Além do meio em que nascemos: crítica e independência – Por Javier Alberto Prendes Morejón

  1. Além do meio em que nascemos: a busca pela mais alta doutrina

Independentemente da raça ou povo em que nascemos, seja ela ou ele considerado superior ou não, não devemos, por esse simples fato – que parece-nos fortuito e acidental, fugidio em absoluto à nossa escolha -, assumir sua eventual religião ou religiões, e correlativas filosofias, sem antes termos capacidade para avaliarmos seus méritos e deméritos, segundo o grau de consciência que já fomos capazes de alcançar e que determinará a veracidade de nossas conclusões, além, evidentemente, do grau de cultura que possuímos, pois que o estudo comparativo de artes, ciências e religiões é uma chave-mestra à inteligência e portal ancestral à sabedoria, para além do exercício de meras palavras (por si só aquilata-se, nesse sentido, nossa efemeridade, posto tal conduta ser exígua em nosso meio social, inclusive acadêmico, pouco importa onde estejamos e que diploma tenhamos, já que isso refere-se antes de tudo a uma mentalidade humana estanque – a antipoligrafia ou o antiuniversalismo profundo, digamos assim -, fruto de séculos de ignorância e preconceitos geradores de hostilidades abertas).

Se dotados de livre-arbítrio, e caindo todos num determinado meio, por um lado devemos estudá-lo, compreendê-lo, enaltecê-lo, protegê-lo, amá-lo, e por outro somos forçados, por imperioso dever intelectual e moral, a combatê-lo e retificá-lo o quanto mais possamos, se desejamos diminuir suas agruras e erros congênitos, até o limite de nossas forças (todo intelectual e espiritualista verdadeiro tem, em suma, por norte, o dever auto-imposto em tais termos, verdadeira forja do crescimento individual e das coletividades, verdadeiro fontanário de todas as águas santas e purificadoras). É essa dupla intenção que forja, consciencialmente, o ideal do dever pátrio, continental e global (amor em si à Terra, que decerto é um Ser vivente com Corpo, Alma e Espírito, subjetiva e objetivamente falando; tal amor revela-se nessas três escalas, para não dizer do sempre cada vez menor ao sempre cada vez maior, em termos de ambientes, esferas, contextos, entenda-se; a obscuridade de certos autores não é culpa deles, é antes do público incapaz de compreendê-los, por quererem que tudo seja dado de mãos beijadas, como que sem esforços mentais…). Colocamo-nos, desse modo, além da cor em que se encarna, da doutrina familiar que se assume, por condicionamento ou imposição, e dos gostos vários inculcados por outrens (inglório mimetismo, imenso caudal!, a que raramente chega-se em vida a superar-se de todo, diga-se a verdade, para seres que se creem “livres” e preconizam a “igualdade” a todo momento, e se assumem como um gênero de “Homens Sapientes”… A única igualdade que existe, porém, é a da mediocridade. Poder-se-á criar naves espaciais e ter-se bombas nucleares, mas o mental e o emocional humano ainda são ínfimos e anti-sábios; imaturidade, egoísmo, intolerância, enfim, tantos são os males para serem descritos como notórios ou caracterizantes de nosso gênero, que isso prova por si só como o progresso da mente científica – e teológica -, profana, é voltado de todo para a matéria, por isso mesmo para a morte e a profanação: em síntese, ruína para o mundo, pela má aplicação da mesma, pela cada vez maior ausência de caráter – que é ausência de espiritualização -, que é quem deve orientar a inteligência e lhe dar sábias aplicações, que serão assim sábias somente na medida que forem pensadas e aplicadas para o bem comum indistintamente – socialização dos bens, mas não sem antes haver liberdade de cátedra, de informação, etc., fora dos ditames mesquinhos que hoje imperam, nem sem antes também haver, paralelamente, senso estrito de hierarquia, razão pela qual subscreve-se o seguinte: socialismo como corpo físico, democracia como alma livre, e aristocracia como seleção dos mais hábeis e inteligentes; tal premissa implicaria, em si, inumeráveis reflexões e fatos difíceis – e ainda assim possíveis – de ocorrerem, a não ser, talvez, à medida do transcorrer dos tempos, dos séculos e milênios próximos, quiçá). Todavia, o homem normalmente não passa de uma sombra do meio cultural em que nasceu – religiosa e filosoficamente considerado, embora cada um posasse crer, e crê-se, isto e aquilo -, e além dele não vai, ou muito efemeramente.

Por exemplo, torna-se comum, nestes dias, a importação de conceitos, geralmente orientais, para completar as doutrinas daqueles sistemas que mostram-se insuficientes em conhecimentos. De tal modo sucede, que nas tradições onde não fala-se em Chackras, logo se importa tal conceito, porque vê-se nessa ideia uma realidade imprescindível de ser ensinada aos prosélitos, ou talvez por razões não tão caridosas assim… Mas logo vê-se, consequentemente, quais são as mais antigas e sábias filosofias espiritualistas. É neste sentido que devemos buscá-las sem temores, e ao assim identificá-las, a partir delas examinar todas as demais, parciais e incompletas como se mostram – embora, para nosso desengano ou ilusão com posterior desilusão, não à primeira vista. Em suma, não é a religião de nossa cor, nem a filosofia de nosso país e pais que devemos assumir, mas tão-só a mais elevada de todas, seja de que cultura provier originalmente. Esta atitude, se bem considerada, é a única pertinente ao livre-pensador, e é a única capaz de elevar o homem à Verdade. Mudança de psicologia, portanto, é ao que se refere, e de educação coletiva, evidentemente. À essa busca a vida deve estar consagrada.

Existe e existiu sempre uma Tradição Espiritual Primordial, aquém dos dias da Atlântida, como atestada por inúmeros autores, que jorra como manancial das fontes interiores da terra, dos vales de Proserpina, dos Elísios subterrâneos, refúgio e pátria dos Deuses imortais, e dando origem a todos os segmentos filosóficos, científicos, religiosos e artísticos. Tal fonte, emanada dos próprios Deuses e atributo inerente ao Logos Supremo, riqueza dos quais os primeiros são portadores, defensores e mensageiros, fora a herança primitiva da humanidade em tempos primevos. É, assim, a esta herança, maculada ao longo das idades pela ignorância e fanatismo humano, que deve o homem de bom senso e alto ideal perseguir custe o que custar.     

2. As práticas animistas malsãs das religiões africanistas

Por muitas razões evidencia-se claramente como as matrizes religiosas africanistas não são, filosoficamente, as mais completas nem antigas do mundo. Estas, de índole fundamentalmente animista, restringem-se à alma e logo ao aspecto inferior da natureza humana, que compreende corpo, alma e espírito. Para que pudessem evoluir ao ponto de semelhança de cultos como o do Santo Graal, da Igreja de Melquisedek, ligado aos Jinas ou Adeptos subterrâneos, e não mais apenas representar o estado de consciência do passado humano de tempos lemuriano-atlante, teriam de deixar o animismo de lado e tornar-se puramente mentalistas ou herméticas (contraste entre Lua-Saturno e Mercúrio-Vênus), no que tange à mente ligada à intuição (faculdade imaginativa) e não mais ao nível astral e do mental concreto, que é a esfera própria desses cultos. A mediunidade, enfim, teria de ser superada por seu outro aspecto superior: a Metástase ou Avatarização, que nada tem de comum com aquela, por ser a própria Iluminação.

Aqui estão expostas algumas das características que considero nocivas na tradição desses cultos, e que se fosse membro de alguma delas me recusaria a aceitar e tudo faria para mudar:

  1. O sacrifício de animais. Que Alta Magia exige a morte como tributo, isto é, a dor alheia, mesmo que de animais, para dar respostas e prestar auxílio? É assim, por acaso, na Teurgia levada a cabo pelos Anjos, pelos Iluminados, pela Grande Fraternidade Branca? Asseveramos que não. 
  2. A macumba em si, considerada como “Baixa Magia”, especialmente as oferendas que se oferecem nas encruzilhadas e ruas quaisquer, que enfeiam o ambiente, inclusive astralmente, por atrair entidades que se nutrem de energias grosseiras ou puramente terrenas como as provindas da carne, do álcool, do sangue, etc., e são anti-higiênicas. Os cemitérios, os lugares onde isto é mais horrível. Ainda sobre a prática de macumba, a utilização de bonecos para fins hediondos, tão conhecidos do Vudú, isto é, assassinato à distância, entre tantas coisas pouco aprazíveis.    
  3. Não terem Sagradas Escrituras, tal como nas outras Tradições religiosas, nem tradição escrita.
  4. Confundir-se constantemente as entidades, geralmente homens comuns desencarnados muito afeitos ou inexoravelmente atraídos pelas sinergias psicofísicas grosseiras da terra, com “Deuses”, “Anjos”, “Santos” e outros, quando na maioria dos casos não passam de Cascões Astrais, Elementares, Elementais, Vampiros e Magos Negros encarnados ou desencarnados. A mesma coisa dá-se com o Espiritismo, que deveria ser chamado de Animismo, por pertencer exclusivamente à esfera astral e, portanto, à alma. Foi o próprio Allan Kardec quem disse que entre cem comunicações, quando muito, uma era verdadeira.
  5. A pobreza doutrinal comparada a outras tradições, especialmente as orientais, mas igualmente com relação as ocidentais. (Não há religião melhor que a Budhista, mesmo que exotericamente considerada, nem esta pode ser superior ao puro esoterismo que nutre em seu seio secretamente)
  6. A mediunidade que conduz ao reino das ilusões e à passividade, com graves prejuízos para a saúde. (Inclusive, os ditos tão amantes de Fernando Pessoa, porém materialistas dialéticos ou animistas, não compreendem que o gênio do mesmo ultrapassava a ambos, em muito e em infinitas distâncias, como está bem claro em seus escritos sobre mediunidade na obra “Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal”, afora em correspondências pessoais.     

Como conclusão, considera-se aqui o Animismo como o primeiro degrau do Espiritualismo, por tratar-se da dimensão físico-astral, a Terceira e Quarta Dimensões. À sua dianteira estão planos e seres mais elevados, referentes às Quinta, Sexta e Sétima Dimensões, por demais inefáveis aos meros mortais, pouco importa se sensitivos ou não. Sensitividade às irradiações energéticas dos ambientes, da esfera terrestre, não é nem jamais será sinônimo de evolução espiritual, porquanto esta necessita mais que tudo de forte e elevadíssima inteligência e altíssima moralidade, isto é, santidade e sabedoria: à estas duas sucede-se, naturalmente, a eclosão de poderes psíquicos, menores ou maiores. Em muitos, inclusive, tais poderes são mais patologias kármicas que bênçãos do Eterno… A sua própria busca revela – e geralmente encaminha ao – egoísmo, egolatria da qual se aproveitam certos seres e grupos para fins hediondos. O amor à cultura, às Musas, afora o amor à caridade, é muito superior a isso; o amor à Atenas (o Mentalismo-Imaginativo requerido pela Sabedoria Infinita das Idades) e não os astralismos periféricos à verdadeira Espiritualidade, ao verdadeiramente noético.

Pior que tudo, é usar-se das palavras e ensinos de Adeptos, alguns do maior calibre, para outorgar-se ares de maestria, quando na prática atuam de modo contrário a eles, dizendo mas fazendo tudo às avessas. Apropriação indevida, hipocrisia e alta traição às fontes em que beberam para assim sentirem-se e fingirem-se “maiores”. Teatro de máscaras, em que realmente não há ATORES – palavra tão próxima de ATMÃ.

Como última verdadeira conclusão: busca-se sempre algo que está fora, um suposto algo que vem dar-nos a luz, e no entanto a luz nunca advém, pois continuamos escravos do que vem de fora, assim nas religiões como no esoterismo, e também como na vida amorosa e em tudo mais… Sempre ilusões às quais nos agarramos fortemente, embora a Realização seja uma conquista puramente prática e interior. Não é o alto que deve vir ao baixo, mas este que deve ir àquele, isto se o baixo deixasse de pretender favores “de gênios de lâmpadas mágicas”, cujos simples esfregões ou oferendas banais pudessem auxiliar-nos e resolver nossos problemas, dar-nos riqueza, amores, prosperidade… enfim, a eterna busca psíquica por obter benefícios por meios sutis, a eterna busca por outros Deuses e não o Deus interior, nosso Espírito, por só ele poder tornar-nos autossuficientes e verdadeiramente emancipados. Todos querem falar com os santos, mas o que ninguém está disposto é a ser um santo. É mais fácil pedir a um médium… E isto para dizer, em síntese: contar com as próprias forças, e nunca pedir nada! E como minha alma intui que é daí que há de advir tudo…!  

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