Poema (Hégira) – (Editado) Por Johann Wolfgang Von Goethe (Divã ocidento-oriental)

Norte e oeste e sul se espalham,

tronos racham, reinos falham.

Foge à terra oriental,

sorve o ar patriarcal,

E no amar, beber, cantar,

Quíser vai te remoçar.

Onde tudo é justo e puro

Vou buscar com muito apuro

a raça humana, lá na origem,

quando ouvia – sem vertigem –

na sua língua o tom de Deus,

claro outrora para os seus.

Onde os pais ainda honrava,

e outros cultos rejeitava,

vou gozar do desatino,

com fé ampla e pouco tino,

já que o forte era a palavra,

pois falada era a palavra.

Aos pastores vou mesclar-me,

num oásis saciar-me;

quando em caravana e a pé:

há xale, almíscar e café.

Quero andar pelas picadas

do deserto até as muradas.

Nos rochedos, pela trilha,

com sua mula vai o guia;

às estrelas canta alto,

e medo assoma os maus de assalto.

Ó Hāfez! Sem teus poemas

esta terra tem problemas.

Pelas termas e tabernas

tuas honras canto eternas:

meu benzinho sopra o véu,

cachos d’âmbar solta ao léu.

Sim, o poeta, sussurrando,

deixa as huris se corando.

Saibam todos que o invejam

ou que seu caminho pejam,

que as palavras do poeta

fazem súplica discreta

na portada do Eterno

por um dia sempiterno.

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