Sobre os poderes da nigromancia e Teoria do malefício (A Chave da Alquimia) – Por Paracelso

Capítulo VII

(Sobre os poderes da nigromancia)

Vamos neste parêntesis dar alguns exemplos para a melhor compreensão do que seja a entidade espiritual. 

Quando modelamos uma imagem de cera, a enterramos e a cobrimos de pedras, projetando sobre ela a vontade do espírito contra a pessoa representada (pela tal imagem), essa pessoa será atacada pela ansiedade, principalmente no local ondem foram acumuladas as pedras. E só se livrará da angústia quando sua imagem for desenterrada. Da mesma forma, durante essas provas uma das pernas da imagem se quebra, a pessoa representada sofrerá a mesma lesão. Assim também acontecerá se quisermos provocar feridas, picadas, e outras coisas semelhantes.

É preciso procurar a razão disto no poder da nigromancia, da qual provém todas as coisas em força e origem. A nigromancia pode criar figuras e imagens inexistentes, ainda que dotadas de todos os atributos da realidade. Mas, ao contrário, não é capaz de ferir o corpo de um homem a não ser que o espírito desse homem tenha causado algum dano em um outro espírito qualquer. Quando um nigromante planta uma árvore, consegue o poder de castigar e ferir todo aquele que castigue ou ofenda essa árvore. A causa disto está no fato de que a pessoa é atacada pelo espírito superior da árvore. Quando isto acontece, e ainda que o dano seja perceptível no corpo dessa pessoa, na verdade o seu espírito é que foi atacado. 

Em tais casos não adianta empregar a medicina, mas sim o medicamento do espírito. Aí sim, verão como o corpo será curado imediatamente. Porque conforme dissemos, o espírito é que está ferido e não o corpo. 





Capítulo VIII

(Teoria do malefício)

Se minha vontade se encher de ódio contra alguém, precisará expressar este sentimento de alguma maneira. E isto será feito justamente através do corpo. Sem dúvida, se minha vontade for demasiadamente violenta ou ardente, pode acontecer que meu desejo chegue a perfurar e ferir o espírito da pessoa odiada. E também posso encerrá-lo à força (compellam) numa imagem que eu consiga fazer dele, deformando-a e distorcendo-a a meu gosto, atingindo assim também a intenção de atormentar meu inimigo. 

É certo que possam alegar muitas outras razões ou causas para estes resultados e que nem sempre a entidade intervém neles, segundo demonstram os estudos filosóficos. Mas seja de uma maneira ou de outra, devemos entender e observar sempre uma verdade: a ação da vontade e sua enorme força tem grande importância para a medicina. 

Por outro lado, todo aquele que permanece impregnado de ódio, nunca querendo o bem, pode atrair para si todo mal desejado aos outros. Porque existindo o feitiço maléfico somente com a permissão do espírito, pode acontecer que as imagens do malefício se transformem em doenças, tais como as febres, epilepsias, apoplexias e outras. Por isso é bom não zombar dessas coisas. 

Não se esqueçam da força da vontade, que é capaz de gerar semelhantes espíritos malignos com os quais o espírito da razão (mens) nada tem em comum. 

Esse é o motivo pelo qual essas ações se realizam com muito mais facilidade nas bestas do que nos homens, já que o espírito dos humanos vale muito mais que o dos animais. Sobre este assunto encontrarão referências mais claras no “Livro dos Espíritos e da Geração dos Espíritos”

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