O Futuro Próximo do Mundo – Por Henrique José de Souza

Uma Sociedade mental espiritualista criada no Brasil por determinação de uma das Confrarias Brancas do Oriente.

Como satisfazer os inúmeros pedidos dos meus amigos, discípulos e interessados pelas minhas profecias anuais? Existem dois motivos de ordem superior que me inibem de as fazer:

Primeiro, a abundância de profetas, cartomantes, ocultistas, astrólogos e todo esse número extraordinário de privilegiados que se fazem anunciar pelas colunas de quase todos os jornais de nossa terra, em contradição com as verdades de todos os tempos, isto é, que os poderes psíquicos, embora latentes em todas as pessoas, são, quando possuídos congenitamente, um “DOM” especial concedido àqueles que trazem uma missão qualquer no mundo; e quando adquiridos por meios mecânicos são prejudiciais, até mesmo ao corpo físico. E se tal não fora, ao em vez de cinco sentidos, o homem possuiria seis.

Quando este houver alcançado a sua última etapa evolutiva da constituição setenária de todas as cousas, é provável que o seu último sentido já esteja desenvolvido, isto é, quando os corpos de que ele se compõe, estiverem harmonizados entre si, para que possa ser considerado o verdadeiro homem simétrico. Podemos quase afirmar que no Ocidente, bem raros são os casos de pessoas portadoras de grandes desenvolvimentos psíquicos, devido à atmosfera agitada em que ele se mantém, já sob o ponto de vista material, já sob o ponto de vista moral. É justamente nos campos, entre pessoas simples, vivendo em harmonia com a natureza, longe do bulício e das sérias cogitações das grandes cidades, que se pode constatar o maior número de casos interessantes de psiquismo.

Esporadicamente, há um ou outro caso interessante como sejam o de Mozart, Jacob Boeme, Abbade Júlio, etc., etc., vêm agitar as massas das grandes urbes, vislumbres da verdade adormecida dentro de todos os homens, receios daquilo que todos sentem mas procuram ocultar para que os seus ideais, gozos e alegrias superficiais não venham ruir por terra, como simples castelos de cartas em mãos infantis.

Muitos são os ocidentais que, após um desperdício de tempo e de dinheiro, abandonaram o estudo e a prática dos métodos que por aí se vendem, pela inutilidade do seu valor, sob o ponto de vista do desenvolvimento dos poderes psíquicos latentes no homem.

A ganância de escritores menos escrupulosos e… porque não dizer, a ignorância de muita gente, obriga aos interessados nas Cousas Sagradas a esse desperdício de tempo e de dinheiro, inutilmente. E sem falar na profanação que eles fazem das palavras sagradas e dos Mantras religiosos.

No entanto, todo método seria bom para aquele que já tivesse encontrado em si algo de anormal, como sejam, visões, falas, ruídos estranhos, prova incontestável da posse dos ditos poderes. O Fogo Sagrado adormecido dentro desses privilegiados só espera a centelha para que as suas chamas avermelhadas e aquecedoras venham alterar-se em grandes fogueiras que, futuramente, servirão para iluminar a grande estrada da vida, por onde todos nós passamos.

É fato que o ocultismo já não dorme o sono letárgico nas criptas silenciosas do Egito, nem nos Templos Sagrados do Himalaia. Mais de um mortal ousou erguer o véu espesso de ÍSIS, porém, ofuscados talvez pela Luz intensa de sua Face resplandecente e bela, embriagados pelo perfume suave que emana de seu Corpo Divino, e fascinados pela música transcendente que repercute dentro de todos aqueles que se aproximam de Seu Aura celestial, acharam-se no dever de compartilhar com os seus irmãos em humanidade, das delícias sublimes que aquele Corpo encerra.

Triste desilusão! O Fogo Sagrado que jamais se extingue nos corações puros e sinceros, os já tocados pela Centelha Divina, torna-se ofensivo, destruidor até, dos que O buscam sem o amor e carinho que Ele exige, desperdiçando-o inutilmente, espalhando as suas brasas pelos quatro cantos, calcando com os pés as suas cinzas, profanando as suas virtudes, apagando enfim a última centelha que poderia servir para iluminar outras mentes elevadas mais dignas de tamanha graça. Com o papel que se tem gasto em livros sobre o Ocultismo, podia forrar-se o globo terrestre como se fora uma casa. No entanto, para a maior parte dos que ingeriram toda essa sapiência profana, a Luz não se fez, a Verdade permanece oculta, a Esfinge imóvel e invencível continua a fitar-nos com a voluptuosidade do seu mistério.

A bondade mal equilibrada, sem o discernimento natural a todas as cousas, deu nascimento a um fracasso, fracasso este que transformou-se em erro e… até mesmo em crime. Inconscientemente ou não, muita gente por aí maneja com as forças ocultas da natureza (sidhis inferiores), já por espírito de curiosidade, já para fins ilícitos, já por uma mistificação inconcebível, abusando vergonhosamente das Cousas Sagradas, como o melhor meio de aumentar o seu cabedal financeiro, sem saber dos perigos a que se expõe.

Como a bruxa, eles volteiam em torno da chama e acabam queimando as suas lindas asas. Por toda a parte, os “médiuns videntes” afirmando cousas impossíveis, verdadeiros disparates, como aparecimentos de entidades cercadas de cores várias, inclusive o cinzento (esta última significa medo, abatimento, etc.), cujas entidades trazem o rótulo de “espíritos superiores ” o que nos poderia obrigar a uma pergunta um tanto indiscreta: se se trata, de fato, de uma entidade do Astral ou se do frontispício de uma tinturaria?

De posse de quatro ou cinco livros, inclusive o de Coleção de Preces, raro é aquele que não tem nos fundos de sua casa (para ocultar o ruído das cadeiras quebradas, dos murros e dos gritos, e toda essa resultante da complicadíssima “doutrinação” moderna), uma sessãozinha de “espiritismo”, abusando daquilo que desconhecem, invadindo um Mundo oculto à sua visão material.

Verdadeiros magarefes do Astral, escalpelam cadáveres, tresandam a carne putrefata, vivem rodeados de restos kamolokicos, empesteando as suas casas, complicando cada vez mais a sua existência (física e psíquica) e a daqueles que se acercam do seu Aura maléfico.

Muita vez, uma simples emanação etérea, uma forma pensamento, são recebidas como um… São Francisco de Paula; é uma larva inconsciente (chamemo-la de micróbio do Astral), doutrinada eficazmente para alcançar as delícias do Astral Superior (chamemos de Devachan)!…

Não desejo alongar-me neste assunto, mesmo porque não é meu intento melindrar as crenças de outros, e sim, exemplificar os casos de desconhecimento de um assunto tão importante. Graças a Deus, existem por aí muitíssimos “espíritas” conscienciosos do seu papel e do valor da Doutrina que eles pregam.

Apenas, relembro aqui aos interessados e estudiosos, que outrora, o aparecimento de um vidente ou portador de outro poder físico qualquer, era recebido com verdadeiro alarme no mundo Espiritualista, e até mesmo, nas Confrarias do Oriente para onde era atraído ao seu seio com o fim de prestar relevantíssimos serviços à Causa da Humanidade.

É natural que, decorridos os tempos e, portanto, estando o mundo na sua evolução sempre ascendente, o número de videntes e portadores de outros poderes psíquicos, tenha aumentado; mas nunca, da maneira assustadora que se pode constatar por toda a parte.

Hoje, todo mundo é “médium” desenvolvido, sem lembrar-se do mandato espinhoso que lhe é confiado e das enormíssimas responsabilidades que essa missão exige. Se o soubessem, o exército de hoje ficaria reduzido a um número relativamente insignificante, tais as deserções que nele se fariam.

É uma graça sublime e divina, mas também é a posse tristonha e aflitiva de um “dom” traiçoeiro e ingrato, madeiro pesado que descansa sobre o ombro infeliz de matéria, mas feliz da alma-espírito. É o amor que vivifica, mas, inconscientemente, poderá ser o ódio que destrói, que aniquila consciências e corrompe almas aproveitáveis.

O não conhecimento da Ciência Eterna e a sua respectiva prática por pessoas inconscientes ou malévolas, além das graves perturbações que lhes podem advir, acarreta a pior de todas: o fracasso tremendo que se vê por aí, causa predominante da morte da Fé nas consciências profanas, destruição de mentes, que bem poderiam prestar relevantíssimos serviços à Causa Comum. E daí o sorriso de desdém e encolher de ombros dos nossos sábios atuais. Eis, bondosos amigos e interessados, o primeiro motivo da minha desistência em fazer profecias.

Passemos ao segundo: essas profecias, bem compreendidas, nenhum valor moral e, até mesmo material, possuem para que se lhes dê tanta importância.

O mundo atravessa atualmente a sua fase mais dolorosa, momento de transição, instante de agonia de uma raça apodrecida e gasta, para nos interessarmos por assuntos de somenos importância, que aliás, são a causa predominante dessa “debacle” final.

Vós me pedis profecias, como simples passatempo, ou digamos mesmo: para saber se o ano é bom ou mal; se há probabilidade do câmbio subir ou descer e toda essa baboseira que, verdadeiramente, não vos pode interessar.

Para que, meus amigos, movimentar o quadro negro da vida atual do Mundo, caleidoscópio fatídico, cujo diafragma íris se vai abrindo aos poucos, para mostrar-nos, em toda a sua nudez horrível, o cenário tétrico dos acontecimentos vindouros? A vossa esclarecida inteligência bem poderá deduzir, do que irá acontecer como resposta a tanto despautério…

Dizer-vos que movimentos sísmicos consecutivos irão desencadear-se sobre o mundo, destruindo cidades, vidas e aldeias; que a mais bela cidade da América do Norte, de que tanto esta se orgulha, sofrerá o golpe inexorável da impetuosidade de um maremoto; que toda esta espinha dorsal banhada pelo Pacífico e que se chama Peru, Chile, Argentina, etc., etc., oscilando sobre si mesma, desaparecerá no oceano para dar nascimento a um novo continente fronteiro onde novas gerações virão viver, amar, sofrer e morrer como todos nós. Que o ano atual é o da “guerra religiosa”, onde os representantes dos diversos credos existentes só faltam pegar em armas para defender o seu “deus”, como se este vivesse em uma só delas, sem se lembrarem que Jesus, o Cristo, expulsou de um Templo qualquer, comerciantes que profanavam a casa de seu Pai, dando-nos o exemplo edificante de tolerância e respeito a tudo quanto se refere ao Criador de Todas as Cousas, seja Ele TUPÃ, OXALÁ, Senhor do Bonfim, Deus, Theos, Zeus, Logos Universal, Parabrahm, etc.

Que epidemias desconhecidas, pragas e catástrofes virão enlutar várias partes do globo, como causa concomitante de todo este despautério? Quem semeia ventos, colhe tempestades.

A humanidade, durante centenas de anos, vem criando uma “atmosfera” (Deva ou Egrégora) que hoje transformada pelo grande metabolismo oculto em “dragão infernal” sedento de sangue e de ódio, procura repasto no próprio seio que o gerou.

O homem transformou-se em seu próprio verdugo. No entanto, um tênue raio de esperança ainda ilumina vagamente o mundo, que é a modificação dos costumes, dos vícios e tudo mais quanto o homem tem criado em seu próprio detrimento.

Isso não é impossível, mas infelizmente é difícil…

Em todas as épocas, o mundo atravessou fases semelhantes, quando uma raça, nas mesmas condições da atual, necessitava “que um novo poder no mundo se levantasse” para salvá-la de uma segunda morte, a morte moral.

Deus, na Sua Infinita Misericórdia, mais uma vez, envia ao mundo a Sua Centelha para iluminar as consciências obscurecidas pelo domínio das Trevas. O Budha divino (Christo ou Crestos), dentro de algum tempo ainda, descerá em um Budha humano (fazendo avatar) como outrora no Jordão, quando do batismo efetuado por João Batista.

O Nirvana, abrindo as Suas Áureas Portas, que se refletem em SHAMBALLA, a cidade Santa, entre os Bhante-Jaul, ofertará ao Mundo uma das 5 pérolas que Ele traz engastadas no Seu Diadema Divino, tesouro inigualável que o Escrínio celeste guarda com tanto amor e carinho. Felizes daqueles que A reconhecerem, na Sua imaculada e sublime alvura. O Loto Sagrado abrirá as suas pétalas perfumosas e lindas, deixando cair sobre o mundo uma lágrima de dor por tanta ingratidão!…

Os tempos se aproximam em vertiginosa carreira e os primeiros fenômenos precursores da Vinda do Mestre já se fazem sentir, para todos aqueles cuja visão espiritual não esteja apagada pelo espesso véu de Maya (a ilusão).

Ele não virá já, como afirmam por aí; porém, quando não houver mais um só raio de esperança para o mundo. O dia e hora, ninguém o saberá. Porém, a Aurora de Paz para o nosso planeta, só terá lugar em 1944, final do ciclo de Marte. Antes disso, porém, Ele já terá vindo, porque Ele é o Sol que vai iluminar essa nova Aurora.

“Todas as vezes, ó Filho de Bharata, que Dharma (a lei justa) declina e que Adharma (o oposto a Dharma) se levanta, Eu me manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus. Para o restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga ”. (Bhagavad Gita, IV, 7,8)

“Em breve estaremos no fim do ciclo; os cataclismos se sucedem. Grandes forças estão acumuladas para esse fim em diversas partes”… já afirmava o grande Ego que teve o nome de Helena Petrovna Blavatsky.

O Dr. Buchaman, o célebre criador da Psicometria, afirma: “O período da conclusão se aproxima… As grandes perturbações serão agravadas pela guerra que terá lugar na Europa, ao começar do século XX, guerra que será o golpe de misericórdia dado nas grandes monarquias… Não será em 1916 que a Paz se restabelecerá completamente… Tudo ficará destruído: a religião como tudo mais”.

Deixemos de parte as palavras sentenciosas dos Maiores Mestres do Ocultismo; deixemos de parte os antiquíssimos manuscritos sagrados do Egito e da Índia, e façamos uma ligeira recapitulação mental dos fatos atuais, para confirmação de que os tempos esperados já chegaram:

A epidemia da gripe (a espanhola) destruindo maior número de vidas que a própria conflagração européia. Esta última, foi a mortalha rubra que estendeu-se por quase todo o globo e ainda hoje são discutidos os pontos mais comezinhos, para um completo entendimento entre as nações aliadas.

Quase todas as nações do mundo, sob o domínio fero das revoluções, sem saberem o que desejam, sem demonstrarem de viseiras erguidas, os sentimentos que ocultam avaramente dentro de seu seio.

França, aniquilada pelos quatro anos de guerra e ainda sustentando nova com Marrocos; em verdadeira bancarrota, aquela nação procura suster, titubeante, sob a cabeça, a coroa portentosa e bela, de rainha da moda, dos costumes e… de tudo quanto sabemos, diariamente, pelos jornais.

Rússia, este verdadeiro vulcão em erupção constante, agita-se furiosamente, como a fera abatida dentro do charco de seu próprio sangue. É um povo, até então oprimido, que reclama os seus direitos, a sua liberdade por tanto tempo restringidos à ponta de chicote e ao frio mortal da Sibéria.

Portugal, pátria de nossos avós, por sua vez, convulsionada por consecutivas revoluções (sete por semana), não nos deixa adivinhar o que deseja o seu povo… É a ânsia de Paz atraída a ponta de baioneta e a pata de cavalo.

Alemanha, abatida e em mísero estado financeiro, procura sacudir os escombros das ruínas das outras nações que ainda lhes pesa sobre as costas e as cinzas de seus mortos nas grande investida de seu ex-imperador, o Napoleão moderno, na sede de conquistas e de ambições várias, o quarto Cavaleiro do Apocalipse – o DOMÍNIO, que reunido aos seus 3 outros companheiros, FOME, PESTE e GUERRA, continuam juntos ainda, a dança macabra por sobre as nossas cabeças, tudo destruindo, tudo aniquilando, na sua passagem devastadora.

E o que dizer das pobres nações pequeninas, vítimas das grandes aves de rapina que, de olhos aguçados para a presa inofensiva, espreitam o momento azado para lhes porem as garras aduncas sobre o lombo? Algumas delas já vêm servindo ao banquete da carniça.

Sob o domínio do terror, arquejantes ainda, as poucas que usufruem uma liberdade fictícia, reclamam à custa do sangue de seus filhos, a posse de um torrão pátrio, onde seja permitido amanhar as suas terras, apascentar os seus rebanhos, enfim, entoar um hino glorioso ao pavilhão livre e independente. Essa aspiração sublime, verdadeira ousadia (?), só é permitida às nações grandes e potentes… em exercício e armada.

Seria fastidioso e… porque não dizer, ferir os brios de muita gente (se é que dizer verdades seja uma ofensa), se usássemos de franqueza que a situação atual do mundo exige, desnudando as verdades que encobrem os atos de prepotência de mais duas outras nações européias…

Falando de nós, de “nossa pátria amada”, pesa-nos dizer que, infelizmente, sob o ponto de vista da moral dos costumes, ela caminha “pari passu” com as outras, macaqueando estupidamente, tudo quanto vê e sabe, por intermédio dos jornais, dos filmes e dos figurinos, essa tutela moral e material, que se julga no direito de nos ditar leis, regras e costumes, cerceando a nossa liberdade de raciocínio. É o cúmulo do servilismo! Mas, infelizmente, ninguém se apercebe disso.

Como carneiros os homens seguem, inconscientemente, as pegadas uns dos outros, reproduzindo todos os seus atos, todos os seus sentimentos, tornando-se, desse modo, à mísera condição de irracionais. Ser-se patriota, não é somente pegar em armas para defender o torrão natal, nem entoar a “Canção do soldado paulista”. Não! Maior patriotismo, maior abnegação, altruísmo residem em não permitir que a nossa Pátria tome parte ativa nessa debandada infernal, em que a maioria dos povos está empenhada, sendo portanto, espoliada do mais belo tesouro que sempre possuiu: o caráter firme, sincero, reto, superior, inigualável, enfim, sua raça.

Demos-lhes o exemplo, não por vaidade, mas por misericórdia, por caridade, pois que, desse modo, salvamos todos eles que são nossos irmãos em humanidade. Dia virá em que poderemos afirmar que o mundo é a pátria de todos os homens (utopia ou não, para os céticos), após a vinda do Supremo Instrutor das Raças e das Religiões, Aquele que é o Estandarte do Grande Exército da Paz Universal.

Tudo isso quanto vindes acompanhando no mundo, de triste, de horrível, de fero, vós que já vos interessais pela leitura das Cousas Sagradas e que já ocupais alguns instantes de vossa vida, concorrendo para o vosso progresso espiritual e dos vossos irmãos, pergunto eu, tudo isso não é motivo bastante para acreditardes nas minhas palavras?

Infelizmente, meus amigos e irmãos, se houver incredulidade de vossa parte, com isto não modificareis em nada os fatos que se vão desenrolar e, portanto, queirais ou não, vos afirmo hoje, vós sereis crentes.

Todo esse vosso ceticismo, a careta ridícula que costumais fazer, em menosprezo, quando se fala das cousas Sagradas, transformar-se-ão, dentro em pouco, em estupefação, em silêncio, em terror, e… então, com a crença, vós procurareis refrear os vícios, costumes e tudo mais quanto, atualmente, vem aniquilando a beleza e limpidez de vossas almas, a vossa verdadeira personalidade, a qual tendes o estrito dever de conhecer, zelar e amar.

É pelo caráter que se há de começar o tratamento do cancro minaz que vem corroendo todas as consciências. É pelo moral que se reconhece o valor de uma raça, e não pelo número de exércitos e de armadas.

O prestígio holandês nasce do caráter de seus filhos e, por isto mesmo, é um país privilegiado. Se todos os homens, em um só gesto, em juramento solene, quisessem destruir o poder formidável deste Deva a que me referi no começo deste estudo, Deva este criado por eles próprios, bastaria que modificassem os costumes indecorosos, os vícios inúteis e envenenadores do corpo físico e aniquiladores do moral perfeito e bom; que dedicassem, ao menos, alguns instantes da vida para pensar nas Cousas Sagradas, preparando as suas mentes pela boa leitura, afinando-as, portanto, com os mais belos pensamentos, a fim de que elas entrem no diapasão divino, comportando-se na vida de acordo com uma outra moral mais perfeita.

Aquele que não tem força de vontade suficiente para desviar-se de um caminho, tomando embora um atalho difícil e espinhoso, só poderá acabar no despenhadeiro final da sua primeira jornada. Não se vos pede, propriamente, o abandono daquilo que chamais de gozos e alegrias na vida. O que se vos pede, é simplesmente, a modificação para melhor emprestando a tudo isso um cunho mais real, mais condigno com a vossa própria consciência, que vos trai a todo instante.

Por exemplo: no lugar do cinema de hoje, escola de vícios, de crimes e de costumes, prostituição de almas juvenis, como as de nossos filhos, alegria de nossos lares, esperanças de nossa Pátria, o cinema educativo e perfeito, escola de moral e de altruísmo. (E lembrar que existe uma Censura ridícula para os teatros, cinemas!, etc. …)

Não se quer matar o sorriso que possa despontar nos vossos lábios, nos momentos alegres da vida, mas sim, corrigi-lo para que ele seja franco e sincero, de acordo com a paz da vossa consciência, e não, um ríctus doloroso, que não exprime sinceramente a grande dor que se vai na vossa alma generosa e boa.

Da música, essa demonstração dos sentimentos da alma de um artista, transformada em barulheira infernal, mugidos satânicos, rugidos de fera indomável que empresta aos nossos salões e teatros, um cenário dantesco de parceria com a dança, esse ataque epilético muito bem criado por algum morfinomaníaco, com o fito de aguçar os apetites depravados por um sensualismo intérmino, a música sublime, expressiva e bela; a sinfonia maravilhosa do Setenário Divino.

Para que fazer o extravasamento de toda essa esterqueira imunda, que vive disfarçada sob os escombros de nossas vidas, com o “TOM” pretensioso e ridículo de civilização, modernismo, “chic”, se isso vai fazer corar, de fato, os cadáveres cobertos de jóias e riquezas que perambulam pelas ruas, cabeceando sem cessar em busca de uma cousa que eles próprios desconhecem?

E é esta raça que ousa criticar das orgias de Roma, do sensualismo da antiga Grécia e… até mesmo daquela outra que julgou e crucificou o justo e humilde Nazareno!

Ridículo e irrisório…

E a todo esse despautério, o homem ousa chamar de “gozos e alegrias”, como se o aniquilamento do corpo físico, com o desperdício de sua vitalidade por processos contrários à economia fisiológica, perdendo noites, bebendo como um barril, fumando como uma locomotiva, envenenando-se com morfina, cocaína, ópio, etc., etc., fora a expressão máxima dos ideais de uma raça.

Pobre humanidade! Até quando quereis gozar deste modo, ouvindo os conselhos de vosso eu inferior (animal), enxergando apenas o cenário ilusório que os vossos olhos materiais vos apontam, quando dentro de vós mesmos existem Gozos e Alegrias na VERDADE pura e imaculada que dormita tristemente, à espera que a desperteis com brandura, carinho e amor.

“O homem é um deus embrionário”. Palavras de uma realidade absoluta porque, de fato, Deus fez o homem à sua semelhança, em espírito.

Para que ele, homem, se transforme em verdadeiro Deus, isto é, em Espírito, mister se faz que crie uma individualidade própria (uma alma) aperfeiçoando-a cada vez mais até que, de fato, ela alcance a Unidade Perfeita, a unidade Mãe, e assim atraída para o Grande Oceano que banha todos os Mundos, forme o Todo no Tudo.

No entanto, outras Almas grandiosas tendo alcançado a Sublime Ventura, preferiram abandoná-la, provisoriamente, para vir acudir as outras suas irmãs, que se debatem horrivelmente no mar tempestuoso da vida material.

E neste último caso, encontra-se Aquele que em Marcha vitoriosa vai fazer a Sua Entrada Triunfal na Nova Jerusalém – o Mundo, a despeito de tudo quanto se diga ao contrário e das correntes do Mal, que procuram obstruir a Sua Passagem.

Texto extraído da REVISTA DHÂRANÂ

(1 a 3, janeiro a março de 1926)

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