Poesias – Por Tamara Castro

Canto aos mares íntimos

e aos mares nunca dantes

aqueles que cabem no peito

e os que extravasam em pranto

Canto aos seus marulhos

e ao silêncio que nos olhos planta

esse verde azul doído

galopando o horizonte em fuga

Mas com mãos de seda e névoa

uterino invade

deixando o sêmen de sal

no ventre do dia que nasce

É o meu coração

este pássaro

Não leve, quase ar

beija-flor

Mas farto de cores

Tatuado das dores

gozos mágoas amores

pelas mãos da Vida

Bem assim

pesado

voa seu voo

árduo

buscando mais vida

Tenho em mim

o tempo

da flor de pedra

A carne que me forma

a pétala que me desabrocha

o pólen que me fecunda

sonham seus mares nas águas

turquesas

Ensimesmados titicacas

medusam,

sinto a pulsação de riachos

sob a pele espelhada

Plenilúnio

a luz no auge

se concentra

em fruto madurado

à sombra

carne de mel

de sangue

tecida em silêncio

na luta no escuro

sob o peso da terra

na lida dura

de escavar-

-se

em busca das águas

doçura que agora

deleita a língua

leito onde deita

o sumo segredo

de lama e abismo

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