

A Vontade é a Energia Latente! Se esta é firme e consciente, o ser se aproxima do pólo positivo: a Liberdade; se, pelo contrário, é débil e inconsciente, ele fica sujeito às circunstâncias exteriores e às suas respectivas leis, a Fatalidade, portanto. Tudo depende, pois, da evolução dessa Energia Interna que, na Etapa Humana, pode ser chamada de Vontade, ou antes, Carácter, segundo o mesmo se encontre mais ou menos expresso, mais ou menos manifesto, para não dizer, mais ou menos puro e desenvolvido! Todos os seres, de qualquer categoria, expressam-se pela sua energia latente que é quem dá valor à vida, desde o micróbio, o insecto, etc., até ao astro… Quando essa Energia Interna é avassaladora em alguns Planos, cedem os obstáculos, e isso nos dá a ilusão de Liberdade. Sim, porque Liberdade plena só se pode alcançar no fim das coisas, aparte a ideia de um Céu ou Devakan como simples Maya (Ilusão) que se desfaz tão logo o ser tenha esgotado o impulso produzido pelo pouco de bem que ele praticou na Terra; algo assim como despertar de um sonho feliz para a realidade de uma vida de esforço e de trabalho, para não dizer, de lágrimas e sofrimentos sem fim…

E assim, sendo débil a Energia Interna o ser se acha sujeito à Fatalidade do meio ambiente… “Aos que muito possuem, muito se lhes dá; aos que pouco possuem, também pouco lhes será dado”, assim diz o Evangelho, embora que, como sempre, muito mal interpretado.” 

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