Estado atual e os três mais importantes sistemas políticos na Modernidade – Por Javier Alberto Prendes Morejón

Hoje em dia nossa juventude, regra geral, desconhece o prazer sublime de contemplar uma sinfonia, que prefere trocar por músicas sexuais, passionais e grosseiras, cuja única ação é conduzir às emoções inferiores e, sobretudo, à degradação da mulher, embora sob a capa da emancipação e da liberdade. A poesia transcendente dos dramas musicais, a sua complexidade e majestade técnica, e o seu fundo simbólico-iniciático é por ela desconhecida. A moda dita quase sempre os gostos inferiores – porque uniformes e massivos, quase unilaterais – e, se não somos educados desde o início sob certas influências benéficas, mais tarde se fará árdua ou impossível a assimilação de certos gostos superiores. Pior, no entanto, aqueles que foram bem-educados ou bem-nascidos e preferiram abrir mão das benesses que lhes competiam. Este é o pior caso, pois teve o privilégio e não o soube apreciar. A Arte, em si, hoje não vale por si mesma, muito menos como mola propulsora à elevação mental e espiritual, com algumas poucas exceções: é apenas um instrumento, quase que uma desculpa ou via mais ou menos difícil, para se “triunfar” na vida – tudo se resume ao dinheiro, propriedades, status, fama, mulher ou homem, network, enfim, ostentação, falta de simplicidade, falta de pudor, para ver-se a si mesmo no espelho do outro em tonalidades agradáveis e simpáticas – jogo de modismos e espelhismos. Pobres peixinhos que caem e querem se entregar às redes da superficialidade e das aparências falsas!  

O gosto por um belo e profundo tema de música clássica; a contemplação de obras plásticas verdadeiramente belas e elevadas; a leitura de clássicos de todas as áreas, principalmente a filosofia: tudo isso e mais passa a não ser cultivado e, em troca, especialmente, perfilam-se os narcóticos de todo tipo como estimulantes ao gozo e aos maneirismos grupais – a identificação social pelo vício… -, além do sexo ostensivo – onde o outro é apenas um objeto para sua própria fruição hedonista – e do consumismo material ilimitado – isto quem convém os populistas chamar de “progresso”, na falta de ideais superiores e de verdadeira coerência prática, quando não hipocrisia escancarada… Tudo isso como prazeres nulos que, em última análise, não fazem mais do que embrutecer e, nos melhores casos, abrir os olhos e afastar-se. Longe se está, portanto, de uma resolução do problema felicidade. 

É verdadeiro que o sexo ainda é uma das necessidades humanas mais apregoadas, e tida, em realidade, como fetiche exacerbado: hábito que conduz a uma cultura meramente sensualista e pouco espiritualizada, na prática, enquanto nas aparências sociais fingimo-nos de “bons”, “inteligentes”, “vitoriosos”, “religiosos”. Segundo a teoria hindu, trata-se do predomínio de Tamas, a mais inferior das Gunas ou qualidades da matéria, o que significa obscurecimento, passionalidade, egoísmo.

Esse empobrecimento cultural só pode atestar um período de obscurantismo, ou de fim de ciclo, como diriam outros, pese aos avanços da ciência, incapaz de elevar o mundo. Esta, como se vê, não trouxe mais consciência. As religiões, por sua vez, foram destronadas pelas revoluções modernas, por carcomidas que estavam, corpos decrépitos sustentados por cruzes. A própria fala de Jesus não é obedecida pela Igreja: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Isto é, quis convir ela, historicamente, em apoderar-se do Poder Temporal, ao invés de manter-se com o “que é de Deus”, ou seja, o Poder Espiritual. Nisto, as religiões mostraram-se, praticamente todas, movidas pelos desejos profanos, sensuais, materiais, e tão-somente, ao mesmo tempo mantendo sob as suas capas de hipocrisia uma pressuposta “santidade” e “perfeição moral e doutrinária”. Nada mais vergonhoso!

No plano político-social, lutam no cenário mundial três ideologias pútridas: (1) as democracias capitalistas ou burguesas (tentando falhamente, embora com algum êxito, unir o privado ao estatal, o capital ao social, exemplo que são as sociais-democracias europeias), (2) o fascismo nacional-socialista (corporativismo em função das diretrizes máximas do Estado querendo-se a toda custa império racial totalitário), e (3) o comunismo (mais bem socialismo, posto que nunca existiu comunismo, a rigor, pois jamais passou-se da fase da Ditadura do Proletariado – e como se alguma ditadura, qualquer que seja, pudesse ser benéfica para um “futuro” desenhado qualquer), seja à la Lenin, Trosky, Stalin, Mao Tsé-Tung ou Castro. Existem menores vertentes, como o Anarquismo de Bakunin, mas que nunca vingou em nenhuma nação. Trata-se hoje, como se sabe, da vitória dos capitalistas ou das democracias sobre o fascismo e o comunismo, sendo que este último ainda tem seus vestígios em alguns poucos país, como Cuba, por exemplo, porém, extremamente à beira da bancarrota completa, isto é, aproximando-se do momento da queda do regime totalitário. 

Nos países de trópico norte, especialmente os europeus, e mais especialmente dos do norte da Europa, existe um estado de bem-estar social, capitalista, que realmente é mais igualitário e justo sócio-economicamente. Nós, do trópico sul, padecemos ainda de um capitalismo dos mais injustos, afora o epíteto de “democracia” ser apenas uma fachada ilusória, porquanto o que existe é um sistema oligopolista ou plutocrático nas mãos de poucas famílias e empresas. Porém, mesmo nestas democracias burguesas, não acha felicidade real o ser humano, quer num trópico ou noutro; quer no oeste quer no leste. A concentração do poder na classe comerciante tem, de fato, reificado as relações e os objetos. Tudo se mede pelo dinheiro, tudo ele compra. 

Vemos como, desse modo, existem três grandes sistemas políticos em combate, nenhum deles trazendo a concórdia na Face da Terra ou resolvendo o magno problema da felicidade humana, porque, afinal, este não é um problema de estruturas, mas sim de consciência, de predomínio de virtudes pessoais e do predomínio coletivo destas. Ainda vive mergulhado o mundo em guerras e lágrimas, em miséria física, mental e moral. 

De todos, no entanto, é preferível a democracia burguesa, pela maior possibilidade de liberdade – ainda que falha, porém, todos os homens são também falhos… – e reconstrução da mesma que leve a melhoras generacionais, absolutamente possíveis e mais que verificadas historicamente, de modo que esta tese é verdadeira. A meta sociológica, contudo, continua a ser uma democracia real, e não apenas nas aparências exteriores ou apenas pela metade.

Cite-se, ainda, o fato consagrado de serem os chamados sistemas totalitários o reino do autoritarismo, enquanto nas democracias reina a libertinagem. Dito de outra forma, em um só há deveres, enquanto no outro só há direitos. Difícil, assim, resolver esta intrincada questão, entre um extremo e outro, pois em nenhuma parte segue-se o “Caminho do Meio”. Os homens estão por demasiado afastados da Lei Divina, esta que não segue nem Esquerdas nem Direitas, mas paira acima de todas e de todos, pois é a própria Perfeição, personificada pelos verdadeiros Mestres de Sabedoria, a que ninguém dá ouvidos. De fato, o homem não tem conseguido sobrepujar o dilema entre os princípios ditatoriais, baseados na força física policial e psiquicamente em uma legislatura opressiva, sectária, partidária, e seu contrário o completo anarquismo de princípios, isto é, de morte moral. Tudo isso não passa, entretanto, de derivações das “aberrações psíquicas do sexo”, como diria o grande Mario Roso de Luna, ou o mal-uso da energia sexual dando larga margem ao egoísmo, ao animalesco no humano, ou, também, quiçá, frutos da ignorância acumulada por eons sem conta, da qual raros se desprendem. 

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