Crítica ao materialismo e aos sistemas políticos contemporâneos – Por Javier Alberto Prendes Morejón

I

Da mesma forma que um indivíduo avesso ao dogmatismo das religiões de massa se torna ateu, em razão dessa aversão ou revolta contra a tirania e a ignorância do clero, da mesma forma um indivíduo se rebela contra o capitalismo ou a democracia fajuta e sovina, perdulária, usurária, oligopolista, fazendo-se assim, em consequência, socialista ou comunista: é a reação negativa, reflexa, sempre, aos descompassos da vida social (psicologicamente, são os que preferem extinguir a aprimorar; são os querem podar a flor pela raiz, ao invés de podar apenas as pétalas podres e os galhos contaminados; nisso impõem novo edifício social e, no entanto, cá está a humanidade atolada entre o degenerado capitalismo burguês, tirânico à sua maneira, e o totalitário socialismo proletário, onde o indivíduo não importa, apenas os ditames do Partido Único; sem fricção, aliás, sem oposição, neste mundo, não há salvação, porque não poderia haver, então, evolução, justamente feita pelo aspecto Rigor que o Destino nos brinda a cada dia, a começar pela escravidão tácita a que somos todos submetidos em virtude da sobrevivência material, já seja escravizando-nos em benefício do Estado, já seja em benefício de um sistema comercial burguês). Vale lembrar que o socialismo é fruto da burguesia e liderado desde sempre por intelectuais burgueses, boa parte dos quais escritores; escritores ou intelectuais, de certo, pelos quais passa primeiro todo ou quase todo Movimento neste planeta, seja de que caráter for.

A reação é sempre um instinto, um impulso, um fácil e rápido pensar procedendo a uma emoção radical e agitada, também cheia de si, de garbo ao amor-próprio, nunca ou raramente pondo-se em dúvida, e nunca uma reflexão profunda baseada em parâmetros de uma pesquisa universal, de um treinamento e de uma atenção rigorosa, uma compreensão comparativa e metafísica e um sentimento de serenidade: portanto, trata-se da reação e da ação, como polos opostos (aliás, provocar a reação, na guerra como em esportes, é sempre uma estratégia sorrateira e sagaz de desequilibrar previamente o adversário… porém, poder-se-ia considerar os homens sábios e verdadeiramente maduros como reativos, ao contrário do que nos induz o bom sentido das coisas?). A reação é motivada, antes de tudo, por um sentimento específico: o ódio, a negação, o desprezo ou o ceticismo a respeito de tudo, de todas as outras tradições e filosofias – é uma mentalidade estanque. Tem como mão direita um braço armado – o militarismo -, a perpétua beligerância nas relações diplomáticas – política expansionista – e a imposição nacional e internacional (censura, repressão) de um critério do “bom e do ruim” no aspecto cultural e político, à revelia de quaisquer partes do todo social e internacional. O socialismo nazi-fascista (Partido Nacional‑Socialista dos Trabalhadores, mais uma versão de partido dos trabalhadores… tudo em mãos do Estado, afirmação de Deus e da Pátria, afora o Ocultismo Negro tramando fundar o Quarto Reich ou Império do Mal) por sua vez pretendeu e pretende ser a opção ao capitalismo democrático (Estado laico e Sociedade Civil onde se movem todos os credos, numa liberdade, em todos os âmbitos, maior que em todos os outros sistemas) e ao socialismo comunista (tudo em mãos do Estado, negação de Deus, fervor à Pátria). Todos apoiados no Militarismo e na Guerra ou Corrida Armamentista, investimentos astronômicos em Complexos Industriais-Militares, etc. etc. O anarquismo, por seu lado, pretende ser uma alternativa a todos estes: pretende uma pureza de ideal pela mágica fórmula conceitual da abolição das hierarquias e da eliminação do Estado, doutrina muito afim à cultura New Age, ao ambientalismo, naturismo, nudismo, veganismo, comunitarismo, etc., sendo um movimento dissidente dentro do marxismo, e tão-só outra ilusão contemporânea.

Todos estes sistemas, analisados friamente, podem ser considerados absolutamente deploráveis. Sempre me consta serem todos ideais fracassados. A vida é uma selva e uma miséria onde quer que seja. Se não se sofre num aspecto, sofresse em outro. Creem-se todos estes sistemas “os melhores”, os “superiores” aos demais, e o resultado é o embate mortal arrastando o mundo em contínuo lastro de destruição. E agem, no fundo, exatamente como as religiões de massa, que tanto nos oprimiam no Ocidente, e que agora oprimem atrozmente o Oriente Médio: ou seja, cada uma afirma-se a melhor, a verdadeira, e logo a razão está justificada para o extermínio mútuo.

E o que permanece a ser a vida? A vida continua sendo uma incógnita. O homem não conhece o êxtase. A máxima de Delfos não tem valia.  

E por que não incluir-se, nesta lista de pouco aprazíveis sistemas ideológicos, o jesuitismo?

Afinal, temos em comerciantes, em militares e em sacerdotes as três classes que em todo mundo subvertem a Justiça, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade. Mancomunadas e corrompidas, fazem chafurdar o progresso. Todos estes sistemas estão apoiados na mais feroz luta armada e em toda espécie de tática de violência e vigilância mútua. Chame-se pelo tradicional nome Deus – no caso antropomorfo e contraditório das religiões ocidentais, à semelhança de Homem, e não ao contrário… -, ou considere-se o seu substituto o Deus Dinheiro (dos burgueses), ou o Deus Materialismo (dos proletários liderados por intelectuais burgueses), ou o Deus Anarquia (proletários e burgueses), ou o Deus Ciência (positivismo academicista global, tônica contemporânea, ufanista), ou o Deus Super-Homem (de Nietzsche e das religiões), o Deus Avatara (dos orientalistas acadêmicos, das religiões e do esoterismo oriental)… seja como seja, tudo o que na Face da Terra é professado nesses termos, não será mais que descaminho e fanatismo.    

II

            O pior mal de nossa Era ou do curto período de tempo enquadrado entre o atual século e os séculos XX e XIX, é o sintoma do MATERIALISMO, afetando cruamente a Filosofia e a Política, daí partindo à Arte, e arrastando o mundo todo, social e psicomentalmente, à imoralidade e à tirania. Espiritualmente o homem está decadente e cego. A Filosofia contrária ao Espiritualismo, sobretudo sua vertente Esotérica, Hermética, Teosófica ou Ocultista, graças ao materialismo acadêmico de esquerdas e direitas, ambas colocando-se em combate contra a Sabedoria dos Deuses ou a Sabedoria Revelada. O predomínio da Ciência positivista sobre qualquer outro aspecto do saber: negação da Tradição. O Mito e as Fábulas, Parábolas, Folclore, Lendas, reduzidas a alegorias, a símbolos meramente subjetivos. A recrudescida luta pela sobrevivência meramente animal. A competição exacerbada e nabalesca. A traição, a falta de companheirismo e interesse pessoal abundando; o amor verdadeiro, a sacralidade do matrimônio, do sentido de vida, das relações humanas (especialmente do vínculo Professor-Aluno e Mestre-Discípulo), da perspectiva da vida além da morte, etc., extintos. A mais rude miopia filosófica, o embaçado e reduzidíssimo alcance do Raio Mental de cada indivíduo. O chackra Muladhara como imperativo – pese o contragosto de alguns, e prova cabal do Corpo acima do Mental, do Sexo acima do Amor, do Dinheiro acima da Virtude, da Força acima da Inteligência, da Mediocridade acima da Qualidade… Não se consegue o equilíbrio entre a Igualdade e a Liberdade, que nunca chega a ser pela ausência de Fraternidade.  

III

            O Ganso Primordial está morto. Os veneráveis símbolos de outrora, quando ainda eram entendidos em sua pureza prístina, ora estão invertidos em seu significado, colocados de cabeça para baixo. Morta está a Ave Primordial, símbolo da Sabedoria Divina. Tem de renascer, qual Fênix, sob a pesada pedra da incredulidade e diante do pesado madeiro da intolerância. Tal tem sido o mister, sob o prisma de tantas eras, dos famigerados Mistérios, a quem Voltaire proferiu palavras tão elogiosas. Que seja o Ganso entendido com conotação sexual, assim como Eros a vulgar paixão e insídia amorosa; a verdadeira Swástika trocada pela negra Sovástika do Mal; o termo hermético (e derivados) atribuído a quem ou algo que está muito aquém de uma Filosofia Iniciática… tudo isso aponta a profanação, a conturbação e deplorável miséria conceitual e espiritual de símbolos e saberes, ora transviados numa era em declínio e mais que sedimentados na grosseira mentalidade coletiva, bastante rasa e equivocada, apoiada desde sempre em muletas acadêmicas – laicas ou teológicas -, estas que, à maneira da antiga religião católica apostólica romana, quer tomar para si e só legitimar o conhecimento como procedente aquilo que estiver em seu bojo, nas raias da sua Instituição, obedecendo aos seus dogmas específicos, que do contrário será imperiosamente taxado de ridículo, supersticioso, primitivo, irracional, etc. etc., numa mostra cabal da estupidez dos “homens cultos, doutos”, embora nada mais que meio-intelectuais, ou a classe mais baixa de intelectuais, algo assim como seres de cultura de última classe. É nesta última classe de intelectuais, ou nos seus estratos mais baixos, sobretudo, em que escora-se a Academia para servir de fundamento às suas ilações e programas de estudo, e se se apoia em outros maiores, é no entanto ceifando-lhes todo caráter que lhe possa parecer incongruente perante o seu grandioso positivismo cientificista (predomínio da mentalidade eurocêntrica e anglocêntrica, nisso tendo-se destacado em muito a cultura germânica, que todos imitam). Entenda-se que numa Era Obscura como a presente, toda Razão verdadeira e toda Moral tem de estar, naturalmente, INVERTIDA, prova do domínio dos Irmãos da Noite sobre o orbe.    

IV

            Como tudo na terra não passa de ilusão e teatro das aparências, reinando a vaidade, o sensualismo, a arrogância intelectual e moral, etc., presume-se que a educação das massas vai de mal a pior, e que a educação, modo geral, está em franca bancarrota. O Oriente adquire pouco a pouco os males e bens do Ocidente, e este os bens e males do Oriente. Tal movimento, processado paralelamente à miscigenação racial e o crescente intercâmbio cultural globalizado, de certo constitui importância primaz no decurso presente da evolução humana, e tanto mais o será conforme passem as décadas e os séculos. O ritmo da evolução, invarialmente acelerado, há de apresentar aos homens surpresas e novidades nunca vistas por esta raça ariana…

            Cabe aqui, neste ponto, uma crítica necessária ao sistema educacional ocidental. Refere-se à importância das Profecias como processo de estudo dos alunos, em qualquer escola pública e em qualquer instituição privada, e segundo as mais importantes tradições e fontes globalmente disponíveis. Nem se fale na implementação da Astrologia, Astronomia, Geometria Sagrada, Hermetismo e coisas afins nas escolas e universidades… Não se saia da raia do normal, e – parece – tudo estará perpetuamente bem.

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