A questão importante da vinda do Instrutor – Por Henrique José de Souza

Dhâranâ nº 4 – Abril de 1926

Embora a tolerância e respeito que Dhâranâ vem pregando e praticando desde o início da missão espinhosa que lhe foi confiada, não pode, de modo algum, assistir impávida e de braços cruzados, a luta inglória que se vem travando no mundo Espiritualista, devido à questão momentosa da Vinda do Supremo Instrutor dos homens e das religiões.

De fato, o ano atual vem comprovando o prognóstico de nosso Diretor-Chefe, no seu artigo: “O Futuro próximo do Mundo”, onde diz que é o ano da guerra religiosa.

Infelizmente, os fatos e cousas levam-nos a tomar parte ativa nela, por se tratar de um assunto importantíssimo, que também faz parte da nossa missão.

Em se tratando de crenças, a Tolerância, acompanhada de seu irmão gêmeo – o Respeito, é uma obrigação que deve existir, não só entre os que se dizem Espiritualistas, como também entre os que praticam os mais comesinhos princípios de educação.

No entanto, a questão atual que serve de tema de discussão, sai por completo, dessa esfera de proceder, por ser um fato raríssimo na história da humanidade e mais do que tudo, por afetar diretamente as crenças e ideais de todos os homens, fazendo ruir por terra todos os preconceitos sociais, morais, filosóficos, etc, etc.

Muito ao contrário do que se pensa por aí, a missão de Dhâranâ, é consagrar, reunir, ajustar todas as mentes, para o grande desideratum – A Paz entre todos os homens pelo conhecimento do Eu interior e o desbravamento do Caminho da Vida, para o Advento do Supremo Instrutor do Mundo.

Este privilégio não é, absolutamente, nosso, mas de todos os credos, de todos os homens que, havendo compreendido, desejem prestar apoio à Obra mais sublime da raça atual.

Todos nós somos filhos do mesmo Pai, e por isso mesmo, embora em campos diferentes, trabalhamos todos para o mesmo Senhor e, um dia, reunidos, receberemos o salário das Suas Mãos dentro da mesma Morada.

Mas, infelizmente, Dhâranâ só tem encontrado apoio entre raríssimos Espiritualistas sinceros, ou na simplicidade dos justos e bons, devido à ridícula pretensão de cada qual querer possuir o privilégio de ser o único portador da Verdade Divina.

O mundo não tendo atingido o limite máximo de sua evolução setenária, por isso mesmo, a Verdade absoluta só reside no valiosíssimo Escrínio de Parabrahm, pois somente ele é o ONISCIENTE, ONIPOTENTE, ONIPRESENTE. Aquele que pensar ao contrário, é o mais ignorante de todos os homens.

Dhâranâ, quer creiam ou não, é uma Obra divina, porque foi criada por Ordem Superior; e, por isso mesmo, não se afastará uma linha sequer da trajetória traçada pelos seus únicos e Verdadeiros Dirigentes – Seus Mestres.

E daí, embora a tristeza que lhe vai na alma, a obrigatoriedade de tomar parte ativa nessa questão que vem empolgando a todos os homens que se interessam por assuntos mais elevados.

Comecemos: elaboram em erro grave, aqueles que negam a Vinda do Supremo Instrutor, pois a própria Bíblia é um conjunto de asserções nesse sentido.

Elaboram em erro muito mais grave ainda, aqueles que afirmam a sua Vinda imediata, marcando dia, hora e… pessoa na qual vai ser feito o “AVATAR”, isto é, em quem não não possui absolutamente as características indispensáveis a semelhante GRAÇA.

Para que essa paródia da Vinda do Instrutor, obedecendo a todos os detalhes da vida de Jesus, o Cristo, inclusive os doze apóstolos?

O painel grandioso do “Martírio do Gólgota”, não precisa ser retocado por mãos profanas, a fim de alcançar maior valor entre os apreciadores das obras antigas. Muito ao contrário, sairia um “borrão” inestético e grosseiro, pela inoportunidade da época, onde não mais se crucifica um Justo e Bom pelo simples motivo de querer salvar a humanidade sofredora. Um Buddha ou mesmo um Boddhisatwa, não tem necessidade de repetir a mesma missão, pois isso seria improfícuo em uma outra época, em uma outra raça mais evoluída.

Passemos a personalidade do protagonista: Jesus, o humilde filho de um carpinteiro, aos doze anos já discutia com os doutores nos templos, sem nunca ter frequentado escolas, nem academias.

Mas dirão: Krishnamurti escreveu (?) nesta mesma idade (nova paródia), o opúsculo – Aos pés do Mestre! Não queremos, absolutamente, negar a autoria da dita obra, mas perguntar se isso é suficiente para comprovação da sua mente de Iluminado. Porque, obedecendo a todos os detalhes da vida do primeiro, não falou ele entre os nossos sábios da atualidade? Será possível que ele só tivesse falado para a “The Theosophical Society”? E, ainda mais, como estando ele em condições de servir de veículo ao Christo, necessita de frequentar a Academia de Oxford (não falando nas lições com Mr. Sandow, o Professor de ginástica, etc.) para, então, possuir o dom da palavra e vir falar em público?

Uma pergunta inocente: entre o bondoso Krishnamurti (Alcyone), que necessita frequentar escolas e academias e o pequeno TUN TYINE (Tun quer dizer: LUZ), o “menino prodígio”, como é apelidado na Índia, e que com a idade de cinco anos apenas, em Rangoon e outras cidades e vilas, vem maravilhando as multidões, qual o que está em melhores condições de receber o Mestre dos Mestres?

O primeiro frequenta academias; o segundo, com uma idade insignificante, filho de um humilde pescador, ignorante por completo, sobe a um caixão e com a palavra de um Iluminado, comenta os textos religiosos, sociais, morais e legais e ensina o bom pensar e as maneiras dignas de viver. Analisa os capítulos mais delicados do Buddhismo e, neste momento, transfigura-se. Já não é mais o pequeno e humilde filho de um pescador, mas o sábio e extraordinário Iluminado, em cujo interior vibra a Voz Divina, o Seu Verdadeiro Mestre.

Dhâranâ não quer, absolutamente, afirmar que seja neste que vai ser feito AVATAR do Mestre. Dhâranâ deseja, unicamente, fazer um estudo comparativo e lógico, entre as duas personalidades em destaque.

Mas, infelizmente, o outro virá, de qualquer modo, no ano vindouro, para pregar aquilo que a The Theosophical Society, já vem pregando, isto é, Catolicismo liberal, Maçonaria, Co-Maçonaria, Buddhismo e umas quantas outras cousas, para acabar de confundir esta pobre raça infelicitada, já nos últimos extertores de vida.

Para que mais a Sua Vinda se os Seus apóstolos, únicos e verdadeiros, já falaram antes Dele?

Falta um outro complemento para a paródia: os sinais astrológicos, acompanhados dos seus respectivos três Reis Magos.

Dizem que eles (sinais) já foram vistos; mas o que não resta a menor dúvida é que no resto do mundo existem centenas de astrólogos que conhecem o estado do céu, no momento em que Jesus, o Christo, veio ao mundo. Podemos afirmar que, nada, absolutamente nada, é encontrado na Astrologia cabalística ou judiciária, que venha demonstrar a vinda imediata de um Ser Elevado.

Eis o motivo dessa debandada que de há tempos se vem fazendo na Sociedade Teosófica, entre pessoas ajuizadas e sinceras, até mesmo, entre os Maiores Mestres do Ocultismo, como sejam, Rudolf Steiner, Sinett, etc., etc.

Nós não queremos, absolutamente, desprestigiar Mrs. Annie Besant, nem outro qualquer, e quem tal pensar, lendo estas linhas, estará sujeito ao axioma latino “Ligere et non intelligere…” Nós procuramos, única e exclusivamente, entenda-se bem, defender a Missão do Mestre, isto é, pugnar pelo próprio progresso espiritual da humanidade.

A Presidente atual da Sociedade Teosófica é a maior celebração da atualidade, a nosso ver, mas isso não é motivo para que ela, de uma “sensitividade” como ninguém outro, não esteja sujeita a erros, ou cair, como a mosca indefesa, na teia habilmente preparada pelos maiores inimigos do Verdadeiro Espiritualismo: Os Magos Negros.

Senão, vejamos: Annie Besant havia renunciado ao Cristianismo em 1872; em 1884 aplaudia calorosamente a filiação do Charles Bradlaugh, o materialista, no Grande Oriente de França. Em 1886, lendo o “Mundo Oculto” de Sinett, procurou dedicar-se a todos os assuntos esotéricos e daí as visões, os sonhos e os espectros. Nessa ocasião, W. T. Stead, que dirigia ainda a Pall Mall Gazette, julga ser-lhe útil, dando-lhe a ler – a Doutrina Secreta de Helena P. Blavatsky. Em 1889, acompanhada pelo socialista Herbert Burrows, membro da Sociedade Teosófica, apresenta-se a Blavatsky, que a recebe com o mais gracioso sorriso. A fascinação foi tal que, voltando ela para a sua residência e encontrando-se só, ouve uma voz que lhe diz: “A luz está próxima”. Então, corre a abraçar Blavatsky, faz-se teosofista e põe-se de joelhos diante dela… O seu amigo, Mr. G. W. Foot, diretor do “Freethinker”, escreveu a seu respeito: “Ela não tem o dom da originalidade: está à mercê das suas emoções e especialmente das dos seus últimos amigos”. Em seguida, as magnetizações e preparações psíquicas que lhe foram feitas por Herbert Burrows, tornaram-na uma paciente fácil de ser dominada.

Blavatsky, por sua vez, empregou todo o seu prestígio de fascinação a fim de atraíla para a Sociedade Teosófica, por encontrar nela uma auxiliar apropriada para os seus trabalhos. Solovioff reconheceu perfeitamente que Blavatsky era “dotada de um grande poder de fascinação, de uma espécie de magnetismo que atraía com uma força irresistível”…

O próprio Olcott escreveu: “Ninguém fascinava melhor do que ela, quando queria…” Do mesmo modo, Mrs. Annie Besant deixou-se “enganar”, prestando-se a ser magnetizada por Gyanendra N. Chacravarti, fundador da Yoga Somaj, o qual foi publicamente denunciado como “agente dos Magos Negros” por Mr. Judge, chefe da Sociedade Teosófica Americana. “Em Janeiro de 1894, Annie Besant entrou inconscientemente na trama que explico…” A trama existe entre os Magos Negros que lutam contra os Magos Brancos.

Claro é que se Mrs. Annie Besant foi a sensitiva (sujet ou paciente) que já ficou demonstrado com provas irrefutáveis, o que não será ela aos 78 anos de idade?

Eis porque Dhâranâ não pode, de modo algum, assim como centenas de Teosofistas esparsos pelo mundo, levar em consideração uma missão, embora entregue em mãos de uma verdadeira celebração e alma grandiosa (atributos estes que ninguém tem o direito de lhe negar), mas cuja ‘sensitividade e falta de domínio próprio’, como já o disseram muitos outros, tornam-na um simples joguete “inconscientemente” em mãos poderosíssimas, mas desgraçadamente profanas, que procuram obstar o progresso espiritual da Humanidade.

Direis vós: E por que motivos o Verdadeiro não procura obstar esse engano terrível?

Meus amigos, temos certeza absoluta de que vós outros como nós, deveis saber que Aqueles que alcançaram a Bem-aventurança do Nirvana (chamemos de Morada do Pai), preferiram, no entanto, abandoná-LA com todas as suas delícias e grandezas, para virem chafurdar-se no lodaçal imenso de nosso planeta, ipso facto, estão sujeitos às Leis do Karma Universal e, portanto, a todas as intercorrências que Lhes possam advir, inclusive a que na sua frente apareça o anticristo da Bíblia (isso não é com referência, absolutamente, a Krishnamurti).

O que mais nos admira é a falta de compreensão em pessoas que tão bem sabem pregar o desenvolvimento de “Manas Superior”!

Porém, Ele, o Verdadeiro, continuará na Sua Santa Morada em Shamballah, entre os Bhante-Yaul, profanado, ridicularizado, face pendida, mas de braços erguidos, na posição de Mestre dos Mestres, dando o Seu Eterno perdão para todos nós, míseras criaturas que ainda não O sabemos reconhecer dentro de nossos próprios corações.

Aqueles que Lhe poderiam e poderão, ainda, prestar relevantíssimos serviços, trabalham, no entanto, na convicção da verdade, e como tal, são obreiros do mesmo Edifício, são apóstolos da mesma Obra.

Dentro daquela mesma Morada, Loto Sagrado, em cujas pétalas perfumosas e lindas oculta a Pérola Sublime, Lágrima de Dor caída dos Olhos de Parabrahm no mundo para o salvar de uma ruína imediata, uma outra Obra está sendo criada, e da qual Sete Raios de Luz já se espalham em Sete Países diferentes para que, ao em vez de doze apóstolos apenas, (escolhidos entre indos, ingleses e franceses) encontre-os aos milhares que O saberão reconhecer como se “reconhecem os bons frutos pelas boas árvores”.

Essa é e será a Missão de Paz, de Luz, de Amor e de Progresso entre todos os homens. Quanto a J. Krishnamurti, o inofensivo e bondoso indo, nada perdeu com o papel traiçoeiro que lhe coube, pois serviu, talvez, para descontar Karma passado e… quem sabe, ter uma outra missão não menos sublime, não menos grandiosa dentro da Verdadeira Missão do Boddhisatva atual, se não tiver o fim de seu irmão J. Nityananda (Mizar), que estava apontado para a mesma, e no entanto, já não mais existe.

Ele, o Buddha, baixará ao Mundo, quer queiram, quer não, mas em dia, hora e pessoa não designados, tal como Ele próprio o disse: “… Mas do dia e da hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu, mas somente o Pai”.

Aquele que viver até lá, o saberá e… então, até mesmo os que não trabalharam pela Sua Obra, mas sinceros nas suas convicções, encontraram-NO dentro de si próprios pelo caráter elevado, em harmonia com Ele, prestaram indiretamente auxílio à Verdadeira Obra do Bem, e como tal, também serão chamados.

Dhâranâ tem certeza absoluta da maneira pela qual vão ser recebidas as suas palavras, porém ela, até hoje, ainda não preocupou-se com o sorriso de desdém e encolher de ombros com que aqueles que se julgam únicos senhores da Verdade, receberam a sua Missão no Brasil.

Magister dixit… afirmarão eles. Dhâranâ repete as mesmas palavras: MAGISTER DIXIT.

Caminhemos, pois, por Veredas diferentes e dia virá em que todos nós seremos unidos Aos Pés do Mestre.

PAZ, LUZ e PROGRESSO para toda a Humanidade.

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