Complemento educacional – Por Javier Alberto Prendes Morejón

EM CONTINUIDADE À ORDEM DE IDEIAS EXPOSTAS NO ENSAIO “REFORMA INTEGRAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA”

Conejo, conejo, contigo al Infierno yo desço – dito hermético andaluz

Em honra de Dom Pedro II, José Martí, Rui Barbosa, Farias Brito e Juscelino Kubitschek




Introdução 

Têm sido do meu fomento o gosto adolescente pela temática educação desde o utópico imaginar/dissertar de um Thomas Morus e de um Campanella, aos quais vim acrescer depois a República de Platão, a Atlântida de Bacon, e em conjunto igualmente a premissa – preconceituosamente e de antemão – negada, por “absurda” em aparência – embora a máxima tertuliana diga “Credo quia absurdum est” (“Creio porque é absurdo”) -, da pretérita e bem-aventurada Atlântida em seus dias prístinos, dias solares, dias de esplendor, adoravelmente retecida e narrada pelos lábios veneráveis dos sacerdotes egípcios de Sais; terra mater dos gigantes e ciclopes (digamos “restos”, vergônteas, prolongamentos, da Lemúria), dos Reis Divinos, o País de Mu, o continente Kusha ou Terra Vermelha (donde os “vermelhos” ou índios provirem de lá originalmente… ou seja, povos originários da Atlântida, não da América ou da Amazônia, etc., como o comprova inúmeros etimólogos e a própria tradição oral fundacional e migratória, de caráter mítico-factual, por eles mesmos preservada), alçapão de toda fantasia, de todo bestiário, de todo mito, de toda profecia, de todo heroísmo, raiz do panteão dos Deuses da Terra, para não dizer a ideia fulgente da sempre rediviva Idade de Ouro, ou, mais precisamente, das Yugas e dos Ciclos Universais de Evolução Planetária e Humana de que nos fala a Tradição Oculta. E ao lado destes, em infeliz paralelismo factual e literário, as ingloriosas distopias de um Fahrenheit 451, de um Admirável Mundo Novo, de um 1984, de uma A Revolução dos Bichos, de um Ensaio sobre a Cegueira, de um O Processo, de um Crime e Castigo, de um Mein Kampf; enfim, tudo quanto retrate com primorosas cores e prodigiosas linhas o tom funesto da morte da própria consciência e o triunfo – relativo – das trevas. 

Este gosto traduziu-se, operou-se, em mim, pouco a pouco, como gosto pelo Mistério – que é a História e a Natureza invisíveis, ignotas, enigmáticas, envoltas pelas brumas dos sentidos e mais que tudo pela pobreza existencial humana -, concomitantemente ao prazer intelectual ao que fosse Culto e Oculto, assiduamente em busca e empenho, mais o criar e apreciar artístico. 

Desde o princípio da adolescência pareceu-me falida a educação pública brasileira – e a privada também -, tendo nela estudado a vida inteira e na privada em duas ocasiões, uma das quais em escola de alta elite de São Paulo. Falência que precedia Lula e Fernando Henrique, e pós-Lula até agora. Por um lado, uma pedagogia técnica, que dizem ser fordista, mercadológica, usada pelos fascistas e imperialistas yankes (mas também, em verdade, pelos comunistas; em verdade, sistema fabril de mentes alienadas forjadas por um só ponto de vista; “linha de produção” de mentes partidas, porque partidárias, sectaristas, igualmente alastrada a todas as formas sócio-políticas existentes; modus operandis distintos, mas uma mesma mediocridade), e outra dita “humanista”, “crítica”, “igualitária”, “democrática” (construtivismo), mas francamente materialista, porque unicamente empirista, cética, ateia, niilista, carregando consigo mil preconceitos, mil incoerências e mil ignorâncias, tal como a outra e tal como quase todos os seres humanos. O Templo do Materialismo são as sedes dos Partidos, antros de hipocrisia, e suas cúpulas os sacerdotes de rebanhos travestidos de santos, missionários políticos que são, pais políticos das massas analfabetas e guias dos universitários naifs, representantes ou pretendentes legítimos – por mérito? – do Poder Temporal, porém, Poder francamente dessacralizado (não confundir com igrejismo de massas), falido, não-filosófico sofístico e não socrático -, profano, cuja tônica é vício. Ter mente religiosa e executiva, sim; mas sem confundir o Ideal (sempre virtuoso em essência) com as Instituições (quase sempre imperfeitas cheias de vicissitudes) nem consigo mesmo (Ideal-Instituições-Eu individual). Isto é: positivismo e materialismo pedagógicos, ambos empiristas e opositores do idealismo místico, teosófico, hermético, cabalístico, francamente espiritualista, esotérico, ocultista, iniciáticotônica mental/intuitiva ou Venusina, Assúrica – para além de religiões e igrejismos vulgares. Do lado destes, sempre, a pedagogia devocionalista e comumente fanática das Igrejas diversas, continuamente idiotizando, maltratando e roubando o povo, além de reforçando egrégoras sinistras. Mas por em cima de todos estes, a pedagogia verdadeira que leva em conta o Espírito e a criatividade, a crítica, a liberdade, mas sem feição partidária, sem passionalidades igrejísticas e partidarísticas do tipo “messias” políticos ou avatáricos do momento, apenas feição filosófica profunda, pensar e expressar próprios, e o ideal da justiça e do direito acima de tudo. Equivale também a dizer: MATA EM TI A INGENUIDADE!… ou MATA EM TI A ILUSÃO! ou, até mesmo, para fazer jus ao insigne Dr. Mário Roso de Luna: MATA EM TI A MORTE! Eis, talvez, por onde principie a educação, a NOVA-VELHA PAIDEIA DIVINA

Se há uma classe social que deveria permanecer neutra – partidariamente -, essa é a dos artistas e dos sacerdotes, pois “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, e ninguém está mais perto de Deus (ou de Anjos e Demônios) como o artista e o sacerdote (potencial ou arquetipalmente), pois o Bem é sempre Belo e Bom e por isso o culto ao Belo (a Arte) é Divino, este por sua vez realizando culto ao Belo Supremo, que é o Eterno. Senso político, mas não partidário. Não só “tudo é Política”, como dizem, mas também Religião, Arte e Ciência. Não é apenas uma coluna, nem apenas duas colunas ou três, mas quatro, que unidas, como ponto aglutinador, tem por centro uma quinta, a síntese. É esta quinta coisa, como eixo, em que orbita a Pedagogia plena – o plenum pedagógico -, como valor sintético ou pentagramático; portanto, integração, equilíbrio, entre as quatro colunas referidas. Esta quinta coisa é o começo da PAIDEIA UNIVERSAL





Propostas

Em demanda de complemento a ideias sugeridas na obra anterior, dá-se ilustração a seguir da descrição em pormenor das quatro áreas advogadas como grupo de divisão das disciplinas optativas escolares; sugere-se também a Divisão Semanal da grade curricular de disciplinas não-optativas e a proposta de criação de uma Escola Modelo batizada de “Escola Modelo Dom Pedro II”, entre outros aspectos menores. 





I – Área Física, Área Artística, Área Intelectual e Área Espiritual





Área Física

  1. Marciais
  2. Artísticas
  3. Lúdicas




Marciais

  1. Capoeira
  2. Karatê
  3. Boxe
  4. Jiu Jitsu
  5. Muay Thai
  6. Judô
  7. Kung Fu
  8. Taekwondo
  9. Kickboxing
  10. Luta Greco-Romana

etc.





Lúdicas

  1. Futebol
  2. Vôlei
  3. Basquete
  4. Hatha Yoga
  5. Ginástica

etc.





Artísticas

  1. Balé
  2. Dança Contemporânea
  3. Danças Africanas
  4. Ritmos Regionais
  5. Samba
  6. Salsa
  7. Forró
  8. Tango
  9. Hip-hop
  10. Flamenco
  11. Dança Indiana
  12. Dança Árabe

etc.





Área Artística

  1. Pintura
  2. Desenho
  3. Cerâmica
  4. Escultura
  5. Bordado
  6. Teatro
  7. Tricô
  8. Música
  9. Poesia
  10. Artes circenses

etc.





Área Intelectual

  1. Platonismo
  2. Hermetismo
  3. Cabala
  4. Teosofia
  5. Sufismo
  6. Mitologia Comparada
  7. Religiões Comparadas
  8. Filosofias Comparadas
  9. Artes Comparadas
  10. Ciências Comparadas
  11. Línguas Comparadas 

etc.





Área Espiritual

  1. Técnicas variadas de meditação
  2. Pranayamas (técnicas respiratórias)
  3. Mantrans (técnicas sonoras)
  4. Ritualística




Deveria existir uma ritualística padrão – simples, breve – extensa a todas as escolas públicas, portanto nacional, voltada ao Bem, ao Bom e ao Belo, para fim de criação e fortalecimento de uma egrégora positiva que ajudasse a preservar e progredir o país, pela harmonização mental e astral entre os estudantes, além de estabelecer ética cívica de bom trato, etiqueta, intimidade, respeito e tolerância para com o próximo. Como dar-se esta ritualística é coisa que talvez caiba em outro texto. 









II – Divisão Semanal das Seções Disciplinares (não-optativas)









1 – Letras (Português, Inglês, Espanhol, Grego, Latim, Tupi, Gramática, Literatura, Caligrafia)

2 – Matemáticas (Álgebra, Física, Química, Geometria, Medicina, Astronomia e Astrologia)

3 – História (História Mitológica, História Moderna, História Oculta)

4 – Filosofia (Platão, Pitágoras, Buda, Jesus, Maomé, Moisés, etc.)









      ● Em relação a Letras, o essencial para o aluno é aprender, linguisticamente, o Português prioritariamente e em seguida – por norma lógica, posto a proximidade geográfica e cultural inerente – o Espanhol e logo o Inglês. Assim que, saídos todos do Ensino Médio, deveríamos dominar tais três línguas. Meta difícil, obviamente, para um país que mal ensina sua própria língua. Este, porém, é o ideal correto a ser seguido e implementado. Assim ficarão contempladas as três grandes línguas do Quinto Continente, o Americano, o que tornará o Pan-americanismo por parte do Brasil, em termos de educação pública linguística, um passo concreto e imprescindível merecedor de ser emulado por todas as nações americanas. Não creio, contudo, ser forçoso o ensino compulsivo e obrigatório do Tupi, do Grego, do Hebraico ou do Latim ou do Sânscrito, etc., mas creio sim ser impreterível para o estudante o conhecimento geral e básico de suas formas, esparsa e gradualmente, afim de se enriquecer o vocabulário e agigantar a cultura. Os benefícios são inúmeros. Quanto à Caligrafia, deve-se levar à sério, mas nunca como se fosse atividade demasiadamente longa e repetitiva; para isso, una-se a ela a Arte e as caligrafias de línguas diversas, para mote de ensino e entretenimento estético. Já a Gramática jamais deverá ser a coisa enfastiante que é, rendida à memorização; antes, aprenda-se a Gramática, sobretudo, lendo muito e escrevendo ainda mais, e então todas as dúvidas sairão à tona e todas as correções por parte de outrem poderão ser feitas, e assim se aprenderá com eficácia e força viva, não estéril mecanização de respostas pré-formatadas; ensine-se, obviamente, os rudimentos gramaticais desde cedo, mas seguindo esta ideia acima como reguladora. De tudo isto, deve restar que o aluno aprenda a escrever e a ler em várias línguas e com diversas caligrafias, ou com noção ou beleza caligráfica – se assim quiser -, e especialmente que leia muito por leituras exigidas pela escola, mais ainda por prazer e impulso próprio, e, mais especialmente ainda, que suas provas sobre as leituras realizadas sejam do tipo “Escreva o que quiser sobre a obra”, e assim também em suas atividades dissertativas, com temas predominante livres, a bel-prazer das simpatias pessoais. 

      ● Em relação a Matemáticas: O grande advento aqui é a implementação do estudo de Geometria, Medicina, Astronomia e Astrologia. A escola é, naturalmente, o lugar idôneo para se chegar a aprender, por mera dádiva do Estado ou do Pacto Social efetivo entre governados e governantes, por Constituição assegurado e por consciência individual e coletiva – pensa-se – vigiado, o fundamental dos princípios dessas disciplinas, extremamente essenciais para a construção de uma ciência pedagógica cada vez mais ampla e profunda. Não haverá mais no Brasil, se Deus assim quiser, quem não saiba, no futuro, de abstração matemática e simbólica, de saúde, céu e zodíaco – se Deus assim quiser!

      ● Em relação a História: Parece-me que a História (que trata do Tempo) jamais poderia apresentar-se sem seu par Geografia (que trata do Espaço). História, aqui, portanto, como estudo do Tempo-Espaço, indissociavelmente, pois quem pretender falar de uma época terá de referir-se a um lugar, e um e outro se auto-explicam e fundamentam. No que concerne à História, seu outro par indissociável é a Mitologia; em realidade tratam-se de quatro aspectos de uma só coisa: HistóriaGeografiaMitologiaOcultismo. Porque o Tempo não se explica sem o Espaço, nem este sem aquele, e porque Tempo e Espaço inserem-se em duas perspectivas atemporais: a Mitologia e o Ocultismo ou História Oculta, se se quiser, pois é o Ocultismo que a professa (desvela) mais a Mitologia. A História em si, nos termos dos dias correntes, é Ciência (empírica) e a Ciência é História imperfeita, incompleta e, francamente, soberba e preconceituosa, materialista, como em embate tanto com a Religião quanto com a Metafísica ou Filosofia Esotérica. O seu predomínio exclusivo, com seu “promontório universitário”, esse poder autoapregoado, investido institucionalmente pelo Estado e a Iniciativa Privada, é a bancarrota da diversidade e a ditadura do criticismo de um só ponto de vista – o materialista, independente se de esquerda ou direita -, enquanto o resto, particularmente o hermetismo, a tradição oculta, é posto à margem, pois “o pensamento mágico, antigo, mítico, sacro, pagão, é pré-racional”… Para a destruição desse sistema ou estado de coisas, implemente-se esse pilar quádruplo, pilar de quatro faces. A Ciência em seu sentido verdadeiro é a síntese desses quatro aspectos, com relação ao Tempo e ao Espaço. A Ciência atual é apenas um arremedo da verdadeira em sentido arquetipal, completamente isenta de preconceitos e com domínio total dos Reinos da Natureza, e conhecedora dos fenômenos de todos os Planos Cósmicos.  

      ● Em relação a Filosofia: Em matéria filosófica, deve-se sempre começar pelos Clássicos; contudo, na educação, deve-se ingerir apenas o que o paladar e o estômago forem capazes de suportar com agrado, por isso mesmo não deve-se obrigar aluno algum a ler o que não quer definitivamente, porque todavia não lhe é palatável (isto mesmo torna inútil o modo como se ensina comumente). Ficará como algo a ser lido na posteridade, quando bem lhe agradar. Da soma de autores, sempre haverá os mais afins a certos gostos e naturezas. A leitura filosófica, porém, demanda persistência, enorme concentração, desenvolvimento mental e mais que isso, busca por cultura universal e experiência prática das doutrinas e dos símbolos. Dentre os maiores filósofos-santos, encontram-se os que foram poetas, profetas, sibilas, pintores, taumaturgos, escritores, guerreiros, cientistas, músicos… Nesse quesito, nesse sentido, deve ser a seleção dentro da Filosofia quanto ao que se considere como Autores Clássicos. A Filosofia deve, finalmente, retomar sua veia hermética, cabalística, teosófica, astrológica, alquímica, mitológica, porque a Filosofia é a verdadeira Psicologia: ninguém entende melhor seu mundo, a natureza humana, a sua própria, do que o filósofo, e mais que do que o filósofo, o Filósofo Iluminado. Em Platão está a maior das psicologias, em Jesus, em Buda, em Goethe, e em Mozart, em Beethoven, em Wagner, em Chopin, por meio da música, essa espécie de codicilo sonoro das verdades intrínsecas e dos maiores sentimentos possíveis. Este é o sentido da Paideia, o novo conceito curricular. 









III – Escola Modelo Dom Pedro II









I – Esquema da divisão das horas e atividades na rotina escolar

A aula estaria aberta às 10h. 10 a 15 min para todos chegarem e se entrosarem, e como tolerância a um curto atraso. Depois início da aula. Uma semana de determinada área, das quatro apontadas acima. Uma semana de Letras, outra de Matemáticas, etc., com 4 horas para se aprofundar mais ou menos em Português, Literatura, etc., (por exemplo, duas horas para cada uma num dia, ou uma hora para caligrafia e três para Tupi… etc. etc.). Intervalo de 1 hora (exatamente ao meio-dia). Às 15h acabariam as aulas obrigatórias. 30 min após o término obrigatório das aulas, as restantes atividades opcionais curriculares estariam disponíveis aos alunos, sendo obrigatório matricular-se em ao menos uma atividade opcional em cada uma das quatro áreas possíveis: a física, a artística, a intelectual e a espiritual, das 15h30m às 17h (ou seja, de segunda a quinta, para a cada dia poder se realizar uma optativa obrigatória de cada área escolhida a bel-prazer; na sexta, portanto, não teria que cumprir esse compromisso, podendo sair imediatamente após o início das aulas obrigatórias). Término da rotina diária escolar. Das 10 da manhã às 5 da tarde (7 horas, sendo uma de intervalo = 6 horas, arredondando, de atividade escolar em disciplinas obrigatórias não-optativas e optativas). Logo, sobraria para todo estudante o equivalente a 6 horas de uma manhã e de uma noite, no sentido geral matemático da divisão das horas do dia. Após o término oficial das atividades obrigatórias e obrigatórias optativas por área, cada aluno pode escolher realizar ainda outra atividade a seu gosto, das matérias opcionais que forem ministradas, inclusive nos finais-de-semana. Poderá permanecer, assim, mais 1 hora, 2 horas, 3 horas, 4 horas, 5 horas, se bem desejar, a escola fechando as portas às 22:00, 22:30. Obs: café-da-manhã, almoço e janta devem ser oferecidos (das 8:30 às 10:00, das 12:00 às 13:00, e das 18:00 às 22:00).    

Razão importante para a escolha do horário do começo das aulas deve-se à consideração de que tal como ocorre em geral nas escolas públicas, acorda-se muito cedo para se poder chegar às 7h da manhã na escola, o que é bastante problemático e prejudicial em vários sentidos, tanto logísticos quanto humanos ou de saúde. Não sendo a escola quartel militar, nem vida feita à semelhança do militar em hábito de vida rígido e repetitivo, mas lugar para prazer e sentido lúdico, além de fomentar corretamente o caráter e a disciplina, as potencialidades, não convém à criança nem ao adolescente acordar tão cedo, o que sempre será um desgosto tremendo na vida pessoal. Efeitos danosos vários cumpre cada um reconhecer e explicitar, pois são óbvios. 





II – Esquema estrutural da escola

O modelo gráfico abaixo ilustra a estrutura de tal escola na qual deve-se aplicar tudo quanto sugerido pelo autor neste e no texto anterior.

Três pisos em conformidade às trindades religiosas do mundo; acima destes, quatro torres posicionadas nos cantos, perfazendo o número 7, como 7 são os estados de consciência, os planetas sagrados, as escalas musicais, etc., com cada torre consagrada a um tipo de atividade específica, sendo a quinta, alegoricamente, os próprios alunos, que devem expressar o Quinto Princípio de Consciência, o Mental Abstrato (típico dos Filósofos e Artistas), para ficarem mais próximos da Intuição como Sexto Princípio (típico dos Grandes Gênios, Profetas, Santos, fonte maior da Inspiração e da ). Seria de se pasmar, pois, pela primeira vez, no Brasil, haveria torres numa escola, e logo quatro! As torres deveriam ser espiraladas, em conformidade às torres diversas em espiral que a tradição consagra, e devem ter ou 22 ou 78 lances de escada, a lembrar as lâminas do Tarot entre Arcanos Maiores e Menores, com cada torre dividida em quatro pisos, o maior deles o último. Em cima dos tetos das torres e em toda ela, estátuas. 





  1. Torre A: Mirante Astronômico-Astrológico ou Torre das Estrelas
  2. Torre B: Mirante Recreacional ou Torre do Lazer 
  3. Torre C: Mirante Artístico ou Torre das Artes
  4. Torre D: Mirante Devocional ou Torre do Sagrado   

         

Toda escola, evidentemente, mais do que ter piscina, deve ter impreterivelmente um Laboratório, um Teatro, um Ateliê e uma Quadra de Esportes (todos também em edifícios de 3 pisos). O resto, neste caso, são as salas e espaços dispostos nos três andares que fecham em quadrado os limites da escola; uma seção do edifício geral para a Administração e outra para os Alunos (Centro Estudantil), com suas mordomias e cômodos; além disso: banheiros, comedores (2), fontes (5), pequenos coretos (4) nos quatro lados da escola, e, no centro do espaço escolar, uma estrutura de “arquibancada” com lances de pisos para baixo fechando-se em quadratura (nas esquinas, 4 estátuas) ao redor de um círculo usado como fontanário, por sua vez cercado por um jardim; estes estariam envolta e abaixo de uma escultura específica, bem no centro geométrico da escola: um homem/mulher Asiático, Africano, Europeu e Dourado (representando a síntese da miscigenação racial das Américas); nos cantos direito e esquerdo do pátio, camarins e palcos (ambos com cobertura móvel) para apresentações, ensaios, recreação. A entrada da escola: abrindo-se como um caminho em cúpula arranjado e ladeado por belo jardim, com algumas estátuas dispostas; ao final do caminho um suporte onde se verá o Perfume e a Imagem do dia; a Pedra deverá estar erguida por sobre a estatuária central descrita acima, axis visual e geométrico do grande esquema arquitetônico.      





III – Perfume, Pedra, Imagem, Música

Nesta escola deve – e em toda escola deveria, penso – ser queimado um perfume, posta uma pedra, uma imagem e realizado um canto específico para cada dia. 





  1. Perfume do dia
  2. Pedra do dia
  3. Imagem do dia
  4. Canto (música) do dia




Perfume, pedra e imagem devem estar relacionados à tabela astrológica que define os dias precisos para cada atributo, objeto. O canto ou música é variável, de grandeza e beleza pungente, com os mais variados motivos e através das mais variadas origens do mundo; devem preceder o início e o fim das aulas; faça-se isto por aparelhagem sonora ou por músicos ao vivo, neste caso, de preferência alunos treinados na e da própria escola. A imagem do dia tem-se em honra e memória de grandes luminares intelectuais e espirituais da humanidade.





IV – Correlação dos incensos, pedras e imagens

  1. Segunda-feira (Lua): Jasmim, Ametista, Jesus
  2. Terça-feira (Marte): Estoraque, Rubi, Moisés
  3. Quarta-feira (Mercúrio): Mastique, Topázio, Hermes
  4. Quinta-feira (Júpiter): Açafrão, Rubina, Maomé
  5. Sexta-feira (Vênus): Mirra, Safira, Buda
  6. Sábado (Saturno): Alecrim, Esmeralda, Lao-tsé
  7. Domingo (Sol): Sândalo, Carbúnculo, Zaratustra




Assim que a cada dia de aula (segunda à sexta, posto que sábado e domingo deveriam ser dias livres e as escolas sempre abertas aos alunos para realização de atividades formais e informais) o ambiente escolar estaria docemente perfumado por uma fragrância; chegar-se-ia a ela sendo recebido por um belo aroma e logo entoada seria uma música pré-início de aula, e no centro do pátio, onde dispor-se-á o conjunto de estátuas já descritas, a pedra do dia, elevada sobre a estatuária, a atrair todas as vistas e a reluzir esplêndida, embelezando e enobrecendo o ambiente; e na entrada, a imagem (pintura, desenho, bordado, etc.) do luminar do dia, para que os maiores da humanidade não sejam preteridos pela ignorância vã do esquecimento, e para pô-los todos, frente a frente, num mesmo espaço, numa mesma ode de amor e admiração pelo exemplo dado e a obra ímpar. 





V – Alternativas de nomes da Escola Modelo

  1. Escola Modelo MACHADO DE ASSIS
  2. Escola Modelo JUSCELINO KUBITSCHEK
  3. Escola Modelo FARIAS BRITO
  4. Escola Modelo GETÚLIO VARGAS
  5. Escola Modelo RUY BARBOSA
  6. Escola Modelo DOM PEDRO II
  7. Escola Modelo DOM PEDRO I
  8. Escola Modelo VERDE-AMARELISMO, VERDE-AMARELO ou ESCOLA DA ANTA
  1. Escola Modelo MANUEL BANDEIRA
  2. Escola Modelo TOM JOBIM
  3. Escola Modelo VINÍCIUS DE MORAES
  4. Escola Modelo HEITOR VILLA LOBOS
  5. Escola Modelo JÔ SOARES
  6. Escola Modelo WALTER SMETAK
  7. Escola Modelo PADRE ANTÓNIO VIEIRA
  8. Escola Modelo LUÍS GAMA

etc. etc. 





VI – Opções de contratação para professores de disciplinas optativas

  1. Voluntariado
  2. Bolsa Estudante (para jovens e professores noviços)
  3. Salário Integral
  • Obs: Sem necessidade de diploma




VII – Alunos por turma e estagiários

Já fora dito, na obra precedente, que a questão de alunos por turma não é o maior dos empecilhos, mas que, como média, uma turma com 40 alunos é aceitável; além disso, todo professor deveria contar com, ao menos, 1 auxiliar, quando não 2, como ideal. 





VIII – Lemas inerentes a tudo quanto se queira como pedagogia





  1. Talento de bem-fazer (divisa adotada pelo Infante Dom Henrique de Avis, 1394-1460)
  2. Conhece-te a ti mesmo (máxima inscrita no portal do Templo de Apolo em Delfos)
  3. Dar de si antes de pensar em si (lema do Rotary Club)
  4. Só sei que nada sei (apotegma socrático)
  5. Um por todos e todos por um! (grito de guerra dos “Três Mosqueteiros”, imortalizado por Alexandre Dumas, porém, máxima iniciática da Magia Branca)
  6. Unir para reinar (lema dos Magos Brancos)
  7. Transformação, Superação, Metástase (máxima iniciática)
  8. Unamo-nos para resistir (máxima iniciática)
  9. A Transformação pela Cultura e o Caráter (lema iniciático)
  10. Transformação ou Morte! (lema iniciático, em algo similar ao “Independência ou Morte!” de Dom Pedro I, às margens do Ipiranga)
  11. Karma transformado em Dharma (lema filosófico budista)
  12. Não há religião superior à Verdade! (lema do Mahârâjah de Benares)
  13. Honra ao Mérito e ao Valor! (lema iniciático)

etc. 





IX – Frases com mais-valia pedagógica





Eduque-o como quiser; de qualquer maneira há de educá-lo mal.

Sigmund Freud





Educar verdadeiramente não é ensinar fatos novos ou enumerar fórmulas prontas, mas sim preparar a mente para pensar.

Albert Einstein





Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.

Pitágoras





Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um.

Platão





Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber.

Confúcio





Não será preferível corrigir, recuperar e educar um ser humano que cortar-lhe a cabeça?

Fiódor Dostoiévski





Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.

Esopo





Não posso ensinar a falar a quem não se esforça por falar.

Confúcio





Não podes ensinar o caranguejo a caminhar para a frente.

Aristófanes





Filho lego-te a virtude, a pena que não mente. Outros ensinar-te-ão a felicidade.

Virgílio





O crítico é um fracassado que nos quer ensinar como se triunfa.

Sofocleto





Sessenta anos atrás, eu sabia tudo. Hoje sei que nada sei. A educação é a descoberta progressiva da nossa ignorância.

Will Durant





O mestre disse: Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta.

Confúcio





A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado.

Oscar Wilde





A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.

Padre Antônio Vieira





A educação desenvolve as faculdades, mas não as cria.

Voltaire





Não se podem censurar os jovens preguiçosos, quando a responsável por eles serem assim é a educação dos seus pais.

Esopo





A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior.

Platão





Ousarei expor aqui a mais importante, a maior, a mais útil regra de toda a educação? É não ganhar tempo, mas perdê-lo.

Jean-Jacques Rousseau





A única coisa que interfere com meu aprendizado é a minha educação.

Albert Einstein





A vida deve ser uma constante educação.

Gustave Flaubert





Para as crianças, educação é o mestre-escola; para os jovens é o poeta.

Aristófanes





IDEÁRIO

Gutta cavat lapidem, non vi sed saepe cadendo









O QUE SE BUSCA?

A educação deve ser peripatética, ióguica, orfélica, ateneia ou ateniense, e espartana ou marcial. Misto de escola, teatro e templo, cedendo ao conceito do professor Henrique José de Souza. Misto de coragem e disciplina do guerreiro, da sensibilidade e imaginação do artista, e da fecundidade e do altruísmo santo do sacerdote (que é intelectual no seu mais amplo e alto sentido). 





O RETRATO DO INTELECTUAL CONTEMPORÂNEO

A atual intelectualidade contemporânea (definamos esta como aquela compreendida de meados do século XVIII, com o Iluminismo, até o momento atual, trespassados, logo, quase já três séculos de evolução) é cada vez mais ampla em sua gama de saberes e estudo disciplinar, e igualmente cada vez mais baixa em sua altitude, sobretudo em Filosofia e Caráter. Conclui-se que é um réptil, em comparação zoomórfica, mas não uma ave esplêndida. Ou seja, descerra extensões intercontinentais, mas atinge e avança apenas pelos vales… e desertos. Ficam ausentes os mares, que encobrem o Passado, a ignota História dos séculos findos, a par das ruínas e dos inumeráveis acervos soterrados e monumentos enigmáticos, que vem a ser espólios ou desbravamentos tal qual são as aventuras que ocorrem hoje no espaço sideral e antes através da travessia pelos grandes oceanos “proibidos”. Ficam ausentes também as montanhas, os cumes, as serras santas, locais onde a beatitude encontra guarida. Altitude ou profundidade são ainda seus empecilhos, física como psicomentalmente. Por altura e profundidade física, na terra não vai além de poucos quilômetros abaixo da superfície e dos oceanos, de um montante variável entre diversas dezenas, centenas ou milhares de quilômetros de profundidade. Quanto ao espaço, chegar em naves tripuladas mesmo aos planetas mais próximos ao nosso orbe é ainda futuro, não se passando do satélite lua. No sentido intelectual e espiritual, tão longe estamos de verdadeira profundidade e altitude como estamos distantes do centro da galáxia mais próxima, ou do próprio eixo da nossa galáxia Via Láctea. Possuímos amplitude relativa, portanto, e elevação ou profundidade superficial, física como psicomentalmente. Poder-se-ia dizer:  letramento supérfluo, profano, dessacralizado, cético, ateu, pessimista, em paralelo ao devocionalismo fanático e iletrado. E sempre se apresenta, como sub-reptícia, a corrente humana e filosófica de caráter iniciático afim a uma pequena proporção populacional, sendo muito menor ainda a proporção dos postulantes à Iniciação Esotérica que não possam ser, efetivamente, enquadrados como fanáticos ou supérfluos igualmente… ainda mais no desvario de incongruências do Neo-espiritualismo, sem contar os desvarios inúmeros dos céticos/espiritualistas de partidos políticos de esquerdas e direitas, confirmando tudo isto, em síntese, a corrosão plena civilizacional do gênero humano.





DEVIR/DEVENIRE

    Nada mais que sacralizar a vida humana – por a Vida em si ser sacra -, para tanto corrigindo nossas imperfeições, porém não de maneira dogmática ou por fictícios atalhos fiduciários querendo-se via legítima ao divino, o que incide novamente na imperfeição ou dessacralização da vida, que continua a ser assim sob o véu da pressuposta sacralidade, mas não passando de beatismo nulo para mentes débeis e simples. Dogmatismo e hipocrisia não fazem parte da Perfeição – nem nenhum erro – e, portanto, de nenhuma verdadeira religião. As formas devocionais que assim são representam apenas cultos abstrusos norteados e norteadores de engano. Cultos ilusórios, portanto, com relação à Perfeição, cujo ouro são os incautos, estes que dão tudo o que tem, inclusive o custoso salário mensal, em pró de alguém ou alguma instituição imperando graças à retórica sofística. E o são ilusórios por o elemento humano decaído estar mais neles que o elemento divino no humano. Portanto, sacralização esclarecida e honesta da Arte, dos Costumes, da Moral e da Ética, da Ciência, da Política, da Filosofia e da Religião. 

O devir tem sempre um ponto convergente que se situa como meta, e é sempre uma evolução progressiva, cada ciclo transmitindo ao próximo a síntese de suas melhores qualidades, assim como os seus restos kármicos, e todo ciclo possuindo seus altos e baixos, sendo o baixo verdadeiras épocas de involução, de recrudescimento das piores vicissitudes e apartamento da Lei. O devir é uma constante em um pêndulo cujo centro é fixo, de si repartindo-se em sete direções, sete centros ou raios primordiais. 





A VERGONHA MÁXIMA DA PÁTRIA: O ANALFABETISMO E O ANALFABETISMO FUNCIONAL





I

Muito pior que a desigualdade social ou material é a desigualdade cultural e, mais que estas duas, a desigualdade ética e moral. Qual pauta, enfim, será a mais profundamente prioritária para a vida nacional, os rumos a seguir em matéria política, mental e cívica, e como se chegar à Ordem e ao Progresso verdadeiramente, se a igualdade/desigualdade são construções baseadas em um caminho tríplice ou trifurcado ao qual não se dá a devida atenção? No que a desigualdade revela-se conceito complexo com base assente no Edifício Humano que é, como todos devem saber, um todo formado de três camadas, segmentos, pisos, andares (corpo, alma, espírito). Em síntese: discrepância de dinheiro, de cultura e de caráter

O indivíduo com poucos recursos ou propriedades, dos agravos, é o menor: terá à sua frente o preconceito da pobreza ou da não riqueza, maior ou menor, isto é, do insucesso relativo em ser um “líder” e agente promotor de sua ascensão social para níveis cada vez maiores; nisso mesmo menos prazeres abundando, menos mimos da moda, enfim, menos participação no fluxo tecnológico corrente e das afeições sociais estéticas e fisiológicas, a maior parte destes “benefícios” ou “carinhos da vida” sendo absolutamente pueris, por retesarem e afunilarem ainda mais as superficialidades humanas. No caso extremo deste ângulo visto, obviamente, a miséria, a mendicância, que, como todo extremo, é reprochável, fruto da injustiça e do egoísmo humano e, em muitos casos, fruto da prostração às vicissitudes pessoais. 

No segundo caso, a desigualdade cultural, esta é muito mais perniciosa, por denegrir a alma no mais profundo de sua existência material: a mentalidade. Algo como ser pouco mentalmente, ter-se pouco a dizer de profundo, pouca vastidão e pouca penetração em visões elevadas, em ideias mais próximas das divinas; algo como escravização por correntes físicas – padrão de outrora, embora ainda subsistente – e as correntes psíquicas, muito piores, por cegarem de todo a visão, obliterando-a. A supremacia das correntes psicomentais, impondo laços invisíveis, onde a sofística reina triunfal, impede a revolta e a lucidez; mas a revolta revolucionária, por nascer da sede de justiça justa, porém de um gérmen sangrento e subjugada pelas paixões ilusórias das maiorias ilúcidas, novamente conduz a outras tantas correntes psíquicas. São as piores, por delas dependerem a ignorância e o egoísmo fúnebre, e toda sofística ou oratória interesseira e dissimulada.  

No terceiro caso, moral e ética, aí está o mundo englobado: de poucas posses e inculto; de poucas posses mas culto; culto mas egoísta, preconceituoso, não-sábio. E, por olhar contrário: amorável, devocional, mas débil intelectualmente, um não gosto filosófico, abstrato… Devota mas não sabe; sabe por experiência, por sensação íntima, por fé intuitiva, mas a ciência sobre a experiência e a fé escapam-lhe. Logo, religião e ciência na forma de um homem, uma mulher, uma sociedade, como ideal. Eis aí o que falta e o que deve ser. 

Três prisões, se se quiser, três correntes ou laços opressores, todos num só cárcere que é o globo terráqueo; globo, certamente, de purgação, e ponte, talvez, a outros melhores… Três também, devem ser, as chaves libertadoras do terrível ergástulo da vida humana.   





II

A primeira e maior meta da nação é a erradicação do analfabetismo e do analfabetismo funcional, concomitante à reformulação da Educação Pública brasileira, projeto este absolutamente pátrio, embora que conceitualmente mestiço, como quem diz: “Devedor a gregos e a troianos”, “a sábios e a bárbaros”, – e porque não? – “a egípcios e a hindus”.  





EXTINÇÃO DO VESTIBULAR PÚBLICO

Todos têm direito inalienável, por mera nascença, ao acesso gratuito à escola e à universidade pública, tal como têm direito – ou deveria -, por norma e fundamento social e jurídico mútuo, a ter lar, alimentação, saúde e trabalho garantidos. Este pacto social é o começo e o fim de tudo. A própria água, por exemplo, jamais deveria ser comercializada, posto ser bem maior do viver humano; é o mesmo que querer – quem sabe no futuro – comercializar o ar… (pois a terra já o foi há muito…) tamanho o egoísmo e a estupidez humana; é de se concluir que, se não o fizemos ainda, é por falta de tecnologia que permita este imenso “avanço” civilizacional, pois taxar a Natureza arbitrariamente em tudo quanto é nosso direito inerente como seres partífices da Vida, que dá tudo gratuitamente, é nossa predileção de efêmeros egoístas. Todo imposto, todo suor, todas as horas – as poucas horas humanas na terra – têm de ser recompensadas dignamente e com absoluta justiça, e estes atributos citados acima são a base e o eixo de todo viver e deveriam ser respeitados como valor e direito intrínseco de todo ser humano. O verdadeiro pacto só se faz em vista disso.  





POLÍTICA COMO DÉSPOTA

Política acima de (1) Filosofia, (2) Arte, (3) Ciência, (4) Religião. No estuário das paixões movediças, ela é a rainha, a reitora-mor das alienações, e não por ser política em si, não por ela ser ela mesma em si, mas por ser tal como lhe dão feição: chiqueiro das paixões. A invalidez da nobreza e a ausência da verdade pela ação, restando a hipocrisia discursiva, a retórica manipuladora, com sua irmã gêmea que é o público ingênuo e imaturo mentalmente. Partidarismo que tem na parte, no segmento minúsculo ou grande, sua razão de ser. Partidarismo assente na divisão, cujo prêmio é o rebanho popular, e endossar a fala compreensível e aprazível ao rebanho é tudo! Onde estão as maiorias, raramente está a verdade. Onde há resquício de ignorância, nunca estará a liberdade. Onde a divisão impera, onde tudo são “partes” disformes, não há sabedoria, não há Gautama Buda nem Jesus Cristo.

Todos (materialismo psíquico ou mundanismo vicioso) devem prestar obediência ao Poder Temporal, curvar-se à ele, escravizar-se à ele e aos seus líderes do momento ou às suas ideologias fixas e preconceitos simplesmente medíocres. É a derrocada da própria liberdade e da genialidade intrínseca do ser humano, como se a Arte não fosse seu próprio Poder e sua própria Religião, seu próprio Pilar, sua própria Lei Divina, ou dela expressão lídima, e como se os artistas não superassem em muito, astral e mentalmente, chegando mesmo à intuição perfeita – quem sabe pequenos espasmos de Samadhi inconsciente -, os efêmeros políticos da moda. Mas os artistas, que têm em si gérmen altivo, não deveriam misturar-se com os medíocres e fanáticos, extremistas politiqueiros, dos que acorrem à Política como salvação pátria ou por razão fiduciária, quando toda salvação é individual e somente individual, e neste preciso sentido a Arte é superior e sempre maior. Política, hoje, é apenas sofística, status, dinheiro e poder (psíquico sobretudo, através da propaganda contra-informativa, da mídia e da educação, em paralelo ao primeiro e ao último dos recursos: o belicismo). 

Requer-se a Papisa, as 9 Musas, como contraponto. A Madonna Intelligenza de Dante, a nossa Ísis ou Atenas, portadoras da Divina Sabedoria, não da argúcia humana para fins supérfluos e hediondos; a Sophia gnóstica, a mais bela das imagens, libertadora dos erros e das ilusões. Requer-se a Madonna Intelligenza!





A PAIDEIA BRASILEIRA 

Hoje, estamos como aquele povo bárbaro nascido da letargia, do copismo fátuo, da infância e menoridade em cabeça e peito. Todavia, ainda assim, este povo, esta pátria, mostra suas gentes elevadas em paridade ou em superação expressiva em relação a outras tantas dispersas pelo mundo, também distintas e memoráveis. Nisso, a esperança e a certeza de que pelo ideal nobrehumanista e espiritual – e a boa administração pelo exemplo estadista, que esta condição, hoje paupérrima, será transmutada em luzes amoráveis e efervescentes. 

A Paideia Brasileira é o futuro a luzir pela trilha tortuosa do presente; é a sua coroa régia após a infância de sua noite fúnebre, tempo de iniquidade; é a síntese das pedras do caminho, a gloriosa arcada e cúpula de uma nova pátria como templo em tempo ainda por vir.





SINAL DISTINTIVO

Sinal distintivo, entre as nações excelsas, gloriosas sob o sol, são aquelas que se notabilizam pelo seu elevado grau de cultura e pelo alto valor moral de seus cidadãos. E, como sendo a vida intrinsecamente Mistério, Enigma, que consigo carrega o senso de busca, pasmo e exaltação, é de igual modo a nação maior conquanto mais ampla e profunda for sua sede e conduta espiritual – não sob as amarras da pseudobeatitude, que é beatismo inócuo, religiosismo castrador, mas sob a sua luz real cujo núcleo é o próprio Eu divino individual e pelo Eterno em si mesmo, que por meios indiretos e diretos, pela Vida como pelo Eu, se manifesta.

Tem, ainda, como sinal, as cidades como mimos – as grandes como as pequenas -, a beleza à vista por onde quer que seja, o reduzido ou inexistente número de miseráveis, de cortiços, de propriedades abandonadas e depredadas, e a abundância de jardins, fontes, museus, bibliotecas, livrarias, monumentos, parques, adornando o ar uma atrativa iluminação, pavimentação e instigando-se os olfatos com doces aromas nas ruas, com gentes asseadas, e a abundância de árvores e flores. 

Gira-se ao redor da cultura, da espiritualidade como ciência e como caráter. As artes, as ciências, as filosofias, como eixo normativo da vida; a política como mero serviçal destas, para que se possa fazer de fato regente excelso e “filha da boa moral”. 

É isto, a final, que faz da família harmônica e da nação empírea. Todas as gloriosas nações do mundo, no entanto, são simples e belas sombras de outros mundos muitíssimo superiores onde tudo é perfeição e beleza. Eis aqui a meta de nossas cidades e nações: serem mimos vivos em verdadeira e ostensiva revolução urbanística, sempre em idílios de amores com a Natureza.   





SEM CULTURA, SEM LIBERDADE

Não há liberdade onde há ignorância, já o sentenciou alguma mente. Estrito senso, somente o Iluminado é livre, posto que pelo Nirvana ou êxtase divino abarcou a si inteiramente e consigo a Terra, e, quiçá, para além dela, em vislumbres cósmicos e inauditos. Isto como ponto de consideração para princípio argumentativo. É de se inferir, logo, que no homem comum – o homem medíocre – seu gênio é débil e sua liberdade real naturalmente estreita, para não dizer inexistente ou apenas aparente. Entre os comuns estão homens cultos e iletrados, os homens de bem e os homens maus, os com ou sem talentos, os com ou sem poder, os com ou sem dinheiro, os anônimos ou os afamados, os laureados com prêmios ou os ostracizados. Sendo-se comum por ser-se como todos são, em hordas de pensares uniformes, nada afim pode-se ser – jamais! – com as coisas e seres invulgares e com as preciosidades da vida, ideias ímpares.  





XENOFOBIA CULTURAL OU DITADURA INTELECTUAL 

Xenofobia cultural ou ditadura intelectual (do tipo “só esta doutrina pode ser válida e as demais devem ser extintas… custe o que custar!”) e “imaturidade anímico-mental” (só cada pessoa poderá dizer com que idade começou ou em que época de sua vida começou a deixar de iludir-se tanto, por ver pouco, por excesso de ingenuidade, por ausência do gosto, capacidade, energia ou foco em possuir certa cultura necessária e imprescindível, igualmente por poucas “obras”, “trabalhos”, “frutos”), condições essas de alma que se associam e se expressam peculiarmente segundos os diferentes temperamentos humanos; condições geradoras da ilusão, da apatia, do preconceito, do erro, do desprezo, do envaidecimento, da chacota, desfechando na censura, tortura, encarceramento e assassínio – velada ou diretamente, às vezes sem malquerer na prática o terceiro. Na “maldade consciente” – não os “idealistas” naifs de esquerda ou de direita -, os líderes e dirigentes de partidos, tropas, cortes, ordens, instituições civis e militares, etc.: são os dissimulados politiqueiros pregoeiros da boa moral, como retóricos sofísticos, populistas, demagógicos, embora que apenas sectaristas (elitistas para consigo, para com seu grupo, aliados e núcleo) ou partidaristas (que é consciência friccionada, rachada, partida e… perdida!), triunfando sobretudo na imagem pelo “bom pão” dado ao povo… os meios de sobreviver com pouco, com mínimo, mas viver ao menos graças ao Estado, que certamente deveria cuidar de seus pobres e miseráveis; mas, como sempre, o povo permanece faminto, miserável, e pior: permanece analfabeto e iletrado; quanto à camada culta societária, já este que escreve cansou-se de dirigir-lhe o tom amargo. Não deixa de padecer o Materialismo de nossos dias deste câncer bipolar que é a xenofobia cultural ou ditadura intelectual – ou simples mediocridade temporal, cíclica – e a imaturidade anímico-mental geral – esta, prato predileto daquela.  





O DISCERNIR ATÍPICO 

Eis que todos se iludem com falsos ouropéis, num eterno ciclo de ilusões. Nada é a vida segundo as palavras, mas sim permeio às ações que lhe seguem ou antecedem, mostrando, na prática, quem é quem. 





AS BODAS DE FERRO 

Pela torrente das núpcias tifônicas, das bodas de ferro entre a ignorância e a ilusão, estende-se o mundo devorado em dores. Ocaso da vida e pétreo viver, almas cingidas, eterno zurzir. 





O SIGNO DE LUZ 

O signo de luz está entre os dedos das mulheres, basta que descerrem de seus olhos a névoa das ideologias baratas, e que da ingenuidade contínua passem à lucidez progressiva, mirando cumes cada vez mais elevados. Este louvor de paz e de concórdia – a luz do sol tendo por centro a mulher virtuosa – é o ensejo de uma quintessência robustecida por suaves feições maternais, graças ao Feminino voluptuosamente esclarecido, pelo ardor natural do amor, da arte e do sacrifício.  





O NORTE ESTÁ AO SUL! 

Brasil e Brasil e Portugal em laço de amor. O Sul e a Península dos Íberos. Mais do que História, defesa das Nacionalidades e sentido de potencialidade e vocação profética: as pátrias, os continentes, as raças e seus papéis na História da Evolução Humana. Zênite porvir, ordália presente. Das dores do parto e das crises psíquicas da adolescência de uma nação e de um continente, à guisa de eterno sofrer, ao olímpico amanhecer desfraldado em cores alegres, suntuosa aurora de dias melhores, dias fraternos, dias de amor… norte que está ao Sul!





A FILOSOFIA E A ARTE 

Os próprios étimos ars, artis, faz-nos recorda, com um pouco de imaginação, o de mars (Marte), mártir ou mártires, mar, Ártemis (Arte-misa ou Diana), ar ou ares (sete sopros ou ares vitais), logo áries, e aretê (virtude) e aríete (arma de cerco). Parece a palavra ar, desde logo, tomar a primazia, estando à dianteira do significado velado do termo Arte. Esta, ao que parece, pela sua indicação etimológica, liga-se ao Elemento Ar, em relação às forças ou elementos da natureza; à demonstração de virtude(s) ou um meio instrumental pedagógico de à ela(s) chegar, no que concerne à qualidade das almas e à sua transmutação; mitologicamente, parece ligar-se tanto a Marte quanto a Ártemis (caçadora, tal como Marte é guerreiro, ou contrapartes – em sentido sexual como temperamental e vocacional -, podendo ser interpretados também como Mãe e Filho ou Pai e Mãe, além de Esposo e Esposa), o que quererá dizer a união entre o fogo e a água, ou o burilamento destes dois elementos afim a uma condição ou estado superior. O Elemento Ar, de fato, liga-se ao Mental, tônica de Áries, por isso mesmo à cabeça no quadro zodiacal da fisiologia humana. Tem-se, assim, que Arte é Ar, que Ar é Mental e Mental é Áries. Arte, ademais, é também Mar, e Mar é Água e Água é Ártemis ou Diana. Explica-se por esse modo que o masculino é filho do Fogo (não o físico, mas o etéreo, AÉREO… invisível e sublime, origem do fogo físico) e que o feminino é filho da Água (tampouco as águas físicas, mas aquelas outras do Akasha ou do espaço sideral, cósmico). Unidos os dois (díade, esse “di” presente em Di-ana ou a primeira díade, díade primordial, como Pai-Mãe no seio do regaço infinito) verifica-se a Arte, grã-maestrina do existir humano, nota maior e excelsa da construção cósmica, pois a Vida ou a Criação são obras de Arte indeléveis, em cujo cerne estão as mãos do Eterno e dos Anjos (Elementais e Homens são obreiros “subalternos”, posto ainda viverem insconscientes ou serem semi-autômatos; dhâranâ ou a abstenção total dos sentidos em concentração plena num foco, é ainda apanágio a uma humanidade distraída e tola). Arte, portanto, são cores, e o quadro negro a contrastar e assim a permitir a visualização de imagens, é a Eternidade – que é negro e branco ou Começo e Fim, Origem e Síntese ao mesmo tempo, em perpétuos Ciclos de Ser e Não Ser. Deus em sono é “passividade”, “adormecimento”, “repouso”, em fundo negro, tal como um fechar de olhos (embora tudo, essencialmente, continue a existir e vibrar, apenas em pressuposta inconsciência de si, ou abstenção do princípio de egoidade, de personalismo); Deus desperto, ativo, lança sobre o fundo negro – essa tela cósmica sem fim, porém, com áreas demarcadas para a atividade cósmica – a luz, e assim o multicolorido em plêiades de substâncias é gerado, logo por divisões, subtrações, somas e multiplicações chegando a variedades cada vez maiores em fases sucessivas, potencialmente preexistentes antes da Manifestação objetiva, sintetizadas pelos Deuses Maiores (Dhyans Cohans Superiores) figurativos da Ideação Cósmica ou Mente Divina (Anima Mundi, a “Alma de Deus”, enquanto o seu “Corpo” são os Sistemas Solares das diversas galáxias).

Aqui temos a SENTENÇA, e antes dela a IDEIA e o AMOR.  Nisto, Pai, Mãe e Filho ou Mercúrio, Vênus e Marte; Começo, Meio e Fim; Três Tronos ou Mundos das Teogonias, personificados também por três Deuses Augustos. Áries, por tudo isto, é Filho da Mãe, pois provém do aspecto teogônico ligado ao Segundo Trono ou Mundo, para nós os Céus, mas pertence à Terra (o Filho das Trindades, ou o Céu “preso à Terra”, por amor à humanidade, por cumprimento de dever…), porém, entronizado afastado do Mundo que rege ocultamente, apartado ou escondido, velado, da humanidade: está entronizado no Seio do Globo, também por isso Marte, a Força ou Hércules, é a expressão viva do poder do Sol Interno da Terra, nisso ligando-se ao próprio Hefestos ou este sendo igualmente aquele; o fogo que mareja é a própria Kundalini – núcleo energético da Terra -, enquanto Fohat adere à Terra pelos polos através da Estrela Polar, conforme ensinamento do Venerável Mestre Henrique José de Souza.   

A Arte, portanto, é fruto do conúbio entre a água e o fogo; é a têmpera esplêndida entre a Ciência e a Religião. Quanto à Política, é a condição executiva munindo-se daquelas três; é uma arte pragmática em vista a valores subjetivos que tem como finalidade a Perfeição e a Harmonia entre tudo e todos. A Arte, desse modo considerado, é a esfera da Mediação; é a própria Balança de Vênus com que tudo é “medido, pesado e contado”; é o elo equilibrante entre o baixo e o alto; é o sal que dá gosto e um segundo Sol ainda mais potente e primordial.   





A PEDAGOGIA REAL: EQUILÍBRIO ENTRE DUAS FACES

Se se é apenas severo, e severo como um pequeno ou grande tirano, então faz-se à imagem de Marte desvirtuado, Marte autoristarista, pois a verdadeira autoridade provém do respeito franco e espontâneo e é atributo espiritual. Se se é apenas brando, passivo, é-se Vênus sem jeito, Vênus enfraquecida, Vênus sem sabedoria. Unindo a severidade ao amor em escala igual, em perfeito equilíbrio e segundo as circunstâncias e necessidades, esta é a pedagogia correta, daí a dificuldade às famílias, aos pais e às mães, especialmente quando – como tão comum é – os casamentos ou as uniões fracassam e a criação torna-se fardo único ou quase único de um dos lados. Então o sexo, ao prescindir do outro, fica sem o masculino (severidade) ou sem o feminino (suavidade), embora também estes fatores possam-se inverter em determinados casos (por vezes o homem é o passivo, o tolo, e a mulher é a ativa, a tirana…). Logo, nem Vênus tola nem Marte tirano, e tudo que este quer é aquela, e tudo que esta sabe achar e ter é aquele. A única forma de extirpar tudo isso é abrindo os olhos, amadurecendo, pela conscientização das fraquezas pessoais, das vicissitudes, e se empenhando contra elas, gerando novos hábitos, novos comportamentos. 

Já está claro como diplomas das Faculdades de Educação são nulos na prática: a imensa maioria das mulheres – e dos pais – encaixa-se no quadro descrito acima, portanto, o essencial da pedagogia não é implementado nos próprios lares, que é o começo de tudo, porque querer-se o progresso da nação é mais que narrativa, é fato objetivo que começa por provas dadas no próprio âmbito familiar. Não se sabendo educar os filhos realmente, não se saberá educar ninguém jamais, tenha-se sempre a certeza disso. Os pais, de sua parte, devem fazer o seu papel com maestria; se os filhos não se demonstrarem bons e virtuosos, se não assimilarem as virtudes paternas, então isto se deverá às suas próprias inclinações pessoais arrojando-os às vicissitudes das quais já padeciam latentemente, mais outras que se acrescentarão ao longo da vida, mas o papel que lhes cumpria estará então realizado, ficando à sorte dos filhos seu próprio devir. Contudo, quão poucos pais são capazes disso! de unir a severidade ao amor… em perfeita medida! Com Vênus tola, criam-se preguiçosos, irresponsáveis, apáticos, doentes, suicidas, fracos…. Com Marte tirano, criam-se reprimidos de marca maior, revoltados de toda sorte, brutamontes, infelizes e traumatizados que dificilmente serão capazes de explorar toda sua potência adormecida… Pense-se bem, mães, sobretudo as mães, sobre como preferem ser: se um ou outro destes exemplos, faces diametralmente opostas e, no entanto, similares no resultado – a ruína do filhos, a má educação -, ou se encaminhar-se-ão à sua própria superação autotransformando-se para melhor, sempre mais, sempre avante, para algo mais sábio afim de poder-se exclamar com razão: “Eu sei educar, eu sei o que é pedagogia, eu domino a pedagogia! Fiz-me à imagem de sábio!”. Antes disso, tudo é veleidade maior ou menor, tudo é diploma, não-SABEDORIA.  





O TALVEZ 

Há premissa mais simples, e ainda assim tão marginalizada, do que abster-se de julgar, negando ou aceitando a priori tudo quanto é referido, factual ou aparentemente simbólico, se, a final, não se sabe com ciência, ou seja, com certeza ou com consciência plena? Todas as hipóteses devem ser, como manda o bom senso científico, analisadas e duramente postas à termo, e só depois de os resultados e as provas serem satisfatórias, só então poder-se-ia vaticinar. Ao não saber-se, não exclui-se o possível, mesmo que “improvável”. Ao não saber-se, não se deve deixar levar pelo “acho”, pelo é “lógico”, “provável”, “sem dúvida”, “impossível”, todas estas formas que são, no fundo, opiniastrias baratas anti-científicas, aliás, pondo então em cheque e evidência a moral científica: a INCOERÊNCIA, pois deixa-se levar e domar por PRÉ-CONCEITOS e não pela VERDADE, que exige isenção de espírito de pesquisa. Esta – a Verdade – é o cavalo fogoso só domado pelos que, indiferentes às opiniões, tentam, de modo prático, chegar a ser um com ela. Na ciência ocorre tal como no mundo inteiro: um punhado de vanguardistas incompreendidos em seu tempo, geralmente marginalizados no começo da carreira até por fim triunfarem sobre os mentalmente limitados e mentalmente invejosos, arrogantes e preconceituosos. Os melhores o dirão. Se não se pode provar nem negar, só há uma atitude filosófica e moralmente correta: a ABSTENÇÃO, pondo a ideia em questão como POSSIBILIDADE, como um TALVEZ a ser pesquisado com rigor, mas não negado ou aceito de antemão, dando ainda por cima certas meras especulações apresentadas como fatos e verdades… quando, incoerentemente, rejeita as especulações que bem entende. Esta é a estupidez mental dos seres humanos, dos ditos mas só ditos intelectuais, quando em verdade personalidades pífias. A vida, enfim, não é opinião: é VERDADE ou MENTIRA! É saber ou desconhecer! A vida é pesquisa dos que se movem por si mesmos! E a VERDADE pertence somente aos que pesquisam a fundo, sem preconceitos arraigados nem verdades que são verdades de terceiros, porque vividas por outros, mas não por nós mesmos. A vida é uma mina, e é necessário cavar, cavar cada vez mais fundo…      





O CONHECIMENTO VERDADEIRO OU DIRETO

Ponto base delineador, em termos intelectuais, é a figuração do conhecimento direto e indireto como estados e condições do saber verdadeiro, genuíno, e do saber tão-só especulativo e tomado de empréstimo, ora por ter-se fé nos dizeres de outrem, sabendo-se – ou crendo-se saber – seu caráter imaculado e sua sapiência esplêndida, ora apenas por mera imitação infantil ou por interesses vulgares quaisquer. O ser, enquanto não tiver absorvido todos os aspectos de que prescinde como experiência, só poderá dar à Verdade, ou às inúmeras verdades da existência, testemunho por meio indireto, amparando-se em livros, falas, obras, etc., para firmar a sua rede de sabedoria. Ora sabedor das coisas por senti-las à flor em corpo e alma, por vislumbrá-las por si mesmo e sendo capaz de referi-las com as próprias palavras cheio de criatividade única, ora por pôr às costas essas vestiduras que são saberes provindos da experiência e visão direta de terceiros. Ambas vias convivem, e há de notar-se que sempre há um ser maior e mais sábio do que os já tidos como “perfeitos”, “gigantes” ou “superiores”… Enfim, os homens atuam como se já soubessem tudo, mesmo a evidência dos fatos mostrar-lhes que ainda pouco sabem, e menos ainda têm coerência para saberem separar, em íntimo reconhecimento interno, o que nele é prova viva per se, dando frutos sábios, e o que nele é apenas enxerto – correto ou não – no qual deposita-se fidelidade. Assim, há de saber considerar o quanto sabe por seus meios próprios e em que medida sua vida gira em torno de coisas aprendidas, escutadas, memorizadas, mas não sabidas diretamente, ou seja, o que nele vem como discurso e o que nele entra como visão. De modo que quanto mais evolua um ser, menos imperioso se faz o conhecimento indireto e mais altaneiro e robusto se faz o conhecimento verdadeiro, direto, ipso facto por ser a expressão régia da sabedoria. Somente os tolos vivem de empréstimo, mas no fim a sabedoria não é uma aquisição transferível: é uma absorção individual segundo as próprias forças individuais. Vale afirmar, também, que o ser que busca o ideal do conhecimento direto, este está sempre à margem, por lutar contra as hordas de papagaios humanos, sempre pensando com as ideias e os jeitos de outros, nunca por si mesmos. A pesquisa é considerar uma tese e buscar comprová-la ou vivê-la por seus próprios meios, e somente por seus próprios meios. Todo resto é estupidez e ilusão!





AS FASES DA VIDA HUMANA 

As crianças, tal como as forças elementais (semi-conscientes, por indução, ingênuas); o adolescente, a tentativa do Ego em dominá-las; o adulto, o domínio progressivo sobre elas; o velho, a plenitude transcendente desse domínio (a consciência integrada em Deus). Assim parece o Eterno demandar em espiral arquetipal quaternária; cabe ao homem lograr. Cada transição de fase representa um momento de obscuridade e crise/dor aguda, tal como a troca de pele por certos animais (ou a metamorfose, neste caso física, psíquica, mental e espiritual) e o próprio parto físico e mental humano (refletindo, estudando, arriscando-se, encorajando-se, corrigindo-se, enobrecendo-se). Das crises, ora sai-se triunfante ora sai-se estagnado ora fracassa-se rotundamente, daí o adágio não seguido, a filosofia preterida, logo das sociedades constituírem-se pelos dois últimos casos ou conformarem-se às duas primeiras etapas, estando a terceira formada por poucos (as exceções ou a elite verdadeira onde figuram valores ímpares, esfera própria dos verdadeiros livres-pensadores) e a quarta ainda menos, rareando ao máximo – idílio da natureza e da evolução humana.   





ANJOS: A PEDAGOGIA A LUZIR 

O sentimento religioso, o sentido verdadeiro e a aplicação correta da religião é preciosidade e particularidade dos anjos, que muito bem – em honra aos mesmos – poderíamos chamar por “Rosas dos Céus”, “Rosas Divinas, Celestes, Empíreas”, ao mesmo tempo escudos e lanças distantes – aparentemente – que zelam por nós e nos inspiram. Anjos ou Aves, tanto faz, por provirem dos Céus (afim ao Espírito Santo da Santíssima Trindade, ou 2º Trono, Mundo). Por isso, a Devoção (instrumentalmente Cálice, Báculo, etc.) com seus atributos como o amor, o sacrifício, a bondade, a proteção, a beleza, a inteligência e a intuição, lhes são inerentes. Logo, culto do amor ao sagrado, culto ao Eterno, à Causa Incognoscível dos Mundos, por em cima dos Deuses, dos próprios Anjos, quanto mais de personalidades mortais e profanas. Razão pela qual os anjos representam o futuro; o futuro como estado de consciência humana a vibrar no diapasão angelical. Trata-se, assim, da tese da Necessidade evolucional – física como consciencial -, imposta e ditada pela Lei Divina… ou coisa própria do e no Tempo-Espaço em si em seu fluxo e infinito decorrer. Dharma (Evolução), portanto, do gênero humano. Adharma (Involução), neste caso, nada mais seria que enviesar-se como que perpetuamente, atrelando-se não ao anjo, mas à besta, sendo o próprio homem o liame. No que o homem, como se apresenta hoje, é mais cão que ave, é mais fera do que homem, posto que o ser humano ou eleva-se ao anjo ou decai ao animal, e a associação que faz determina a vida e é expressão sintética dos rumos da humanidade como um todo, para bem e para mal. As exceções de nosso mundo, em suma, seriam então os virtuosos que assim o são por terem se tornado progressivamente símiles vivos – arquétipos encarnados -, conscientes ou não, de “seres de outros mundos”





ÍMPARES, PARES E PARES ÍMPARES  

Sustenta-se, por tudo até aqui apontado, a Necessidade, por um lado, e o Livre-Arbítrio, por outro, como fatos indissociáveis, pois tudo que é ímpar têm seu par, necessariamente. Por exemplo, os homens excepcionais são ímpares, mas colocados em perspectiva coletiva ou por divisão sexual, todos serão e terão seus pares: são os ímpares com seus pares – outros ímpares – ou pares ímpares. Poder-se-ia até mesmo dizer que daí derive toda desgraça humana, ou nisto se reflita a desgraça humana pungentemente, porque ao invés de homens e mulheres ímpares e muitíssimos pares ímpares (amigos, amantes, pais-filhos, alunos-professores, governantes-governados, etc.), há ao contrário a “cornucópia” da mediocridade, o desenlace entre o alto e o baixo, restando o raso e o fugidio. Eis o atavismo dito “perpétuo”, embora seja de pressupor condição transitória da vida da humanidade no transcorrer da Eternidade. O enxame de pares sem ímpares (valores) logicamente faz do mundo um lodaçal em que todos chafurdamos (ou quase todos). Seria a Trágica-Comédia do Bem e do Mal em perpétua fricção, da Ignorância e da Sabedoria, em perpétuo embate, até os seres alcançarem a Neutralidade Perfeita, a Bem-Aventurança dos Santos e Sábios? Não refletiria a criação dos mundos e dos reinos as próprias dores do parto? a dor inerente à hierarquia dos seres e aos seus trabalhos epopéicos? as mais altas ocupando-se das mais baixas, como pais em relação às crianças ou como irmãos maiores em relação aos irmãos menores? 





A EDUCAÇÃO: MORTE DAS INUMERÁVEIS MAYAS

Arguiu-se, assim, até agora, que a educação é uma atividade consciente em vista da anulação das ilusões (próprias da Natureza Cósmica e da inconsciência individual relativa), a maior delas, quiçá, a morte, entendida pelo comum humano como realidade “invicta”, “intocável”, como coisa sempre certa, porém, considerada também por muitos filósofos como mera sombra da Vida Eterna (esta sim invicta, enquanto aquela outra apenas finita dentro da infinitude, no que tudo parece ser infinitamente finito…), como processo ilusório e transitório sem substância em si mesmo (agente modelador desagregador afim de operarem-se novas configurações, em cujo timão estão as Mônadascélulas construtoras da Divindade infinita e imaculada – e o próprio Eterno como Lei Maior

Assim sendo, a tese conduz ao conceito, formulado pelo iminente teósofo Henrique José de Souza, de Transformação – para que possa operar-se a Superação – e, por fim, a Metástase (Integração da Alma com o Espírito e destes na Vida Una ou Deus – impessoal e abstrato). Além disso, caracteriza a educação como processo de superação da morte, a começar pelo conhecimento real das condições da vida do Ser no Mundo ou Plano Astral

De modo que a pedagogia é um instrumental para tornar os homens conscientes de si próprios e da Natureza ao derredor, que é em si ilusória, que vive “escondendo-se”, como que brincando, muito arteira. Mas de brincadeira em brincadeira a coisa pode ficar mais séria, e quem sabe não se encontre algo de valor… De tanto perseguir-se coelhos, quem sabe à toca do mesmo não se achegue!

A vitória do homem é a vitória do anjo em si próprio!





ABISMO E PONTE 

O abismo e a ponte são faces da mesma moeda. O construtor de pontes é ele mesmo o abismo, e enquanto os homens não forem eles mesmos abismos, jamais poderão servir como pontes. 

        

PENSE-SE COMO QUISER 

Já chega de tantas ilusões, se o que a vida nos reserva é algo descomunal! Pense-se como quiser… mas o que é, é, foi e sempre será!





REGRA DE OURO 

               Só há uma regra de ouro verdadeira para as disputas: NÃO MATAR – física como civicamente -, NÃO FERIR, NÃO ROUBAR, NÃO ENGANAR, enfim, NÃO LESAR jamais outrem. Toda contenda deve limitar-se à vitória, à derrota ou ao impasse argumentativo, pois é imperativo que seja a inteligência, sempre, a prevalecer, nunca a força bruta – a força verdadeira é a INTELIGÊNCIA; a força sem inteligência torna-se opressão: é o começo das ditaduras – veladas ou não -, do nepotismo nas relações, é a exclusão do IMPÉRIO DO MÉRITO ou da REPÚBLICA DO MÉRITO. Significa pôr, à frente do MÉRITO, a afeição clubística, e, portanto, seguir sempre a linha de pensamento e conduta de uma instituição. Jamais foi este o IDEAL DO LIVRE PENSAMENTO!





ARTE 

               É o sentido lúdico da existência; a lei maior da simbologia; o cerne da pedagogia; o doce-ácido da vida.





JOGO DE DUALIDADES 

                 Todo criticismo é caolho quando não se vê mais além dos cinco sentidos (posto que a Natureza é ilusória ou relativa e acrisola-se em Mayas) e de um só ou dois pontos de vista. A dialética verdadeira é a policromia de ideias, e é necessário, primeiro, lançar vista sobre todos os ângulos, esquadrinhando tudo metodicamente, sem preconceitos, sem soberbas, apenas com ímpeto de pesquisa imparcial, evitando-se meros “achismos” e orgulhos ao gosto particular dos temperamentos diária e anualmente cambiantes, para depois poder-se de fato julgar com esmero e justiça ou, na impossibilidade de provas e certezas, abster-se de conclusões categóricas, pondo à sua frente um “talvez”, um “é possível”, um “não sei”; só resta continuar avançando até um dia ter-se certeza das coisas. 

                  O jogo de dualidades, na vida, se apresenta muito mais amplo do que o mero embate entre classes, ou entre rico e pobre, entre burguesia e proletariado (ambos alimentando ódio mútuo, daí as revoluçõessociais ou populares como a francesa e a bolchevique, não conscienciais, embora crendo-se conscienciais ou mascarando-se de – serem filhas do ódio, e assim Éris a pautar os ditames, a tomar as rédeas… o frenesi coletivo cego e inconsciente baseado na revolta contra a injustiça, a miséria e descaso das autoridades, fato mais que verdadeiro, pois só então costumam surgir as revoluções, gerando efeitos de qualidade idêntica, que são as ditaduras veladas ou diretas, diretíssimas – digamos que as ditaduras burguesas são veladas e as fascistas, socialistas e teológicas são diretas -, duas opções que se veem em todas as partes do mundo, talvez à exceção de alguns poucos países e regiões). É um verdadeiro embate, mostra também da INJUSTIÇA, mas a problemática humana é muito mais complexa e multifacetada do que isso como para ser interpretada e defendida como a tese mais premente, mais explicativa, mais verdadeira, da História e da Evolução das Sociedades ou do Gênero Humano, como fica evidente na correlação do esquema abaixo. 





  1. POBRE/RICO
  2. CLASSE MÉDIA/RICO
  3. POBRE/CLASSE MÉDIA
  4. CULTO/INCULTO
  5. CULTO/ERUDITO
  6. ILUMINADO/PROFANO
  7. MENTAL/ASTRAL
  8. INTUIÇÃO/ASTRAL
  9. INTUIÇÃO/MENTAL
  10. FELIZ/INFELIZ
  11. BOM/MAL
  12. HOMEM/MULHER
  13. TALENTO/MEDIOCRIDADE
  14. TALENTO/GENEALIDADE
  15. GENEALIDADE/MEDIOCRIDADE
  16. HETEROSSEUAL/HOMOSSEXUAL
  17. BRANCO/NEGRO
  18. BRANCO/AMARELO
  19. ARTISTA/INTELECTUAL
  20. ATLETA/INTELECTUAL
  21. ARTISTA/ATLETA
  22. INTELECTUAL/MILITAR
  23. ARTISTA/MILITAR
  24. SACERDOTE/INTELECTUAL
  25. SACERDOTE/ARTISTA
  26. VELHO/NOVO
  27. NADA/TUDO
  28. POSITIVO/NEGATIVO
  29. KALI YUGA/SATYA YUGA
  30. DECADÊNCIA/AUGE
  31. ESQUERDA/DIREITA
  32. NEUTRO/DIREITA
  33. NEUTRO/ESQUERDA
  34. APÁTICO/ENGAJADO
  35. PRODUTIVO/IMPRODUTIVO

etc.  





              Não podem saber nem configurar em sonhos aonde aponta o Mistério, tão convencidos estão de que “isto” é tudo!… Matadouro, sim; mas matadouro de Mayas, seria melhor.





MERITOCRACIA 

Se a Meritocracia é eixo fundamental do pensar humano e meta porvir, isto quer dizer também triunfo da Pedagogia em seu mais alto sentido; igualmente, a seleção e o governo/administração dos melhores (aristocracia em seu sentido verdadeiro, não no sentido hereditário, por compra de título ou por outros arranjos). Daí que a candidatura a cargos políticos por via obrigatória partidária ser non sense, porque anti-meritória (aliás, a “maioria” deve ser formada pelos “melhores”, deve ser a “aristocracia-maioria” ou “elite-maioria”, no sentido exato de santidade e sabedoria, isso entendendo-se como MÉRITO; ou, talvez: fusão, binarismo perfeito entre aristocracia e democracia, unindo-se e expressando-se perfeitamente a consciência dos povos, porque a maioria seria a qualidade, a qualidade seria maioria) antes burocrática e institucionalista, partidarista, quando o que se requer e necessita é apenas QUALIDADE, VALOR, HONESTIDADE. Por isso, o povo deveria ser livre para escolher livremente personalidades que bem entende-se nos processos democráticos. Essa é a democracia em burocracia meritória e não em nepotismo burocrático.  

 





NOS CÉUS A ESTRELA GUIA 

A sempiterna chama, augusta e indeclinável, tem por razão a essência inata e imutável; bruma e estrela divina, desde os Céus guarda e vigia, altiva, enaltecida de luzes, embriagada de amores rubros, farol-mor da força e fontanário do destino humano; relicário e templo vivo, dos Céus a sua imagem, o corpo tão divino, no entanto estuário das paixões fugazes, do instinto raso – o eterno Id, a eterna INFRA-VONTADE





A FILOSOFIA 

A Filosofia é imensamente mais do que recreio, muito mais do que tristeza, muito mais do que oposição ao mundo, ao mesmo tempo que “inútil” ou aparentemente desinteressada,  por vezes, em relação à política, às forças armadas, às religiões, ao mercado… É uma sine qua non do desenvolvimento humano; e é utilíssima pragmaticamente, por ela ser o insumo da ação, e só ela, junto a uma moral verdadeira e coerente, é útil e pode alimentar a política, qualquer setor humano, como fogo vivo da sabedoria, do conhecimento exato das propriedades, causas e efeitos. Só o Filósofo Iluminado, de fato, só este Arconte do Saber, deveria ocupar a cadeira presidenciável; na ausência deste, aqueles mais próximos do Ideal. A Filosofia tem por escopo final, priorística ou arquetipalmente, a assunção da consciência interna, fadário a que se presta o Gênio no tremeluzir angustiante de sua vida ao longo da Eternidade.  





 TESE DOS QUATRO PILARES

Já tendo abordado o assunto anteriormente, retomo-o afim de estruturá-lo melhor. Principia-se, ora, por se dispor a correlação nestes termos:





ReligiãoCiênciaArtePolítica 

ou (hierarquicamente) 

  1. Religião (Feminino)
  2. Ciência (Masculino)
  3. Arte (Feminino)
  4. Política (Masculino

divididos em dois pares (na mesma lógica de Pai-Mãe para Filho-Filha)

  1. Religião para Arte com extremo oposto em Política
  2. Ciência para Política com extremo oposto em Arte
  3. Arte para Religião com extremo oposto em Ciência
  4. Política para Ciência com extremo oposto em Religião

ou ainda

  1. Religião e Ciência (alto)
  2. Arte e Política (baixo)

Explica-se e prova-se, assim, que tudo é um quaternário civilizacional quádruplos Poderes, quádruplos sentidos -, tendo Religião e Ciência como o primeiro par fundamental (designando AMOR/SABEDORIA) dando origem ao segundo par Arte e Política (designando BELEZA/JUSTIÇA).





  1. Religião (Ciência das Ciências, tal como é e não como se apresenta, pois volta a unir a alma ao espírito e promove a identificação destes com a Substância Cósmica infinita e imaculada, mergulhando o Ser em profundo Samadi ou êxtase, dando-lhe assim conhecimento direto ilimitado e poderes divinos)
  2. Ciência (trata-se da sabedoria derivativa da Religião como Ciência primeira ou síntese das demais, tendo por foco o conhecimento, tanto mecânico quanto metafísico)
  3. Arte (espelho, em verdade, da Religião, ou sua contraparte, sombra, única e cativante, esbelta; é o caminho que embeleza, dá sentido e salva e eleva, além de unir)
  4. Política (área pragmática, de aplicação formal dos anseios divinos dentro de cada homem, de realização dos valores intrínsecos dos degraus acima; desse modo, arquetipalmente, Religião acima e Política abaixo, como Céu e Terra em conluio e paralelismo, e entre ambos as duas pérolas luzentes refletoras, construtivas e destrutivas: Ciência para Política como Arte para Religião; quatro pérolas, portanto, divididas em dois pares, mas acrisoladas por uma mesma concha.  

Muito fácil se torna, após este raciocínio, continuar a demonstração de correlações verdadeiras, por exemplo, usando-se dos 4 elementos, 4 temperamentos, 4 câmaras (política) etc. etc., porque, ao final e ao cabo, no fim das contas, trata-se do número 4 como cabalisticamente presente tanto na terra como no cosmos, universalmente difundido e premente. Estando os números, em realidade, presentes em todas as partes (posto que a abstração e a potencialidade estão em tudo, mas não necessariamente suas formas ativas e limitadas), não há pedagogia possível, de verdadeira, de certa e profunda, que possa abster-se e ignorar a primazia científica e axiomática em matéria de critérios cabalísticos, subjetiva e objetivamente entendíveis e verificáveis.   





ENGENHO – AMOR – INDÚSTRIA





  1. De que serve o Engenho e a Indústria, se não obedecem ao Amor? – TIRANIA e SOFÍSTICA
  2. De que servem o Engenho e o Amor, se não se materializam (Indústria)? INÉRCIA e EGOÍSMO ou ISOLAMENTO
  3. De que servem a Indústria e o Amor, se não há sabedoria (Engenho)? ILUSÃO e DISTRAÇÃO

O que há quando Engenho, Amor e Indústria se unificam? Firmando-se a “Concórdia Trimorfa”, o Engenho dá as ideias, as formas ideais; o Amor a direção moral, pelo exemplo pessoal, determinando a fraternidade entre tudo e todos; e a Indústria a operação prática, construtiva, desses alicerces. 

Finnis

Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine





É meu sonho que este projeto, perpassando a desconfiança e trespassando-a pela virtude dos elementos defendidos, ache porto seguro no maior número de consciências, e que assim triunfe a pedagogia das alturas que o Ideal consagra, sublime e esplêndido como a Natureza vocaciona as melhores ideias. 

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